
No final de semana que passou, tive o privilégio de conviver durante três dias como pessoal do Grupo da nossa Juventude Evangélica São Mateus - JESMA. Foi excelente o tempo que experimentamos. Abaixo, reparto os conteúdos que apresentei na oportunidade. Boa leitura...
P. Renato Luiz Becker
Palestra 1: As virtudes secundárias e os frutos do Espírito
Ordem, caráter, trabalho, disciplina e compromisso - todos nós conhecemos estas palavras. Algumas pessoas afirmam que estas virtudes secundárias não são tão cristãs quanto alguns as querem fazer parecer. Elas batem o pé e dizem que os cristãos devem construir sua vida sobre as virtudes cristãs que estão relatadas na Bíblia (amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5.22-23)) e ponto final.
Num primeiro momento, quero me deter no tema das virtudes secundárias. Num segundo, nas virtudes cristãs. Então vamos lá. Aqui e agora estamos começando a nossa reflexão sobre o tema compromisso...
Os escribas e os fariseus são apresentados nos Evangelhos como as pessoas que fazem tudo certinho, como as pessoas versadíssimas nas virtudes secundárias (ordem, caráter, trabalho, disciplina e compromisso). E era isso mesmo. Eles levavam as virtudes secundárias muito a sério (+ de quinhentos mandamentos). Se esmeravam, se desgastavam tanto com o cumprimento da Lei que, no final das contas, acabavam não entendendo a essência da proposta cristã que tinha há ver com o amor. Pois foi exatamente por isso que Jesus foi extremamente duro com eles quando disse:“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!”
Gosto muito do Sermão do Monte escrito em Mateus 5-7. Em Mateus 6.26 se lê: “Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves”? Muitos não entendem esta palavra muito bem. Este pequeno verso proferido por Jesus precisa ser lido no seu contexto. Nele Jesus nos sugere que não sejamos pessoas ansiosas, uma vez que “tudo tem seu tempo determinado debaixo do céu” (Eclesiastes 3.1) O tempo não está na nossa mão. O tempo de ser criança passou e o de ser adolescente ainda é verdade para a maioria aqui presente. Estamos ocupadíssimos, gastando tempo na busca do melhor caminho para nós. Amanhã ou depois vamos rir e ou chorar juntos. As nossas lembranças do passado querem parar o tempo; querem que gastemos o tempo da nossa vida dizendo: “ah – como foi bom aquele tempo”... Já os nossos sonhos não querem que cravemos nossos pés no dia de hoje e cobram desgaste com idéia de que: “olha, assim poderá ser melhor”... Pessoas que se ocupam demais com o passado e ou com o futuro desviam-se da vida bonita que Deus presenteia para ser vivida “aqui e agora. Arrisquem olhadelas para trás, para o lugar de onde vocês vieram e, do mesmo modo, ousem olhadinhas para a frente, para onde a vida os irá conduzir. No entanto, nunca esqueçam de viver intensamente o agora. Enrijeçam-se pisando firme no chão do hoje.
O passado é passado e precisa ficar no seu lugar. Assim também quanto ao futuro que precisa ser esperado – ele também precisa ficar no seu lugar. Coloquemos nossas vidas nas mãos de Deus para que Ele conserte o que não rolou muito bem lá atrás. Da mesma forma, em plena luz do dia, coloquemos o nosso futuro nas Suas mãos e confiemos que Ele caminhará conosco, nos livrando de todos os perigos. Sim, sem ansiedade, observemos o tratamento que Deus dá às criaturas a quem Ele quer bem.
Ouso dizer que a fé, a esperança e acima de tudo o amor devem dirigir e pautar os nossos caminhos sim, mas sempre da mãos dadas com os nossos planejamentos a curto, médio e longo prazos. Aqui, lembro da Ordem dos Beneditinos que sugeriram a regra “ora et labora” (Ora e trabalha) aos seus seguidores. Esperar em Deus e trabalhar sem ansiedade – eis aí a boa e saudável proposta. O tênue esforço sempre será nosso mas os resultados ficarão na mão de Deus.
O grande Mandamento do Amor “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” (Mateus 22.37-40) a amarmos a Deus e, só depois, ao nosso próximo e a nós mesmos. Também aqui, conforme as minhas observações, torna-se necessário usar as virtudes secundárias como uma ponte e ou uma escada para alcançarmos o alvo de “amar ao Senhor Deus de todo o coração”.
Os anos 68 tentaram ridicularizar, implodir com toda a proposta de se construir a vida com base em compromissos. Os “hippies” daquela época tencionavam alcançar os seus grandes objetivos de “paz e amor” sem qualquer compromisso e sem o sofrimento de qualquer pressão oriúnda de fora. Cada um “podia fazer o que bem quizesse, que tudo era da lei”, conforme o cantor e compositor Raul Seixas. Tal como na década de 60, também hoje há pessoas que sustentam estar Deus do seu lado, em qualquer lugar e em qualquer situação que se encontrem. Pois penso que esse jeito de pensar e agir coloque a relação com Deus num segundo plano. Lembro sempre com carinho que meus pais na fé. Na época, eles enfatizaram muitíssimo a hora tranqüila diária! Sim, porque na oração e na meditação o Espírito Santo pode querer falar nos pensamentos que nos vêm à cabeça.
