Reconciliação e perdão – somente pela graça!
Essa ouvi no rádio: É sabido que no Estado do Rio Grande do Sul está acontecendo uma devassa nas contas públicas de alguns setores por conta da denúncia de desvio de verbas. O denunciante é o vice governador Paulo Feijó que gravou conversas de integrante do alto escalão da governadora Yeda Crusius – especificamente de seu braço direito – e, fato vai, papo vem, boato cai, a confusão e a intriga está armada. Pois então alguém teria ouvido o seguinte diálogo: “Feijó, seu eu fosse a sua esposa, colocaria veneno no seu café”. “Então, Dona Yeda, seu eu fosse seu marido, beberia”.
Se é verdade, não sei. Mas ouvi! Intrigas podem começar pequenas, meio inocentes, mas podem ter conseqüências devastadoras.
Há uma intriga que já começou de tal forma poderosa que toda a humanidade foi atingida de forma fulminante: a intriga do pecado. Esta intriga começou unilateralmente: o ser humano quis ser Deus. Quis usurpar o poder que não lhe pertencia e nem nunca lhe pertencerá. A primeira conseqüência que esta intriga trouxe foi falta de paz. Não havia (não há!) mais clima de confiança. Não há mais como olhar nos olhos. A intriga do pecado continua sendo devastadora em toda a humanidade. Toda!
Leiamos o texto bíblico.
Romanos 5.1 Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; 2 por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. 3 E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; 4 e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. 5 Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado. 6 Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. 7 Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. 8 Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.
Na profunda e importantíssima carta que o apóstolo Paulo escreveu à igreja em Roma – carta aos Romanos – há uma surpreendente notícia de que esta intriga venenosa o mortal tem um fim. A carta aos Romanos é, assim, o mais puro evangelho, a mais genuína boa notícia. São temas desta carta: “o pecado e a perdição do homem, a morte de Cristo para salvá-lo, a fé em Cristo como único requisito para ser aceito por Deus, a obra do Espírito Santo para o crescimento em santidade.” Numa linguagem de tribunal, com acusações e defesas, o apóstolo faz o desenho do caminho que leva à restauração da dignidade de cada pessoa que se arrepende. Sobre estas pessoas que aceitam a novidade estende-se o manto da justiça de Deus, manto este estendido a partir da cruz de Cristo.
Deus declara sua amizade a nós. A partir da cruz nos dá a notícia libertadora e transformadora: Seu perdão. Esta notícia nos traz “conseqüências marcantes: paz, graça e glória”.
A paz somente pode ser vivida dentro de um espírito de confiança e entendimento. Confiança e entendimento somente são possíveis a partir do entendimento da justiça de Deus. O capítulo 3.23 desta carta nos alertam que todas as pessoas pecaram e são pecadoras. Portanto vivemos uma situação de dívida para com a justiça de Deus. Isto tira a paz! Somente Deus, com Sua justiça perfeita, pode devolver a paz. E, dito uma vez mais, esta justiça é um manto que desce da cruz de Cristo sobre a humanidade. Onde a intriga é coberta pela justiça, novamente há espaço para que a paz reine. Veja o Salmo 85.10: “...a justiça e a paz se beijaram”.
A graça é o meio através do qual a paz de Deus se instala novamente neste mundo. Da cruz desce o manto do perdão necessário a toda a humanidade, a você e a mim. Desce gratuitamente, é obra da graça irrefutável de Deus, alcançando incondicionalmente Seu braço restaurador e conciliador. “Encontraram-se a graça e a verdade...” nos ensina o mesmo Salmo 85.10. A Verdade é Jesus! A Graça é Jesus! Não há outra “verdade”, porque ela sempre será somente uma verdade: Jesus Cristo que reconcilia a partir da Cruz.
A glória revela a esperança eterna que as pessoas crentes vivem. “...gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; 4 e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança...” Esta, porém, não é uma esperança futurista que pode até não ser alcançada. A partir da graça de Jesus e da verdade por Ele proclamada, podemos já aqui viver nesta glória. Ou, podemos viver eternamente na gloriosa intriga que os jogos de poder, traição, mentiras e ganância nos proporcionam.
Para não esquecermos, o versículo 8 nos consola: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”. Consola e convida para uma nova vida. Assim também nos convida o lema da semana: “Vistam-se de justiça os teus sacerdotes, e exultem os teus fiéis”. (Salmo 132.9)
Ou alguém prefere continuar bebendo o café envenenado?
P. Rolf Rieck