sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Advento - o que vem antes de Cristo vir


O que vem antes de Cristo vir?

“Querido Senhor Deus!
As pessoas estão dizendo que o Senhor é como um rei. Só que quando vem uma pessoa muito importante e passa em nossa rua, ela com certeza não sabe onde eu moro. Mas eu acredito que Tu sabes onde eu moro. Tu não tens uma coroa sobre a cabeça, e por isso tu conheces todas as pessoas perfeitamente. Até a manchinha preta que tenho em minha perna esquerda. Quer apostar? E quando esqueço de lavar minhas mãos, Tu também o sabes. É assim que Tu olhas para todas as pessoas. Um rei nunca olharia com tanta atenção para todas as pessoas. Um rei não se dá esse trabalho. Só Tu fazes tanto sacrifício e trabalho por amor a mim... Tu não tens coroa e vês como os outros não vêem...” Anna


Um rei que vem e vê as pessoas, esta é a boa notícia do Evangelho de Marcos conforme lemos no capítulo 1, versículos 1 a 8. O texto nos fala daquilo que acontece antes do Rei chegar, passar, habitar entre homens, mulheres e crianças. O caminho está sendo aberto para que o Rei passe e olhe bem no olho de todas as pessoas que buscam Sua proximidade. Como isso acontece?

1. É cumprimento de promessa. O profeta Isaías foi certamente aquele que mais insistiu para que o povo aguardasse a salvação no prometido Messias. Este Rei não é um oportunista, mas um enviado e tão aguardado que mesmo os mágicos do oriente quiseram saber de quem se tratava. Assim, Jesus é o Evangelho em pessoa. É a boa notícia que nunca mais será esquecida. João Batista concretiza esta promessa, indicando para o prometido.

2. Uma voz se faz ouvir. João não é o verbo, mas é a voz. Sua voz ecoa preparando as pessoas para que ouçam o verba da salvação e da reconciliação com Deus. “Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação.” (2Co 5.18ss) A voz que anuncia esta notícia promove um erguer dos olhos para olhar o Rei com esperança de ser reconhecido e agraciado.

3. Um excêntrico mostra o caminho. João certamente não era encarado como uma figura normal. Tinha hábitos estranhos. Louco? Não, é pessoa extremamente simples! Ele era popular! Era alguém que não seria notado pelos olhos reais se o rei não fosse especial. Ele, com sua aparência, era a encarnação do arrependimento e do desprendimento. Vestia-se como um nômade, sem abrigo, sem casa, sem família. Alimentava-se com aquilo que se encontra em regiões desérticas. Nada de banquetes. Vivia no deserto. Acreditava-se na época que era lá que moravam os demônios. Além de ser considerado excêntrico, João, o batizador, era também um indigno. Ao contrário das obrigações dos escravos, nem as sandálias deste rei o “preparador do caminho” era digno de tocar.

4. A mensagem antes da vinda de Jesus. Foram duas as mensagens deste indigno excêntrico: preparar o caminho e o perdão dos pecados. Quando se completa o tempo, há uma chamada para a mudança de atitude, de postura pessoal e social. Com a proximidade de Jesus os valores são repensados e novas formas de viver a vida são encaradas. Esta mudança não pode acontecer se, efetivamente, não houver espaço para o arrependimento, a reconciliação, para o perdão, para o recomeço.

5. A repercussão do anúncio do Advento. As pessoas que habitam a cidade por onde passa o rei – o rei sem coroa e que enxerga as pessoas – são de tal forma impactadas com a notícia, que passam a viver uma experiência completamente nova. Não é o batismo exterior que as segue e transforma – o batismo joanino era um sinal exterior de compomisso – mas é um batismo que atinge o cerne, o espírito da pessoa, sua essência. O Rei que vem, que enxerga, que sabe o nome de cada pessoa e a necessidade de cada pessoa, chega e a transforma de dentro para fora. Este é o batismo no Espírito.

Isso acontece tudo antes do Advento.
Tempo de preparação e compromisso.
Como nós temos aguardado aquele que vem, que voltará e levará Sua Igreja para sempre?

Pregação para o Segundo Domingo de Advento.
Desejamos um bom tempo de preparo a você também.

sábado, 29 de novembro de 2008

Temor a Deus


Temor a Deus

“Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e o apartar-se do mal é o entendimento.” (Jó 28.28)
“O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria; revelam prudência todos os que o praticam. O seu louvor permanece para sempre”. (Salmo 111.10)

Estamos terminando mais um ano no calendário eclesiástico. Como na Igreja Cristã tudo começa com o nascimento de Jesus Cristo, teremos ainda um domingo – chamado de Cristo Rei – e logo começa o novo ano com o 1º domingo de Advento. O término do ano eclesiástico está associado a expectativa do novo. Quando termina, é porque algo novo vai acontecer. Como é esse novo? Como se preparar para este novo? A temática dos cultos em nossa Igreja neste 27º Domingo após Pentecostes quer nos levar à reflexão sobre a vigilância e necessidade de preparação para a vinda de Jesus Cristo.

Jesus vem! Jesus voltará! Isso soa a juízo. Que espécie de sentimento isto suscita em nossa vida? De que forma nos preparamos para este fato?

O barbeiro era famoso na cidade. Tinha uma freguesia muito seleta e fiel. Mas, quando vinha alguém desconhecido, como bom cristão que era, logo se punha a falar de Jesus. Eis que chegou um homem desconhecido para ser barbeado. O barbeiro logo encheu seu rosto com farta espuma de barbear, afiou cuidadosamente a navalha na tira de couro, deitou a navalha no pescoço do cliente e perguntou: - O senhor já tem certeza da vida eterna? Pensando que este era seu fim, o cliente deu um pulo e correu avenida abaixo.

Quando nos preparamos para a vinda de Cristo e quando somos levados a pensar sobre a necessidade de preparo e vigilância, fatalmente precisamos fazer considerações sobre o temor a Deus. O que dizem alguns textos bíblicos sobre o assunto?

Temor culposo

O conceito de culpa no temor a Deus está presente quando pessoas fazem exatamente aquilo que vai contra a vontade justa de Deus. Aconteceu, por exemplo, quando Adão e Eva, “...na viração do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus...” (Gn 3.8). Neste ano que se encerra aos poucos certamente houve momentos em que tentamos também nos esconder de Deus. Isto gera temor culposo e precisa ser resolvido diante de Deus e das pessoas. Os que não crêem em Deus... “tomam-se de grande pavor, onde não há quem temer: porque Deus dispersa”... os incrédulos. (Salmo 53.5)


Temor ordenado


O temor a Deus é ordenado, mas sempre no sentido de reverência. A reverência a Deus passa pelo respeito ao próximo, pela busca da justiça, da verdade, do repeito. A reverência a Deus não tem outro caminho a não ser o do amor ao próximo. Isto implica em aborrecer todas as formas de mal. “O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa...” (Provérbios 8.13) Por outro lado, este reverência, este temor ordenado, é princípio de sabedoria (Salmo 111.10)

A pedagogia do temor

Doutrinas cristãs que metem medo para controlar seus seguidores e seguidoras existem aos montes. Nós sabemos, pelas evidências bíblicas, que Deus abraça a todas as pessoas com sua graça redentora. E é exatamente isto que nos faz ter um temor reverente a Deus, reconhecer sua graça. É a partir deste temor que todas as pessoas podem compreender que são perdoadas. “Contigo, porém, está o perdão, para que te temam” (Salmo 130.4). Este é o temor pedagógico que Deus quer que entendamos. “...que é que o SENHOR requer de ti? Não é que temas o SENHOR, teu Deus, e andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma ... vosso Deus é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores...” (Deuteronômio 10.12, 17)

Temer a Deus não tem nada a ver com a “teologia do medo”, mas sim com o repeito. Nestes dias de nos separam do Natal e do Novo Ano, tentemos reconsiderar nossas atitudes sociais e de fé, para que sejam testemunho de que amamos a Deus e ao próximo. Que isso nos leve a uma esperança confiante.