Agora, sobre o amor ao próximo, ao parceiro, às crianças e às pessoas idosas da nossa família. Será que não se está “escanteando” estes compromissos, por causa da busca ferrenha pela auto-realização como objetivo maior? Aqui os muçulmanos têm algo a nos ensinar. Tenho para mim que as virtudes secundárias são importantíssimas na vivência cristã. É uma pena que elas estejam sendo colocadas em segundo plano por muitas e muitos. Porquê será que os últimos seis Mandamentos de Deus estejam ligados às virtudes secundárias? Não mate. (Quinto Mandamento); Não cometa adultério. (Sexto Mandamento); Não roube. (Sétimo Mandamento); Não fale mentiras a respeito do próximo. (Oitavo Mandamento); Não deseje possuir a casa do seu próximo. (Nono Mandamento); Não cobice a esposa ou o marido do seu próximo, nem as pessoas que trabalham com eles nem coisa alguma que lhes pertença (Décimo Mandamento). Creio que é porquê elas sejam de suma importância para as nossas vidas.
Aliás, os dez mandamentos são antiga fonte promotora de vida cristã. Eles indicam claramente a necessidade de que se leve as virtudes secundárias a sério. Se as desconsiderarmos, acabaremos deixando-nos “enrolar” por propostas de cunho egoísta que, ao cabo, acabarão nos convertendo em pessoas solitárias. Até Jesus, o filho de Deus, levou as virtudes secundárias a sério quando jejuou por 40 dias no deserto.
Agora quanto às virtudes cristãs: Paulo nos escreve que o amor, a alegria, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão e o domínio próprio são os frutos do Espírito que somos chamados a desenvolvermos durante a nossa vida cristã.
A primeira delas é o amor que deve envolver o sentimento da mente e do coração das pessoas cristãs. Ele diz respeito à nossa vontade e às nossas emoções e é o esforço que fazemos para buscarmos o melhor para àqueles que nos desejam o pior. Enfim, é o ato de doar-se sem esperar nada em troca.
A segunda é a alegria. Aqui não se trata da alegria por causa de coisas terrenas como triúnfos sobre rivais, por exemplo. Trata-se, isto sim, da alegria que vem de Deus, que está fundamentada em Deus (Salmos 30.11; Romanos 14.17 e 15.13; Filipenses 1.4 e 25).
A terceira virtude, o terceiro fruto do Espírito é a paz. No grego a palavra eirene se equivale à palavra hebraica schalom, paz física e espiritual. Quem a experimenta tem o coração tranqüilo e sereno porque sabe que o tempo está nas mãos de Deus.
O quarto fruto citado por Paulo é longanimidade. Trata-se da paciência que devemos ter com as pessoas. Você pode se vingar, mas você não se vinga. Deus e Jesus usaram de longanimidade para conosco (Romanos 2.4; 9.22; 1 Timóteo 1.18; 1 Pedro 3.20). Se Deus fosse homem, já teria levantado Sua mão para destruir o mundo, mas Ele tem paciência e, por causa dela, suporta os nossos pecados.
A Benignidade e a Bondade são o quinto e o sexto frutos. Estes são parcedidíssimos entre si. Somos chamados a sermos suaves (crestos) e ao mesmo tempo enérgicos (agathoszne) com as pessoas. Trata-se de uma virtude útil para corrigir, disciplinar e ajudar, sempre em dependência da ocasião que se vive. Trata-se de uma bondade amável e ao mesmo tempo enérgica. Jesus expulsou vendilhões do templo e noutro momento foi simpático com a pecadora que Lhe ungiu os pés.
A Fidelidade é o sétimo fruto. Fidelidade tem a ver com fé, com confiança. Trata-se de uma mulher e ou um homem dignos de confiança.
O oitavo fruto carrega a palavra Mansidão. Ela tem a ver com submissão à vontade de Deus (Mateus 5.5; 11.29; 21.5), com o fato de se ser uma pessoa dócil (Tiago 1.21) e com a moderação. Indica que se caminhe num meio termo entre a mansidão e a ira excessiva.
O último fruto do Espírito lembra-nos do Domínio próprio. Cristo presenteia esse fruto. Pessoas que o detêm dominam seus desejos de prazer. Lembra o domínio que os atletas têm sobre seu corpo (1 Coríntios 9.25) e o domínio do sexo (1 Coríntios 7.9). É a virtude de um governante que não permite que seus interesses privados interfiram no seu governo.
Resumindo, em nossa cultura a palavra “compromisso” está tão fora de uso que até esquecemos o seu significado. No dicionário a definição de compromisso é um comprometimento ou obrigação, uma promessa solene. Ora, o compromisso é um dos fundamentos mais importantes do caráter, e é a base de todos os relacionamentos, porque é dele que nasce a confiança, o fiar-com, o tecer-com, o entrelaçar-com. Aspectos estes que deveríamos levar em conta durante a nossa juventude, sob as asas da Igreja, da Paróquia São Mateus.
Palestra 2: Daniel e seus amigos universitários
A TURMA DO DANIEL
Faz tempo, o povo de Israel passava por uma violenta crise. Tinham perdido a guerra para o sanguinário Nabucodonosor. A santa Jerusalém estava sob comando ateu. Os soldados profanavam e destruíam o templo construído por Salomão. Aquilo tudo era demais. Os cidadãos tinham dificuldade em sonhar futuro decente para os seus filhos. Era preciso ajustar-se à nova cultura dos invasores e, junto, ter muito cuidado para não cair na onda pagã. Os antigos diziam que Deus não os deixaria na mão, “segurando o pincel”. Estava aí o “x” da questão. Precisavam discutir e refletir, pautar-se sobre essa esperança.
Nabucodonosor era perspicaz. Sonhava com a unificação dos povos cativos. Defendia a tese de que também eles poderiam ascender socialmente. Queria o progresso da Babilônia. Como levar adiante uma idéia tão arrojada? Simples! Os judeus tinham um QI razoável. Teria que acessorar-se com os jovens de presente e futuro daquela gente desinstalada. Para tal, teria que conviver com moços “sem nenhum defeito, de boa aparência, instruidos em toda a sabedoria, doutos em ciência e versados no conhecimento e que fossem competentes para assistirem no palácio do rei”. Gente assim, com certeza, acrescentaria eficiência à sua administração; levantaria os padrões da cultura local.
