domingo, 30 de setembro de 2007

A FÉ QUE VENCE!


Oi pessoal! Abaixo transcrevi a prédica que proferi hoje pela manhã, no Culto das 09.00h. A Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas - OASE da São Mateus estava representadíssima neste Culto que tinha tudo a ver com elas. Foram bons momentos vividos. Abraços!
P. Renato Luiz Becker


Vamos ocupar este espaço nobre da prédica para falar da fé. Li outro dia que “a fé é a âncora que lançamos no mar da misericórdia divina e que ela, a fé ancorada, nos preserva do naufrágio nos momentos de desespero.” João, o discípulo amado de Jesus, confirma isso quando escreve que “...a vitória que vence o mundo: é a nossa fé.” (1 João 5.4)


Muitas pessoas, mesmo sem dominar alguns de seus assuntos, dizem: - "Eu creio". Há quem só imagine algo e também se saia com uma afirmação destas. Já vi gente pensando na possibilidade de que algo seja possível de ser realizado e, com todas as letras, deixando claro que “crê” naquela realização. Ora, com uma tal fé não se chega a nenhuma vitória consistente.


João escreve que a fé é a vitória que vence o mundo (1 João 5.4). Que fé é esta que consegue vencer o mundo com tanta força? A resposta é clara: "É a fé que crê firmemente em Jesus, o Filho de Deus." (v. 5). Sim, Jesus Cristo venceu o mundo. Ele obteve a vitória sobre o Inimigo Maior do mundo. Com Ele ao meu lado, também posso ser uma vencedora, um vencedor. Paulo vibra de alegria quando escreve: "Graças a Deus que nos dá a vitória por intermédio de Jesus Cristo!" (1 Coríntios 15.57) Claro que eu não preciso me converter num superador de obstáculos; num quebrador de recordes, para alcançar esta fé. Não me é necessário aplicar todas as minhas forças num projeto de busca pela vitória, uma vez que Jesus já me presenteou com a mesma!


Tu e eu, nós também não temos a mínima necessidade de, medrosos, cravarmos os nossos olhos nos objetivos que queremos alcançar, custe o que custar. Uma coisa, no entanto, devemos levar em conta sim: Viver uma relação viva de fé com o Senhor Jesus e, sempre de novo, lançar nosso olhar confiante Nele que nos presenteia com a vitória e isso, enquanto buscamos alcançar os nossos objetivos a curto, médio e longo prazo. Somente uma tal fé poderá proporcionar-nos segurança, orientação, paz e certeza.


De onde nasce, de onde se origina esta fé? A Bíblia diz que "Deus nos amou primeiro". Em qualquer relação de amor a amada e ou o amado precisam corresponder ao amor. Vocês também já perceberam que só conseguimos conhecer bem uma pessoa quando caminhamos junto com ela. Isso não é diferente entre a minha e a tua, entre a nossa pessoa e Deus. Caminhar com Deus pela vida e pelo mundo – isso não pode ficar somente no nível das nossas idéias. Temos que fazer alguma coisa: reagir ao Seu amor por nós.


Quando duas pessoas se amam, elas passam a ser notadas por terceiros, queiram ou não queiram. Se eu amo a Deus, as outras pessoas também vão notar esse amor. Sim, porque a minha relação com Ele passará a mudar o meu relacionamento com as outras pessoas. Aquele que disse: "Tu deves amar a Deus", também quer e espera que amemos à nossa irmã, ao nosso irmão. Quem só leva em conta a primeira verdade e se esquece da segunda é um mentiroso, conforme 1 João 4.20.


Senhor, eu te agradeço pelo presente da fé que é maior do que todas as seduções que mundo pode me oferecer. Permite que eu possa experimentar essa fé, que eu, sempre de novo, possa ancorar no mar da tua misericórdia, já aqui e agora... Amém!

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

O Luto - Como melhor trabalhá-lo?


Oi gente querida!


Sempre na quarta quinta-feira do mês nós nos reunimos nas dependências da Paróquia São Mateus para refletirmos sobre o tema do "luto". Pessoas que tiveram perdas, têm a chance de dialogar abertamente sobre o assunto da dor, da saudade, da perspectiva para as suas vidas. Abaixo, o texto que trabalhamos no dia 27 de setembro de 2007. Boa reflexão...
P. Renato Luiz Becker


A morte sempre sempre traz um enorme rompimento na vida das pessoas. Antigamente os indivíduos tinham mais facilidade para tratarem deste assunto, sem “se afogarem” na dor que ele provocava. Creio que dá para se dizer que hoje o luto se encontra privatizado nas grandes cidades. São muitas as pessoas que ficam sós, sem boas saídas para poderem expressar sua dor, quando vêm momentos de perda. É deseperadora esta constatação, uma vez que a dor gerada pela morte precisa ser expressa, colocada para fora. Pessoas que não conseguem trabalhar sua dor por causa da perda, acabam instalando-a dentro do peito. E uma vez ali plantada, ela machuca a alma como se um espinho fosse.


Há alguns anos atrás as pessoas possuiam melhores canais sociais para refletirem sobre dores oriundas de perdas. Em pequenos povoados a perda era e ainda é melhor trabalhada. Nestas pequenas cidades é carregado nas costas por um maior número de pessoas. Já em cidades grandes como Joinville, este estar mais próximo do luto das pessoas não é assim tão natural. Nestas referidas cidades maiores o contato com a Comunidade de Fé também se apequenou e, assim, o coração quebrantado não tem mais encontrado cura tão fácil.


Em Nürnberg, no sul da Alemanha vivenciei uma Comunidade que criou uma sala especial que denominaram “Sala do Luto”. Nesta pequena sala, as pessoas celebram, mensalmente, um pequeno Culto. Nele, a meditação sempre está calçada sobre o tema do “luto” e isso, sem se importar se as pessoas que participam têm ou não “carteirinha” de luteranas.


Estas tais meditações sobre o luto são contextualizadas e elaboradas com base nas experiências das e dos participantes enlutados. Elas sempre são proferidas com o objetivo de se promover nova forma de comunicação entre as pessoas que vieram buscar forças para sua vida, apesar da dor. Assim, as e os enlutados vão se auto-descobrindo, enquanto dialogam repartindo suas experiências de perda. O ponto alto dos referidos encontros não é somente a Palavra de Deus. Neles também há momentos de silêncio onde se garimpa o sentido da vida naquele espaço especialmente preparado para a meditação.


E assim a expressão do luto vai acontecendo de forma individual e coletiva. Pessoas com corações quebrantados levam-se a sério, dão-se as mãos e tudo isso tem lugar numa sala discreta que faz a esperança bíblica de cura para a alma transparecer. São muitas as pessoas que vêm participar destas meditações sobre o Luto. O testemunho das mesmas é que elas são um “bálsamo para a sua alma”. Um sem-número de pessoas que frequentam aqueles pequenos Cultos tem encontrado nelas o caminho de volta à Comunidade, à Igreja.


É interessante notar que os autores dos Salmos sabiam muito bem que Deus “leva corações quebrantados em conta”. (Salmo 51). As meditações que esse pessoal de Nürnberg organiza tratam “o luto” de uma forma muito realista, muito objetiva e, junto, procuram “construir pontes” que conduzam à fé em Jesus que morreu, mas que também ressuscitou dentre os mortos: Os cristãos não devem viver o luto como os que não têm fé o vivem (“Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança.” - 1 Tessalonicenses 4.13).


Faz 2000 anos que o cristianismo resiste no meio de tormentas culturais, por causa da cruz que venceu a morte. Ocupar-se com pessoas afetadas pela dor do luto é uma boa causa. A esperança pode ser um bom caminho sobre o qual se pode trilhar em busca da cura do luto. Por isso, mãos a obra!

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

O Perfume da Rosa!


Gente querida! Abaixo transcrevo as quatro Palestras Evangelísticas sobre o tema "O Perfume da Rosa". Como a maioria de vocês sabem, proferi-as nos dias 21 a 23 de setembro de 2007, no templo da Paróquia São Mateus. Desejo a todas e a todos uma boa leitura, um bom estudo. Quero lembrar que as mesmas não contém os exemplos da hora. Também quero deixar claro que me coloco à disposição para conversarmos sobre uma ou outra dúvida... Abraços!
P. Renato Luiz Becker


A CRUZ DE CRISTO (Palestra 1)

Gente querida! Estamos começando esta série de palestras evangelísticas sobre o tema “O Perfume da Rosa”. Hoje falaremos sobre a Cruz de Cristo. Amanhã, sábado, nos dedicaremos ao Coração que bate dentro do nosso peito e, depois de amanhã, domingo, refletiremos a respeito da Rosa da Alegria. Alegria que se funda na esperança de “um novo céu e de uma nova terra” (Apocalipse 21.1) onde também conviveremos com a Fidelidade de Deus que é sem fim.

Para início de conversa, observem a cruz preta pendurada no centro do quadro branco. Esta pequena cruz quer ser o símbolo que proclama, de forma muda, a verdadeira união entre a mulher e o homem que voltam a unir-se, a reconciliar-se com Deus. O que estava separado reencontra o seu centro comum bem no ponto de convergência entre a linha vertical e a horizontal. Para as pessoas que se perdem, esta cruz é uma loucura, uma aberração. Já para as pessoas que encontram a salvação, ela é o poder de Deus (1 Corintios 1.18). Por isso, vamos refletir um pouco sobre ela...

SE EU VIER A CAIR

Quem dentre nós já caiu do alto de uma escada ou de uma larangeira? Quando menino, na casa da minha vó Romilda, caí de um abacateiro. Nunca mais me esqueci daquele dia. Me agarrei num galho que quebrou. Ainda me vejo caindo com tudo sobre o arame farpado esticado da parreira de uvas do meu avô. Até hoje ainda guardo algumas cicatrizes de lembranças daquele dia de muito sol no meu no corpo. Não fôssem as mãos queridas do meu falecido avô Reinbold e eu, naquelas circunstâncias, teria sofrido muito mais. Posso assegurar a vocês que já faz 50 anos que nunca mais subi num abacateiro...

Tenho reparado que a vida nos proporciona muitos outros tipos de quedas. Imagino que algumas e alguns de vocês tenham experimentado das mesmas, nos últimos tempos. Estou enganado?... As vezes a gente não consegue juntar as forças para se recolocar em pé, depois de uma queda, depois de um tombo. Em Josué 1.5b está escrito que “Ele será conosco; que Ele não nos deixará e tampouco nos desamparará” se viermos a cair num destes buracos que a vida volta e meia nos oportuniza.

Quantas pessoas passam de largo, fingem que não vêem quando alguém está caído na beira do caminho?... Se uma pessoa cai por culpa própria e ou se foi empurrada, isso nem vem ao caso para a maioria dos que estão próximos. Tenho percebido que tais situações são bem comuns dentro das famílias. De repente, alguém diz uma palavra mais dura, mais crítica e claro, há quem não goste. Qual é o comportamento que quase sempre se tem num caso destes?... A pessoa machucada não dirige mais a palavra e nem mesmo o olhar àquela que a machucou por dentro e vice-versa. Agora, as duas estão sofrendo, caídas, minguando de tristeza por falta de carinho e por falta de atenção.

Este tipo de quedas também acontece na relação de inúmeros casais. Quando um cônjuge decepsiona o outro eles esfriam o seu o relacionamento e, muito cedo caem. Também entre irmãos se dá o mesmo. Há pessoas que, dentros dos seus empregos, se decepsionam com os seus chefes e, por isso, quebram as relações com os mesmos. O silêncio e a solidão as desestabilizam e, de repente, lá estão elas, caídas. Isso tem acontecido contigo também? Estás decepsionado com alguém das tuas relações? Caíste de alguma altura n’algum buraco?... Estás tendo dificuldades de te levantar, de te pôr em pé?...

É incrível como nós somos capazes de atrair dor e sofrimento para nós mesmos. Quantas e quantas vezes temos deixado pais, irmãos, crianças, amigos, conhecidos e colegas simplesmente se estatelarem no chão...