Amém!

Que você tenha um abençoado tempo de preparação para o Advento de Cristo Jesus. P. Rolf Rieck

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Somente Cristo - fundamento de fé



Esta pregação fez parte da comemoração da Reforma Luterana na Comunidade Evangélica de Joinville. Em nossa Paróquia, ao falarmos de Somente Cristo, completamos o ciclo de pregações sobre os quatro fundamentos da Reforma. Tenha uma boa leitura. P. Rolf

João 14.9, 19-20: Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Ainda por um pouco, e o mundo não me verá mais; vós, porém, me vereis; porque eu vivo, vós também vivereis. Naquele dia, vós conhecereis que eu estou em meu Pai, e vós, em mim, e eu, em vós.

Somente Cristo

33% da população mundial se considera cristã. Isto é resultado de fé. Mas pode também ser resultado de condicionamento cultural, uma vez que muitas pessoas se dizem cristãs por conveniência (outras não podem se identificar como cristãs por causa de perseguição). Por isso é pertinente a pergunta neste século XXI: por que Cristo? ou, por que somente Cristo?

Hoje temos uma notícia a lhes dar: Somente Jesus Cristo salva. Só Cristo Jesus transforma a vida das pessoas. Jesus, o filho de Deus, Deus encarnado é o Redentor, o perdoador. Somente Cristo é base e fundamento para a vida digna, alegre e livre.

Não é suficiente dizer que há tantos cristãos para comprovar que somente Cristo é salvador. O que diríamos hoje de um homem jovem, saído de um lugarejo insignificante, que não tem uma cultura? Que diríamos de alguém saído de um lugar onde se fala um dialeto estranho, onde não há avanço técnico, onde não há arte, onde não há conhecimento científico, onde não há uma história importasnte para as religiões do planeta? Para começar, teríamos que chamar alguém que interprete seu dialeto estranho e mal elaborado. Logo este intérprete nos diria que este homem afirma ser o caminho, a verdade e a vida! Certamente teríamos que lhe dizer: “Ó jovem homem, vá primeiro ter um pouco de experiência de vida. Daqui a trinta anos você volta e daí conversamos melhor”.

“Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos.” João e Pedro defenderam assim sua confiança em Jesus diante das autoridades do Sinédrio, este tribunal que julgava questões criminais ou administrativas. (Atos 4.12). Lutero afirmou: “O mais sublime estudo de teologia consiste em reconhecer realmente a Cristo. Grave em ti mesmo a imagem do homem que se chama Cristo. Meu caro irmão, aprenda a conhecer a Cristo, isto é, o crucificado. Aprenda a dizer a ele: Tu, Jesus, és a minha justiça, eu sou teu pecado; tu aceitaste o que é meu (o pecado) e me deste o que é teu (a justificação).”

Somente Cristo. Esta mensagem luterana tem ainda lugar nos dias pós modernos?
De Lutero ouvimos: “As palavras ‘Cristo ressuscitou dos mortos’ devem ser decoradas e escritas com letras grandes, cada letra do tamanho de uma torre, sim, tão grande como céu e terra, para que não vejamos, ouçamos pensemos e saibamos outra coisa que este artigo. Pois não falamos e confessamos este artigo porque aconteceu, como se contássemos uma fábula, um conto ou um evento, mas para que se torne forte, verdadeiro e vivo no coração. E isso chamamos de fé, se o inculcamos em nós de tal maneira, que nos entregamos completamente a ele, como se nada mais estivesse escrito que ‘Cristo ressuscitou’. Se acreditássemos isso, teríamos boa vida e morte; pois Cristo venceu a morte e ressuscitou não apenas por sua pessoa, mas você tem que emendar isso de tal maneira, que vale para nós e também nós estamos inclusos e presos no ‘ele ressuscitou’ e devemos, por causa dele e da sua ressurreição, ressuscitar e viver eternamente com ele. Pois em Cristo a nossa ressurreição e nova vida já começaram, e estão tão seguros, como se já tivessem acontecido; mas ainda estão escondidas e não são visíveis. (Pregação de Lutero, 1532, sobre Jo 14).
Filipe, o interlocutor de Jesus em João 14 ainda não tinha esta convicção absoluta a respeito de Jesus Cristo. Jesus teria desempenhado sua missão em vão? Mesmo os mais próximos dele ainda não o conheciam? Filipe pede um sinal. Tenho ouvido muita gente dizer que é simples crer em Deus. Basta olhar a natureza. Filipe olhava e nada via!
Deus não se deixa encontrar na natureza. Deus não se revela na história com sinais de Sua presença. Deus não aquieta o coração sem fé da humanidade em sinais aqui, ali e acolá. O que Filipe pede e o que a humanidade busca, já está revelado: somente Cristo. O Deus invisível, o Pai, o Criador, está visível em Cristo Jesus. Jesus é a presença irrefutável de Deus na humanidade, na criação, na reconciliação.
Onde encontramos Deus? Onde enchergamos Deus? Somente onde está o “pão da vida”, onde está a “fonte da água viva”, onde acontece a “reconciliação”, onde se encontra uma “porta” para mudança de vida, onde está a “ressurreição e a vida”, ali Deus é visível. Moisés pediu a Deus: “Rogo-te que me mostres a tua glória” (Êx 33.18), e nós vemos Jesus Cristo.

Jesus Cristo, não como uma personalidade importante na história, não como o filho mais ilustre de uma nação, não como a melhor e mais perfeitas ilustração do que é amor e fé. O grande milagre é que em Jesus vemos Deus. Jesus é Deus feito gente como você e eu.

Quando, finalmente, vamos poder “ver” tudo isso? “Ainda por um pouco de tempo...” (v.19). Conforme este evangelho, em 24 horas Jesus não mais seria visto. Seria morto e crucificado. Em pouco tempo aconteceria o limite entre o crer e o rejeitar a Cristo. Somente um pouco de tempo! Que fazemos nós em nosso “pouco de tempo” em relação às nossas opções de vida e fé?

“...vós conhecereis que eu estou em meu Pai, e vós, em mim, e eu, em vós.”(v.20) Querer conhecer Deus é buscar conhecer Jesus. E isso é redescoberta do Evangelho. Sim, mais uma vez quero dizer: essa é a boa notícia desse dia que precisa ser dita aos quatro ventos. Jesus, somente Cristo, é a revelação plena e absoluta do Deus triuno. E a cruz é o mais perfeito sinal da criação reconciliada com o Criador. E mais: não há sinais de diluição da importância central e fundamental de Deus na vida de cada pessoa quando a comunhão de Jesus e a pessoa se estabelece pela fé e obediência à Palavra. Deus, Jesus e suas criaturas se fundem numa mesma esperança e certeza de Vida: somente Jesus.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Ama et fac quod vis

Mateus 22.34 Entretanto, os fariseus, sabendo que ele fizera calar os saduceus, reuniram-se em conselho. 35 E um deles, intérprete da Lei, experimentando-o, lhe perguntou: 36 Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? 37 Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. 38 Este é o grande e primeiro mandamento. 39 O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 40 Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas. 41 Reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus: 42 Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhe eles: De Davi. 43 Replicou-lhes Jesus: Como, pois, Davi, pelo Espírito, chama-lhe Senhor, dizendo: 44 Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés? 45 Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho? 46 E ninguém lhe podia responder palavra, nem ousou alguém, a partir daquele dia, fazer-lhe perguntas.