Era por aí o “caminho da roça”. Fundaria uma Universidade Hebraica, pertinho do palácio babilônico. Oportunizaria o aprendizado, a mudança de comportamento aos jovens hebreus durante três anos nas matérias de sabedoria, cultura e política. Os que se matriculássem no curso, experimentariam finas iguarias e bons vinhos. Ao cabo de seis semestres, teriam emprego como acessores particulares do rei. Era pegar ou largar.
Os exilados mais idosos começaram a resmungar. Argumentavam que os meninos teriam que mudar sua cultura. Que eles seriam obrigados a dobrar os seus joelhos diante de estranhos deuses. Que o rei era um sujeito muito perigoso. Quem é que não via aquela marca do mal estampada na sua testa? Ora, aquela situação era até mais difícil do que o enfrentamento de Faraó, quando da saída do Egito rumo à terra prometida, sob a batuta, sob o comando do líder Moisés.
Daniel, Azarias, Misael e Hananias não estavam nem aí para esses tais medos. Olhavam a realidade com outros olhos. Já estavam decididos: Embarcariam no sistema babilônico dando tudo de si para não perderem a identidade judaica. Não adulterariam a sua fé em Deus, de forma nenhuma. Agüentariam os trancos. Esmerariam-se para manter a comunhão com o Deus de seus pais em pé. Praticariam sua religião em grupo. Fariam constantes reuniões para orar, estudar, discutir e só então decidir o que fazer. E foi assim que fizeram. Essa postura lhes trouxe poder. Ninguém consegue manter fé viva e testemunho coerente sem a força, sem a sabedoria e sem a comunhão que brota de dentro de uma Comunidade. Comunidade que pode ser de dois ou três apenas, porque não?
A “gurizada” não fez “boquinha”. Agarrou os privilégios oferecidos pela Escola Aberta de Nabucodonosor. Cooperou com o “esquema” mas não se desviou da linha. Enfrentou os problemas de forma ativa. Podiam fazer assim porque amavam a Deus. Esse amor gerava testemunho coerente e abria visão ampla das coisas. Nunca se enredavam em “picuinhas”. Aprenderam a dizer “sim” e “não” de forma clara, aberta, decisiva e polida. Tinham ciência que “as palavras não ditas apodrecem dentro da gente”. Não escondiam o fato de pertencerem ao Reino dos Céus. Explicitavam o seu contato com Deus. Sua esperança era perceptível aos olhos, janelas da alma. Iriam assistir diante do rei, sim senhor! Mas não como babilônicos. Tinham clareza! Continuariam a ser israelitas e ponto final.
A TURMA DO DANIEL É NOSSO ESPELHO
Daniel, Hananias, Misael e Azarias são um espelho onde podemos nos espelhar. Nestes dias “tem gente querendo a nossa cabeça. Entrando na deles, sonham por nós. Dominam o mundo e nos vendem de tudo. Nós não resistiremos lutando a sós. Por isso, mãos apertadas e olhos abertos. É tempo de deixar Jesus nossa paz inquietar. Coração jovem, descobre a tua garra. Explode de amor e conquista o teu lugar...”
Não são as pressões sociais, comunitárias e eclesiásticas que devem ditar o rumo da nossa vida. Não precisamos sentir medo dos modernos “nabucodonosores”. Nós nos pautamos pela voz de Deus. Ele nos concebeu para circularmos com autonomia. Somos livres para decidir sobre o nosso presente e o nosso futuro. Amarrados em Deus pelo fio do amor, não precisamos mais nos deixar levar pelas circunstâncias. Temos chance de colorir os céus com nossos alegres vôos, tal e qual a pandorga, a pipa, colore sob os mandos do menino da rua. O Espírito Santo nos mantém voando. É Ele quem maneja o cordão. Com Ele podemos ir contra os padrões e os procedimentos aceitos pela maioria que gosta, como ninguém, da “ideologia do certinho”, do uniforme. O apóstolo Paulo nos incita a não nos conformarmos com este mundo (Rm 12.1-2).
Há grupos que nascem e se desenvolvem, sempre promovendo a morte. Movimentos promotores de morte existem espalhados as pampas por aí. Grupos corretinhos de Juventude Evangélica que não sabem e nem querem ler a Bíblia contra si, promovem morte lá onde estão. Grupos que só visam os seus integrantes e não abrem espaço para o novo, pouco contribuem com a coletividade. São grupos que cheiram ruim. Seus olhos são opacos. Têm cor acinzentada, característica da mesmice que não constrói.
Nabucodonosor não circula mais em carne e osso nesse mundo. Seu jeito de subjugar acontece de forma subliminar. Há grupos articulados de sociólogos, psicólogos e outros “ólogos” que sabem pensar trinta segundos de propaganda na telinha como ninguém. Estudam nossos pontos fracos e atingem-nos, subliminarmente. Embarcamos como ovelhinhas indefesas. Pagamos o dobro do preço pelas marcas das nossas roupas. Olhamos só para quem é gente bonita e sadia. Desviamos o olhar da periferia. Não lutamos por ar puro e água limpa, por verdade e justiça.
“Vovô viu a uva. A uva é bonita. Valter comeu a uva...” Eu, junto com muitos dos da minha geração que hoje têm cinqüenta, fomos alfabetizados dessa forma. A grande maioria de nós aprendeu a não aprofundar-se nas questões do dia-a-dia. Aceitar as coisas como estão e pronto. O resultado está aí: grupos construindo céuzinhos particulares aqui na terra; grupos ocupando-se apenas com seus projetinhos solitários; grupos não ousando sair de si para aventuras coletivas tais e quais as aventuras daqueles doze que deram início ao cristianismo, ladeados por Jesus.
