quarta-feira, 31 de outubro de 2007

A riqueza e seu bom uso


Hoje é um dia especial:
31 de outubro - Dia da Reforma Luterana
A prédica abaixo foi proferida no último domingo, e sua preocupação quando ao bom uso das riquezas condiz com a doutrina luterana a respeito. Lutero desenvolveu o conceito dos DOIS REINOS. Um é o reino espiritual e outro é o secular. A vivência harmônica e justa entre os dois reinos é requerido de toda pessoa cristã que queira ter um bom testemunho neste mundo. Esta é, sem dúvida a REDESCOBERTA DO EVANGELHO que a reforma nos proporciona. Um abraço a todos e todas. P. Rolf Rieck


A riqueza e seu bom uso

Em um País onde há uma minoria desproporcionalmente rica e uma maioria miseravelmente pobre, e onde as perspectivas de melhorar a situação de vida são como nuvens esparsas no horizonte, é difícil falar no bom uso que se pode fazer da riqueza.

Hoje queremos ressaltar que pode haver, sim, um bom uso da riqueza. Jesus ilustrou o mau e o bom uso da riqueza com a parábola do administrador astuto, aquele que falsificou as promissórias, baixando seu valores, para fazer amigos de última hora que poderiam lhe acolher caso perdesse o emprego.

É usado um mau exemplo para resgatar aquilo que é positivo, que é bom e desejável em relação às riquezas e posses.

Para que tenhamos um fio orientador em nossa reflexão, elegemos a expressão “não podeis servir a Deus e às riquezas” como base de argumentação e como ponto de chegada.

Leiamos o texto bíblico do Evangelho de Lucas:

16.9 E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos. 10 Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. 11 Se, pois, não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta, quem vos confiará a verdadeira riqueza? 12 Se não vos tornastes fiéis na aplicação do alheio, quem vos dará o que é vosso? 13 Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. 14 Os fariseus, que eram avarentos, ouviam tudo isto e o ridiculizavam.

Diz nosso texto que, logo de saída, esta expressão “não podeis servir a Deus e às riquezas” causou uma reação de zombaria entre os fariseus (sempre eles!). Esta expressão queremos segurar bem perto de nós para nortear nossa reflexão. Assim destacamos alguns grupos de pessoas que não se enquadram neste dito de Jesus. Senão, vejamos:

1. Os avarentos. As palavras aqui foram dirigidas aos discípulos, mas os fariseus vestiram a carapuça. Literalmente a palavra significa: “viravam seu focinho para cima” em sinal de desprezo aos ensinamentos de Jesus.

Você já presenciou algo assim? Não é desta forma, virando o focinho para cima, com o perdão da expressão, que agem pessoas que exploram o povo brasileiro? Enganando até naquele líquido branco vendido como leite por estas grandes empresas que projetam a imagem de produtoras de alimentos saudáveis? Não é assim que agem os políticos – todos corruptos – desdenhando a má sorte do populacho que sofre com os roubos e desvios de verbas? Não é esta a cara que vemos quando o governo diz que não pode governar sem a CPMF, que deveria ser integralmente usada na área da saúde, enquanto nossos hospitais usam furadeiras elétricas comuns para cirurgias complexas?

Bom, esta classe desclassificada de gente aparentemente não vai se importar com o que Jesus ensinou. Como hoje aqui estamos para nos deixar modelar pela palavra de Jesus, certamente nós vamos querer compreender o ensino para sermos abençoados pelo seu autor.

2. Infidelidade. A questão da fidelidade, a meu ver, será sempre uma questão de foro íntimo: ninguém melhor que eu mesmo, você mesma, para atestar se é uma pessoa fiel ou não. Por isso a boa aplicação de suas riquezas partirá dos valores com os quais você e eu, intimamente, aplicamos como orientadores de vida. Se Jesus diz “não podeis servir a Deus e às riquezas”, a sua fidelidade a este ou aquele já terá feito sua escolha.

Fidelidade tem a ver com fé e confiança. Ser fiel, no sentido que Jesus usa aqui a palavra (uma vez que está relacionada à Mamon, palavra de origem aramaica – idioma de Jesus – deduz-se que aqui a fidelidade está relacionada exclusivamente ao uso de dinheiro e bens), é o procedimento de pessoas que se mostram fiéis na transação de negócios, na execução de comandos, ou no desempenho de obrigações oficiais. Ou seja, pessoas que agem de acordo com suas convicções mais íntimas e enraizadas. Se sua vida está cheia de mentiras e enganos, não terão nenhum problema em agir assim no mundo dos negócios. Se, no entanto, tem uma vida cheia de temor ao Senhor, farão seus negócios baseados nos valores da justiça divina.