Esta prédica foi assunto dos nossos cultos no último dia 26, conforme indicação da série de perícopes das senhas diárias. Desejamos a você uma boa reflexão. P. Rolf





Ama et fac quod vis.
(Ame – e faça o que você quiser)


Uma associação humanista deverá começar 2009 com uma campanha na cidade de Londres. Pretende colocar em trinta ônibus da capital inglesa faixas dizendo: “Provavelmente, Deus não existe. Agora, pare de se preocupar e aproveite a vida”. A campanha ateísta tem o apoio do acadêmico britânico Richard Dawkins, autor do livro Deus, um delírio e conhecido pelos seus documentários questionando o papel das religiões. Este Sr. Dawkins já ganhou muita fama por cultuar o altar evolucionista de Darwin. Conforme a BBC, o objetivo de pessoas assim é de promover o atíesmo e encorajar, por assim dizer, os demais ateus saírem do armário, “a assumirem publicamente a sua posição e elevar o astral das pessoas a caminho do trabalho". Dawkins e seus discípulos capricham em seus argumentos e envolvem muita gente com sua lógica de pensamento.



Nos dias de Jesus esse papel era assumido por outro grupo: o dos saduceus. Eram provavelmente remanescentes dos dias de Salomão, hábeis em argumentos de sabedoria e que sabiam questionar e argumentar como (quase) ninguém. Embora tivessem uma certa piedade religiosa, não acreditavam em nada que não pudesse ser provado. Eram empiristas, praticamente existencialistas. Jesus os calou, conforme lemos no Ev. de Mateus. Os fariseus, outro grupo tido como cheio da razão e do conhecimento resolvem também afrontar Jesus. Afinal se Jesus for um mero ser humano, então ele não existe como filho de Deus. Desmascara-se Jesus e continua-se numa religiosidade de aparências, de medos e de submissões (como a de que Dawkins parece entender bem). Preserva-se um religião do medo e nega-se o caminho livre com Jesus.

No século retrasado, quando vieram os navios trazendo os imigrantres europeus ao Brasil, diz a história que também estava a bordo de um desses veleiros um certo Sr. Janfrüchte. Foram semanas de viagem incerta sobre o mar bravio. Nessa viagem ao Brasil, o Sr. Janfrüchte não deixou de, em nenhum momento, testemunhar sua fé e confiança em Jesus Cristo. Isso se tornou motivo de risos e chacota a bordo do navio. Todos riam deste crente. Até o capitão entrou, segundo se conta, nessa brincadeira de zombar daquele passageiro. Certo dia o capitão subiu ao deck do navio e com sua luneta procurava aflitamente por algo no horizonte: “Aqui não está”, “Aqui não vejo nada”, “Onde se escondeu?” Muitos passageiros subiram e perguntaram ao capitão o que procurava. “Procuro pelo bom Deus, mas não o encontro!” Todos entenderam do que se tratava e riam ainda mais de Janfrüchte. Este, calmamente, subiu até onde todos estavam e, dirigindo-se ao capitão, disse: “O senhor não consegue ver Deus? Isso não poderia ser diferente. Na minha Bíblia está escrito ‘Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.’ Então, Sr. Capitão, agora sabe porque não consegue ver Deus”.

Saduceus, ateístas, humanistas, existencialistas e muito outros questionam a existência de Deus ou questionam sua eficácia. Os fariseus questionaram a veracidade de Jesus a partir da opinião que o Mestre expressou sobre a lei de Deus. Todos tiveram que se calar. Por que?

Jesus responde com a lei do amor.

Agostinho, um dos primeiros grandes teólogos da humanidade, nos deixou a chave para entender a existência e a eficácia de Deus na vida da humanidade. Disse: Ama et fac quod vis – ame, e faça o que você quiser.
Jesus deixa um novo mandamento. Este, na verdade, resume e atualiza todos os demais mandamentos do Antigo Testamento (não somente os dez, mas também os perto de quatrocentos outros). O novo mandamento, por sua vez, se resume na palavra amor. É evidente que estas palavras não são destinadas ao público em geral, e sim, a pessoas que crêem e confiam em Jesus irrestritamente como seu Senhor e Salvador. Portanto, a pessoas que crêem em Deus e no Filho de Deus que age através da divindade do Espírito Santo.

Ame – e faça o que você quiser! Que inspirado resumo do Evangelho de Jesus Cristo! Podemos erroneamente ouvir esta chave de Agostinho como sendo faça o que você quiser. Ou, viva de qualquer jeito que tá tudo bem. Ainda, pare de se preocupar e aproveite a vida, como sugerem os ateístas. Mas isso não é assim! Se prestarmos bem atenção a Agostinho, que prestou bem atenção à Bíblia, amar significa completa obediência e dependência de Deus, é a condição de ser escravo do amor libertador (isso lhe parece contraditório?).

A vida de quem ama segundo Deus está tão amarrada à vontade de Deus, que o amor à vida no sentido pecaminoso da autosuficiência e da ausência de Deus fica definitivamente para trás. Repleto deste amor libertador de Deus, preenchido de forma existencial com este amor, esta pessoa não quererá mais viver outra coisa que o amor.

Jesus diz (João 13.34): Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Quando Agostinho explanou sobre este versículo, disse que o povo cristão não deve amar de forma interesseira, egoísta, com falsas motivações. Assim, de maneira interesseira, se amam muitos casais, muitos pais e filhos, muitos amigos e amigas – somente até o ponto em que podem tirar vantagem das outras pessoas. Assim os fariseus faziam com sua aplicação fundamentalista das leis mosaicas. Sempre a corda estourava na parte mais fraca – o outro. Como, então, deve-se amar? Devemos amar como Deus nos ama!

Os fariseus quiseram reduzir Jesus a uma descendência de um reino saudoso que já não existia mais, o do Rei Davi. Nesta forma reducionista de ver a vida, os fariseus conseguiriam continuar a manipular as pessoas ao seu redor. É um grande jogo de poder. Jesus não se presta a isto. V.45: Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho? E mais uma vez desmascara a esperteza humana. Quem conhece o amor de Jesus não mais se intimida com especulações criativas.

Ama et fac quod vis. Ame – e faça o que você quiser. O amor de Deus existe! Deus existe! Ele é real e transforma situações de injustiças e de falta de perdão em reconciliação.

Para uma análise final de cada um de nós:
V.42: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? “Deus existe! Agora, pare de se preocupar e aproveite a vida”. “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.” (Mateus 5.8)

O cesto e a água


Esta mensagem foi lida para os confirmados e confirmadas pela equipe de de Ensino Confirmatório. A mensagem combina com o tema desta confirmação de fé, como você pode ler na mensagem anterior deste blog.