Tenho para mim que o Daniel e seu grupo sofreram outro tipo de alfabetização. “José é trabalhador. Ele ganha salário mínimo. Ele precisa de casa para morar...” Foi por essas e outras, que marcaram presença na História. O povo de Israel, antes subjugado, passou experimentar libertação a partir daquele grupinho de Estudo Bíblico. Puderam voltar para sua cidade e reconstruir sua História. Aquele Grupo de Debate teve peito para reorganizar a vida de toda a sua gente. Em suma, fizeram a História. “Quem não faz História sofre a História.”
CAMINHANDO SOBRE OS TRILHOS
O profeta Amós foi vocacionado, coagido por Deus para procla-mar importante mensagem ao povo israelita (Amós 7.15). Quem era este profeta?
Amós era um sujeito simples que atuava como lavrador e boiadeiro (Amós 7.14). Vivia num tempo de grande progresso econômico onde só uns poucos experimentavam fartura (783-743 a.C.). Dá para dizer-se que a grande maioria dos seus conterrâneos encontrava-se oprimida por causa disso (Amós 5.7; 2.6-7; 3.10). O povo que, um dia, tinha sido libertado, agora, de novo, encontrava-se escravizado pelos próprios irmãos. Enquanto trabalhava, Amós refletia sobre este assunto. Seu bom senso dizia-lhe que este estado de coisas não era vontade de Deus. O tempo foi passando e, de repente, estas idéias foram fazendo casa dentro de sua cabeça: a injustiça tinha se instalado dentro do país e algo precisava ser feito.
Circulou pelos caminhos e viu um pedreiro nivelando reboco (Amós 7.7-9). Dessa visão brotou-lhe a idéia de que Deus viria para nivelar o povo: ninguém seria maior do que ninguém... Mais adiante, observou um cesto contendo frutos, prontos para serem comidos (Amós 8.1-3). Esta cena abriu-lhe a compreensão de que o tempo para o castigo estava maduro: Deus faria pesar sua mão contra os fomentadores da dor... Andou mais um pouco e viu o fogo a queimar os pastos (Amós 7.4-6). Esse quadro lembrou-lhe que Deus iria queimar as injustiças: acabar com as propostas de morte. Assim, sob a articulação desses pensamentos, foi forjando uma consciência que, de repente, explodiu: Deus esperava que ele colocasse “a boca no trombone” (Amós 3.8). Vamos ler Amós 7.10-17?...
7.10 - Então, Amazias, o sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: Amós tem conspirado contra ti, no meio da casa de Israel; a terra não pode sofrer todas as suas palavras. 7.11 - Porque assim diz Amós: Jeroboão morrerá à espada, e Israel, certamente, será levado para fora de sua terra, em cativeiro. 7.12 - Então, Amazias disse a Amós: Vai-te, ó vidente, foge para a terra de Judá, e ali come o teu pão, e ali profetiza; 7.13 - mas em Betel, daqui por diante, já não profetizarás, porque é o santuário do rei e o templo do reino. 7.14 - Respondeu Amós e disse a Amazias: Eu não sou profeta, nem discípulo de profeta, mas boieiro e colhedor de sicômoros. 7.15 - Mas o SENHOR me tirou de após o gado e o SENHOR me disse: Vai e profetiza ao meu povo de Israel. 7.16 - Ora, pois, ouve a palavra do SENHOR. Tu dizes: Não profetizarás contra Israel, nem falarás contra a casa de Isaque. 7.17 - Portanto, assim diz o SENHOR: Tua mulher se prostituirá na cidade, e teus filhos e tuas filhas cairão à espada, e a tua terra será repartida a cordel, e tu morrerás na terra imunda, e Israel, certamente, será levado cativo para fora da sua terra.
DUAS PROPOSTAS
O texto bíblico nos mostra Amasias e Amós dialogando com base em termos bastante duros. Há um claro jogo de interesses permeando a conversa. São dois homens fortes que têm poder atrás de si, daí toda a tensão existente. De um lado, o profeta Amós, vocacionado por Deus, com suas raízes interioranas, a criticar o Estado. Do outro, o profeta Amasías, o porta-voz do rei, prestando serviços ao mesmo Estado, presidido por Jeroboão.
Amós tem consciência da injustiça, da miséria, da tirania, da corrupção e dos imensos distúrbios morais e éticos tabelados ao povo, via decretos de cima para baixo. Isso não pode continuar assim. Por isso clareia, toca nos pontos podres que os mandantes do reinado insistem em esconder. Agindo assim, quer con-frontar os homens e as estruturas com a verdade que liberta (João 8.32). E é claro, Amasías está contra essa proposta de transparência. Vai daí, com base em termos depreciativos, o porta voz do rei acusa Amós de conspirar contra o “bom governo” em andamento. Nestas alturas já corre, a boca pequena, a idéia de promover-se o exílio do profeta.
O fato é que sempre precisaremos conviver com as situações conflitantes. Quando Deus nos envia às calçadas para falar do seu amor, é impossível calar. As pessoas que testemunham do Evangelho, sempre estão identificadas com a proposta de Deus. Esse pessoal que, um dia foi tocado pelo Senhor para agir como Jesus agiu, não move-se por dinheiro; não permite-se a marionetização. Quando vão ao encontro dos/as inimigos/as e dos/as irmãos/ãs, não defendem nenhuma ideologia política. Enquanto semeiam amor para colher fé, vão dizendo “não” às injustiças. E assim, saem por aí, comprometidos/as com a verdade que é Deus.