DEUS NÃO ME DEIXA SÓ

Pois Deus faz exatamente o contrário conosco. Ele não nos deixa caídos no chão. As pessoas que se permitem a Sua direção, encontram forças extras para construir bons relacionamentos e, sempre de novo, esperar que as pessoas próximas ajam com justiça. Nós acabamos de ler em Josué que Deus “não nos deixará.” Quer dizer, se eu ou você, por ventura, formos abandonados por todas as pessoas; se eu ou você, por ventura, viermos a nos sentir bem sózinhos, Deus sempre estará do nosso lado. Não é maravilhoso ter ciência, ser sabedor de uma verdade tão boa?

Agora, como é e por que é que essa bênçao pode acontecer conosco? Ora, qualquer pessoa que começar a estudar o cristianismo vai ficar impressionada com o destaque que os seguidores de Jesus Cristo dão à Sua morte na cruz. A morte de todos os outros grandes líderes espirituais é lamentada apenas como o fim de suas carreiras. O que realmente importou deste líderes foi a sua vida, o ensino e a inspiração que o exemplo dessas pessoas trouxe ao mundo.

No caso de Jesus acontece justamente o contrário. O Seu ensino e exemplo foram incomparáveis mas, desde o princípio, os seus seguidores enfatizaram a Sua morte. Observem o que os Seus três maiores apóstolos (Paulo, Pedro e João) disseram sobre esse assunto: Paulo: “pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Coríntios 2.2) Pedro: “Pois também Cristo sofreu pelos pecados uma vez por todas, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus” (1 Pedro 3.18) João: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e nos enviou seu Filho como propiciação (como oferta) pelos nossos pecados” (1 João 4.10)

Quando os evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João escreveram os Evangelhos, eles dedicaram uma quantidade de espaço desproporcional à última semana de vida de Jesus na face da terra. Lucas dedicou um quarto de sua obra ao assunto. No caso de Mateus e de Marcos, ele dedicaram cerca de um terço do seu escrito. Já João, dedicou quase a metade do seu Evangelho a este tema – a morte de Jesus na cruz.

Foi Jesus quem influenciou eles a escreverem assim. Os outros líderes religiosos na história morreram de causas naturais. Idosos, eles completaram suas missões com sucesso. Maomé morreu aos 62 anos; Confúcio, aos 72; Buda, aos 80; e Moisés aos 120. Com Jesus não foi assim. Ele morreu a morte horrível da crucificação na faixa dos 30 anos, repudiado por seu próprio povo. Quem observa assim, meio de longe, tem a impressão que Jesus, o Filho de Deus, foi um fracasso completo. No entanto, Ele afirmou cumprir a Sua missão por meio de Sua morte. Aliás, durante os seus poucos anos de vida aqui na terra, Ele ansiava pelo cumprimento de sua obra – reaproximar-nos do Seu Pai.

Em três ocasiões, distintas e solenes de Sua vida, ele predisse a Sua morte, dizendo que “O Filho do homem deveria sofrer muitas coisas... e... ser morto” (Marcos 8.31; 9.31, 10.32-34). Jesus entendia que a Sua missão só poderia ser completada com a Sua morte e, portanto, Ele a tinha como algo inevitável.

E EU VIVEREI POR FÉ

Gente querida! Jesus veio ao mundo com o objetivo de nos mostrar que o nosso Deus é um Deus de amor. Que Deus é um Deus misericordioso, que se doa para nós sem esperar qualquer coisa em troca. As pessoas que vêm a conhecer Jesus pessoalmente, têm a liberdade de tocá-lo. Foi através da atuação de Jesus aqui na terra que Deus quebrou os muros da desconfiança e do desespero que existiam. Deus simplesmente acabou com com o isolamento que o pecado um dia tinha instalado entre as pessoas a quem Ele sempre quis tanto bem. Em Jesus, Deus possibilita a cada uma, a cada um de nós, a perspectiva de um recomeço. Sim, Deus oferece vida nova, vida abundante, vida repleta de futuro àquelas pessoas que cairam, que estão decepsionadas com autras e outros e consigo mesmas, que estão em busca de um sentido para as suas vidas.

As pessoas que aceitam a oferta de vida que Deus faz, não são presenteadas apenas com novas perspectivas. Elas simplesmente são presenteadas com uma nova valoração para suas vidas pessoais. Sua auto-estima cresce. Pessoas tocadas por Deus não têm mais medo de afundar, solitária e anonimamente, dentro da massa porque Deus as toma pela mão e lhe dá chão firme debaixo dos pés. É sobre esta base que elas podem recomeçar o seu novo futuro; que elas podem reconstruir o seu novo momento. E tudo porque a sua cabeça está liberada para assumir o compromisso dessa decisão que terá validade para dentro da eternidade.

Cristo pagou um preço caríssimo por mim e por ti na cruz. Quer dizer, eu tenho grande valor e este nosso valor permanece intocado porque, repito, Jesus morreu por nós no Gólgota. Resumindo, porquê devo me gloriar na cruz de Cristo? Ora, porque a cruz anula qualquer outro caminho para o céu. (
João 14.6); porque a cruz me mostra a gravidade do meu pecado. (Romanos 5.8); porque a cruz é a garantia da minha vida eterna. (Apocalípse 5.9)

E isso vale para cada pessoa que diz “sim” a Jesus; para cada pessoa que leva a morte e a ressurreição de Jesus em conta. Deus nos aceita através do seu Filho que, neste momento, está do nosso lado – e o alvo da nossa existência é a vida eterna do lado Dele. Isso Ele nos prometeu com todas as letras e é nessa promessa que nós podemos confiar. Pode existir melhor perspectiva do que essa para a minha e para a tua vida?

CONCLUSÃO

Conta-se que certa família afastou-se da Igreja, da Comunidade, da Paróquia porque recebeu um tratamento não muito digno dos líderes, do presbitério. No dia da celebração da Santa Ceia, a filha mais nova do casal preparou-se para ir ao Culto e a sua mãe a censurou por isso: - Filha você já esqueceu da desconsideração que sofremos naquela Igreja? Mãe – retrucou a filha – quando contemplo a maravilhosa cruz do meu Salvador, não posso abrigar rancores em meu coração.

Gente, essa moça foi encontrada por Deus que “a amou de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que também ela, que Nele veio a crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3.16) Digo de um outro jeito: O diamante não brilha com fulgor, a não ser que seja burilado, lixado e trabalhado. Quando formos burilados, lixados e trabalhados pela cruz de Jesus, também brilharemos como jóias no Reino de Deus... (Englobar a cruz preta com o coraçao vermelho)... e o nosso coração baterá mais apressadamente por causa do júbilo, da alegria que nele se instalou.

Martin Luther disse certa vez que essa cruz preta, lembra que em Jesus o próprio Deus vem ao nosso encontro, sacrificando a Sua vida e vencendo o poder da morte em nosso favor, para que “todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16); para que "o justo viva pela fé" (Romanos 1.17), no Crucificado (Romanos 10.10) e que, embora seja uma cruz preta, que mortifica e que também deve causar dor, ela deixa o coração em sua cor natural... Nosso coração é vermelho e ele pulsa, e ele ama, e ele espera, e ele quer ser habitado por Deus...

Amanhã, às 20.00h, iremos dar um passo adiante nesta nossa temática. Amanhã, sábado, o nosso tema girará em torno do coração, deste órgão que trabalha dentro de nós sem parar mas que também é depósito dos nossos sentimentos bem pessoais. Que Deus nos abençoe neste tempo de espera... Amém!



O NOSSO CORAÇÃO (Palestra 2)

Ontem, sexta-feira dedicamo-nos a refletir sobre a cruz preta. Vimos que Jesus carregou nossos pecados na cruz; que Ele nos levanta quando caimos; que Ele nos aponta um caminho de paz, amor, justiça e perdão que, uma vez assumido, refletirá nas nossas gerações futuras. Hoje, sábado, o nosso assunto girará em torno do coração vermelho que simboliza a nossa fé e o nosso amor. Em Ezequiel 36.26 se lê: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne.” Já em 1 Coríntios 6.19 se pode ler: “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?”

Esse corpo que acabamos de trazer a pé e ou de carro aqui para esta Palestra Evangelística é considerado por Deus como “templo do Espírito Santo”. Pois é dentro deste templo que somos chamadas e chamados a desenvolvermos a sabedoria cristã. Esta sabedoria, este jeito de pensar como Deus pensa, terá espaço em nós se abrirmos as janelas do nosso templo para que o Espírito de Deus sopre do seu vento, repleto de frescor, na nossa alma. Você já entrou num aposento com o ar viciado?... Se Deus tiver a chance de soprar do Seu Espírito no templo que carregamos com nossas pernas, Ele expulsará o ar viciado que existe na nossa vida. Renovando o ar dentro do nosso templo, Ele nos impulsionará para a prática de obras que têm a ver com Ele. Muitas cristãs e muitos cristãos têm convertido este templo numa casa de consumo, apenas. Deixam-se envolver por propostas estranhas que vão sendo oferecidas de forma barata nos mercado de qualquer esquina e isto, sem qualquer criticidade.

Para os coríntios do Novo Testamento essa barateção do Evangelho dizia respeito à liberalidade sexual. Qual é o problema concreto da minha, da tua, da nossa vida? O que é que tem rolado dentro do nosso templo?... Que tipo de pensamentos têm tido espaço dentro dele?... Mentiras, insinuações, impurezas, invejas, inimizades, ciúmes, discórdias, facções, vantagens... é isso que te move na vida? Ah gente! Se estas coisas têm espaço nos armários do nosso templo, então somos pessoas infelicíssimas – preciso dizer.

O templo que carregamos no nosso corpo deve ser a casa onde o Espírito Santo de Deus tem a palavra e onde a pessoa de Jesus Cristo se sente bem. Esse sempre foi o desejo de nosso Senhor conforme podemos ler em Marcos 11.15-17: “E foram para Jerusalém. Entrando ele no templo, passou a expulsar os que ali vendiam e compravam; derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Não permitia que alguém conduzisse qualquer utensílio pelo templo; também os ensinava e dizia: Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações? Vós, porém, a tendes transformado em covil de salteadores.” Transformaste o templo de Deus construido em ti numa casa de salteadores?

Deus sonha o nosso corpo como sendo a Sua casa. O nosso corpo foi concebido para abrigar um Culto constante a Deus. E aqui vou ousar fazer uma pergunta: Como estamos servindo ao nosso Deus nos dias de hoje?... Estamos usando as dependências do templo de Deus como um armazém de consumo de alimentos? Como um depósito de prédicas? Gente! Deus gostaria de renovar, de reformar o nosso corpo para que o mesmo voltasse a servir como o Seu templo de Culto. Através do sangue de Jesus na cruz, este nosso templo pode experimentar uma grande reforma, e isto ainda neste final de semana.

Como é que o meu vizinho está me percebendo?... Como é que o meu parceiro está me vendo?... O que é que se ouve, o que é que se fala do meu templo; das coisas que acontecem dentro do meu templo, logo ali fora na Santos Dumont?... Ouvem-se hinos de louvor ou somente tons desafinados de vida mal vivida?... O que é que brilha para além dos limites do meu templo?... Muito nervosismo e mau humor ou os frutos do Espírito do amor, da alegria, da paz e da paciência... (Gálatas 5.22) porque o Espírito de Deus já obteve nova morada em mim?

INÚMERAS PROPOSTAS

Todas as pessoas cristãs têm um caminho a porcorrer durante o tempo da sua vida. Na Bíblia Jesus nos deixou claro que nem todas as pessoas fariam a opção pelo bom caminho, como bem escreveu o evangelista Mateus (Mateus 7.14). A empreitada de se enfrentar os caminhos do mundo não é nada fácil. Quem quiser se portar como uma pessoa cristã, como um indivíduo comprometido com Cristo neste mundo, experimentará a ameaça de muitos perigos.

Aqui e ali a mentira está sendo vendida como verdade. Lá e cá os pecados estão sendo oferecidos com extrema simpatia no mercado. Pois foi justamente para nos ajudar a vencer estas dificuldades que Jesus fundou a Sua Comunidade, a Sua Igreja. Nela podemos ser informados sobre qual o caminho mais correto a ser percorrido rumo ao Reino de Deus. A Palavra de Deus é uma espécie de compasso e o espírito de Deus é como se fôsse uma bússola. Com estes dois instrumentos na nossa mão, não há como nos perdermos nesta expedição que é extremamente segura, porque organizada pelo nosso Senhor.