3. O muito e o pouco. Entre as pessoas que buscam agir com fidelidade aos princípios da justiça divina, sempre haverá aquelas que procurarão fazer pequenos desvios para compensar sua grande justeza. “Por que não desviar um pouquinho só, se todos fazem isto o tempo todo?”

Nos próximos capítulos do Ev. de Lucas encontraremos a parábola de Jesus – das dez minas. Lá é dito: Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades. Embora possa não parecer à primeira vista, a fidelidade e o cumprimento da justiça nas pequenas coisas, nos pequenos valores, sim, nos centavos, evoca a bênção de Deus colocando estas pessoas sobre muitos bens.

Ah, mas e a injustiça dos impostos? Quem não é fiel mesmo nestes valores injustos – “...não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta...” “Se não vos tornastes fiéis na aplicação do alheio, quem vos dará o que é vosso?” (v. 11, 12) – Deus não o colocará para administrar o muito.

A. Schlatter tinha razão: Nós precisamos fazer nosso exercício de fidelidade com nossa herança, com nossos bens, porque eles nos mostram que tudo o que temos é dádiva. Como tal, precisamos exercitar nossa confiança naquele que nos dá todas as coisas. Portanto “não podeis servir a Deus e às riquezas” significa colocar nossa confiança ou em Deus ou nas riquezas. É nas pequenas coisas que isto se tornará determinante.

Quem maneja com justiça e inteireza o Mamon, quem causa alegrias para Deus e para o próximo com seus procedimentos em relação a bens e dinheiro, também agirá da mesma forma com o bom dinheiro e com os bons bens. Estes são doação exclusiva de Deus.

4. Dois Senhores. Juridicamente um escravo poderia ter dois senhores. De direito, sim, mas de fato, não. Novamente olhando para o ponto da fidelidade (veja acima), é no foro íntimo que as coisas se decidirão: ou você amará a um dos senhores e odiará o outro, ou, terá mais atenção para com um e menos atenção para com outro. Por isso Jesus é categórico quando se refere à administração de bens e riquezas: “não podeis servir a Deus e às riquezas”.

O que está por destrás desta expressão “não podeis servir a dois senhores” não é necessariamente o ódio ou a paixão entre um e outro. A coisa é mais sutil. A palavra diz que ninguém pode sentar em dois lugares ao mesmo tempo.

Qual é a nossa escolha? Não podemos sentar em duas cadeiras. Certamente também não queremos ser contados entre as pessoas que levantam seu focinho (para lembrar a expressão original!) diante deste assunto.

5. Deus conhece nosso coração. No íntimo, o que determina a cadeira na qual estamos sentados, é o nosso coração. As pessoas podem enganar seus iguais, mas nunca a Deus. Nossa confiança em Deus e nossa dependência de Deus – ou nossa não confiança e nossa não dependência – se confirmará nos atos de nosso coração. Quanto dinheiro se gasta com laser e quanto se gasta em promover o Evangelho? Quanto se investe de criatividade e empenho para a missão da igreja e quanto se investe em achar meios de ficar mais rico?

A ânsia pela riqueza é como a água do mar: quanto mais se bebe dela, mais sede se tem. (Arthur Schopenhauer)

O bom uso da riqueza, portanto, acontece quando somos justos e fiéis para com aquele que nos dá todos os bens e todas as riquezas: Deus. Jesus, o Salvador, nos chama para um procedimento justo e santo em todas as áreas da vida. Também na área do nosso bolso. Confiar em Jesus, aceitar a salvação, é converter também para Ele nossos bens. É sentar em uma só cadeira! É servir a Deus através de nossas riquezas.

sábado, 20 de outubro de 2007

Saber ouvir!

Oi gente querida! Ontem à noite, sexta-feira, por ocasião do Culto de Oração, proferi a prédica que reparto com todas e todos vocês. O assunto é a "sabedoria" . Boa leitura!...