Como Amasías, a Igreja e seus membros não podem transformar-se em porta- vozes de algum governo da hora. Os/as sacerdotes/sacerdotisas cristãos/ãs não devem esquecer-se de que estão aí, para servir. A Bíblia é enfática: nós não po-demos servir a dois senhores. Quem assim tentar comportar-se, certamente haverá de perder-se na jogada quando a situação exigir que bata palmas, mesmo sem concordar. Se isso vier a acontecer, estarão vivas as perspectivas de conde-nação e de destruição do Corpo de Cristo.
No oceâno Pacífico, nas ilhas de Galápagos, existem enormes aves. Quem as observa, logo nota suas asas um tanto pequenas. Os estudiosos dizem que isso é assim porque não precisam voar, para livrar-se dos animais predadores. Elas também não têm a necessidade de ir em busca de alimento, visto que o mesmo encontra-se em abundância na praia. O abrigo também é fácil pois localiza-se nas tocas das escarpas rasteiras. Ora, está aí todo um clima propício para o atrofiamento das asas.
Deus nos vocaciona, nos coage a voarmos; a fazermos diferente; a refletirmos; a não sermos apenas mais um na fila. Ele espera que reajamos a contento. Ora, isso é o exercício da vocação. Como Amós, também temos inúmeros Amasías para enfrentar. Percebam, as propostas não cristãs proliferam à nossa volta. Daí que ser profeta ou profetisa é não permitir-se a atrofia do amor.
CONCLUSÃO
Vibro com grupos que se articulam, que geram vida, que deixam marcas de inconformismo por onde passam. Lembro do tempo quando cantava em um grupo de canções. Éramos bonitinhos, uniformizadinhos, sapatos lustradinhos. Camisa bege, combinando com a saia marrom das garotas. E lá íamos nós cantar, sorrindo sorrisos descomprometidos com a realidade do povo que encarávamos. O grupo era o nosso fim e, por isso, gerador de morte. Poucos sobraram daqueles.
Grupos geradores de vida saem de si. Desinstalam-se. Vão ao encontro dos diferentes. Abrem os braços com intuitos claros de abraço. Sorriem sorrisos que não visam apenas o lucro. Sujam as mãos em favor de quem já as suja há muito tempo mas não consegue chegar lá. Desencastelam-se ou melhor, saem de dentro do castelo da sua casa, do seu local de encontros e misturam-se na massa. Deixam de caminhar somente em calçadas. Cruzam pelas portas dos aposentos gradeados. Experimentam andar pelo lado de fora dos portões e dos muros. Respiram ar puro. Contactam com gente diferente. Ouvem outros pontos de vista. Ousam dizer coisas pessoais, sem receios de má interpretação. Tiram os sapatos. Sentem os grãos de areia debaixo da sola dos pés.
Agindo assim, eles fazem novas experiências. Experimentam bênção como Abraão experimentou (Gênesis 12.1ss.). Ajudam outros a experimentá-la. Ousam buscar daquela felicidade que não tem intimidade com paredes mas que aparece, quando cavada a partir de contatos e diálogos. Agem como Jesus Cristo agiu. Foi um pouco disso que vimos agora mesmo. Que esse retiro possa ser histórico na vida de cada uma, de cada um de nós.
“E quando sairmos daqui
nós vamos para voltar
na força da esperança
e na vontade de lutar.”
Palestra 3: Não enterre os teus talentos!
Tarefa 1: Reunir em pequenos grupos e, durante, sete minutos dicutir sobre a pergunta: - O que é que eu devo esperar de uma pessoa cristã, de uma pessoa comprometida com Cristo? Ao cabo dos sete minutos o líder deve anotar as conclusões num papel e entregar as mesmas à coordenação...
O CONTEÚDO DA PARÁBOLA
Gente querida, hoje de manhã, domingo, quero iniciar este momento lendo a Parábola dos Talentos com vocês: Mateus 25.14-30!
25.14 - Porque é assim como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens: 25.15 - a um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade; e seguiu viagem. 25.16 - O que recebera cinco talentos foi imediatamente negociar com eles, e ganhou outros cinco; 25.17 - da mesma sorte, o que recebera dois ganhou outros dois; 25.18 - mas o que recebera um foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. MT 25:19 Ora, depois de muito tempo veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles. 25.20 - Então chegando o que recebera cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei. 25.21 - Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 25.22 - Chegando também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis aqui outros dois que ganhei. 25.23 - Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 25.24 - Chegando por fim o que recebera um talento, disse: Senhor, eu te conhecia, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste, e recolhes onde não joeiraste; 25.25 - e, atemorizado, fui esconder na terra o teu talento; eis aqui tens o que é teu. 25.26 - Ao que lhe respondeu o seu senhor: Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei, e recolho onde não joeirei? 25.27 - Devias então entregar o meu dinheiro aos banqueiros e, vindo eu, tê-lo-ia recebido com juros. 25.28 - Tirai-lhe, pois, o talento e dai ao que tem os dez talentos. 25.29 - Porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado. 25.30 - E lançai o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.
O texto que acabamos de ler, não tem nada há ver com Economia e ou Política Monetária. Ele também não quer ser uma espécie de “receita” de como devemos manejar os nossos dinheiros. A parábola que acabamos de ler faz parte do grande diálogo de Jesus sobre o “final dos tempos” e todo o seu conteúdo gira em torno do balanço final da vida de uma pessoa aqui na terra.
Todos sabemos que virá a hora e o dia, quando teremos que prestar conta dos nossos atos para Deus. O que foi que conseguimos construir durante a nossa estada aqui na terra? Nós estamos contentes com os objetivos que alcançamos em vida? Se morrermos amanhã, qual é a marca que deixaremos aqui plantada? Será que a nossa presença significou alguma coisa para alguém aqui neste mundo onde vivemos? Ao tentarmos responder tais perguntas logo percebemos que é imprescindível se dar valor ao tempo que vivemos.
