segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Uma oportunidade para explorar o sentido da vida

No domingo à noite, por ocasião do CULTO DE LOUVOR, aconteceu a certificação da terceira turma do Curso Alpha. A banda composta por integrantes da JESMA conduziu o louvor neste Culto. Trouxe a mensagem abaixo, motivado pelo slogan do Curso. Desejo uma boa leitura e boa reflexão. P. Rolf Rieck

Uma oportunidade para explorar o sentido da vida

Como foi o seu dia hoje? Este dia está acrescentando significado à sua vida? Afinal, o que dá sentido à vida? Que sentido terá esta semana? Que sentimentos afloram agora em seu coração diante destas e outras perguntas que viajam por sua cabeça?

Hoje temos o privilégio de fazer a certificação de mais uma turma do Curso Alpha na Paróquia São Mateus. A frase norteadora do curso sempre foi: Uma oportunidade para explorar o sentido da vida. Hoje não poderia ser diferente. Fazemos-nos a pergunta: o que dá sentido à vida?

Recebi recentemente um texto, não sei se de autoria de Viktor Emil Frankl (1905-1997), ou escrito sobre ele, que nos pode ajudar nesta reflexão.

Este psiquiatra e psicólogo austríaco, criou um método de tratamento psicológico que denominou logoterapia, uma das muitas teorias sobre motivação básica do comportamento humano. Ainda adolescente, sentiu um vivo interesse pela psicanálise. Em 1921 escreveu um primeiro trabalho: Über den Sinn des Lebens ("Sobre o significado da vida").

Mas antes de dialogarmos com este artigo da logoterapia, gostaria de ler os textos bíblicos norteadores de Efésios 4.20-24 e Pv 11.14.

Efésios 4: 20 Mas não foi assim que aprendestes a Cristo, 21 se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus, 22 no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, 23 e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, 24 e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.

Provérbios 11.14 Não havendo sábia direção, cai o povo, mas na multidão de conselheiros há segurança.

1. O homem é um ser que, em última instância, se encontra à procura de sentido e que aspira ser feliz.

É possível encontrar a felicidade se não houver um rumo certo na vida? Ou é necessário que as pessoas se contentem em viver apenas momentos felizes? Se o filósofo Kant tiver razão, então devemos concordar que “a felicidade é a conseqüência do comprimento do dever”. Por isso uma vida com sentido, uma vida que experimenta a felicidade, é fruto, em primeiro lugar, de obediência, de cumprir com preceitos e valores que são colocados como parâmetros para a vida social e pessoal.

Tomemos o exemplo da arquitetônica moderna: as portas de uma casa são feitas para abrir para fora, para os corredores, e não mais para dentro. É uma questão de segurança doméstica. Kierkegaard usa esta expressão arquitetônica e diz que a porta da felicidade se abre para fora e se fecha para quem intenta “arrombá-la”, como é o caso da pessoa que busca forçadamente o prazer pelo prazer.

2. A neurose da felicidade e do prazer.

Os estudiosos sobre as reações humanas acabam por ter que se dobrar diante das evidências biblicas: reproduz impulsos primários e é neurótica a pessoa que faz de seu dia-a-dia apenas uma busca direta da felicidade, e tem uma existência voltada apenas para a vontade de prazer.

Há outra explicação para a violência do trânsito, das armas, da poluição sonora, do tráfico de drogas, do alcoolismo, da falta de compromisso e respeito?

Por exemplo, o nono e o décimo mandamento colocam claramente que a pessoa que faz da cobiça seu sentido de vida, afasta-se rapidamente da vontade de Deus. E isso não traz prejuízos somente no sentido social, mas também desfazendo suas próprias perspectivas de vida. Ou você já encontrou, entre estas pessoas, alguém que dissesse que é plenamente feliz? A cobiça gera o egoísmo, e este tem se apresentado como principal causa das doenças mentais e emocionais, como depressão. O egoísmo e o isolamento se mostram como um erro de alvo, pois deixa de canalizar o amor para as pessoas ao seu redor. Este procedimento não traz felicidade.