O convite para participação nesta “viagem” foi, é e continuará sendo encaminhado a todas as pessoas, indistintamente. É interessante notar que muita gente entende que não necessita da Comunidade de Jesus para sobreviver. E quando a gente conversa com estas pessoas elas dão um jeitinho de nos dizer que até acreditam em Deus e que, para elas, isso já é mais do que suficiente. Eu até as entendo. Elas estão marcadas pelo “espírito” do nosso tempo que lhes dá costas quentes para só pensarem em si e serem individualistas.

São inúmeras as pessoas que, um dia, iniciaram sua caminhada cristã dentro da Comunidade mas que, por uma razão ou outra, estacionaram em algum lugar da história. Alguma coisa às fez desistir do seu caminho, talvez tenha sido algo interessante que tenha acontecido na margem da estrada. O que é que estas pessoas vão fazer se, de repente, perceberem que estão sós na jornada?

São sábias as pessoas que permanecem firmes, plantadas na Comunidade que Deus lhes presenteou com Sua Palavra e com Sua Verdade. Se quisermos nos aventurar por conta própria pelos caminhos do mundo, cedo ou tarde vamos perceber que não temos capacidade para vencermos os caminhos difíceis que a vida nos propõe. Uma coisa podemos fazer, sim senhor: agradecermos pelo fato de Deus tudo ter feito no sentido de que não viéssemos a nos perder, a andar em círculos.

AUTO-AVALIAÇÃO

No verso 23 do Salmo 139 está escrito: “Sonda-me ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos.”

As vezes me pego pensando: Será que temos a capacidade de realmente nos levar a sério como convém? Será que temos a capacidade de perceber verdadeiramente tudo o que acontece lá no fundo da nossa alma? As pessoas que estudam aquilo que vai dentro do nosso coração insistem em dizer que sabemos pouco ou quase nada das coisas que são verdade lá bem no fundo do nosso cérebro. Muitas pessoas até querem ignorar o que se passa lá, visto que têm pouco ou quase nenhum controle destas sensações.

Lá bem num cantinho do nosso ser podem estar escondidos medos, agressões que sofremos de alguém no passado, aprendizados negativos que vivenciamos, sentimentos de culpa e de inferioridade e até de baixa auto-estima que somente vêm a tona em determinados momentos da nossa vida. Ninguém está livre destas sensações que nos vêm, quando menos esperamos. As vezes temos boas razões para realizarmos este ou aquele ato. Mas o que é que nos move a agirmos assim?

Quase sempre temos um objetivo comum que é nos apresentarmos bem diante de Deus e das pessoas. Para escondermos as sombras da nossa vida, nos esmeramos em desenvolver alguns mecanismos que escondem as mesmas e assim, trabalhamos consciente e ou até inconscientemente no nosso corpo, no nosso perfil para que as outras pessoas tenham uma boa figura de nós em suas mentes. E quanto mais tempo gastamos com este aparato de mecanismos em nós, tanto mais nós mesmos acreditamos que somos isso que estamos teatralizando. Dessa forma, acabamos ficando cegos para as coisas que acontecem dentro de nós mesmos.

As pessoas que nos estão próximas conseguem ver bem melhor aquilo que se passa dentro do nosso íntimo, as coisas que procuramos esconder atrás da nossa fachada cristã. Deus vê tudo de forma detalhada. Ele vê muito melhor do que as pessoas que são nossas irmãs. Dele nós não podemos esconder absolutamente nada. Aliás, nem precisamos fazê-lo porque Ele nos ama tal como somos. Nada vai fazê-lo mudar de idéia, de pensamento a nosso respeito. Aconteça o que acontecer, Ele não vai nos amar mais ou menos. Quem se esconde atrás de fachadas cristãs, prejudica-se a si mesmo. Quem vive uma vida de faz de conta que é cristão, tem dificuldade de aceitar o amor de Deus.

Nossa própria força não é suficiente para libertar-nos desta situação incômoda. É por isso que deveríamos fazer alguma coisa, quem sabe levarmos em conta a sugestão do salmista: Pedir a Deus que Ele nos abra os olhos para que possamos avaliar o que realmente ocorre dentro do nosso coração. Deus nos conhece melhor que nós a nós mesmos. Ele conhece todas as nossas fraquezas interiores, todas as nossas feridas, todos os nossos conflitos, todos os nossos sofrimentos e todas as nossas saudades.

Numa conversa franca com Ele, nós poderemos aprender a sermos pessoas equilibradas, abertas, sinceras, verdadeiras e leais. Sim, Deus quer nos transformar em pessoas, em gente desse quilate, em mulheres e homens que sempre são extremamente necessários na família, na sociedade, na Igreja e no Reino de Deus.

CONCLUSÃO

Pela fé, as cristãs e os cristãos aceitam a Cristo, o Crucificado, como seu Salvador. Pela fé a cristandade recebe Dele a purificação dos seus pecados e passa a amá-Lo e a servi-Lo em sua vida. A cor vermelha deste coração que aí pulsando está é a cor do fogo. Pois é assim que deve ser a chama da nossa fé: acesa em nossos corações com o Evangelho da Cruz, pelo poder do Espírito Santo. A cruz preta, rodeada por um coração vermelho, significa que toda a minha vida fica envolvida pela fé. Significa que Cristo agiu na minha vida através da Cruz e claro, que Ele continua agindo. Crendo em Cristo, a minha vida recebe um novo sentido. E esse novo jeito de viver eu coloco a serviço do Filho de Deus, em favor das pessoas pobres, aflitas e necessitadas. Assim, como Cristo nos amou, também as suas filhas e os seus filhos deverão se amar uns aos outros. Assim como Cristo serviu aos seus, as suas filhas e os seus filhos deverão servir uns aos outros, cada qual “conforme o dom que recebeu” (Gálatas 6.2).

Termino esta segunda palestra citando Agostinho: - “O coração de uma mulher e de um homem bondoso é o santuário de Deus neste mundo. É com o coração que se pede... é com o coraçao que se procura... é com o coração que se bate e é ao coração que a porta se abre.”

E agora, coloco estas pétalas brancas em torno deste nosso coração que pulsa por momento novo. Amanhã pela manhã daremos seqüência ao nosso tema intitulado “O Perfume da Rosa”. Procurem não faltar. É importante a sua presença... Amém!



A ROSA DA ALEGRIA (Palestra 3)

As cinco pétalas que englobam o coração vermelho representam a pureza; demonstram que a nossa fé produz alegria, consolo e paz. As bênçãos e a beleza do Reino de Deus do qual Lutero tanto falou e cantou, são representadas por esta rosa branca na qual descansa o coração da pessoa cristã. A cor branca, é a soma de todas as cores e isto quer dizer que Jesus é tudo em todas e todos; quer dizer que quando Cristo tem lugar em nossa vida, ocorre uma transformação, uma mudança que traz a verdadeira paz e a verdadeira alegria.

Os botânicos e floricultores afirmam que certas variedades de rosas se tornam de 30% a 40% mais aromáticas à noite que de dia. Esse fenômeno também pode ocorrer nas nossas vidas. Por causa de noites de amargura, de sofrimento e de desilusão elas tem a oportunidade de exalar o seu mais suave perfume espiritual. Foi Paulo que nos pediu para sermos “bom perfume” de Cristo (2 Coríntios 2.15)!

ALEGRIA NO CORAÇÃO

Gente querida! Um dos versículos mais conhecidos do Novo Testamento foi escrito pelo apóstolo Paulo em Filipenses 4.4. Eu leio o mesmo: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos.” Eis aqui uma ordem para nos alegrarmos. Trata-se de um chamado à alegria. Será que isso é possível, alegrar-se a partir de um mandado? No nosso dia-a-dia temos que lidar com tantas ordens: - Faça o teu serviço corretamente! Não baixe a cabeça por causa destas ou daquelas preocupações! Não seja preguiçoso! Não volte atrás! Aguenta o tranco! E agora, aqui neste domingo de manhã: “alegrem-se”.

Eu proponho que, aqui e agora, avaliemos um dia normal da nossa vida: Logo pela manhã, ao acordarmos, a maioria de nós consegue movimentar os pés e as mãos; consegue ver e ouvir; consegue falar e sentir. Gente querida, isto não é natural mas sim um presente que Deus nos alcança diariamente.

Ao meio-dia sentamo-nos à mesa para o almoço e, as vezes, até há uma colherinha profeta apontando para uma gostosa sobremesa para para daqui há pouco. Gente, não é natural que a comida e a bebida sempre esteja disponível sobre a nossa mesa. Há lugares bem pertinho de nós onde pessoas, neste momento, estão morrendo de fome.

Quando é de noite, muitas e muitos de nós chegamos em casa depois de um dia inteiro de trabalho. E isso, numa conjuntura onde há milhares de pessoas desempregadas. Sim, temos inúmeros motivos para agradecer a Deus que se ocupa conosco diariamente. Deus nos emite sinais de Sua amizade e isso, constantemente. Não existe manhã em que o nosso Deus não nos promova a perspectiva de um amor renovado.

E nós temos a possibilidade de nos adonarmos desse amor que se renova a cada dia da parte de Deus para conosco. Por causa das pequenas bênçãos que a cada manhã são derramadas sobre as nossas cabeças, podemos ser alegres e agradecidos. Mas não apenas isso! Em Filipenses 4.5 Paulo nos sugere que "a nossa moderação seja conhecida de todas as mulheres e de todos os homens." Com essa palavra ele nos sugere que repartamos com as outras pessoas que nos são próximas dos presentes que Deus nos tem alcançado. Agindo assim, estaremos re-promovendo alegria e, por tabela, experimentando mais da mesma.

UMA BOA RECEITA

Naqueles tempos, quando o apóstolo Paulo escreveu a sua Carta à Comunidade dos Filipenses ele estava encarcerado, por causa da fé que professava. Vocês hão de concordar comigo que estar atrás das grades certamente não seja um bom lugar para se viver e experimentar alegria. Além de estar preso, Paulo ainda precisava se desgastar com a resistência a alguns críticos instalados dentro das próprias fileiras cristãs. Isso lhe custava inúmeras forças internas. Quantas e quantas vezes ele pensou que a morte lhe seria mais útil do que aquela vida de desgastes. Nessas horas ele reagia e não sucumbia nos maus pensamentos. Lutava consigo mesmo e se decidia pela vida, pela alegria (Filipenses 1.12-26). Essa sua postura positiva em relação à vida transparece no mandado de alegria que ele dá ao povo de Filipos: alegrem-se!

Ontem como hoje seguir a Cristo não traz uma vida sem problemas. Em contextos mais difíceis e complicados, o ato de se seguir a pessoa de Jesus chega a ser até bem pesado. Mas então, onde é que está o segredo de Paulo para achar tanta alegria no meio de tamanhas dificuldades? Como é que ele conseguia dar tanto de si neste projeto de paz, amor, justiça e perdão que encabeçara no mundo antigo?

O segredo está na experiência que fez com Deus. Sua relação com Ele oportunizou-lhe o amadurecimento interior a ponto de, passo a passo, ir se convertendo num “cerne” do cristianismo. Paulo podia dizer “sim” em cada situação e isto porque vivia da força que Deus lhe presenteava, lhe alcançava. O segredo da alegria experimentada por Paulo se resumia no fato de ele viver da esperança. Ele não se deixava derrubar pelas experiências negativas experimentadas no passado. Paulo olhava para a frente. Na Carta aos Filipenses (3.14) ele nos testemunha: - "Eu prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." Essa era a base onde ele, Paulo, fundava a sua alegria, a sua pré-alegria pelas coisas que ainda haveriam de vir, que ele ainda haveria de experimentar.

Eis aí uma boa receita para levarmos em conta na nossa vida de fé. Não gastemos do nosso precioso tempo olhando para trás. O que passou passou. Se nós pudermos nos esquecer das coisas que para trás ficaram, então também poderemos deixar para trás as coisas que nossos inimigos nos aprontaram. Ora, isso é motivo para muita alegria. Isso mesmo! O tempo de olharmos para a frente, de nos alegrarmos com Aquele que vem, Jesus Cristo, está aí. Se os nossos vizinhos, os nossos colegas de trabalho, os nossos familiares perceberem qualquer coisa da grande alegria que pulsa em nós, melhor ainda.