Diz a lenda que a rainha de Sabá enviou duas grinaldas de rosas a Salomão. As duas tinham o mesmo aspecto. Eram consistentes, macias e frágeis. Também apresentavam fragrância e colorido invejável. Cabia ao rei o verdito: - Qual das duas era autêntica?... O monarca abriu a janela e, em poucos instantes, seu dormitório foi invadido por algumas abelhas. Estas, sem hesitação, pousaram sobre o buquê de flores verdadeiras. Sabedoria, este é o tema da prédica de hoje. Para aprofundá-lo, sugiro a leitura de Provérbios 8.22-31...

8.22 - O SENHOR me possuía no início de sua obra, antes de suas obras mais antigas. 8.23 - Desde a eternidade fui estabelecida, desde o princípio, antes do começo da terra. 8.24 - Antes de haver abismos, eu nasci, e antes ainda de haver fontes carregadas de águas. 8.25 - Antes que os montes fossem firmados, antes de haver outeiros, eu nasci. 8.26 -Ainda ele não tinha feito a terra, nem as amplidões, nem sequer o princípio do pó do mundo. 8.27 - Quando ele preparava os céus, aí estava eu; quando traçava o horizonte sobre a face do abismo; 8.28 - quando firmava as nuvens de cima; quando estabelecia as fontes do abismo; 8.29 - quando fixava ao mar o seu limite, para que as águas não traspassassem os seus limites; quando compunha os fundamentos da terra; 8.30 - então, eu estava com ele e era seu arquiteto, dia após dia, eu era as suas delícias, folgando perante ele em todo o tempo; 8.31 - regozijando-me no seu mundo habitável e achando as minhas delícias com os filhos dos homens.

A palavra que acabamos de ler é uma poesia. Nela, a Sabedoria nos é apresentada como uma “pessoa” que sempre participou da intimidade de Deus.
SOBRE A SABEDORIA

A sociedade, seus grupos e sub-grupos, sempre é regida por regras arquitetadas a partir de opiniões humanas. O MERCOSUL, o Brasil, a IECLB e a nossa própria Paróquia têm suas Constituições, fruto de muita discussão; do jogo de muitos interesses; de muito labor. Para elaborá-las usaram-se critérios e valores tingidos por interesses humanos que, muitas vezes, estavam e estão condicionados pelo pecado. Salomão não tinha em mente embrenhar sua vida nos meandros de uma sabedoria mundana. Seu objetivo era maior quando, orando, pediu sabedoria a Deus: “Dá, pois, ao teu servo coração compreensivo para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; pois quem poderia julgar a este grande povo?” (1 Reis 3.9).

Ao pedir por verdadeira sabedoria a Deus, Salomão não quis assenhorar-se de um saber teórico-expeculativo; da busca de uma maior inteligência. Ele simplesmente ansiava por “um coração que saiba escutar” a Deus e às pessoas. Sonhava servir ao povo com discernimento e justiça. Isso é correto. Só Deus pode dar um coração capaz de discernir entre o bem e o mal para, depois, realizar a justiça. Pessoas que convivem com a sabedoria presenteada por Deus, dão mostras de comprometimento com a Palavra de Deus e com o povo de Deus. A primeira tarefa de um/a líder “segundo o coração de Deus”, consiste em saber ouvir a voz de Deus e a voz das pessoas às quais é chamado a amar, compreender e servir com justiça.

CONCLUSÃO

Spurgeon, um pastor famoso já falecido, dialogava com um indivíduo que não se cansava de falar sobre as maravilhas que experimentava em sua religião. Quando o dito sujeito fez uma pausa para inspirar oxigênio, o grande evangelista atalhou: - “Não darei muito valor à sua religião até que possa vê-la. As lâmpadas não falam. Elas brilham!”

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

A fé e a injunção de Goebbels


Leitores e leitoras,

esta foi a pregação proferida no domingo dia 14 no Culto Dominical da Paróquia São Mateus. Lhes desejo uma abençoada e frutífera leitura. P. Rolf Rieck

A fé e a injunção de Goebbels

Lucas 17.11 De caminho para Jerusalém, passava Jesus pelo meio de Samaria e da Galiléia. 12 Ao entrar numa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos, 13 que ficaram de longe e lhe gritaram, dizendo: Jesus, Mestre, compadece-te de nós! 14 Ao vê-los, disse-lhes Jesus: Ide e mostrai-vos aos sacerdotes. Aconteceu que, indo eles, foram purificados. 15 Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz, 16 e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe; e este era samaritano. 17 Então, Jesus lhe perguntou: Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove? 18 Não houve, porventura, quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro? 19 E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou.