A FELICIDADE É O EFEITO COLATERAL DE UMA VIDA COM SENTIDO, diz o artigo citado.

3. O encontro do sentido e o encontro da felicidade

Toda a pessoa que não encontrou ainda sentido e sua vida, intensifica seus projetos de auto-realização. É como o bumerangue que somente volta ao caçador que o arremessou quando não acerta o alvo, ou seja, a caça.

O tédio, ou a sensação de enorme ausência de sentido em sua existência são sinais claros e evidentes de um vazio existencial. É povo sem governo, povo sem direção, como diz o texto de Provérbios.

O ser humano, por instinto, não sabe o que precisa fazer. E fora a Igreja Cristã, não há nenhuma tradição que diz o que o ser humano deve fazer. Por isso é mais fácil ao ser humano repetir procedimentos sem refletir sobre eles. Ou seja: querer apenas aquilo que os outros fazem (comodismo). Por outro lado, a vida humana sem sentido é confundida pelo conformismo, ou seja, de fazer apenas aquilo que os outros querem.

O texto do apóstolo Paulo claramente coloca um contraponto: o velho homem se corrompe segundo as concupiscências (desejos) do engano, mas quem se reveste do novo homem, criado segundo Deus, age em justiça e retidão procedentes da verdade.

Discordando neste particular com o psicanalista, que dize que o sentido não pode ser dado, deve ser encontrado, observamos que Deus quer dar sentido à nossa vida e que, pela Sua graça, a podemos encontrar. A busca por sentido na vida é orientada pela consciência, através da ação do Espírito Santo. Através do Espírito Santo Deus mesmo é capaz de revelar o sentido primordial e singular que possui cada situação da nossa vida.

A vida, com certeza, sempre tem um sentido: o sentido que o Criador dá a ela. E este sentido se preserva intacto sob todas as circunstâncias, graças à possibilidade de se encontrar sentido também no sofrimento. É saber da pertinência que tem o trabalho, o amor e o sofrimento suportado com bravura com o sentido da vida.

Acrescento: é ter Jesus Cristo como parceiro diário e constante como doador de vida e de sentido à vida.

A ressurreição e a vida nova


Olá! Esta palavra foi compartilhada no culto do domingo 11 de novembro no Culto Dominical aqui na Paróquia São Mateus. Quero partilhá-la com você também. P. Rolf Rieck

A ressurreição e a vida nova

Antepenúltimo Domingo do Ano Eclesiástico – 11/11/2007

Lc 20.27-38

27 Chegando alguns dos saduceus, homens que dizem não haver ressurreição,

28 perguntaram-lhe: Mestre, Moisés nos deixou escrito que, se morrer o irmão de alguém, sendo aquele casado e não deixando filhos, seu irmão deve casar com a viúva e suscitar descendência ao falecido.

29 Ora, havia sete irmãos: o primeiro casou e morreu sem filhos;

30 o segundo e o terceiro também desposaram a viúva;

31 igualmente os sete não tiveram filhos e morreram.

32 Por fim, morreu também a mulher.

33 Esta mulher, pois, no dia da ressurreição, de qual deles será esposa? Porque os sete a desposaram.

34 Então, lhes acrescentou Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento;

35 mas os que são havidos por dignos de alcançar a era vindoura e a ressurreição dentre os mortos não casam, nem se dão em casamento.

36 Pois não podem mais morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição.

37 E que os mortos hão de ressuscitar, Moisés o indicou no trecho referente à sarça, quando chama ao Senhor o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó.

38 Ora, Deus não é Deus de mortos, e sim de vivos; porque para ele todos vivem.


Duas ênfases podem ser observadas no texto bíblico lido:

  1. A maneira de entender a ressurreição.
  2. Como pessoas incrédulas articulam suas desculpas.

Vamos obser mais de perto a primeira ênfase: como deve ser entendida a questão da ressurreição. É trazido a Jesus um exemplo concreto de acontecimento factível: o casamento de uma viúva com vários cunhados para a preservação da família. Este assunto faz parte da lei mosaica. No entanto, quando esta lei foi colocada para o povo (Deuteronômio 25.5-6), certamente não se estava dando um ensino a respeito da ressurreição, e sim, da preservação da família.