FRUTO DO ESPÍRITO

A alegria é fruto do Espírito Santo. Ela tanto pode estar em Deus como no próximo. Há pessoas que exalam alegria, apesar da violência e das contrariedades que a vida lhes propõe. O que é a alegria? É aquela conversa animada entre o noivo e a noiva. É aquela feliz e amável recordação que os cristãos têm de Cristo. É a boa admoestação, os hinos de gratidão e os salmos de louvor com os quais a cristandade se exorta e se exercita.

A Bíblia deixa claro: Deus não tem prazer num espírito contristado. Seu desejo é que nos alegremos Nele. Ao enviar Seu Filho ao mundo, não o fez para entristecer-nos e sim, alegrar-nos. Por isso é que os profetas, os apóstolos e o próprio Cristo ordenam: sejam felizes e alegrem-se por meio da fé em Cristo. Onde houver desta alegria espiritual mencionada por Paulo, está presente a certeza de que Jesus é Salvador; a certeza de que Ele intercede por nós diante de Deus.

CONCLUSÃO

O mundo está contente e se sente bem quando tem bens, dinheiro, glória e poder. Corações atribulados, entretanto, não desejam outra coisa senão paz e consolo, certeza de que Deus lhes é gracioso. E essa alegria, que traz descanso e paz ao coração miserável, é tão grande que ofusca a alegria do mundo. Por isso, prestem atenção, vocês que estão tristes e sentem-se miseráveis, pois eu lhes trago uma boa notícia: - Jesus não se fez homem para lançar ninguém ao inferno. Ao contrário, Ele veio para que todas as pessoas tivéssem, Nele, muita alegria. Ele é a nossa Grande Alegria.

Estas cinco pétalas brancas estão assinalando que a fé atuante gera alegria, consolo e paz com Deus, conosco mesmos e uns para com os outros. Quando a cruz de Cristo tem lugar em nossa vida, ocorre uma transformação. O reino de Deus se faz presente com todas as suas promessas. A rosa branca nos testemunha que a fé promove esta alegria, este conforto e esta paz. Em outras palavras, a fé coloca a pessoa cristã numa rosa branca, numa flor de alegria, pois esta fé não dá a paz e nem a alegria como o mundo a dá (João 14.27).

E eu termino com esta pequena estorinha: Um garotinho indiano estava sentado com o seu pai, perto de uma fogueira. Pai – perguntou o menino – o que é que o fogo come? - Ele come a floresta meu filho, mas o seu principal papel é devorar a escuridao da noite! Pois é justamente isso que o fogo do Espírito Santo quer consumir em nós – o lado escuro das nossas vidas. Que Deus nos abençoe.

Hoje à noite, encerraremos o nosso ciclo de palestras sobre o tema “O Perfume da Rosa”. Por isso, neste momento, eu já quero completar o nosso quadro, colocando o “céu” em torno das pétalas brancas, do coração vermelho e da cruz preta. À noite a gente se vê mais uma vez… Amém!



FIDELIDADE SEM FIM (Palestra 4)

Hoje pela manhã coloquei o fundo azul em torno das pétalas brancas. Este fundo azul lembra o céu onde o nosso Deus e o nosso Senhor Jesus Cristo moram. Quando menino, imaginava as nuvens do céu como sendo a fumaça que saia do fogão de Deus... Ele também nos aponta para a fidelidade de Deus que está conosco. Em Cristo Deus veio nos salvar, veio nos unir em torno desta Comunidade, desta Paróquia. Hoje podemos viver com Deus. Aqui e agora podemos ser “bom perfume”, pequenos sinais do Reino de Deus dentro da sociedade que nos cerca. Esta cor azul nos sugere a esperança na eternidade. Ela simboliza que a alegria experimentada aqui, por causa da nossa fé, já é o começo da futura alegria que experimentaremos na casa do nosso Pai.

Agora vou colocar o anel dourado e assim a rosa ficará completa. Este anel lembra o ouro, este metal tão precioso que representa os presentes que recebemos de Deus através da cruz e da ressurreição de Jesus Cristo. Pela fé temos o perdão, a comunhão, a esperança, o pão de cada dia e um sentido para a nossa vida. Este anel também aponta para aquilo que, na eternidade, nos será dado: alegria sem fim e satisfação de todas as nossas necessidades e anseios. Lá no “novo céu e na nova terra” nós teremos a oportunidade de ver Aquele no qual temos crido, face a face. Neste dia penso tomar um gostoso chimarrão com Deus.


PEQUENO GRANDE ZAQUEU

Durante a semana, enquanto escrevia esta palestra, eu me re-perguntava: - Porque é que Jesus veio mesmo a este mundo? O evangelista Lucas nos deixou uma boa resposta em Lucas 19.10 onde se lê: „Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.” Dizendo de um jeito diferente: Jesus veio a este mundo para converter pecadores em pessoas bem-aventuradas, em pessoas eternamente felizes.

Em Lucas 19.2-10 se lê sobre Zaqueu, um homem perdido na poeira. Certo dia Jesus dirigiu-se justamente a ele, o chefe dos cobradores de impostos de Jericó, o maior malandro, o maior corrupto, o maior pecador da cidade. Zaqueu só queria enriquecer. Sabia muito bem como se mexia “os pauzinhos” para faturar muita “grana” em qualquer negócio que fazia. O povo desprezava-o, detestava-o por causa deste seu jeito de ser. Chamavam-no de arrogante. Zaqueu não tinha amigos, mas mesmo assim gozava de muito poder na sociedade. Podia fazer o que bem entendesse pois os romanos o protegiam. Para ele o dinheiro estava acima de tudo e de todos.

De repente ele ouve qualquer coisa a respeito de Jesus. E estas coisas que ele ouviu o fizeram refletir sobre a sua vida. Esse tal de Pregador de Nazaré teria dito: ; “Bem aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus! (Mateus 5.8) Ora, ele não tinha um coração limpo. Ele não tinha paz com Deus. Ele era um homem muitíssimo bem de vida mas no fundo, bem no fundo do seu coração, experimentava uma grande infelicidade - essa era a verdade.

Quando Jesus chegou à cidade, dirigiu-lhe a palavra e depois disso acompanhou-o até sua casa. Lá Zaqueu conheceu uma Pessoa que não estava longe, separada de Deus por causa de pecados. Lá ele teve a oportunidade de dialogar com um Indivíduo de olhar transparente e de consciência tranqüila como ele nunca tinha percebido em ninguém. Sim, era isso que ele também sonhava para si. Ele queria livrar-se desta auto-condenação que o acompanhava a cada passo, como se fosse uma sombra. Ele queria jogar para longe a sua consciência pesada que tanto lhe dificultava a vida. Ele também tinha um profundo desejo de colocar-se em comunhão com o Pai do Céu, experimentar uma vida abundante.

Zaqueu sabia que o seu amor ao dinheiro poderia impedi-lo de ter boa relação com Deus. Agora ele está ali, diante de Jesus, e precisa tomar uma decisão. Ele a toma quando diz: - "Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais." (Lucas 19.8)

Jesus, que até então nem tinha tocado neste assunto de dinheiros, alegrou-se com a sua decisão de vida e disse: - "Hoje, houve salvação nesta casa!" (Lucas 19.9a) Observem, tal como Zaqueu, hoje qualquer pessoa pode experimentar a salvação. Ninguém de nós pode se auto-perdoar pecados. Temos culpa diante de Deus e esta simplesmente nos carimba como pessoas perdidas para sempre. Claro que na nossa sociedade de hoje, ninguém mais será menosprezado por amor ao dinheiro. Talvez tu e eu sejamos apenas mexeriqueiros, invejosos e ou orgulhosos e isso já é suficiente para que haja um afastamento nosso de Deus. Se esta é a nossa realidade, tal como Zaqueu, precisamos encontrar-nos com Jesus; carecemos de um encontro pessoal com Ele. Só Nele encontraremos forças para mudarmos definitivamente de vida.

UM NOVO CÉU E UMA NOVA TERRA

Em Apocalipse 21.1 se lê sobre a visão que João teve: - “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram...” Eu até que já viajei bastante. Posso testemunhar para vocês que a nossa terra é bonita! Nela sempre ainda podemos observar as provas da sabedoria do nosso Criador. Aqui e ali estão as flores, as árvores, os arbustos e os animais. Como será que a terra era nos tempos quando ela recém tinha sido criada pelos dedos de Deus?

No último livro da Bíblia se lê que Deus vai criar uma nova terra e que, consequentemente, a velha terra vai deixar de existir. Porque é que Deus vai fazer isso? A nossa terra é linda mas ela está arruindada porque as pessoas pecaram, porque as pessoas se separaram de Deus. No plano original de Deus para as Suas filhas e os Seus filhos ela seria uma terra sem pecados, sem qualquer afastamento Dele. É por isso que Ele quer criar uma nova terra. Ele continua sonhando com o fato de que a Sua Criação possa voltar a ter comunhão integral com Ele.

Esta nova terra que Deus vai criar será muito bonita. Não dá para se descrever sua beleza. As explicações de Apocalipse 21 e 22 não são suficientes para bem explicar esse momento novo que a cristandade experimentará. Mas estas explicações do livro de Apocalipse querem plantar a esperança, querem despertar o desejo em nós de estarmos lá para vermos “in loco”como será esta nova terra.

Deus sonha em nos construir um lindo lar. Quem nele morar, vai ter sua vida marcada pela paz e pela liberdade sem qualquer sofrimento e, conseqüentemente, experimentará felicidade ímpar. Quem é que não quer algo assim para si e para os seus? Lá nesta nova terra nós vizinharemos com Deus e com Jesus Cristo, o nosso Senhor e Salvador. Há alguém aqui que vai refugar uma proposta destas?

Uma tal oferta de Deus vale para todas e todos nós, sem distinção. A decisão de ir morar lá nesta nova terra é individual. Cada pessoa precisa fazer a sua opção particular, tal como Zaqueu a fez. Hoje é o dia de se aceitar o Senhor Jesus como Senhor e Salvador da nossa vida. Hoje é o dia de entregarmos a nossa história a Ele. Hoje Ele quer nos transformar, transplantar em nós um coração de carne lá onde existe um de pedra.

Vamos permití-lo?... Vamos nos decidir por uma vida com Jesus ocupando o centro da mesma? Se nossa resposta for “sim”, vamos vê-Lo como Ele verdadeiramente é (1 Joao 3.2). Essa é a nossa esperança, o nosso futuro certo, a nossa certeza, o oxigênio da nossa vida!

CONCLUSÃO

Estou concluindo estas palestras sob o tema: “O Perfume da Rosa” com mais uma pequena história. Conta-se que durante a Primeira Guerra Mundial, dois amigos lutavam juntos, incorporados num mesmo pelotão. Num dado momento, um deles caiu ferido na batalha. Os demais soldados da sua patrulha seguiram adiante, abandonando-o nos campos nevados e frios da Europa. Horas mais tarde, o seu companheiro ficou sabendo do ocorrido. Quando veio a noite, este arrastou-se cautelosamente por entre as trevas, arriscando sua vida, com o objetivo de resgatar o amigo machucado. Quando se aproximou da trincheira onde o colega se encontrava ouviu-o dizer emocionado, confiante e agradecido: - “Sabia que virias!...

Jesus, na pessoa de Jesus Cristo, veio até aqui nos visitar. Ele veio até nós. Ele está do nosso lado na hora da necessidade, da amargura, do sofrimento e da decepção. Deus tem duas moradas. Uma delas é nos céus e a outra é nos corações das pessoas que o buscam... Amém!

domingo, 16 de setembro de 2007

Paciência ativa - vislumbrando a Luz!


Mensagem trazida no Culto de Louvor deste domingo às 19h pelo Pastor Rolf Rieck. A Banda Eureka, da Juventude Evangélica, conduziu a Comunidade reunida neste louvor.