O CESTO E A ÁGUA

UM DISCÍPULO CHEGOU PARA SEU MESTRE E PERGUNTOU:
MESTRE, POR QUE DEVEMOS LER E DECORAR A PALAVRA DE DEUS SE NÓS NÃO CONSEGUIMOS MEMORIZAR TUDO, E COM O TEMPO ACABAMOS ESQUECENDO? SOMOS OBRIGADOS A CONSTANTEMENTE DECORAR DE NOVO O QUE JÁ HAVIAMOS APRENDIDO.
O MESTRE NÃO RESPONDEU IMEDIATEMENTE AO SEU DISCÍPULO. ELE FICOU OLHANDO PARA O HORIZONTE POR ALGUNS MINUTOS E DEPOIS ORDENOU AO MESMO:
PEGUE AQUELE CESTO DE JUNCO, DESÇA ATÉ O RIACHO, ENCHA O CESTO DE ÁGUA E TRAGA ATÉ AQUI.

O DISCÍPULO OLHOU PARA O CESTO SUJO E ACHOU MUITO ESTRANHA A ORDEM DO MESTRE, MAS, MESMO ASSIM OBEDECEU. PEGOU O CESTO, DESCEU OS DEGRAUS DA ESCADARIA DO MOSTEIRO ATÉ O RIACHO, ENCHEU O CESTO DE AGUA E COMEÇOU A SUBIR.
COMO O CESTO ERA TODO CHEIO DE FUROS, A ÁGUA FOI ESCORRENDO E QUANDO CHEGOU ATÉ O MESTRE JÁ NÃO RESTAVA NADA.

O MESTRE PERGUNTOU-LHE:
ENTÃO MEU FILHO, O QUE VOCÊ APRENDEU?
O DISCÍPULO OLHOU PARA O CESTO VAZIO E DISSE, MEIO SEM GRAÇA: APRENDI QUE CESTO DE JUNCO NÃO SEGURA ÁGUA.

O MESTRE ORDENOU-LHE QUE REPETISSE O PROCESSO.
QUANDO O DISCÍPULO VOLTOU COM O CESTO VAZIO NOVAMENTE, O MESTRE PERGUNTOU-LHE: ENTÃO MEU FILHO, E AGORA O QUE VOCÊ APRENDEU?
O DISCÍPULO NOVAMENTE RESPONDEU MEIO SEM GRAÇA: QUE CESTO FURADO NÃO SEGURA ÁGUA.

O MESTRE ENTÃO CONTINUOU ORDENANDO QUE O MESMO REPETISSE A TAREFA. DEPOIS DA DÉCIMA VEZ, O DISCÍCUPLO ESTAVA DESESPERADAMENTE EXAUSTO DE TANTAS VEZES DESCER E SUBIR AS ESCADARIAS.

PORÉM, QUANDO O MESTRE LHE PERGUNTOU DE NOVO:
ENTÃO MEU FILHO, O QUE VOCÊ APRENDEU? O DISCÍPULO OLHANDO PARA DENTRO DO CESTO PERCEBEU ADMIRADO QUE O MESMO ESTAVA LIMPO APESAR DE NÃO SEGURAR A ÁGUA, A REPETIÇÃO CONSTANTE DE ENCHER O CESTO ACABOU POR LAVÁ-LO E DEIXÁ-LO LIMPO.

O MESTRE POR FIM CONCLUIU: NÃO IMPORTA QUE VOCÊ NÃO CONSIGA DECORAR TODAS AS PASSAGENS DA BÍBLIA QUE VOCÊ LÊ, O QUE IMPORTA NA VERDADE É QUE NO PROCESSO A SUA MENTE E A SUA VIDA FIQUEM LIMPAS DIANTE DE DEUS.

(AUTOR DO TEXTO: DESCONHECIDO.)

QUE DEUS ABENÇOE SUAS VIDAS E QUE TODOS TENHAM UMA ABENÇOADA NOITE.

A EQUIPE DO ENSINO CONFIRMATÓRIO.

sábado, 25 de outubro de 2008

A água da vida corre para todos para que todos transbordem!


Prédica proferida nos Cultos de Confirmação onde 22 jovens disseram SIM para uma vida com Jesus Cristo, a partir do que juntos aprendemos em nosso Ensino Confirmatório.

A água da Vida corre para todos, para que todos transbordem.

João 7.37 No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. 38 Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. 39 Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado. 40 Então, os que dentre o povo tinham ouvido estas palavras diziam: Este é verdadeiramente o profeta; 41 outros diziam: Ele é o Cristo.

Com tanta chuva nos últimos dias, isso até parece improvável, mas se diz que nós todos ainda sofreremos com a falta de água. Ou será que a água já não nos falta? Vamos refletir sobre isto neste culto em que oito adolescentes vão fazer a confirmação de sua fé no Senhor Jesus Cristo.

A água da Vida corre para todos, para que todos transbordem.

Na Bíblia esta água significa “Comunhão com Deus”, significa “Vida cheia do Espírito Santo” e também “Fonte de salvação”.

A água mata a sede, e a sede é o pior dos tormentos pelo qual uma pessoa pode passar em meio ao deserto. Uma pessoa pode estar em um deserto mesmo sem nunca ter chegado perto de um deles. Os desertos da vida estão ao nosso redor. O deserto da insegurança de um jovem adolescente, o deserto da incerteza quanto ao futuro ou mesmo o deserto da falta de amor e falta de valores podem ser cruéis.

“Se alguém tem sede, venha a mim e beba.”
Jesus faz este convite! Jesus oferece esta água. Jesus é a água da vida. Esta Água traz à humanidade tudo o que ela necessita para uma vida feliz e transbordante: Perdão, paz, paciência, amor, longanimindade, alegria, domínio próprio, afinal, tudo o que realmente enriquece a vida. É a vontade de Deus que também neste mundo o nosso coração diariamente transborde de alegria e paz. Você quer isto?

Assim como esta água corre aqui no altar, enchendo o jarro, transbordando para dentro deste outro jarro, assim é Jesus para a nossa vida. E nós somos como um destes jarros. Daqui corre água suficiente para que todos transbordem. Mas certamente nem todos estão transbordando, embora exista água suficiente para todos. Depende da nossa posição: se nos deixamos encher desta água, ou não. É a posição dos corações humanos que muitas vezes não está posicionado para que Deus encha de água. Os setes jarros, perto da fonte, podem nos ajudar a entender esta realidade.

- O Primeiro Jarro indica uma dessas posições erradas: o orgulho. Corações orgulhosos, altivos, soberbos, erguem-se sobre os outros. Longe da fonte, este jarro fica completamente vazio. Assim também o coração orgulhoso está sempre sem alegria e paz. O soberbo sempre procura culpar os outros e não conhece a expressão: "Perdoe-me". Se mudasse de atitude, receberia também a vida com Deus, pois está escrito: "Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça." (I Pedro 5:5).

- O Segundo Jarro, é uma ilustração da busca pelos prazeres levianos. Vivemos uma degradação dos valores sociais porque vale aquela máxima: se eu gosto, não interessa se me faz mal. Um jarro assim, evidentemente, não contém a água da vida. É mais fácil encontrar uma cobra ali dentro que alguma coisa boa. Se este jarro mudasse de posição e se colocasse debaixo da fonte! Toda a sujeira e o que mais for, seriam expulsos imediatamente e transbordaria de água limpa e pura.