A RECEITA
Há uma receita simples e portanto fácil de se pôr em prática, se quisermos ter um balanço positivo de nossa vidas no dia do juízo final: Somos chamado a levar a sério, a trabalharmos com os nossos centavos, com os nossos talentos, com os nossos dons e aplicá-los para que rendam muitos juros. Cada uma e cada um de nós recebeu os seus talentos na caminhada da vida. Uns e umas de nós receberam mais. Já outras e outros, menos – um que seja, e daí? O que é que nós temos feito com os nossos talentos recebidos? Temos trabalhado no sentido de multiplicá-los? Temos usado os mesmos para algum fim a curto, médio ou longo prazo ou simplesmente enterramo-los por aí nalgum cantinho?! Se alguém dos que aqui estão presentes enterrou-o, quero ser enfático: O teu talento enterrado não vai ajudar a ti e nem tampouco ao teu próximo.
Se aplicarmos os nossos talentos, logo perceberemos que eles gerarão frutos, que eles ficarão mais valiosos e que podemos fazer muito mais pelas pessoas que nso estão próximas. Talentos trabalhados ficam impagáveis. Ninguém vai conseguir comprá-los de nós. Pessoas que aplicam os seus talentos no dia-a-dia, cedo ou tarde perceberão que estão dobrando o seu patrimônio, tal como os dois primeitros empregados do texto que lemos hüa pouco. Está correto o verso 26: “a todo o que tem se lhe dará, mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado”.
Talvez alguém de nós aqui neste retiro saiba escutar o outro como ninguém mais saiba. Pessoas que sabem escutar são boas e bons conselheiros e isto é um talento. De que adianta ter um tal talento se a pessoa detentora não o usa, não o põe em prática? Talvez uma ou outro participante do nosso meio seja excelente com organização. O que a comunidade vai ter com isso, se essa ou esse jovem permanecer sentado em casa? Outra ou otro de nós pode estar sabendo trabalhar muitíssimo com crianças e adolescentes. Que pena se ninguém puder notar estas potencialidades. Gente, talentos sem uso geram vidas vazias e vidas desprovidas de conteúdo são incapazes de gerar mais vida.
MÉTODO PEDAGÓGICO
Esta estória contada por Jesus não tem absolutamente nada há ver com dinheiro, como já vimos. Jesus usou-a como um método pedagógico para ajudar as pessoas a iniciarem sua caminhada cristã. O texto não foi escrito para nos ameaçar mas sim nos salvar. A questão que está posta é a vida das pessoas, aqui e agora. Como é que a vida pode ganhar um sentido aqui e agora? Ora, o referido texto quer nos deixar claro que não precismos nos esconder com nosso pequeno talento atrás das pessoas que têm grandes talentos. Que não nos cabe nos auto-enterrarmos porque as outras pessoas são tão boas nas coisas que fazem; porque outras pessoas têm tantos talentos e nós, pobres mulheres e pobres homens, só sabemos ouvir bem aos outros. No momento em que nos comparamos com os outros, caimos em depressão e ficamos insatisfeitos. Se ficarmos constantemente nos medindo com os outros indivíduos, simplesmente não chegaremos a lugar nenhum.
Ora, é assim que aquilo que os outros não conseguem fazer bem, a gente quase não percebe. De tanta insatisfação, acabamos consumindo a nossa vida e assim, passamos ao largo das grandes chances que se mostram para nós. E mesmo assim, ainda sonhamos um dia criarmos coisas grandes, darmos a grande cartada da nossa vida. Mas e se não der certo? (E quase nunca dá certo.) E aí José? Tu vais te sentir a última das últimas pessoas, tal como o terceiro empregado da parábola.
É por isso que Deus é um Deus de gente pequena. O pequeno homem com o menor número de talentos teve as mesmas chances que os outros dois, com mais. Todos temos a chance de fazermos 100% de lucro com os talentos que recebemos de Deus. Por pequenos que eles sejam, podemos experimentar o auge no lugar onde estamos, onde Deus nos colocou. Ninguém vale menos só porque sabe menos ou porque as grandes chances ainda não chegaram.
O terceiro empregado se escondeu atrás do seu complexo de inferioridade e lamentou profundamente não poder ter correspondido àquilo que o seu senhor esperou dele. De fato, ele não correrspondeu à espectativa do empregador, Deus. E isso, simplesmente porque não viveu a vida que Deus lhe pensou. Sua tragédia foi que não ter compreendido que aquele único talento tinha sido tudo o que Deus esperara dele. É Interessante notar que nós sempre nos identificamos com este terceiro empregado, não é mesmo? O texto quer nos encorajar a imitarmos os outros dois sujeitos que viveram sua vida sem medo de serem felizes, aplicando seus dons no “mercado” da vida.
SUJAR-SE
Antes de voltar para junto do Pai, o Senhor Jesus deixou riquezas ímpares para que os cristãos e as cristãs administrassem. Ele concedeu a todos os que o temem, em algum grau, a fé; a esperança; a alegria; a paz; a benignidade; a bondade; a firmeza de ânimo e o amor. Como já vimos na sexta-feira que passou, o apóstolo Paulo chamou todas estas virtudes de "frutos do Espírito".
Pois muito bem! Hoje Jesus se encontra sentado à direita de Deus, o Pai todo-poderoso. Amanhã, quem sabe, Ele estará de novo no meio de nós, julgando os vivos e os mortos. Nós todos estamos vivendo numa época de espera pela segunda vindade Cristo. Todos estamos construindo nossas vidas no tempo que se compreende entre sua subida até o Pai (testemunhada pelos discípulos no livro de Atos) e a sua volta, que ainda é esperada. Portanto, é imprescindível que confessemos bem claro a nossa fé no tempo em que vivemos.