Uma jangada com náufragos. Sobre madeiras amarradas às pressas, um punhado de pessoas tentam escapar da morte. Já são alguns dias jogados pelas ondas. Estão no fim das suas forças. Certamente alguns ainda morrerão antes de chegar algum socorro. Outros tornaram-se quase inúteis, sem condições de raciocinar ou ajudar. As lembranças do acidente eram ainda traumáticas. Mas há algo no horizonte. Um navio? Terra? Uns poucos ainda têm forças para abanar com seus braços na tentativa de que alguém lhes perceba. Ali deve haver ajuda. Ou seria uma miragem? Ou seria uma visão produzida pelo cérebro esgotado e amedrontado? Será que a sobrevivência até aqui, depois de tanta luta, teria sido em vão? Está lá a salvação?

Você de identifica com uma situação assim? Muitas vezes nos sentimos como que sobreviventes sobre um amarrado de troncos, sem saber como será o depois. São planos de vida que se rasgam em dois, nos deixando desamparados e perguntando: onde estará a solução? Onde podemos novamente pisar terra firme?

Tiago 5.7 Sede, pois, irmãos, pacientes, até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas. 8 Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima. 9 Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados. Eis que o juiz está às portas. 10 Irmãos, tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas, os quais falaram em nome do Senhor.

Quem sabe sua jangada se chame doença. Já a tempo lutamos contra algum mal em nosso corpo e não encontramos esperança de cura ou melhoras.

Sua jangada pode ser chamada de solidão. Tantas horas sem companhia, sem alguém que lhe ouça ou que lhe entenda. Filhos ocupados, netos distantes, cônjuges ausentes. 15 minutos facilmente se transformam em horas e dias em eternas desilusões.

Sua jangada pode ser chamada de luto. Feridas abertas que podem levar anos para fechar, a saudade que insiste em pressionar. Haverá um dia em que o luto e a dor da ausência vai cessar?

Nossa jangada chama-se...

Dá para contar com promessas boas, mas vazias, para a situação sem esperança que vivemos? Dá para se contentar com consolo barato?

Palavras como “Agüenta, que já vai passar...”; “Isso tudo nem é tão grave...”, “Levante a cabeça que dias melhores virão...”; “Jesus voltará logo...”.

É um oceano de ondas muito altas que, de certa forma, engolem nossas forças e fazem nossa esperança de vida esmaecer.

Nossa esperança não é uma esperança sem sentido. Nossa jangada não é um amarrado de troncos sem sentido. Nossa esperança tem preço e tem nome. Chama-se Jesus.

No mar das tristezas e das incertezas brilha este nome: Jesus. Este nome não nos deixa afundar. Neste nome está a mão de Deus, firme, salvadora. Deus dá a todas as pessoas que sofrem e esperam um sentido eterno para todas as coisas. Não estamos sozinhos na jangada. Não estamos sozinhos na jogada.

Mesmo quando as mãos não mais conseguem ser erguidas para pedir ajuda, esta esperança não deixa na mão. Aquele que está ao nosso lado sempre nos dá proteção.

Mas justamente isto não é consolo barato? Como podemos sentir essa presença de Deus?

Através de sua palavra e a comunhão proporcionada por esta palavra.

Quantas jangadas juntas, amarradas, dão segurança muito maior que apenas uma, solitária?

Por isso o exemplo da jangada nos ajuda a nos posicionar diante de Deus, a ser igreja, ser comunhão. É tempo de sermos gente lado a lado, gente que se ama, se respeita, e vive motivado pelo amor transformador de Jesus.

Não somos náufragos desesperados quando deixamos Jesus tomar nossa mão e conduzir nossas decisões.

É Jesus conosco e está em nós em todas as nossas necessidades. O que vemos no horizonte? A Sua luz! A praia não está mais longe! A terra firme está cada vez mais próxima!

Por isso, assim como o agricultor – ou assim como o náufrago – sejamos pacientes e fortaleçamos nossos corações em nosso Senhor.

AMÉM!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

COMPROMISSO


No final de semana que passou, tive o privilégio de conviver durante três dias como pessoal do Grupo da nossa Juventude Evangélica São Mateus - JESMA. Foi excelente o tempo que experimentamos. Abaixo, reparto os conteúdos que apresentei na oportunidade. Boa leitura...
P. Renato Luiz Becker


Palestra 1: As virtudes secundárias e os frutos do Espírito

Ordem, caráter, trabalho, disciplina e compromisso - todos nós conhecemos estas palavras. Algumas pessoas afirmam que estas virtudes secundárias não são tão cristãs quanto alguns as querem fazer parecer. Elas batem o pé e dizem que os cristãos devem construir sua vida sobre as virtudes cristãs que estão relatadas na Bíblia (amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5.22-23)) e ponto final.

Num primeiro momento, quero me deter no tema das virtudes secundárias. Num segundo, nas virtudes cristãs. Então vamos lá. Aqui e agora estamos começando a nossa reflexão sobre o tema compromisso...


Os escribas e os fariseus são apresentados nos Evangelhos como as pessoas que fazem tudo certinho, como as pessoas versadíssimas nas virtudes secundárias (ordem, caráter, trabalho, disciplina e compromisso). E era isso mesmo. Eles levavam as virtudes secundárias muito a sério (+ de quinhentos mandamentos). Se esmeravam, se desgastavam tanto com o cumprimento da Lei que, no final das contas, acabavam não entendendo a essência da proposta cristã que tinha há ver com o amor. Pois foi exatamente por isso que Jesus foi extremamente duro com eles quando disse:“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!”


Gosto muito do Sermão do Monte escrito em Mateus 5-7. Em Mateus 6.26 se lê: “Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves”? Muitos não entendem esta palavra muito bem. Este pequeno verso proferido por Jesus precisa ser lido no seu contexto. Nele Jesus nos sugere que não sejamos pessoas ansiosas, uma vez que “tudo tem seu tempo determinado debaixo do céu” (Eclesiastes 3.1) O tempo não está na nossa mão. O tempo de ser criança passou e o de ser adolescente ainda é verdade para a maioria aqui presente. Estamos ocupadíssimos, gastando tempo na busca do melhor caminho para nós. Amanhã ou depois vamos rir e ou chorar juntos. As nossas lembranças do passado querem parar o tempo; querem que gastemos o tempo da nossa vida dizendo: “ah – como foi bom aquele tempo”... Já os nossos sonhos não querem que cravemos nossos pés no dia de hoje e cobram desgaste com idéia de que: “olha, assim poderá ser melhor”... Pessoas que se ocupam demais com o passado e ou com o futuro desviam-se da vida bonita que Deus presenteia para ser vivida “aqui e agora. Arrisquem olhadelas para trás, para o lugar de onde vocês vieram e, do mesmo modo, ousem olhadinhas para a frente, para onde a vida os irá conduzir. No entanto, nunca esqueçam de viver intensamente o agora. Enrijeçam-se pisando firme no chão do hoje.


O passado é passado e precisa ficar no seu lugar. Assim também quanto ao futuro que precisa ser esperado – ele também precisa ficar no seu lugar. Coloquemos nossas vidas nas mãos de Deus para que Ele conserte o que não rolou muito bem lá atrás. Da mesma forma, em plena luz do dia, coloquemos o nosso futuro nas Suas mãos e confiemos que Ele caminhará conosco, nos livrando de todos os perigos. Sim, sem ansiedade, observemos o tratamento que Deus dá às criaturas a quem Ele quer bem.

Ouso dizer que a fé, a esperança e acima de tudo o amor devem dirigir e pautar os nossos caminhos sim, mas sempre da mãos dadas com os nossos planejamentos a curto, médio e longo prazos. Aqui, lembro da Ordem dos Beneditinos que sugeriram a regra “ora et labora” (Ora e trabalha) aos seus seguidores. Esperar em Deus e trabalhar sem ansiedade – eis aí a boa e saudável proposta. O tênue esforço sempre será nosso mas os resultados ficarão na mão de Deus.


O grande Mandamento do Amor “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” (Mateus 22.37-40) a amarmos a Deus e, só depois, ao nosso próximo e a nós mesmos. Também aqui, conforme as minhas observações, torna-se necessário usar as virtudes secundárias como uma ponte e ou uma escada para alcançarmos o alvo de “amar ao Senhor Deus de todo o coração”.

Os anos 68 tentaram ridicularizar, implodir com toda a proposta de se construir a vida com base em compromissos. Os “hippies” daquela época tencionavam alcançar os seus grandes objetivos de “paz e amor” sem qualquer compromisso e sem o sofrimento de qualquer pressão oriúnda de fora. Cada um “podia fazer o que bem quizesse, que tudo era da lei”, conforme o cantor e compositor Raul Seixas. Tal como na década de 60, também hoje há pessoas que sustentam estar Deus do seu lado, em qualquer lugar e em qualquer situação que se encontrem. Pois penso que esse jeito de pensar e agir coloque a relação com Deus num segundo plano. Lembro sempre com carinho que meus pais na fé. Na época, eles enfatizaram muitíssimo a hora tranqüila diária! Sim, porque na oração e na meditação o Espírito Santo pode querer falar nos pensamentos que nos vêm à cabeça.


Agora, sobre o amor ao próximo, ao parceiro, às crianças e às pessoas idosas da nossa família. Será que não se está “escanteando” estes compromissos, por causa da busca ferrenha pela auto-realização como objetivo maior? Aqui os muçulmanos têm algo a nos ensinar. Tenho para mim que as virtudes secundárias são importantíssimas na vivência cristã. É uma pena que elas estejam sendo colocadas em segundo plano por muitas e muitos. Porquê será que os últimos seis Mandamentos de Deus estejam ligados às virtudes secundárias? Não mate. (Quinto Mandamento); Não cometa adultério. (Sexto Mandamento); Não roube. (Sétimo Mandamento); Não fale mentiras a respeito do próximo. (Oitavo Mandamento); Não deseje possuir a casa do seu próximo. (Nono Mandamento); Não cobice a esposa ou o marido do seu próximo, nem as pessoas que trabalham com eles nem coisa alguma que lhes pertença (Décimo Mandamento). Creio que é porquê elas sejam de suma importância para as nossas vidas.

Aliás, os dez mandamentos são antiga fonte promotora de vida cristã. Eles indicam claramente a necessidade de que se leve as virtudes secundárias a sério. Se as desconsiderarmos, acabaremos deixando-nos “enrolar” por propostas de cunho egoísta que, ao cabo, acabarão nos convertendo em pessoas solitárias. Até Jesus, o filho de Deus, levou as virtudes secundárias a sério quando jejuou por 40 dias no deserto.

Agora quanto às virtudes cristãs: Paulo nos escreve que o amor, a alegria, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão e o domínio próprio são os frutos do Espírito que somos chamados a desenvolvermos durante a nossa vida cristã.

A primeira delas é o amor que deve envolver o sentimento da mente e do coração das pessoas cristãs. Ele diz respeito à nossa vontade e às nossas emoções e é o esforço que fazemos para buscarmos o melhor para àqueles que nos desejam o pior. Enfim, é o ato de doar-se sem esperar nada em troca.

A segunda é a alegria. Aqui não se trata da alegria por causa de coisas terrenas como triúnfos sobre rivais, por exemplo. Trata-se, isto sim, da alegria que vem de Deus, que está fundamentada em Deus (Salmos 30.11; Romanos 14.17 e 15.13; Filipenses 1.4 e 25).

A terceira virtude, o terceiro fruto do Espírito é a paz. No grego a palavra eirene se equivale à palavra hebraica schalom, paz física e espiritual. Quem a experimenta tem o coração tranqüilo e sereno porque sabe que o tempo está nas mãos de Deus.

O quarto fruto citado por Paulo é longanimidade. Trata-se da paciência que devemos ter com as pessoas. Você pode se vingar, mas você não se vinga. Deus e Jesus usaram de longanimidade para conosco (Romanos 2.4; 9.22; 1 Timóteo 1.18; 1 Pedro 3.20). Se Deus fosse homem, já teria levantado Sua mão para destruir o mundo, mas Ele tem paciência e, por causa dela, suporta os nossos pecados.

A Benignidade e a Bondade são o quinto e o sexto frutos. Estes são parcedidíssimos entre si. Somos chamados a sermos suaves (crestos) e ao mesmo tempo enérgicos (agathoszne) com as pessoas. Trata-se de uma virtude útil para corrigir, disciplinar e ajudar, sempre em dependência da ocasião que se vive. Trata-se de uma bondade amável e ao mesmo tempo enérgica. Jesus expulsou vendilhões do templo e noutro momento foi simpático com a pecadora que Lhe ungiu os pés.