- O Terceiro Jarro, diz respeito à busca da satisfação material. Está, atualmente, quebrado. Quebram-se as expectativas de consumo e o jarro fica jogado em um canto. É o jarro que representa as vaidades deste mundo, com suas atrações e divertimentos. Não pode ser cheio de água! Como alternativa, Satanás estará sempre disposto a oferecer coisas mundanas para satisfazer os desejos da alma. Ele usa a televisão, as novelas, revistas e jornais para encher os olhos das pessoas, o vasto e infinito mundo da internet, mudando seus conceitos de moral e ética. Estes meios fazem com que o que era pecado antes, agora não seja mais. Pecado é, no máximo, um sentimento de culpa e que deve ser tratado com terapia. Enquanto isso, a alma de adolescentes e adultos continuam se afundando mais ainda.

- O Quarto Jarro, poderia estar cheio, se não estivesse tão longe da fonte. De vez em quando, recebe algumas gotas, mas nunca chega a transbordar. A posição deste jarro quer ilustrar a indiferença. Às vezes, ouve-se à palavra de Deus, e de vez em quando recorre-se à oração, mas como não existe desejo ardente pela comunhão com Deus, torna-se desconhecida à verdadeira felicidade. Assume a posição de ser nem quente e nem fria. Vem à igreja somente quando as coisas estão difíceis, quando a dor aperta. Pede oração, pede milagres. Quando tudo está bem, volta para um mundo de esquecimento de Deus.

- O Quinto Jarro - É o tipo da pessoa que até se inclina para receber a água da fonte. Mas ainda têm outro centro de vida: Jesus e a riqueza, Jesus e a secularização, Jesus e a posição social, cultura e religiosidade. “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”. (Mt 6.24) Jesus para eles não basta como alicerce único.

- Os últimos dois Jarros estão na posição de deixar-se encher de água. Estão transbordando. Eles retratam a obediência, a dependência. Retratam a coinfiança. A água da fonte os enche totalmente. São pessoas que recebem as bênçãos também para os outros. Tem plena felicidade, porque se conservam na posição de obediência a Deus. Estudam Sua palavra. Cultivam uma vida de oração constante. Comunhão com os irmãos na igreja e deixam que o Espírito Santo controle suas vidas. Elas transbordam de alegria. São uma fonte de luz. São o sal da terra. Alegram o coração do Pai.

Queridos confirmandos, prezadas confirmandas. Examinem-se. Em qual destas posições vocês querem ficar?

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Crianças – um subproduto da sociedade permissiva


Pregação da noite de domingo, 12 de outubro. Neste Culto de Louvor refletimos sobre a realidade da criança. No Dia da Criança nos perguntamos pela vontade de Deus para a vida destes pequeninos. Desejo a você uma boa leitura e reflexão. P. Rolf

Crianças – um subproduto da sociedade permissiva

Em 1990 surge o Estatuto da Criança e Adolescente. Um avanço na legislação brasileira em favor de gente pequena. Lembro que a Maria Auxiliadora e o Luis adotaram o Marquinhos mais ou menos nesta época. O Marquinhos era uma criança queimada com pontas de cigarro e que chorava desesperadamente quando via uma pessoa adulta se aproximando. Era vítima de maus tratos severos. O Pastor Sérgio Veiga, irmão querido que juntamente com sua família amava estas crianças abandonadas, recebeu este bebê em seu abrigo – casa de passagem - por determinação do Conselho Tutelar da cidade. O Pastor Sérgio e a Margarida apresentaram esta criança em nossa Igreja. Tão pequenininho e tão grandemente marcado pela violência. Juntamos roupas, comida, carrinho e carinho. Maria Auxiliadora e Luis, depois de muito pensar, o acolheram como filho em sua casa. Que lindo ficava o menino mulato. As marcas de queimaduras iam desaparecendo e um novo sossego ia se instalando em seu coraçãozinho tão sofrido. Marquinhos teve um futuro!
Mas nem sempre é assim. Nomes como Isabella Oliveira Nardoni, Pedro Augusto, Douglas Freitas e a inglesa Madeleine McCann, ao lado da brasileirinha de 12 anos acorrentada e maltratada em apartamento de Goiania são apenas alguns poucos que nos fazem perguntar: de onde vem esta violência?
Estatísticas oficiais escondem a realidade da violência contra a criança no Brasil. Em média, as cidades menores apresentam número maior de violências praticadas contra as crianças dentro de casa. Nesta média é aceito que, por exemplo, os casos de AIDS no Brasil cheguem a 0,65% da população e que entre 7% a 9% da população infantil é alvo de violência doméstica. Essa pesquisa foi feita em escolas públicas, uma vez que apenas 1% destes casos são denunciados na polícia ou nos conselhos tutelares.
E não são os pobres que cometem violência doméstica. Isso acontece em todas as classes. No final da década de 70, em Porto Alegre, o JHV Evangelho 77 – programa de recuperação de viciados em nossa Igreja – percebia alto grau de violência doméstica entre as classes ricas daquela capital. Dinheiro e drogas eram substitutos da falta de amor e carinho por parte dos pais.
De acordo com a pesquisa "A ponta do iceberg", publicada no site O Globo de 5 de abril de 2008, realizada pelo Laboratório de Estudos da Criança da USP com dados de 1996 a 2007, apenas 10% dos casos de abusos físicos e psicológicos contra as crianças são denunciados. Segundo os pesquisadores, em todos esses anos foram notificados 159.754 casos de violência doméstica. A maioria, 65.669, é de negligência. A violência física vem em segundo lugar, com 49.481 casos, seguida de violência psicológica (26.590) e de violência sexual, com 17.482 casos.
Por que esta violência toda contra seres indefesos, violência esta que acontece principalmente entre os 5 e 14 anos? Seriam as crianças um infeliz subproduto da sociedade permissiva que vivemos?
Entre as tantas causas possíveis para esta violência, está a visível distância que separa os pais de uma vida de temor a Deus. Pais que não levam a vida com Deus a sério, mesmo que estejam cheios de boas intenções, dificilmente poderão sustentar uma educação libertadora e amorosa para com seus filhos. E quando não o conseguem, vêem em seus filhos um peso e não uma bênção. Quantas vezes crianças têm sido esquecidas em carros estacionados em frentes a boates e casas de diversão simplesmente porque, ou o pai, ou a mãe, querem a liberdade de se divertir?
Acredito que algumas orientações podem ser tomadas como significativas para todos nós a partir de passagens bíblicas. Vejamos algumas:

1. A Bíblia fala que filhos são dom de Deus. “Respondeu José a seu pai: São meus filhos, que Deus me deu aqui. Faze-os chegar a mim, disse ele, para que eu os abençoe”. (Gn 48.9). Aponta para os filhos e filhas como sinal de alegria na vida da pessoa. “Faz que a mulher estéril viva em família e seja alegre mãe de filhos. Aleluia!” (Sl 113.9)

2. As crianças são puras para que glorifiquem a Deus, como acontece no episódio relatado em Mateus 21: “...vendo as maravilhas que Jesus fazia e os meninos clamando: Hosana ao Filho de Davi!, indignaram-se e perguntaram-lhe: Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?” São elas que ensinam seus pais olhar para o Criador com confiança e segurança.

