
Oi gente querida!
Sempre na quarta quinta-feira do mês nós nos reunimos nas dependências da Paróquia São Mateus para refletirmos sobre o tema do "luto". Pessoas que tiveram perdas, têm a chance de dialogar abertamente sobre o assunto da dor, da saudade, da perspectiva para as suas vidas. Abaixo, o texto que trabalhamos no dia 27 de setembro de 2007. Boa reflexão...
P. Renato Luiz Becker
A morte sempre sempre traz um enorme rompimento na vida das pessoas. Antigamente os indivíduos tinham mais facilidade para tratarem deste assunto, sem “se afogarem” na dor que ele provocava. Creio que dá para se dizer que hoje o luto se encontra privatizado nas grandes cidades. São muitas as pessoas que ficam sós, sem boas saídas para poderem expressar sua dor, quando vêm momentos de perda. É deseperadora esta constatação, uma vez que a dor gerada pela morte precisa ser expressa, colocada para fora. Pessoas que não conseguem trabalhar sua dor por causa da perda, acabam instalando-a dentro do peito. E uma vez ali plantada, ela machuca a alma como se um espinho fosse.
Há alguns anos atrás as pessoas possuiam melhores canais sociais para refletirem sobre dores oriundas de perdas. Em pequenos povoados a perda era e ainda é melhor trabalhada. Nestas pequenas cidades é carregado nas costas por um maior número de pessoas. Já em cidades grandes como Joinville, este estar mais próximo do luto das pessoas não é assim tão natural. Nestas referidas cidades maiores o contato com a Comunidade de Fé também se apequenou e, assim, o coração quebrantado não tem mais encontrado cura tão fácil.
Em Nürnberg, no sul da Alemanha vivenciei uma Comunidade que criou uma sala especial que denominaram “Sala do Luto”. Nesta pequena sala, as pessoas celebram, mensalmente, um pequeno Culto. Nele, a meditação sempre está calçada sobre o tema do “luto” e isso, sem se importar se as pessoas que participam têm ou não “carteirinha” de luteranas.
Estas tais meditações sobre o luto são contextualizadas e elaboradas com base nas experiências das e dos participantes enlutados. Elas sempre são proferidas com o objetivo de se promover nova forma de comunicação entre as pessoas que vieram buscar forças para sua vida, apesar da dor. Assim, as e os enlutados vão se auto-descobrindo, enquanto dialogam repartindo suas experiências de perda. O ponto alto dos referidos encontros não é somente a Palavra de Deus. Neles também há momentos de silêncio onde se garimpa o sentido da vida naquele espaço especialmente preparado para a meditação.
E assim a expressão do luto vai acontecendo de forma individual e coletiva. Pessoas com corações quebrantados levam-se a sério, dão-se as mãos e tudo isso tem lugar numa sala discreta que faz a esperança bíblica de cura para a alma transparecer. São muitas as pessoas que vêm participar destas meditações sobre o Luto. O testemunho das mesmas é que elas são um “bálsamo para a sua alma”. Um sem-número de pessoas que frequentam aqueles pequenos Cultos tem encontrado nelas o caminho de volta à Comunidade, à Igreja.
É interessante notar que os autores dos Salmos sabiam muito bem que Deus “leva corações quebrantados em conta”. (Salmo 51). As meditações que esse pessoal de Nürnberg organiza tratam “o luto” de uma forma muito realista, muito objetiva e, junto, procuram “construir pontes” que conduzam à fé em Jesus que morreu, mas que também ressuscitou dentre os mortos: Os cristãos não devem viver o luto como os que não têm fé o vivem (“Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança.” - 1 Tessalonicenses 4.13).
Faz 2000 anos que o cristianismo resiste no meio de tormentas culturais, por causa da cruz que venceu a morte. Ocupar-se com pessoas afetadas pela dor do luto é uma boa causa. A esperança pode ser um bom caminho sobre o qual se pode trilhar em busca da cura do luto. Por isso, mãos a obra!
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