A Fidelidade é o sétimo fruto. Fidelidade tem a ver com fé, com confiança. Trata-se de uma mulher e ou um homem dignos de confiança.

O oitavo fruto carrega a palavra Mansidão. Ela tem a ver com submissão à vontade de Deus (Mateus 5.5; 11.29; 21.5), com o fato de se ser uma pessoa dócil (Tiago 1.21) e com a moderação. Indica que se caminhe num meio termo entre a mansidão e a ira excessiva.

O último fruto do Espírito lembra-nos do Domínio próprio. Cristo presenteia esse fruto. Pessoas que o detêm dominam seus desejos de prazer. Lembra o domínio que os atletas têm sobre seu corpo (1 Coríntios 9.25) e o domínio do sexo (1 Coríntios 7.9). É a virtude de um governante que não permite que seus interesses privados interfiram no seu governo.

Resumindo, em nossa cultura a palavra “compromisso” está tão fora de uso que até esquecemos o seu significado. No dicionário a definição de compromisso é um comprometimento ou obrigação, uma promessa solene. Ora, o compromisso é um dos fundamentos mais importantes do caráter, e é a base de todos os relacionamentos, porque é dele que nasce a confiança, o fiar-com, o tecer-com, o entrelaçar-com. Aspectos estes que deveríamos levar em conta durante a nossa juventude, sob as asas da Igreja, da Paróquia São Mateus.



Palestra 2: Daniel e seus amigos universitários

A TURMA DO DANIEL

Faz tempo, o povo de Israel passava por uma violenta crise. Tinham perdido a guerra para o sanguinário Nabucodonosor. A santa Jerusalém estava sob comando ateu. Os soldados profanavam e destruíam o templo construído por Salomão. Aquilo tudo era demais. Os cidadãos tinham dificuldade em sonhar futuro decente para os seus filhos. Era preciso ajustar-se à nova cultura dos invasores e, junto, ter muito cuidado para não cair na onda pagã. Os antigos diziam que Deus não os deixaria na mão, “segurando o pincel”. Estava aí o “x” da questão. Precisavam discutir e refletir, pautar-se sobre essa esperança.

Nabucodonosor era perspicaz. Sonhava com a unificação dos povos cativos. Defendia a tese de que também eles poderiam ascender socialmente. Queria o progresso da Babilônia. Como levar adiante uma idéia tão arrojada? Simples! Os judeus tinham um QI razoável. Teria que acessorar-se com os jovens de presente e futuro daquela gente desinstalada. Para tal, teria que conviver com moços “sem nenhum defeito, de boa aparência, instruidos em toda a sabedoria, doutos em ciência e versados no conhecimento e que fossem competentes para assistirem no palácio do rei”. Gente assim, com certeza, acrescentaria eficiência à sua administração; levantaria os padrões da cultura local.

Era por aí o “caminho da roça”. Fundaria uma Universidade Hebraica, pertinho do palácio babilônico. Oportunizaria o aprendizado, a mudança de comportamento aos jovens hebreus durante três anos nas matérias de sabedoria, cultura e política. Os que se matriculássem no curso, experimentariam finas iguarias e bons vinhos. Ao cabo de seis semestres, teriam emprego como acessores particulares do rei. Era pegar ou largar.

Os exilados mais idosos começaram a resmungar. Argumentavam que os meninos teriam que mudar sua cultura. Que eles seriam obrigados a dobrar os seus joelhos diante de estranhos deuses. Que o rei era um sujeito muito perigoso. Quem é que não via aquela marca do mal estampada na sua testa? Ora, aquela situação era até mais difícil do que o enfrentamento de Faraó, quando da saída do Egito rumo à terra prometida, sob a batuta, sob o comando do líder Moisés.

Daniel, Azarias, Misael e Hananias não estavam nem aí para esses tais medos. Olhavam a realidade com outros olhos. Já estavam decididos: Embarcariam no sistema babilônico dando tudo de si para não perderem a identidade judaica. Não adulterariam a sua fé em Deus, de forma nenhuma. Agüentariam os trancos. Esmerariam-se para manter a comunhão com o Deus de seus pais em pé. Praticariam sua religião em grupo. Fariam constantes reuniões para orar, estudar, discutir e só então decidir o que fazer. E foi assim que fizeram. Essa postura lhes trouxe poder. Ninguém consegue manter fé viva e testemunho coerente sem a força, sem a sabedoria e sem a comunhão que brota de dentro de uma Comunidade. Comunidade que pode ser de dois ou três apenas, porque não?

A “gurizada” não fez “boquinha”. Agarrou os privilégios oferecidos pela Escola Aberta de Nabucodonosor. Cooperou com o “esquema” mas não se desviou da linha. Enfrentou os problemas de forma ativa. Podiam fazer assim porque amavam a Deus. Esse amor gerava testemunho coerente e abria visão ampla das coisas. Nunca se enredavam em “picuinhas”. Aprenderam a dizer “sim” e “não” de forma clara, aberta, decisiva e polida. Tinham ciência que “as palavras não ditas apodrecem dentro da gente”. Não escondiam o fato de pertencerem ao Reino dos Céus. Explicitavam o seu contato com Deus. Sua esperança era perceptível aos olhos, janelas da alma. Iriam assistir diante do rei, sim senhor! Mas não como babilônicos. Tinham clareza! Continuariam a ser israelitas e ponto final.

A TURMA DO DANIEL É NOSSO ESPELHO

Daniel, Hananias, Misael e Azarias são um espelho onde podemos nos espelhar. Nestes dias “tem gente querendo a nossa cabeça. Entrando na deles, sonham por nós. Dominam o mundo e nos vendem de tudo. Nós não resistiremos lutando a sós. Por isso, mãos apertadas e olhos abertos. É tempo de deixar Jesus nossa paz inquietar. Coração jovem, descobre a tua garra. Explode de amor e conquista o teu lugar...”

Não são as pressões sociais, comunitárias e eclesiásticas que devem ditar o rumo da nossa vida. Não precisamos sentir medo dos modernos “nabucodonosores”. Nós nos pautamos pela voz de Deus. Ele nos concebeu para circularmos com autonomia. Somos livres para decidir sobre o nosso presente e o nosso futuro. Amarrados em Deus pelo fio do amor, não precisamos mais nos deixar levar pelas circunstâncias. Temos chance de colorir os céus com nossos alegres vôos, tal e qual a pandorga, a pipa, colore sob os mandos do menino da rua. O Espírito Santo nos mantém voando. É Ele quem maneja o cordão. Com Ele podemos ir contra os padrões e os procedimentos aceitos pela maioria que gosta, como ninguém, da “ideologia do certinho”, do uniforme. O apóstolo Paulo nos incita a não nos conformarmos com este mundo (Rm 12.1-2).

Há grupos que nascem e se desenvolvem, sempre promovendo a morte. Movimentos promotores de morte existem espalhados as pampas por aí. Grupos corretinhos de Juventude Evangélica que não sabem e nem querem ler a Bíblia contra si, promovem morte lá onde estão. Grupos que só visam os seus integrantes e não abrem espaço para o novo, pouco contribuem com a coletividade. São grupos que cheiram ruim. Seus olhos são opacos. Têm cor acinzentada, característica da mesmice que não constrói.

Nabucodonosor não circula mais em carne e osso nesse mundo. Seu jeito de subjugar acontece de forma subliminar. Há grupos articulados de sociólogos, psicólogos e outros “ólogos” que sabem pensar trinta segundos de propaganda na telinha como ninguém. Estudam nossos pontos fracos e atingem-nos, subliminarmente. Embarcamos como ovelhinhas indefesas. Pagamos o dobro do preço pelas marcas das nossas roupas. Olhamos só para quem é gente bonita e sadia. Desviamos o olhar da periferia. Não lutamos por ar puro e água limpa, por verdade e justiça.

“Vovô viu a uva. A uva é bonita. Valter comeu a uva...” Eu, junto com muitos dos da minha geração que hoje têm cinqüenta, fomos alfabetizados dessa forma. A grande maioria de nós aprendeu a não aprofundar-se nas questões do dia-a-dia. Aceitar as coisas como estão e pronto. O resultado está aí: grupos construindo céuzinhos particulares aqui na terra; grupos ocupando-se apenas com seus projetinhos solitários; grupos não ousando sair de si para aventuras coletivas tais e quais as aventuras daqueles doze que deram início ao cristianismo, ladeados por Jesus.

Tenho para mim que o Daniel e seu grupo sofreram outro tipo de alfabetização. “José é trabalhador. Ele ganha salário mínimo. Ele precisa de casa para morar...” Foi por essas e outras, que marcaram presença na História. O povo de Israel, antes subjugado, passou experimentar libertação a partir daquele grupinho de Estudo Bíblico. Puderam voltar para sua cidade e reconstruir sua História. Aquele Grupo de Debate teve peito para reorganizar a vida de toda a sua gente. Em suma, fizeram a História. “Quem não faz História sofre a História.”

CAMINHANDO SOBRE OS TRILHOS

O profeta Amós foi vocacionado, coagido por Deus para procla-mar importante mensagem ao povo israelita (Amós 7.15). Quem era este profeta?

Amós era um sujeito simples que atuava como lavrador e boiadeiro (Amós 7.14). Vivia num tempo de grande progresso econômico onde só uns poucos experimentavam fartura (783-743 a.C.). Dá para dizer-se que a grande maioria dos seus conterrâneos encontrava-se oprimida por causa disso (Amós 5.7; 2.6-7; 3.10). O povo que, um dia, tinha sido libertado, agora, de novo, encontrava-se escravizado pelos próprios irmãos. Enquanto trabalhava, Amós refletia sobre este assunto. Seu bom senso dizia-lhe que este estado de coisas não era vontade de Deus. O tempo foi passando e, de repente, estas idéias foram fazendo casa dentro de sua cabeça: a injustiça tinha se instalado dentro do país e algo precisava ser feito.


Circulou pelos caminhos e viu um pedreiro nivelando reboco (Amós 7.7-9). Dessa visão brotou-lhe a idéia de que Deus viria para nivelar o povo: ninguém seria maior do que ninguém... Mais adiante, observou um cesto contendo frutos, prontos para serem comidos (Amós 8.1-3). Esta cena abriu-lhe a compreensão de que o tempo para o castigo estava maduro: Deus faria pesar sua mão contra os fomentadores da dor... Andou mais um pouco e viu o fogo a queimar os pastos (Amós 7.4-6). Esse quadro lembrou-lhe que Deus iria queimar as injustiças: acabar com as propostas de morte. Assim, sob a articulação desses pensamentos, foi forjando uma consciência que, de repente, explodiu: Deus esperava que ele colocasse “a boca no trombone” (Amós 3.8). Vamos ler Amós 7.10-17?...

7.10 - Então, Amazias, o sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: Amós tem conspirado contra ti, no meio da casa de Israel; a terra não pode sofrer todas as suas palavras. 7.11 - Porque assim diz Amós: Jeroboão morrerá à espada, e Israel, certamente, será levado para fora de sua terra, em cativeiro. 7.12 - Então, Amazias disse a Amós: Vai-te, ó vidente, foge para a terra de Judá, e ali come o teu pão, e ali profetiza; 7.13 - mas em Betel, daqui por diante, já não profetizarás, porque é o santuário do rei e o templo do reino. 7.14 - Respondeu Amós e disse a Amazias: Eu não sou profeta, nem discípulo de profeta, mas boieiro e colhedor de sicômoros. 7.15 - Mas o SENHOR me tirou de após o gado e o SENHOR me disse: Vai e profetiza ao meu povo de Israel. 7.16 - Ora, pois, ouve a palavra do SENHOR. Tu dizes: Não profetizarás contra Israel, nem falarás contra a casa de Isaque. 7.17 - Portanto, assim diz o SENHOR: Tua mulher se prostituirá na cidade, e teus filhos e tuas filhas cairão à espada, e a tua terra será repartida a cordel, e tu morrerás na terra imunda, e Israel, certamente, será levado cativo para fora da sua terra.