Como poderemos confessar nossa fé com clareza agora, no presente? Para confessarmos nossa fé com clareza, precisaremos fundamentar nossa vida e nossa atuação na confiança em Jesus que sustenta a Comunidade, assumirmos um compromisso com Ele.
Como fundamentar nossa vida e nossa atuação na confiança em Jesus? Ora, colocando os nossos dons no mercado. Pondo a fé‚ a esperança; a alegria; a paz; a benignidade; a bondade; a firmeza de ânimo e o amor em risco e à prova. Desamarrando os talentos, dando-lhes asas para voarem circulando o mundo.
Fora com essa idéia de basearmos a nossa vida no medo, na Teologia do Receio. Chega de guardarmos os talentos do Reino em caixa de aço, à prova de fogo, com fechadura de segurança. Nada de depositarmos os talentos do Reino em covas frias do tipo "estrutura eclesiástica". Abaixo com o pensamento de mantermos os talentos do Reino sempre brilhantes e limpos para, simplesmente, serem apreciados. Sem essa de escondermos os talentos do Reino em buracos particularizados de nome JESMA, Banda Speiron ou outro segmento qualquer da Paróquia de Joinville.
Grupos como os que citei e não citei são meios de produção no Reino de Deus. Eles podem ser instrumentos na mão do Senhor à medida em que abrem mão dos talentos em prol de si e em favor das gentes que estão do lado de fora; que estão no mercado; que estão no meio do barulho; que estão lá onde existe o cheiro do suor. Para que auto-elogios? Para que auto-"marketing"?
ARRISCAR-SE
Os grupos, por si sós, não são garantia de relação com o Senhor Jesus. Engana-se quem pensa assim. Talvez amanhã teremos que prestar contas dos nossos talentos já a nós confiados. Não!... Nós não vamos ousar transformar os talentos do Reino em covas frias. Bem pelo contrário. Nós vamos arriscar-nos. Nós vamos sujar-nos tal qual o sujeito que recebeu cinco talentos; tal qual o indivíduo que recebeu dois talentos. Nós vamos colocar as nossas habilidades à serviço do bem comum.
Fazendo assim, vamos viver vida cristã. Vida cristã que não experimenta riscos tem há ver com a idéia de "morno". Viver vida cristã nunca foi e nunca será luta por manutenção das coisas sempre nos mesmos lugares. Quem assim pratica a vida cristã, paraliza o Corpo de Cristo; fecha as portas ao vento do Espírito Santo que sopra onde quer e quando quer.
Eu vou ser ousado: Vamos imaginar que aquele terceiro homem que recebeu um talento tivesse tentado duplicá-lo até a vinda do seu senhor. Imaginemos mais. Que ele tivesse feito de de tudo para dobrar a quantia mas que tinha se dado mal nos “negócios”. Com certeza enfrentaria seu senhor cabisbaixo, com palavras do tipo: - Senhor! Fiz o possível para fazer como os outros colegas fizeram. A coisa simplesmente não acontecia comigo. Acabei perdendo tudo. Estou de mãos vazias e frustrado...
Será que a reação daquele senhor não seria diferente? Olhando o todo do Evangelho arrisco dizer que sua postura seria diferente sim. Imagino-o dizendo: - Ok irmão! Tentaste fazer o melhor. Entra tu também no gozo do teu senhor.
CONCLUSÃO
Ousemos, administremos, apliquemos, multipliquemos e desenvolvamos os talentos do Reino a nós confiados; os "bens" que Jesus nos deixou. Convertamo-nos de uma vida de fé parada para uma vida de fé movimentada. A fé em ação dá "lucro" para o Reino de Deus.
Coloquemo-nos a serviço da realização do seu Reino. Combatamos o bom combate levando a cabo a idéia da vontade salvadora de Deus. Saindo-nos bem ou mal, não importa. Nem tudo o que brilha é ouro. Sujemo-nos. Arrisquemo-nos. A fé sempre é um risco. Quem vive uma vida de fé sempre estará sujeito ao desprezo, à rejeição, à perseguição e à ridicularização daqueles que se opõem à concretização da vontade de Deus.
Tarefa 2: Cada participante ficará durante 10min em silêncio. Neste tempo reflitirá sobre o seu ou os seus talentos... Se perguntará e, ao mesmo tempo, se auto-responderá: Qual é ou quais são os meus talentos. Eles estão soltos no mercado? Estão dando lucro ao meu
Senhor?
Temos compromisso com Jesus Cristo. Em qual destes nove Frutos do Espírito
eu precisaria dar uma trabalhada na minha vida?
O primeiro deles é o amor que deve envolver o sentimento da mente e do coração das pessoas cristãs. Ele diz respeito à nossa vontade e às nossas emoções e é o esforço que fazemos para buscarmos o melhor para àqueles que nos desejam o pior. Enfim, é o ato de doar-se sem esperar nada em troca.
O segundo é a alegria. Aqui nao se trata da alegria por causa de coisas terrenas como triúnfos sobre rivais, por exemplo. Trata-se, isto sim, da alegria que vem de Deus, que está fundamentada em Deus (Salmos 30.11; Romanos 14.17 e 15.13; Filipenses 1.4 e 25).
O terceiro fruto do Espírito é a paz. No grego a palavra eirene se equivale à palavra hebraica schalom, paz física e espiritual. Quem a experimenta tem o coração tranqüilo e sereno porque sabe que o tempo está nas mãos de Deus.
O quarto fruto citado por Paulo é longanimidade. Trata-se da paciência que devemos ter com as pessoas. Você pode se vingar, mas você não se vinga. Deus e Jesus usaram de longanimidade para conosco (Romanos 2.4; 9.22; 1 Timóteo 1.18; 1 Pedro 3.20). Se Deus fosse homem, já teria levantado Sua mão para destruir o mundo, mas Ele tem paciência e, por causa dela, suporta os nossos pecados.