Com uma argumentação fora de contexto os saduceus queriam provar a Jesus a inexistência da ressurreição. Argumentos baseados em explicações meramente humanas nunca servirão para defender ou mesmo questionar milagres e sinais que somente Deus pode realizar.

Foi assim que heréges defenderam a idéia de que somente quem não casasse tinha o direito da ressurreição. Em muitos meios esta pensamento anti-bíblico perdura até aos dias de hoje. E é assim que as “falsas verdades” vão sendo estabalecidas: enquanto os opositores de Jesus usam argumentos “deste mundo”, Jesus se utiliza das verdades da “era vindoura”.

"Deus não é Deus de mortos e sim de vivos!" Com esta verdade Jesus desclassifica a argumentação de opositores. Isto equivale a dizer: somente quem crê e obedece a Deus têm as condições de compreender os valores sobrenaturais contidos na fé cristã – como a ressurreição. Perguntar-se pela ressurreição e pela eternidade não faz nenhum sentido para quem ainda não se perguntou por Deus em sua vida pessoal!

Pessoas incrédulas encontram motivos tolos para fundamentar sua descrença. Temos nós também motivos qe nos afastam de Deus, das pessoas e do Evangelho?

Assim encontramos a segunda ênfase deste texto: Como pessoas incrédulas articulam suas desculpas. Os fariseus, outro grupo de opositores de Jesus, já tinham tentado derrubar o Mestre com argumentos espertos: a pergunta sobre o pagamento de impostos (Lc 20.20-26).

Os saduceus esperaram ter maior sucesso com outra pergunta esperta, com outra cilada contra Jesus. Sim, quem sabe sua pergunta fosse melhor elaborada e deixaria Jesus inseguro quanto a uma reposta satisfatória. Aparentemente, até então, os saduceus não tinham investido contra Jesus com tal tipo de artifício. Apenas eram contrários à doutrina da ressurreição. Mas agora, embalados pela iniciativa farisaica, tentam também. Muitas vezes pessoas simplesmente vão no embalo de opiniões de outras, nem fazer uma análise daquilo que é verdade, daquilo que é fundamentado na palavra de Deus, ou não.

Em sua resposta, Jesus faz uma clara distinção entre os valores religiosos/culturais e a vontade eterna do Pai, compreendida a partir da fé. A falta de fé comprometida, aquela que se compromete em palavras e ações evangélicas, endurece o coração e o leva a ridicularizar a vontade de Deus. A tática das pessoas contrárias às propostas de vida nova de Jesus é a de ridicularizar e tentar derrubar a verdade com espertezas.

Entender a ressurreição somente é possível sob a ótica da vida nova em Jesus. Ressurreição, portanto, não é notícia para consumo de zombadores. Ressurreição (e não a reeencarnação tão difundida neste País espírita – Hebreus 9.27) é assunto de pessoas salvas pala graça de Jesus e que se reconhecem nesta situação.

As pessoas que não conseguem viver sob a perspectiva da ressurreição, precisam eternizar sua passagem pelo mundo. Fazem de tudo para se fazerem notar. Muitas vezes não importa se sua relevância se dá com coisas boas ou más. Como diz o ditado: “Não importa se falam bem ou se falam mal, desde que falem de mim”. Quem não crê na ressurreição se faz notar com sinais materialistas...

... a destruição da natureza.

... o acúmulo de riquezas.

... a exploração dos semelhantes.

... vivendo a partir da emoção e do prazer.

... endivida-se.

... não ter compromissos evangélico/missionários.

... olha apenas para os "outros mundos" e não ter compromisso com o daqui.

Jesus, o autor da vida nova, chama você para CRER e DEPENDER do seu amor. Chama para colocar sinais concretos da vida eterna onde você está. Isto é viver desde já a ressurreição.