DUAS PROPOSTAS

O texto bíblico nos mostra Amasias e Amós dialogando com base em termos bastante duros. Há um claro jogo de interesses permeando a conversa. São dois homens fortes que têm poder atrás de si, daí toda a tensão existente. De um lado, o profeta Amós, vocacionado por Deus, com suas raízes interioranas, a criticar o Estado. Do outro, o profeta Amasías, o porta-voz do rei, prestando serviços ao mesmo Estado, presidido por Jeroboão.

Amós tem consciência da injustiça, da miséria, da tirania, da corrupção e dos imensos distúrbios morais e éticos tabelados ao povo, via decretos de cima para baixo. Isso não pode continuar assim. Por isso clareia, toca nos pontos podres que os mandantes do reinado insistem em esconder. Agindo assim, quer con-frontar os homens e as estruturas com a verdade que liberta (João 8.32). E é claro, Amasías está contra essa proposta de transparência. Vai daí, com base em termos depreciativos, o porta voz do rei acusa Amós de conspirar contra o “bom governo” em andamento. Nestas alturas já corre, a boca pequena, a idéia de promover-se o exílio do profeta.

O fato é que sempre precisaremos conviver com as situações conflitantes. Quando Deus nos envia às calçadas para falar do seu amor, é impossível calar. As pessoas que testemunham do Evangelho, sempre estão identificadas com a proposta de Deus. Esse pessoal que, um dia foi tocado pelo Senhor para agir como Jesus agiu, não move-se por dinheiro; não permite-se a marionetização. Quando vão ao encontro dos/as inimigos/as e dos/as irmãos/ãs, não defendem nenhuma ideologia política. Enquanto semeiam amor para colher fé, vão dizendo “não” às injustiças. E assim, saem por aí, comprometidos/as com a verdade que é Deus.

Como Amasías, a Igreja e seus membros não podem transformar-se em porta- vozes de algum governo da hora. Os/as sacerdotes/sacerdotisas cristãos/ãs não devem esquecer-se de que estão aí, para servir. A Bíblia é enfática: nós não po-demos servir a dois senhores. Quem assim tentar comportar-se, certamente haverá de perder-se na jogada quando a situação exigir que bata palmas, mesmo sem concordar. Se isso vier a acontecer, estarão vivas as perspectivas de conde-nação e de destruição do Corpo de Cristo.

No oceâno Pacífico, nas ilhas de Galápagos, existem enormes aves. Quem as observa, logo nota suas asas um tanto pequenas. Os estudiosos dizem que isso é assim porque não precisam voar, para livrar-se dos animais predadores. Elas também não têm a necessidade de ir em busca de alimento, visto que o mesmo encontra-se em abundância na praia. O abrigo também é fácil pois localiza-se nas tocas das escarpas rasteiras. Ora, está aí todo um clima propício para o atrofiamento das asas.

Deus nos vocaciona, nos coage a voarmos; a fazermos diferente; a refletirmos; a não sermos apenas mais um na fila. Ele espera que reajamos a contento. Ora, isso é o exercício da vocação. Como Amós, também temos inúmeros Amasías para enfrentar. Percebam, as propostas não cristãs proliferam à nossa volta. Daí que ser profeta ou profetisa é não permitir-se a atrofia do amor.

CONCLUSÃO

Vibro com grupos que se articulam, que geram vida, que deixam marcas de inconformismo por onde passam. Lembro do tempo quando cantava em um grupo de canções. Éramos bonitinhos, uniformizadinhos, sapatos lustradinhos. Camisa bege, combinando com a saia marrom das garotas. E lá íamos nós cantar, sorrindo sorrisos descomprometidos com a realidade do povo que encarávamos. O grupo era o nosso fim e, por isso, gerador de morte. Poucos sobraram daqueles.

Grupos geradores de vida saem de si. Desinstalam-se. Vão ao encontro dos diferentes. Abrem os braços com intuitos claros de abraço. Sorriem sorrisos que não visam apenas o lucro. Sujam as mãos em favor de quem já as suja há muito tempo mas não consegue chegar lá. Desencastelam-se ou melhor, saem de dentro do castelo da sua casa, do seu local de encontros e misturam-se na massa. Deixam de caminhar somente em calçadas. Cruzam pelas portas dos aposentos gradeados. Experimentam andar pelo lado de fora dos portões e dos muros. Respiram ar puro. Contactam com gente diferente. Ouvem outros pontos de vista. Ousam dizer coisas pessoais, sem receios de má interpretação. Tiram os sapatos. Sentem os grãos de areia debaixo da sola dos pés.

Agindo assim, eles fazem novas experiências. Experimentam bênção como Abraão experimentou (Gênesis 12.1ss.). Ajudam outros a experimentá-la. Ousam buscar daquela felicidade que não tem intimidade com paredes mas que aparece, quando cavada a partir de contatos e diálogos. Agem como Jesus Cristo agiu. Foi um pouco disso que vimos agora mesmo. Que esse retiro possa ser histórico na vida de cada uma, de cada um de nós.


“E quando sairmos daqui
nós vamos para voltar
na força da esperança
e na vontade de lutar.”



Palestra 3: Não enterre os teus talentos!

Tarefa 1: Reunir em pequenos grupos e, durante, sete minutos dicutir sobre a pergunta: - O que é que eu devo esperar de uma pessoa cristã, de uma pessoa comprometida com Cristo? Ao cabo dos sete minutos o líder deve anotar as conclusões num papel e entregar as mesmas à coordenação...

O CONTEÚDO DA PARÁBOLA

Gente querida, hoje de manhã, domingo, quero iniciar este momento lendo a Parábola dos Talentos com vocês: Mateus 25.14-30!

25.14 - Porque é assim como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens: 25.15 - a um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade; e seguiu viagem. 25.16 - O que recebera cinco talentos foi imediatamente negociar com eles, e ganhou outros cinco; 25.17 - da mesma sorte, o que recebera dois ganhou outros dois; 25.18 - mas o que recebera um foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. MT 25:19 Ora, depois de muito tempo veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles. 25.20 - Então chegando o que recebera cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei. 25.21 - Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 25.22 - Chegando também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis aqui outros dois que ganhei. 25.23 - Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 25.24 - Chegando por fim o que recebera um talento, disse: Senhor, eu te conhecia, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste, e recolhes onde não joeiraste; 25.25 - e, atemorizado, fui esconder na terra o teu talento; eis aqui tens o que é teu. 25.26 - Ao que lhe respondeu o seu senhor: Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei, e recolho onde não joeirei? 25.27 - Devias então entregar o meu dinheiro aos banqueiros e, vindo eu, tê-lo-ia recebido com juros. 25.28 - Tirai-lhe, pois, o talento e dai ao que tem os dez talentos. 25.29 - Porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado. 25.30 - E lançai o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.

O texto que acabamos de ler, não tem nada há ver com Economia e ou Política Monetária. Ele também não quer ser uma espécie de “receita” de como devemos manejar os nossos dinheiros. A parábola que acabamos de ler faz parte do grande diálogo de Jesus sobre o “final dos tempos” e todo o seu conteúdo gira em torno do balanço final da vida de uma pessoa aqui na terra.

Todos sabemos que virá a hora e o dia, quando teremos que prestar conta dos nossos atos para Deus. O que foi que conseguimos construir durante a nossa estada aqui na terra? Nós estamos contentes com os objetivos que alcançamos em vida? Se morrermos amanhã, qual é a marca que deixaremos aqui plantada? Será que a nossa presença significou alguma coisa para alguém aqui neste mundo onde vivemos? Ao tentarmos responder tais perguntas logo percebemos que é imprescindível se dar valor ao tempo que vivemos.


A RECEITA


Há uma receita simples e portanto fácil de se pôr em prática, se quisermos ter um balanço positivo de nossa vidas no dia do juízo final: Somos chamado a levar a sério, a trabalharmos com os nossos centavos, com os nossos talentos, com os nossos dons e aplicá-los para que rendam muitos juros. Cada uma e cada um de nós recebeu os seus talentos na caminhada da vida. Uns e umas de nós receberam mais. Já outras e outros, menos – um que seja, e daí? O que é que nós temos feito com os nossos talentos recebidos? Temos trabalhado no sentido de multiplicá-los? Temos usado os mesmos para algum fim a curto, médio ou longo prazo ou simplesmente enterramo-los por aí nalgum cantinho?! Se alguém dos que aqui estão presentes enterrou-o, quero ser enfático: O teu talento enterrado não vai ajudar a ti e nem tampouco ao teu próximo.
Se aplicarmos os nossos talentos, logo perceberemos que eles gerarão frutos, que eles ficarão mais valiosos e que podemos fazer muito mais pelas pessoas que nso estão próximas. Talentos trabalhados ficam impagáveis. Ninguém vai conseguir comprá-los de nós. Pessoas que aplicam os seus talentos no dia-a-dia, cedo ou tarde perceberão que estão dobrando o seu patrimônio, tal como os dois primeitros empregados do texto que lemos hüa pouco. Está correto o verso 26: “a todo o que tem se lhe dará, mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado”.


Talvez alguém de nós aqui neste retiro saiba escutar o outro como ninguém mais saiba. Pessoas que sabem escutar são boas e bons conselheiros e isto é um talento. De que adianta ter um tal talento se a pessoa detentora não o usa, não o põe em prática? Talvez uma ou outro participante do nosso meio seja excelente com organização. O que a comunidade vai ter com isso, se essa ou esse jovem permanecer sentado em casa? Outra ou otro de nós pode estar sabendo trabalhar muitíssimo com crianças e adolescentes. Que pena se ninguém puder notar estas potencialidades. Gente, talentos sem uso geram vidas vazias e vidas desprovidas de conteúdo são incapazes de gerar mais vida.

MÉTODO PEDAGÓGICO


Esta estória contada por Jesus não tem absolutamente nada há ver com dinheiro, como já vimos. Jesus usou-a como um método pedagógico para ajudar as pessoas a iniciarem sua caminhada cristã. O texto não foi escrito para nos ameaçar mas sim nos salvar. A questão que está posta é a vida das pessoas, aqui e agora. Como é que a vida pode ganhar um sentido aqui e agora? Ora, o referido texto quer nos deixar claro que não precismos nos esconder com nosso pequeno talento atrás das pessoas que têm grandes talentos. Que não nos cabe nos auto-enterrarmos porque as outras pessoas são tão boas nas coisas que fazem; porque outras pessoas têm tantos talentos e nós, pobres mulheres e pobres homens, só sabemos ouvir bem aos outros. No momento em que nos comparamos com os outros, caimos em depressão e ficamos insatisfeitos. Se ficarmos constantemente nos medindo com os outros indivíduos, simplesmente não chegaremos a lugar nenhum.

Ora, é assim que aquilo que os outros não conseguem fazer bem, a gente quase não percebe. De tanta insatisfação, acabamos consumindo a nossa vida e assim, passamos ao largo das grandes chances que se mostram para nós. E mesmo assim, ainda sonhamos um dia criarmos coisas grandes, darmos a grande cartada da nossa vida. Mas e se não der certo? (E quase nunca dá certo.) E aí José? Tu vais te sentir a última das últimas pessoas, tal como o terceiro empregado da parábola.


É por isso que Deus é um Deus de gente pequena. O pequeno homem com o menor número de talentos teve as mesmas chances que os outros dois, com mais. Todos temos a chance de fazermos 100% de lucro com os talentos que recebemos de Deus. Por pequenos que eles sejam, podemos experimentar o auge no lugar onde estamos, onde Deus nos colocou. Ninguém vale menos só porque sabe menos ou porque as grandes chances ainda não chegaram.
O terceiro empregado se escondeu atrás do seu complexo de inferioridade e lamentou profundamente não poder ter correspondido àquilo que o seu senhor esperou dele. De fato, ele não correrspondeu à espectativa do empregador, Deus. E isso, simplesmente porque não viveu a vida que Deus lhe pensou. Sua tragédia foi que não ter compreendido que aquele único talento tinha sido tudo o que Deus esperara dele. É Interessante notar que nós sempre nos identificamos com este terceiro empregado, não é mesmo? O texto quer nos encorajar a imitarmos os outros dois sujeitos que viveram sua vida sem medo de serem felizes, aplicando seus dons no “mercado” da vida.