3. Estas crianças devem ser trazidas à casa do Senhor para que aprendam a respeito do caminho da vida desde cedo. Assim vemos acontecer com Samuel: “Havendo-o desmamado (motivo de grande alegria e festa na família daquele tempo), levou-o consigo (...) e o apresentou à Casa do SENHOR, a Siló. Era o menino ainda muito criança”. Assim fizeram também as mães no tempo de Jesus conforme lemos em Marcos 10: “Então, lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse, mas os discípulos os repreendiam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele. Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava”.

4. Estas crianças tinham como exemplo seus próprios pais, que os ensinavam a honrá-los, por mandamento divino: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá”. (Ex 20.12). O ensino no caminho do Senhor, por sua vez, era de responsabilidade tácita dos pais: “Ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentados em vossa casa, e andando pelo caminho, e deitando-vos, e levantando-vos. Escrevei-as nos umbrais de vossa casa e nas vossas portas, para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o SENHOR, sob juramento, prometeu dar a vossos pais, e sejam tão numerosos como os dias do céu acima da terra”. (Dt 11.19ss). A sociedade é cada vez mais permissiva certamente porque os próprios pais não tem mais coragem de ensinar seus filhos a honrá-los. Pais que não sabem dizer “não” não servem para que a bênção de Deus se perpetue nas gerações. Pais, ensinem seus filhos e filhas a lhes dar a honra devida.

5. Nas palavras bíblicas, filhas e filhos são altamente estimados: “Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta”. (Sl 127) Ou: “Coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são os pais”. (Pv 17)
Enfim, o perfeito relacionamento entre pais e filhos descarta a violência doméstica. Quando jovens se conhecem e se respeitam, e somente constituem família quando o podem fazer de forma equilibrada e responsável diante de Deus, então as chances de haver bênção e equilíbrio se multiplicam. E as chances de alguém ser jogado pela janela ou queimado por pontas de cigarro diminuem proporcionalmente.


Pais e filhos! Quais são as escolhas feitas por vocês. Quais têm sido as nossas opções?
“O filho sábio alegra a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe”. (Pv 10) “Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados”. (Cl 3)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A Paixão pela Missão leva à Cooperação


Neste mês de setembro estamos refletindo sobre MISSÃO. Missão não acontece no isolamento de pessoas, mas na sua cooperação. Esta pregação tem por objetivo despertar também você para uma ação cooperadora e missionária na Igreja de Jesus Cristo. Boa leitura! Rolf Rieck


Bem-vindas são todas as pessoas que estão aqui para prestar este culto ao Senhor!

Oração: Dentre todas as pessoas e dentre todos os povos Tu Senhor Jesus Cristo congregaste aqueles e aquelas que querem ser tua Igreja. Por isso aqui estamos. Envia-nos o teu Espírito para que testemunhemos a Tua mensagem às pessoas que ainda não a vivem. Que sejamos pessoas cooperadoras com Teu reino em palavras e atos que tenham poder para animar para a vida.

Ao Senhor confessamos nossos pecados: “Fizeram para si deuses de ouro. Não são deuses os que são feitos por mãos humanas. Agora, pois, perdoa-lhes o pecado. Tem bom ânimo, filho; estão perdoados os teus pecados.” (Êx 32, At 19, Mt 9).

Alegremo-nos, nossos pecados são perdoados!

A paixão pela missão faz ao povo de Deus servir em cooperação!

Estamos falando de MISSÃO. Nós queremos aprener sobre missão. Queremos fazer missão. Qual a missão que somos convocados a fazer? Como se faz missão? A Bíblia fala de um ministério (2 Co 5.18ss). A premissa para a existência de um ministério da reconciliação é a reconciliação efetuada por Jesus Cristo. Em Cristo temos a remoção da culpa, segundo o apóstolo Paulo. Por isso Lutero pode falar que existe uma troca maravilhosa onde nós recebemos da parte de Cristo sua justiça e seu benefício e colocamos nos ombros de Cristo nosso pecado, nossa miséria. Esta justiça precisa ser anunciada. Por isso existe o ministério da reconciliação onde todos os crentes são designados como embaixadores deste Cristo. “Em nome de Cristo, peço que se reconciliem com aquele que se entregou por nós.”

Como decorrência desse um ministério surgem os ministérios (agora no plural!). Dons espirituais e ministérios não são a mesma coisa, mas de alguma forma se entrelaçam. Ministérios e dons se concretizam e concorrem sempre para o único ministério, o único trabalho que importa ser feito como igreja cooperadora – o ministério da reconciliação.

À luz dessa premissa, Paulo e Pedro falam em sacerdócio geral (1Pe 2.9ss). Os apóstolos têm cada um a sua ênfase. Pedro, por ser judeu e inserido na cultura judaica, usa uma linguagem mais “eclesial”. Paulo usa uma linguagem mais secularizada (veja-se as listas dos dons do E.Santo). Isto, porém, não impede que todos cooperem para o objetivo da reconciliação de pessoas com Jesus.

A atualidade da cooperação

A Igreja de Jesus Cristo é lugar de comunhão. Na constante tentativa de desmistificar a Igreja com sua ortodoxia hierárquica, Lutero até evita o uso do termo “Igreja”, dando preferência ao uso do termo Comunidade. Com isso queria marcar a nova vida eclesiástica com o aspecto da comunhão e da participação de todos os crentes na edificação do Reino.

Já vimos: as Escrituras ensinam que todo crente é um sacerdote. No entanto, na estrutura eclesiástica institucionalizada muitas vezes existe lugar apenas para o clero oficial contratado e remunerado. Isso se confunde com sacerdócio geral? A prática do sacerdócio geral não encontra lugar onde não existe espaço para a vivência comunitária.

A primeira necessidade que precisamos contemplar em nossas Comunidades missionárias, que irá também contemplar o incremento do Sacerdócio Universal dos Crentes é: evangelizar!!! Não há evangelização eficaz sem que se priorize o relacionamento aberto e franco entre os membros e demais pessoas interessadas na comunhão cristã.

Ser Igreja missionária implica em relacionar-se com pessoas, para que estas, no sentido da reforma, sem alcançadas pelo Evangelho de Cristo. Para atingir este objetivo faz-se necessário usar ferramentas com metodologias centradas em relacionamentos. Nem sequer as evangelizações podem acontecer sem que se prepare um leito de relacionamentos. A igreja, portanto, precisa ser alegre, aberta, cooperadora e ágil.

A Igreja ágil

O povo de Deus – as pessoas comprometidas com o Evangelho de Jesus Cristo – se multiplica a partir de critérios claros de relacionamentos e de afetividade equilibrada. (Romanos 15.30-32; Filipenses 4.1. )

A Igreja deve ser um movimento de alegria e cooperação. No entanto, em muitos contextos, foi transformada em um monumento. E em monumentos ninguém toca, ninguém mexe. Por isso precisa ser transfomada em Igreja ágil. Esta Igreja ágil e cooperadora não têm nas lideranças um fim em si mesmo. Seu objetivo-fim é o povo em suas necessidades e buscas. É o povo que quer ouvir e entender o Evangelho de Cristo. A estrutura é necessária, claro, mas ela se torna macro-funcional que deve estar a serviço das pequenas iniciativas e pequenos movimentos do Espírito Santo. Portanto, o centro da atenção não é o serviço à estrutura, mas ao povo, usando a estruturação como facilitadora da cooperação.