A Benignidade e a Bondade são o quinto e o sexto frutos. Estes são parcedidíssimos entre si. Somos chamados a sermos suaves (crestos) e ao mesmo tempo enérgicos (agathoszne) com as pessoas. Trata-se de uma virtude útil para corrigir, disciplinar e ajudar, sempre em dependência da ocasião que se vive. Trata-se de uma bondade amável e ao mesmo tempo enérgica. Jesus expulsou vendilhões do templo e noutro momento foi simpático com a pecadora que Lhe ungiu os pés.
A Fidelidade é o sétimo fruto. Fidelidade tem a ver com fé, com confiança. Trata-se de uma mulher e ou um homem dignos de confiança.
O oitavo fruto carrega a palavra Mansidão. Ela tem a ver com submissão à vontade de Deus (Mateus 5.5; 11.29; 21.5), com o fato de se ser uma pessoa dócil (Tiago 1.21) e com a moderação. Indica que se caminhe num meio termo entre a mansidão e a ira excessiva.
O último fruto do Espírito lembra-nos do Domínio próprio. Cristo presenteia esse fruto. Pessoas que o detêm dominam seus desejos de prazer. Lembra o domínio que os atletas têm sobre seu corpo (1 Coríntios 9.25) e o domínio do sexo (1 Coríntios 7.9). É a virtude de um governante que não permite que seus interesses privados interfiram no seu governo.
Beleza, pão e paz...
Faz alguns anos, num momento de crise, escrevi uma poesia, que, neste momento, quero repartir com todas e todos vocês. Vamos lê-la em conjunto e, depois, fazermos, dos seus conteúdos um rascunho de “compromissos” que podemos vir a assumir a nível pessoal e ou grupal, daqui para a frente. Feito isso, vamos usar a poesia como indicaçao de um caminho para a nossa oração...
Beleza, Pão e Paz...
O mundo precisa de beleza.
Ele clama por gente que ama
Que ama,
Que vive,
Que pratica a verdade.
O mundo precisa de pão.
Ele espera por partilha
Hoje concentrada,
Hoje apoucada,
Hoje querida e não alcançada.
O mundo precisa de paz.
Ele sonha com saúde
Para o corpo,
Para o Espírito,
Para o coração despedaçado.
O mundo precisa de nós.
Ele vibra com o compromisso
De jovens,
De mulheres e homens,
De cristãos que vivem sua fé.
Renato Luiz Becker
Janeiro de 1993
Florianópolis – SC
OS DONS DO ESPÍRITO SANTO
Leia os textos que falam sobre os dons 1 Co 12.8-10, 28; Rm 12.6-8; Ef 4.11 e 1 Pe 4.10-11, 5.1-3. Em síntese, a situação se apresenta assim:
I Coríntios 12
Romanos 12
Efésios 4
I Pedro 4
Palavra de Sabedoria
Profecia
Apóstolo Profeta
Generalizado em sua lista.
Palavra de Conhecimento
Ministério
Profeta
Fé
Ensino
Evangelista
Curar
Exortar
Pastores e Mestres
Milagres
Contribuir
Profecia
Presidir
Discernimento de Espírito
Misericórdia
Variedade de Línguas
Capacidade de Interpretar Línguas
Apóstolo
Mestre - Ensino
Socorro
Governo - Liderar
Há muitos dons. Eles se repetem nos escritos bíblicos porque as Cartas foram escritas para Comunidades diferentes. Abaixo, algumas considerações:
1. Estudiosos da Bíblia têm chegado a diferentes conclusões quanto ao assunto. Uns fazem diferença entre Dom e Função. Outros, entre Dons e Serviços. Ainda outros, fazem diferença entre Dons de Apoio e Dons Básicos, entre Dons “esqueleto” e Dons “carne”, etc.
2. Entre os referidos estudiosos há uma variedade de opiniões quanto ao número de dons. Uns falam em 15, outros em 7, outros em 9.
3. Dom não é presente de Deus por eu ser BOM na fé. Não é mérito, nem medalha ou qualquer certificado que carrego na carteira. Os dons fazem parte daquela grande bagagem de presentes que recebo de Deus, por ocasião da conversão.
4. Afirma-se que alguns Dons mencionados no NT não mais se manifestam hoje em dia. Particularmente penso que isto é amarrar o poder de Deus a um determinado momento histórico. Deus é sempre o mesmo, de eternidade a eternidade.
5. Deus não é propriedade particular. No Reino de Deus não tem vez a atitude de dizer com o peito estufado e com soberba na voz: “Este é o meu Dom”! O Dom pertence ao Corpo de Cristo, à Igreja, e fora dele, não posso ficar falando do Dom como se fosse minha propriedade particular. Deus nos dá Dons porque sabe que fazemos parte de um contexto muito mais amplo do que a nossa própria “vidinha”.
6. Toda pessoa que aceita Jesus como seu Salvador e Senhor, recebe pelo menos um Dom. Deus, muitas vezes, dá diversos dons para a mesma pessoa. Estes dons, quase sempre, complementam-se entre si.
7. Não é por acaso que Paulo intercala o assunto de 1 Coríntios 13 entre o tema dos dons que menciona nos capítulos 12 e 14. O apóstolo quer dar o critério que deve nortear o uso dos dons, e este é o Amor. Também quero lembrar vocês que SER (amar) é muito mais importante que FAZER (Dom).
8. Dom não é profissão, se bem que seja perfeitamente possível exercê-lo de tempo integral, o que aliás é fácil de constatar...
Tente identificar o teu Dom. Seja realista. No Reino de Deus não há dons que sejam melhores do que outros. Não force a natureza e nem tampouco tente colocar-se num lugar para o qual Deus não chamou.