Acredito que todas as pessoas que estão reunidas aqui, neste domingo, para com solenidade prestar culto a Deus, já ouviram o relato dos dez leprosos onde apenas um voltou para agradecer. É história de fácil compreensão e de aplicação igualmente fácil. Não há mistério em elaborar uma pregação sobre ela. Por isso lhe dei o título de “A fé e a injunção de Goebbels”. Assim fica tudo mais fácil ainda, não é mesmo?

Para dar uma melhor aplicabilidade ao assunto, chamo aqui um repórter que irá nos ajudar a entender melhor o que se passou na cabeça destes dez leprosos. Nem preciso ressaltar que os leprosos eram marginalizados e poucos se arriscavam a chegar perto deles. Só Jesus e este repórter, que gosta de se arriscar...

Repórter: Sim, aconteceu um grande milagre. Dez leprosos foram curados por Jesus. Aqui estão eles no meio de seus familiares e amigos. Vieram correndo e aqui estão. Mas, gostaria de lhes perguntar: POR QUE NOVE DE VOCÊS NÃO VOLTARAM PARA AGRADECER A JESUS?

Ex-leproso 1. De natureza eu não sou ingrato. Mas queria primeiramente mostrar para minha família e amigos que eu estava curado. Depois eu queria ir e agradecer ... mas Jesus já tinha ido embora. É um pena.

Ex-leproso 2. Certamente eu queria agradecer a Jesus, mas não junto com aquele metido do samaritano. Afinal eu sou um israelita piedoso e não devo me misturar com essa gente. Queria enviar alguém para agradecer por mim, mas Jesus já tinha ido embora.

Ex-leproso 3. Eu estava todo o tempo procurando um presente adequado que expressasse a minha gratidão, mas eu sou pobre e nada era o suficientemente barato para que eu pudesse comprar. No fim esqueci.

Ex-leproso 4. Eu queria agradecer, mas resolvi esperar mais uns dias para ver se a cura era realmente de verdade. Agora me convenci, mas Jesus já tinha ido embora. Que pena.

Ex-leproso 5. Quase voltei com o samaritano para agradecer a Jesus. Mas havia muita gente por perto após esta cura milagrosa. Não queria que todos vissem que eu também tinha a lepra. Sabe, o preconceito é muito grande. Fiquei com vergonha.

Repórter: Vejo que cada um de vocês parece ter uma razão não ter ido até Jesus. Mas era Ele que tinha curado a vocês. Deu-lhes uma vida nova...

Ex-leproso 6. Sim, sim, eu também queria, mas eu sei que Ele não espera agradecimentos. Ele faz de graça. Aí não fui.

Ex-leproso 7. Na euforia do reencontro e toda a alegria dos filhos, netos, amigos, todo mundo me abraçando - aí eu esqueci. Quando lembrei Jesus já tinha ido embora.

Ex-leproso 8. Há tantos leprosos. Se Jesus me curou é porque mereci. Faço muitas boas obras e vou fazer mais agora. Certamente mereci esse milagre.

Ex-leproso 9. Pode acreditar, eu queria ir lá agradecer. Mas a maioria não foi. E eu costumo seguir a opinião da maioria. Por isso não fui.

Repórter: E você, samaritano, porque você agradeceu? Vocês são conhecidos com um povo mau, os israelitas não gostam de vocês. Jesus também não é samaritano, não é do vosso povo. Por que justamente você foi lá agradecer a Jesus?

Ex-leproso 10. Sem respirar eu não posso viver. Sem agradecer eu não poderia ir para casa. Ele me devolveu a vida, a saúde do corpo e da alma, a razão de viver. Assim Jesus esperou de mim que eu o colocasse em primeiro lugar. Por isso, tinha necessidade de voltar e agradecer. Só depois fui rever a minha família, minha esposa, meus amigos. Quero que minha vida toda seja uma resposta ao milagre que aconteceu comigo. E de quebra Jesus deu ainda algo que os outro nove não receberam naquele momento: salvação. Ele disse que a minha fé salvou minha vida. Isso não é maravilhoso? [i]

Querida comunidade reunida!