Os dons a serviço da cooperação

A Igreja resgata o Sacerdócio Universal dos Crentes à medida que se torna funcional e cooperadora. Seu ponto de partida e de chegada é Cristo. A Igreja – que Lutero preferia chamar de Comunidade – se ampara no ferramental concedido pelo Espírito Santo, que sempre estará a serviço da Igreja como um todo. Este Espírito Santo age de forma livre e soberana sendo sempre o ponto de partida para agape e carisma. O Espírito Santo produz o fruto (agape) e concede os dons (charisma). A fonte é a mesma mas seu raio de ação é diferente. Cada cristão tem todo o fruto do Espírito Santo. Nisto todos são iguais. Mas cada qual tem outro carisma (ou carismas). Nisto são diferentes (1Co 12.29-30).

Igreja é lugar de cooperação.

Isto se traduz em serviço, diaconia.

Igreja é lugar de alegria.

Isto se traduz em celebração e comunhão.

Igreja é lugar de resgate.

Isto se traduz em evangelização e missão.

Vamos caminhando e avançando no propósito de resgatar valores da reforma evangélica para dentro das novas necessidades que vivenciamos. Que todos e todas sejam instrumento de bênção neste mundo que clama por reconciliação.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Temos chances de sermos percebidos neste mundo?



Temos chances de sermos percebidos neste mundo?

Esta prédica compartilhei no domingo em meio aos acontecimentos olímpicos. Penso que eles ilustram bem a busca por reconhecimento de pessoas. Quais são as nossas chances? Reflita você também sobre isso. Rolf

É quase inevitável que falemos em olimpíadas. Afinal, são as notícias olímpicas que desbancam as outras notícias que dão conta das manobras de poderosos, como a opressão do governo russo sobre o povo da Geórgia. As notícias olímpicas tiram o foco das eleições no Brasil, onde muita gente boa deixa de ser valorizada na sua candidatura a vereador e prefeito enquanto que bandidos corruptos fazem campanha fora dos padrões admitidos em uma realidade democrática. Mas, vamos lá, gente olímpica. O que faz um ou uma atleta ter o reconhecimento internacional? A atleta grega, que corre 400m com barreiras, mesmo tendo sido submetida a 29 exames antidoping nos últimos dois anos, foi flagrada com substâncias proibidas. Mereceu a medalha de ouro nas olimpíadas passadas, em Atenas? Cielo, o medalhista de ouro brasileiro na natação, disse que chegou lá por causa da sua raiva. Teria brigado muito com seu técnico nesse ano em que tudo estava dando errado. Acabou que deu certo. Outro nadador, Michael Phelps, termina sua participação em Beijing com um grande peso nos ombros: carregar oito medalhas de ouro. Uma delas foi conseguida porque simplesmente foi mais rápido e determinado em tocar o sensor de fim de prova na borda da piscina. O que faz alguém ser reconhecido neste mundo tão competitivo? Correr. O homem mais rápido do mundo deixa 100m para trás em 9s69 e ainda tira onda de seus adversários durante a corrida. Usain Bolt é o nome do jamaicano.

Ah, e nós pobres mortais? Quem poderia nos reconhecer? Que chances temos nós de, pelo menos, não ficar nos últimos lugares em nossa vida? Quem tem olhos para a nossa realidade? Se não estivermos no topo, temos chance de valorização?


Mateus 15.21 Partindo Jesus dali, retirou-se para os lados de Tiro e Sidom. 22 E eis que uma mulher cananéia, que viera daquelas regiões, clamava: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada. 23 Ele, porém, não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, aproximando-se, rogaram-lhe: Despede-a, pois vem clamando atrás de nós. 24 Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. 25 Ela, porém, veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me! 26 Então, ele, respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. 27 Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos. 28 Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã.


Não poucas vezes Jesus entrou em controvérsia com pessoas que o seguiam. Os populares fariseus muitas vezes foram confrontados por Jesus em suas incoerências teológicas. Os publicanos, nada populares, igualmente tiveram que ser colocados em seus devidos lugares com a admoestação de Jesus Cristo. E agora esta mulher, sem nome, provinda de uma região pagã, parece chatear Jesus com sua insistência para que curasse sua filha possuída pelos poderes demoníacos. Se, por um lado, de acordo com o Novo Testamento, “Cristo é o fim da lei” (Rm 10.4), por outro vemos que Jesus é a radicalização da lei. Jesus se coloca radicalmente contra a lei do templo quando, por exemplo, vocifera: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas! Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo! Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança! Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo!” (Mateus 23.23-26)

Jesus ignora a mulher que quer ser percebida. Ela precisa ser percebida porque tem um pedido especial e importante a fazer. Os discípulos, como quem filtra o acesso de pessoas ao importante Jesus, também intercedem: Manda essa mulher chata e barulhenta embora. Já não aguentamos mais seus berros. Nem isso Jesus queria fazer, argumentando que gente como essa mulher não é alvo de sua missão. O que fazer para ser percebido.

Embora o contexto que o evangelista Mateus escolheu para inserir este episódio seja a discussão sobre a aplicabilidade da lei de Moisés nos termos que escribas e fariseus o estavam fazendo, é de se estranhar o que segue. Aparentemente o próprio mestre Jesus precisou mudar seu infalível ponto de vista diante da argumentação da mulher. Esta mulher sem nome e sem procedência definida questiona “a postura rígida da lei, faz valer a profecia de Isaías, de um Deus que se alegra com os estrangeiros que se aproximam para o servir”, como vimos na leitura de texto de Isaías 56. A mulher “crê no poder desse homem e o enfrenta”.

O reconhecimento que buscamos para nossa existência vem por mérito ou por graça? Deveríamos ser atletas olímpicos para merecermos um lugar no olimpo das divindades? Conforme Stott, a resposta cristã a estas perguntas consiste em dirigir a atenção de quem questiona a Deus mesmo. É afirmar que Deus tomou a iniciativa de fazer pelo ser humano o que o ser humano não pode fazer por si mesmo. Mesmo no ministério de Jesus, é necessário aque fique claro que a valorização de uma pessoa somente é possível porque Deus toma a iniciativa. Esta iniciativa de Deus em favor da humanidade recebe o nome de graça. “Graça é o amor de Deus para quem não o merece. Graça é o amor que se preocupa, se humilha e resgata”.

Não me furtaria em dizer que Jesus foi, sim, humilhado pela argumentação de fé desta mulher insolente e intrusa. É assim que Jesus faz valer sua autoridade da graça, do resgate de vidas sem projeção para o lugar de destaque do pódium: o lugar da salvação.

Migalhas da graça de Deus. É delas que precisamos, assim como os cachorrinhos as esperam debaixo da mesa. Deus tomou essa iniciativa da graça ainda antes de Jesus. Começou a história da graça na eternidade e a desenvolveu com a história de Seu povo. A história da graça de Deus culminou na cruz de Cristo. Quem sabe também esta mulher sem nome tivesse estado debaixo da cruz chorando a morte do quem a ajudou. Migalhas da graça nos satisfazem ainda hoje, no presente. Deus atualiza o evento salvífico da cruz em nossa vida através da ação do Espírito Santo. Este mesmo Espírito acende a nossa fé para que tomemos posse daquilo que Deus fez por nós em Cristo. Migalhas da graça de Deus. É delas que precisamos para sobreviver, para ser alguém, para sermos ouvidos.

