domingo, 9 de setembro de 2007

A base aliada


Pregação dos cultos do dia 9 de setembro por Pastor Rolf Rieck.

A Semana da Pátria evoca sentimentos confusos. Por um lado são lembrados os apenas 185 anos de independência. É pouco tempo para uma nação continental como o Brasil se organizar. Somos ainda adolescentes entre as nações. “- Apesar de tudo o que acontece de ruim em nosso País, não poderíamos deixar de prestigiar esse momento - disse a funcionária pública, Rosimere Lira”, presente na passeata no Recife (PE), segundo o jornal Folha Online. Sim, deveríamos ter muito mais orgulho desta nação cujo povo é pacífico, hospitaleiro e gentil. (Se até a primeira dama já cidadã italiana há dois anos...)

Mas há também muita gente dentre o povo que aprendeu na escola de corrupção na qual se transformou o meio legislativo, executivo e, em parte, o judiciário brasileiro. Claro, há exceções, mas elas não aparecem na mídia, ou aparecem muito pouco. Por isso o 7 de setembro é também dia de tristezas e protestos. Jornais importantes falam de um protesto solitário em Brasília onde um cidadão vestiu uma camisa estampando sua opinião contra o presidente do senado (com “s” minúsculo mesmo), o sr. Renan Calheiros: “ladrão, safado, enrolão e pilantra”. Mas isso não é verdade, porque havia mais gente protestando. Na avenida paralela acontecia a marcha do 13º Grito dos Excluídos em sentido contrário ao desfile cívico, e onde a instisfação era ainda mais notória e clara. No Recife esta mesma marcha foi marcada por pessoas protestando com apitos e narizes de palhaço.

Em Joinville pouca gente foi ver o desfile. Houve também protesto contra a falta de segurança, paz e transparência das instituições através do Grito dos Excluídos. Em Maceió, Teotônio Vilela Filho, governador de Alagoas, suspendeu o desfile por causa de protestos e deixou o palanque das autoridades.

E assim passou mais um 7 de setembro. Ah, teve novidade: um desfile de navios de guerra na Baía da Guanabara. Coisa inédita! Mas, passou mais um 7 de setembro.

9 de setembro... 10 de setembro... Os conchavos entre as diversas “bases aliadas” continuam. Políticos cínicos – em expressa atitude de deboche para com o povo brasileiro – fazem seus acordos, votam leis de seu interesse, se protegem mutuamente porque estão com culpa diante da sociedade. Seu único trabalho: manter-se nos cargos onde estão para poder tirar o máximo proveito de seus postos. É fazer-se na vida à custa dos cargos para os quais foram eleitos e também fazer a vida de parentes e amigos com os cargos que conseguiram amealhar por seu tráfico de influências. Para quem vive da máquina do Estado – salvo exceções – não importa a eficiência ou o zelo pelas coisas sociais e públicas. E assim, cinicamente, vão sorrindo para as câmeras e vão esfolando o povo brasileiro com impostos para serem roubados e desviados logo após em obras superfaturadas, etecétera e tal.

Quando um País é governado por “bases aliadas”, tende a entrar em caminhos perigosos e injustos. É o que acontece no Brasil e foi o que aconteceu com o Povo da Aliança quando dava seus primeiros passos de organização. Informe-se sobre este fato lendo, no Antigo Testamento, Josué 9.3-23.

Josué era homem íntegro diante de Deus e líder respeitado entre o povo. Nunca alguém questionou algo sobre sua autoridade herdada, nada mais e nada menos, que de Moisés. Sua autoridade e seu senso de justiça iam se traduzindo em vitórias e conquistas para o povo que lhe cabia conduzir. Mas quando as coisas vão tão bem, as “bases aliadas” vão se interessando pelo poder também. Ao receberem a visita de outra “base aliada” – esta dos gibeonitas – Josué e seus líderes deixam de fazer aquilo que é justo e correto. Simplesmente tomam a decisão cômoda de receber e acolher a delegação que armou o embuste, a velhacaria contra o Povo da Aliança. Pronto. É assim que funciona a base aliada: de tão aliada que é com interesses espúrios e dolosos, não se pergunta pelo que é certo ou errado, não se pergunta pelo que é justo, não se pergunta pelo que é melhor para o povo. Assim também está acontecendo com o Brasil e não somente nos tempos de Josué.

O problema todo começou quando Josué e o restante do povo tentaram encurtar o caminho, facilitando a decisão (versículo 14). Tomaram em mãos as evidências – pão borolento e duro além de odres velhos de vinho, remendados – e não perguntaram a Deus sobre Sua vontade. Afinal, tudo era tão evidente e não haveria necessidade de prolongar a decisão ainda consultando Deus sobre o que era correto fazer.

Não tenhamos dúvidas: os políticos, os poderosos, as autoridades sobre nós são reflexo de nosso próprio descaso para com a vontade de Deus. Para que o cinismo das pessoas investidas de autoridade sobre nós não continue, nós, a base, precisamos nos aliar à vontade de Deus e viver de maneira justa. Depende de nós, da base, a mudança de atitude para podermos cobrar mudanças das pessoas que estão acima de nós.

Ontem terminei a leitura de um livrinho que conta da trajetória de Dietrich Bonhoeffer em Londres (1933-35) (Stefanie Schmitt, “... to go into de Wilderness for a Spell...”) e na conclusão se diz: Sua história nos faz lembrar que a ação ou omissão de cada pessoa individualmente, de cada pequeno grupo e de cada congregação, realmente conta. Não somente as forças anônimas da chamada globalização ou das autoridades eclesiásticas.Toda a iniciativa individual, de pequenos grupos e de congregações são tidas como forças que influenciam a história através de suas ações.

Dizei entre as nações: Reina o Senhor. Ele firmou o mundo para que não se abale e julga os povos com eqüidade. (Salmo 96.10)

Veja o projeto político de Jesus para a implantação do Reino de Deus.

Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. (Mateus 9.35)

E as bases aliadas brasileiras?

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