Goebbels foi brilhante no que fez, mas fez muito mal à humanidade. Ajudou a matar milhares. No entanto uma coisa ele acertou: disse que de tanto que alguém repete uma mentira, ela acaba se tornando uma verdade. Viveu sua vida baseado nisto. A mentira, assim, tornou-se a obrigação de sua vida.

Igualmente hoje, de tanto que se repete a mentira de que Deus quer curar a todos e que basta que agradeçamos, isso também já se tornou uma verdade. Nestes dias estava lembrando que já conversei em meu gabinete pastoral com muitas pessoas nestes anos que estou aqui na Paróquia São Mateus. São inúmeras as pessoas que me procuraram e às quais dediquei horas e horas de ouvidos. Seus problemas eram sérios e estas pessoas foram levadas à sério, de tal forma que alguns até me afetaram a vida pessoal ou familiar. Destes, com certeza 90%, depois de terem seus problemas minimizados, nunca mais apareceram. Por que será que nunca mais voltaram? Teriam sido apenas interesseiros?

Tem gente que aparece apenas para o casamento! Tem gente que vem apenas para o batismo! Tem gente que se apresenta apenas para a confirmação! Tem gente que vem apenas na sexta-feira santa ou no Natal! Tem gente que está apenas preocupada com o seu sepultamento digno!

Jesus não soube o porquê os outros não retornaram, mas na entrevista percebemos que quase todos tinham a boa intenção em seus corações. A boa intenção em nossos corações é uma mentira que falamos para nós mesmos por longos e longos anos e acabamos acreditando que isso é a verdade da nossa vida. As desculpas acabam sendo nossas verdades! Alguém disse certa vez que de boas intenções o inferno está cheio. Acho que isso é verdade.

Voltar à Jesus! Este é o lance. A gratidão aqui não é um mero gesto nobre de uma pessoa educada. Justamente o pior dentre os leprosos, o mais lascado, o mais rejeitado, duplamente marginalizado – leproso e samaritano – sabe que precisa mais que a cura e mais que agradecer. Ele precisa estar perto de Jesus, de suas palavras, da sua proposta de viver o Reino.

Seguir Jesus de longe, sem compromisso, é fazer da mentira a sua verdade. É fazer da sua tradição doutrinária sem conseqüências algo que salva... “A tua fé te salvou”, diz Jesus. Não faça de sua ausência, de sua distância de Jesus, a conseqüência de uma desculpa mentirosa em sua vida. Aproxime-se! Viva debaixo da graça de Jesus e na comunhão de pessoas da mesma fé. A conseqüência: levanta-te e anuncia, vai ser missionário e missionária. Vai...


[i] Agradeço ao Pastor Renato Creutzberg que enviou este material.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Missão I - Somos pessoas batizadas


Olá, quero compartilhar com vocês a pregação do Culto das 19 h deste domingo. Quem sabe também você possa refletir com alegria tudo aquilo que o seu batismo significa. Tenha muita alegria e desafios na leitura. Um abraço, P. Rolf Rieck


No mês da reforma luterana queremos também refletir sobre nossa responsabilidade missionária. Nos Cultos de Louvor iremos refletir sobre este assunto, baseando-nos no caderno sobre missão do Sínodo Norte Catarinense. Nossa primeira abordagem está relacionada ao BATISMO.

Nos dias atuais muito se ouve sobre “qual o batismo correto”, “quanta água precisa ter”, “deve ser de crianças ou de adultos” ou “é necessário rebatizar”? São questões periféricas que não contemplam aquilo que o batismo cristão realmente quer.

Jesus disse:

Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

Isto é central! Aqui temos uma série de pequenas gotas de água que querem encharcar nossa alma com as bênçãos de Deus. A gota sozinha não forma a chuva. Mas a chuva desce em forma de gotas e molha as pessoas por elas atingidas. Assim o BATISMO leva as pessoas batizadas a um compromisso missionário, como veremos abaixo, gota a gota.

Perdão

A primeira gota dá conta que Cristo Jesus fez absolutamente tudo para providenciar nosso perdão. Somos pessoas batizadas, portanto nos pertence a notícia do perdão. Deus nos perdoa e nos convida a também perdoar.

Rm 6. 1-6 – Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos;

Libertação

A segunda gota nos ensina que, como pessoas perdoadas, estamos livres para agir neste mundo com vistas à sua evangelização e transformação. Esta é nossa missão: anunciar a verdade, que se chama Jesus Cristo. Somos pessoas batizadas. Portanto, vivamos nossa liberdade.