SUJAR-SE

Antes de voltar para junto do Pai, o Senhor Jesus deixou riquezas ímpares para que os cristãos e as cristãs administrassem. Ele concedeu a todos os que o temem, em algum grau, a fé; a esperança; a alegria; a paz; a benignidade; a bondade; a firmeza de ânimo e o amor. Como já vimos na sexta-feira que passou, o apóstolo Paulo chamou todas estas virtudes de "frutos do Espírito".

Pois muito bem! Hoje Jesus se encontra sentado à direita de Deus, o Pai todo-poderoso. Amanhã, quem sabe, Ele estará de novo no meio de nós, julgando os vivos e os mortos. Nós todos estamos vivendo numa época de espera pela segunda vindade Cristo. Todos estamos construindo nossas vidas no tempo que se compreende entre sua subida até o Pai (testemunhada pelos discípulos no livro de Atos) e a sua volta, que ainda é esperada. Portanto, é imprescindível que confessemos bem claro a nossa fé no tempo em que vivemos.

Como poderemos confessar nossa fé com clareza agora, no presente? Para confessarmos nossa fé com clareza, precisaremos fundamentar nossa vida e nossa atuação na confiança em Jesus que sustenta a Comunidade, assumirmos um compromisso com Ele.

Como fundamentar nossa vida e nossa atuação na confiança em Jesus? Ora, colocando os nossos dons no mercado. Pondo a fé‚ a esperança; a alegria; a paz; a benignidade; a bondade; a firmeza de ânimo e o amor em risco e à prova. Desamarrando os talentos, dando-lhes asas para voarem circulando o mundo.


Fora com essa idéia de basearmos a nossa vida no medo, na Teologia do Receio. Chega de guardarmos os talentos do Reino em caixa de aço, à prova de fogo, com fechadura de segurança. Nada de depositarmos os talentos do Reino em covas frias do tipo "estrutura eclesiástica". Abaixo com o pensamento de mantermos os talentos do Reino sempre brilhantes e limpos para, simplesmente, serem apreciados. Sem essa de escondermos os talentos do Reino em buracos particularizados de nome JESMA, Banda Speiron ou outro segmento qualquer da Paróquia de Joinville.

Grupos como os que citei e não citei são meios de produção no Reino de Deus. Eles podem ser instrumentos na mão do Senhor à medida em que abrem mão dos talentos em prol de si e em favor das gentes que estão do lado de fora; que estão no mercado; que estão no meio do barulho; que estão lá onde existe o cheiro do suor. Para que auto-elogios? Para que auto-"marketing"?

ARRISCAR-SE

Os grupos, por si sós, não são garantia de relação com o Senhor Jesus. Engana-se quem pensa assim. Talvez amanhã teremos que prestar contas dos nossos talentos já a nós confiados. Não!... Nós não vamos ousar transformar os talentos do Reino em covas frias. Bem pelo contrário. Nós vamos arriscar-nos. Nós vamos sujar-nos tal qual o sujeito que recebeu cinco talentos; tal qual o indivíduo que recebeu dois talentos. Nós vamos colocar as nossas habilidades à serviço do bem comum.

Fazendo assim, vamos viver vida cristã. Vida cristã que não experimenta riscos tem há ver com a idéia de "morno". Viver vida cristã nunca foi e nunca será luta por manutenção das coisas sempre nos mesmos lugares. Quem assim pratica a vida cristã, paraliza o Corpo de Cristo; fecha as portas ao vento do Espírito Santo que sopra onde quer e quando quer.

Eu vou ser ousado: Vamos imaginar que aquele terceiro homem que recebeu um talento tivesse tentado duplicá-lo até a vinda do seu senhor. Imaginemos mais. Que ele tivesse feito de de tudo para dobrar a quantia mas que tinha se dado mal nos “negócios”. Com certeza enfrentaria seu senhor cabisbaixo, com palavras do tipo: - Senhor! Fiz o possível para fazer como os outros colegas fizeram. A coisa simplesmente não acontecia comigo. Acabei perdendo tudo. Estou de mãos vazias e frustrado...

Será que a reação daquele senhor não seria diferente? Olhando o todo do Evangelho arrisco dizer que sua postura seria diferente sim. Imagino-o dizendo: - Ok irmão! Tentaste fazer o melhor. Entra tu também no gozo do teu senhor.

CONCLUSÃO

Ousemos, administremos, apliquemos, multipliquemos e desenvolvamos os talentos do Reino a nós confiados; os "bens" que Jesus nos deixou. Convertamo-nos de uma vida de fé parada para uma vida de fé movimentada. A fé em ação dá "lucro" para o Reino de Deus.

Coloquemo-nos a serviço da realização do seu Reino. Combatamos o bom combate levando a cabo a idéia da vontade salvadora de Deus. Saindo-nos bem ou mal, não importa. Nem tudo o que brilha é ouro. Sujemo-nos. Arrisquemo-nos. A fé sempre é um risco. Quem vive uma vida de fé sempre estará sujeito ao desprezo, à rejeição, à perseguição e à ridicularização daqueles que se opõem à concretização da vontade de Deus.

Tarefa 2: Cada participante ficará durante 10min em silêncio. Neste tempo reflitirá sobre o seu ou os seus talentos... Se perguntará e, ao mesmo tempo, se auto-responderá: Qual é ou quais são os meus talentos. Eles estão soltos no mercado? Estão dando lucro ao meu

Senhor?



Temos compromisso com Jesus Cristo. Em qual destes nove Frutos do Espírito
eu precisaria dar uma trabalhada na minha vida?

O primeiro deles é o amor que deve envolver o sentimento da mente e do coração das pessoas cristãs. Ele diz respeito à nossa vontade e às nossas emoções e é o esforço que fazemos para buscarmos o melhor para àqueles que nos desejam o pior. Enfim, é o ato de doar-se sem esperar nada em troca.

O segundo é a alegria. Aqui nao se trata da alegria por causa de coisas terrenas como triúnfos sobre rivais, por exemplo. Trata-se, isto sim, da alegria que vem de Deus, que está fundamentada em Deus (Salmos 30.11; Romanos 14.17 e 15.13; Filipenses 1.4 e 25).

O terceiro fruto do Espírito é a paz. No grego a palavra eirene se equivale à palavra hebraica schalom, paz física e espiritual. Quem a experimenta tem o coração tranqüilo e sereno porque sabe que o tempo está nas mãos de Deus.

O quarto fruto citado por Paulo é longanimidade. Trata-se da paciência que devemos ter com as pessoas. Você pode se vingar, mas você não se vinga. Deus e Jesus usaram de longanimidade para conosco (Romanos 2.4; 9.22; 1 Timóteo 1.18; 1 Pedro 3.20). Se Deus fosse homem, já teria levantado Sua mão para destruir o mundo, mas Ele tem paciência e, por causa dela, suporta os nossos pecados.

A Benignidade e a Bondade são o quinto e o sexto frutos. Estes são parcedidíssimos entre si. Somos chamados a sermos suaves (crestos) e ao mesmo tempo enérgicos (agathoszne) com as pessoas. Trata-se de uma virtude útil para corrigir, disciplinar e ajudar, sempre em dependência da ocasião que se vive. Trata-se de uma bondade amável e ao mesmo tempo enérgica. Jesus expulsou vendilhões do templo e noutro momento foi simpático com a pecadora que Lhe ungiu os pés.

A Fidelidade é o sétimo fruto. Fidelidade tem a ver com fé, com confiança. Trata-se de uma mulher e ou um homem dignos de confiança.

O oitavo fruto carrega a palavra Mansidão. Ela tem a ver com submissão à vontade de Deus (Mateus 5.5; 11.29; 21.5), com o fato de se ser uma pessoa dócil (Tiago 1.21) e com a moderação. Indica que se caminhe num meio termo entre a mansidão e a ira excessiva.

O último fruto do Espírito lembra-nos do Domínio próprio. Cristo presenteia esse fruto. Pessoas que o detêm dominam seus desejos de prazer. Lembra o domínio que os atletas têm sobre seu corpo (1 Coríntios 9.25) e o domínio do sexo (1 Coríntios 7.9). É a virtude de um governante que não permite que seus interesses privados interfiram no seu governo.



Beleza, pão e paz...

Faz alguns anos, num momento de crise, escrevi uma poesia, que, neste momento, quero repartir com todas e todos vocês. Vamos lê-la em conjunto e, depois, fazermos, dos seus conteúdos um rascunho de “compromissos” que podemos vir a assumir a nível pessoal e ou grupal, daqui para a frente. Feito isso, vamos usar a poesia como indicaçao de um caminho para a nossa oração...


Beleza, Pão e Paz...

O mundo precisa de beleza.
Ele clama por gente que ama
Que ama,
Que vive,
Que pratica a verdade.

O mundo precisa de pão.
Ele espera por partilha
Hoje concentrada,
Hoje apoucada,
Hoje querida e não alcançada.

O mundo precisa de paz.
Ele sonha com saúde
Para o corpo,
Para o Espírito,
Para o coração despedaçado.

O mundo precisa de nós.
Ele vibra com o compromisso
De jovens,
De mulheres e homens,
De cristãos que vivem sua fé.

Renato Luiz Becker
Janeiro de 1993
Florianópolis – SC


OS DONS DO ESPÍRITO SANTO
Leia os textos que falam sobre os dons 1 Co 12.8-10, 28; Rm 12.6-8; Ef 4.11 e 1 Pe 4.10-11, 5.1-3. Em síntese, a situação se apresenta assim:

I Coríntios 12
Romanos 12
Efésios 4
I Pedro 4
Palavra de Sabedoria
Profecia
Apóstolo Profeta
Generalizado em sua lista.
Palavra de Conhecimento
Ministério
Profeta

Ensino
Evangelista
Curar
Exortar
Pastores e Mestres
Milagres
Contribuir
Profecia
Presidir
Discernimento de Espírito
Misericórdia
Variedade de Línguas
Capacidade de Interpretar Línguas
Apóstolo
Mestre - Ensino
Socorro
Governo - Liderar




Há muitos dons. Eles se repetem nos escritos bíblicos porque as Cartas foram escritas para Comunidades diferentes. Abaixo, algumas considerações:

1. Estudiosos da Bíblia têm chegado a diferentes conclusões quanto ao assunto. Uns fazem diferença entre Dom e Função. Outros, entre Dons e Serviços. Ainda outros, fazem diferença entre Dons de Apoio e Dons Básicos, entre Dons “esqueleto” e Dons “carne”, etc.
2. Entre os referidos estudiosos há uma variedade de opiniões quanto ao número de dons. Uns falam em 15, outros em 7, outros em 9.
3. Dom não é presente de Deus por eu ser BOM na fé. Não é mérito, nem medalha ou qualquer certificado que carrego na carteira. Os dons fazem parte daquela grande bagagem de presentes que recebo de Deus, por ocasião da conversão.
4. Afirma-se que alguns Dons mencionados no NT não mais se manifestam hoje em dia. Particularmente penso que isto é amarrar o poder de Deus a um determinado momento histórico. Deus é sempre o mesmo, de eternidade a eternidade.
5. Deus não é propriedade particular. No Reino de Deus não tem vez a atitude de dizer com o peito estufado e com soberba na voz: “Este é o meu Dom”! O Dom pertence ao Corpo de Cristo, à Igreja, e fora dele, não posso ficar falando do Dom como se fosse minha propriedade particular. Deus nos dá Dons porque sabe que fazemos parte de um contexto muito mais amplo do que a nossa própria “vidinha”.
6. Toda pessoa que aceita Jesus como seu Salvador e Senhor, recebe pelo menos um Dom. Deus, muitas vezes, dá diversos dons para a mesma pessoa. Estes dons, quase sempre, complementam-se entre si.
7. Não é por acaso que Paulo intercala o assunto de 1 Coríntios 13 entre o tema dos dons que menciona nos capítulos 12 e 14. O apóstolo quer dar o critério que deve nortear o uso dos dons, e este é o Amor. Também quero lembrar vocês que SER (amar) é muito mais importante que FAZER (Dom).
8. Dom não é profissão, se bem que seja perfeitamente possível exercê-lo de tempo integral, o que aliás é fácil de constatar...

Tente identificar o teu Dom. Seja realista. No Reino de Deus não há dons que sejam melhores do que outros. Não force a natureza e nem tampouco tente colocar-se num lugar para o qual Deus não chamou
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