Misericórdia! Somos carentes da misericórdia de Deus. Dizendo melhor: somente teremos um lugar de destaque se aceitarmos a graça misericordiosa de Deus para nossa vida, se deixarmos de buscar méritos pelas obras próprias. Certamente o exemplo mais notável da troca de obras meritórias próprias pela graça inquestionável de Jesus é a vida do apóstolo Paulo. Todo seu zelo em perseguir cristãos sucumbiu diante da voz de Jesus.

É provável que hoje a situação, na maioria das vezes, seja invertida. Explico: não somos mais nós quem clamamos por Jesus, e sim Ele clama por nós. Quer que aceitemos o novo caminho, a nova vida, sentido para a vida. Vamos n’so também aceitar Sua graça amorosa antes que a nossa distância nos cause danos irreparáveis para a vida? “Deus nos deixou a promessa de que podemos receber o descanso de que ele falou”. (Hb 4.1 – lema da semana)

Amém!




sábado, 16 de agosto de 2008

Deus, o Pai e Amigo Perfeito


Prédica do Culto do dia dos Pais, 10 de agosto de 2008. O culto foi enriquecido com a participação do Coral Infanto-juvenil desta Paróquia e com a participação de crianças do Culto Infantil. A pregação foi trazido por Beatriz Rieck. Lhe desejamos boa leitura.


Deus, o Pai e Amigo Perfeito.

Há pouco, em nosso culto, participantes do Culto Infantil contaram a história de Jaime e seu pai adotivo. Jaime era órfão de pai e mãe, criado por uma tia muito má. Num dado momento a casa onde moram começa a queimar. Na época não era nada fácil apagar um incêndio. As modernidades não existiam. Era necessário apagar incêndios com baldes d’água e estopas molhadas. Logo a casa queima como palha. Jaime fica preso no segundo andar da casa. Sua tia, morre. Um senhor, tido como carrancudo, consegue subir pelo duto da calha da água, chega à janela e, com as mãos queimadas, salva o menino. O Pastor do lugar se preocupa com o futuro da criança, e sugere que um casal comprometido com o Evangelho de Jesus Cristo adote o menino Jaime. No momento em que o encontro entre o casal e o menino acontece, também o senhor carrancudo e ateu entra no lugar. Ele também convida o menino a ficar com ele, mostrando ainda suas mãos feridas pelas queimaduras do salvamento. Diante desta prova de amor, o menino faz sua escolha: quer ser filho deste senhor. Mais tarde, ao visitarem uma exposição de quadros, depararam-se com a história de Jesus, morto na cruz para resgatar a humanidade de seus pecados. Ambos passaram a crer no verdadeiro e bom pai e amigo: Jesus.

Jaime encontrou um bom pai e amigo. Ele soube cuidar bem dele. Soube tirar tempo para brincar e passear com seu filho. Até que este homem fez um belo papel, não é mesmo?

Nos dias de hoje vivemos uma realidade bastante adversa. Em muitos lares já não há mais a figura de um pai. Muitas vezes os pais estão presentes no momento da concepção. Quando lhes é dada a notícia da gravidez, querem que a mãe tire o feto. Mas há muitas mães de extrema coragem que resolvem levar a gravidez até o fim, sozinhas. E também criam seus filhos sozinhas.

Outras vezes há a separação. Em outras, até de uma maneira ultramoderna mães querem apenas uma produção independente, e nem sequer cogitam que seus filhos deveriam ter um pai.

Os pais podem ser apenas biológicos. Ficam apenas com o papel de gerar.

Mas também podem ser participativos e presentes. Há muitos pais que adotam uma criança, como o homem da história, e se tornam os “pais de coração”, e com certeza amam seus filhos e filhas como se tivessem nascido deles. Temos vários desses casos entre nós.

Será que há pais perfeitos? E há pais amigos?

Procurei na Bíblia passagens que falam de Deus ou de Jesus como amigos das pessoas.

Em João 15,13 e 14 lemos: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mandam.” O Pai adotivo de Jaime colocou a sua vida em risco para tirá-lo das chamas. E este homem, que era ateu, sabe-se lá por que motivo, afinal ele conhecia a Bíblia muito bem, precisa reconhecer que Jesus também deu sua vida por ele a ponto de morrer pelos seus pecados. E assim ele aceita este sacrifício de Jesus e o aceita como Senhor e Salvador. Não foi exatamente isto que o Jaime tinha decidido quando optou em ficar com ele e não com a família Souza, que era uma família bem estruturada, cristã, que tinha tudo de bom para lhe oferecer? O que pesou na decisão de Jaime? Sua gratidão e reconhecimento pelo que ele tinha feito ao tirá-lo daquela casa queimando feito palha.

Que alegria sentiu este homem ao ouvir a decisão de Jaime! Agora sim, ele teria um filho, ao qual podia se dedicar integramente. Amigo, amiga, sabe o que acontece quando você reconhece o amor de Deus e se torna seu filho?

Em Lucas 15,6 lemos: “E, indo para casa , reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.” Sim, é isto mesmo que ouvimos! Jesus, o bom Pastor, acha sua ovelha perdida, atéia, e reúne seus amigos e vizinhos em festa. Como Deus é bom! Como Jesus é amigo!

Em João 1, 12 lemos: “Mas, a todos que o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem em Seu nome.” Deus também nos quer como filhos. Ele quer nos adotar. Afinal de contas, só Jesus é seu único filho, mas Ele abre um grande espaço em seu coração para nos adotar. E o que precisamos fazer para que isto aconteça? Esperar anos numa fila de adoção? Ficar sozinhos em algum orfanato esperando até que alguém venha e vá com a nossa cara? Não, é só receber, é só dizer: - Sim Deus , eu aceito Jesus como meu salvador, eu quero me tornar teu filho, tua filha.

E por último, gostaria de falar deste Deus Pai, que é amigo, e, segundo o versículo de João 15.14, Jesus diz que somos seus amigos se fizermos o que Ele manda, se obedecemos Sua santa vontade.

Em Mateus 26,50 lemos: “Jesus, porém, lhe disse: Amigo, para que vieste? Nisto, aproximando-se eles, deitaram as mãos em Jesus e o prenderam.” Quem Jesus chama de amigo? Chama Judas de amigo. Nós muitas vezes somos hipócritas, e chamamos pessoas que não gostamos de “querido” ou “querida”. Jesus não é hipócrita. Se ele chama até Judas de amigo, sabendo quem ele era e o que ele estava fazendo, traindo a Jesus, podemos ver a dimensão do amor de Deus. Tenho certeza de que Jesus perdoou Judas. Tomara que ele tenha se arrependido ainda a tempo.

Pais queridos! Homens de um modo geral. Talvez muitos de nossos pais não estão mais conosco. Talvez você nem tenha conhecido seu pai. Lembre sempre: Deus quer ser o Pai perfeito e amoroso. Ele ama e disciplina a quem Ele quer bem. Aceita este amor, deixa te inundar deste amor maravilhoso. Você não quer ser um menino ou uma menina de rua, vagando por aí sem ter um lar espiritual, não é? Faça parte da família de Deus. Tens dúvidas de fé? Faça como o pai de Jaime, entregue-se a Deus e ele tirará as dúvidas do teu coração. Obrigado, Deus pelo Pai maravilhoso que és. Sê uma inspiração a todos os pais aqui presentes e os abençoe. Amém.