João 8:32 – ...e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

Reconciliação

A outra gota é conseqüência das duas primeiras. Jesus nos reconcilia com Deus e nos convida – pessoas batizadas – a reconciliar pessoas com a verdade perdoadora e libertadora. Somos pessoas batizadas, e como tal temos a ministério da reconciliação como missão, como dom espiritual.

Atos 2. 38 – Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.

Vida Nova

Somos pessoas batizadas! Jesus Cristo nos convoca para reconhecer a ação do Espírito Santo em nossa vida e fazer disso uma nova possibilidade. Quer que sejamos novas criaturas que convidam outras e ser nova criaturas (2Coríntios 5.17).

João 3. 5 – Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus.

Igreja

A quinta gota nos diz que somos parte de uma Igreja, de uma congregação, de uma comunhão de pessoas. Nela podemos servir e para ela devemos chamar pessoas ainda isoladas ou escanteadas. Somos pessoas batizadas, e como tal devemos interagir de forma missionária para que o corpo de Cristo esteja completo.

Efésios 4. 1-6 – Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.

União com Cristo

Na Igreja percebemos o que é união. A unidade das pessoas batizadas se dá pela ação do Espírito Santo. Onde o Espírito não está sendo ouvido, há divisão e confusão. A partir do batismo o mesmo Espírito presenteia as pessoas com a união em trno de Cristo Jesus.

1 Co 12. 13 – Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.

Compromisso

Somos pessoas batizadas! A sétima gotinha não quer nos deixar sossegar enquanto ainda houver ovelhas perdidas. Desde o momento do nosso batismo não podemos mais ficar indiferentes às mazelas deste mundo que está na escuridão. Nosso compromisso missionário é mostrar a luz de Jesus a todas as pessoas que ainda não o conhecem.

Lucas 15.3-7 – Então, lhes propôs Jesus esta parábola: Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo. E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

Serviço

Da mesma forma como há compromisso, há também serviço. E há serviço para todas as pessoas, sem distinção. Uma igreja somente poderá ser missionária se todas as suas pessoas batizadas tiverem um espírito de serviço. Fica abolido o espírito do “ser servido”, do pagar para receber benefícios da Igreja. Serviço é o nome desta oitava gotinha.

Gálatas 3. 27-29 – ...porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa.

Ensino

Somos pessoas batizadas e, portanto, precisamos ajudar outras pessoas a conhecer os mistérios da fé. O ensino se faz necessário – e ele é missionário – como cumprimento da ordem de Jesus antes de voltar para junto do Pai. Este dom é concedido a pessoas batizadas e precisa ser desempenhado com amor, diz esta nona gotinha.

Mateus 28. 18-20 – Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

Espírito Santo

A água do batismo foi derramada sobre as pessoas batizadas, e com ele também o Espírito Santo é derramado. A décima gotinha quer nos alertar para este fato e nos ajudar a reafirmar diante do Pai que queremos e precisamos do lavar regenerador do Espírito. Isso, então, faz de nós pessoas missionárias, comprometidas, animadas e encorajadas a viver com clareza a Evangelho.

Tito 3. 4-7 – Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna.

Graça

O batismo nos revela a graça de Cristo. Ela é concretizada na Palavra que se torna visível no batismo. A graça libertadora nos conclama para uma vida missionária. É graça que está acessível à toda humanidade. Mas é necessários, como missionárias e missionários, anunciá-la.

Romanos 5:2 – ...por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.

Missão

A gotinha de número doze, enfim, diz que missão é conseqüência do batismo. As pessoas batizadas estão ligadas à outras pessoas batizadas, que de forma frutíferam testemunham para que mais pessoas batizadas se unam na proposta do reino de Deus.

João 15.1-9 – Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado; permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos. Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor.

Que conseqüências o banho com estas gotinhas terá na nossa vida como pessoas batizadas que somos? Este banho em nossa alma vai nos animar a sermos missionários e missionárias?

domingo, 7 de outubro de 2007

APOCALIPSE


Abaixo, compartilho um pequeno texto de informações mínimas que se deveria ter para ler e estudar o livro de Apocalipse. Interessada? Interessado? Pois então, boa leitura...

Renato Luiz Becker


A palavra “apocalipse” significa revelação das “últimas coisas”, do fim do mundo. O advento deste gênero literário teve muita importância nos duzentos anos que antecederam o nascimento de Jesus Cristo. Nesta época, para dar mais peso aos seus escritos, os autores costumavam creditá-los a figuras conhecidas do Antigo Testamento tais como Abraão, Adão, Eva, Moisés e Elias. Para retratar visões futuras, usavam-se numerosas figuras e símbolos que, muitas vezes, ainda hoje acabam ficando sem a possibilidade de uma explicação plausível. Estas figuras e estes números místicos fazem com que as revelações adquiram uma “cor vibrante” que favorece enormemente as possibilidades de se especular a respeito. E assim, no nosso século XXI, temos este texto dos “Mistérios revelados por João” para ser lido e estudado.

Este livro escrito por João que nos relata sobre o apocalipsismo foi o único aceito para fazer parte do cânone da nossa Bíblia, desta coleção de livros que constitui o Novo Testamento. Na mesma época em que João o escreveu, também havia outras obras de literatura apocaliptica muito “coloridas” na rua. Sabe-se que elas eram bem disputadas entre os ávidos leitores daqueles tempos. Também se é sabedor, a partir da pesquisa exegética, que seus autores imitavam os antepassados, usando pseudônimos como Pedro, Paulo, Tomás e Estevão, o primeiro mártir da Igreja, para assinar suas obras. A Igreja Primitiva não autenticou, não reconheceu sua fé em nenhum destes escritos. Dessa forma eles também nunca foram aceitos pela Igreja Oficial e, com o tempo, entraram no esquecimento e até desapareceram.

O revelação sigilosa de João surgiu entre os anos 70 e 95 d.C. Se diz que seu autor foi o evangelista João. João foi perseguido e queimado pelo rei de Roma chamado Domitian (levado ao trono em 81 d.C.), na Ilha de Patmos. Este incidente histórico não foi considerado importante para que a obra fizesse parte da coleção de livros da Bíblia. As muitas visões que João teve, ele as descreveu em forma de cartas "às sete Igrejas na Província da Ásia" (Apocalipse 1.4). Nelas, ele apresenta, em dramáticas figuras, as catástrofes e os tormentos que acompanhariam os tempos do fim do mundo. Estes tempos seriam marcados por uma última luta monstruosa entre o Bem e o Mal, entre o Diabo e Deus. Satan, o Dragão, o Enganador, o Príncipe deste mundo seria jogado num mar de fogo e enxofre onde viveria eternamente sob grande dor e tormento. Com ele isolado neste tal de “Mar de Desespero”, terminaria a morte e todo o sofrimento que acompanha a humanidade. O mundo experimentaria um novo nascimento ou seja: do céu desceria uma “nova terra e uma nova cidade santa” e ela estaria, “...ataviada como noiva adornada para o seu esposo.” E se ouviria uma “grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.” (Apocalipse 21.2ss)

Se, ao estudarmos este livro de Apocalipse, conseguíssemos descobrir com precisão a data do fim do mundo, então penso que seríamos capazes de investir todas as nossas forças na busca desta informação, com unhas e dentes. Ora, isso não nos é possível, visto que não se consegue manusear o Livro de Apocalipse como se histórico fosse. Não resta dúvida que que o referido livro carrega o contexto histórico das experiência das primeiras perseguições sangrentas ao cristianismo como pano de fundo. Mas isso não o faz ser histórico.

A partir da sua fé, o autor experimenta responder às perguntas das pessoas medrosas e desesperadas que estavam congregadas na Comunidade Primitiva: 1 - Porque é que Deus permite que tudo isso aconteça com a gente? 2 - Será que teremos alguma chance de escapar dessa catástrofe? 3 - Como e quando será que esta história vai terminar? Vejam, aqui também repousa o significado teológico desse livro para a cristandade de todas a épocas e de todos os tempos: o que é que traz esperança, força e confiança quando tudo está “desmoronando” ao nosso lado, quando perdemos o chão debaixo dos nossos pés, quando o mundo parece ter endoidecido e estar sem rumo certo, quando a maldade e a falta de sentido insistem em triunfar à nossa volta? O conteúdo deste livro, com certeza.

Pessoas distintas fizeram-se e ainda se fazem tais perguntas em toda a história da humanidade. São as tais dúvidas geradas pelo Apocalipse.