quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Ama et fac quod vis

Mateus 22.34 Entretanto, os fariseus, sabendo que ele fizera calar os saduceus, reuniram-se em conselho. 35 E um deles, intérprete da Lei, experimentando-o, lhe perguntou: 36 Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? 37 Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. 38 Este é o grande e primeiro mandamento. 39 O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 40 Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas. 41 Reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus: 42 Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhe eles: De Davi. 43 Replicou-lhes Jesus: Como, pois, Davi, pelo Espírito, chama-lhe Senhor, dizendo: 44 Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés? 45 Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho? 46 E ninguém lhe podia responder palavra, nem ousou alguém, a partir daquele dia, fazer-lhe perguntas.

Esta prédica foi assunto dos nossos cultos no último dia 26, conforme indicação da série de perícopes das senhas diárias. Desejamos a você uma boa reflexão. P. Rolf





Ama et fac quod vis.
(Ame – e faça o que você quiser)


Uma associação humanista deverá começar 2009 com uma campanha na cidade de Londres. Pretende colocar em trinta ônibus da capital inglesa faixas dizendo: “Provavelmente, Deus não existe. Agora, pare de se preocupar e aproveite a vida”. A campanha ateísta tem o apoio do acadêmico britânico Richard Dawkins, autor do livro Deus, um delírio e conhecido pelos seus documentários questionando o papel das religiões. Este Sr. Dawkins já ganhou muita fama por cultuar o altar evolucionista de Darwin. Conforme a BBC, o objetivo de pessoas assim é de promover o atíesmo e encorajar, por assim dizer, os demais ateus saírem do armário, “a assumirem publicamente a sua posição e elevar o astral das pessoas a caminho do trabalho". Dawkins e seus discípulos capricham em seus argumentos e envolvem muita gente com sua lógica de pensamento.



Nos dias de Jesus esse papel era assumido por outro grupo: o dos saduceus. Eram provavelmente remanescentes dos dias de Salomão, hábeis em argumentos de sabedoria e que sabiam questionar e argumentar como (quase) ninguém. Embora tivessem uma certa piedade religiosa, não acreditavam em nada que não pudesse ser provado. Eram empiristas, praticamente existencialistas. Jesus os calou, conforme lemos no Ev. de Mateus. Os fariseus, outro grupo tido como cheio da razão e do conhecimento resolvem também afrontar Jesus. Afinal se Jesus for um mero ser humano, então ele não existe como filho de Deus. Desmascara-se Jesus e continua-se numa religiosidade de aparências, de medos e de submissões (como a de que Dawkins parece entender bem). Preserva-se um religião do medo e nega-se o caminho livre com Jesus.

No século retrasado, quando vieram os navios trazendo os imigrantres europeus ao Brasil, diz a história que também estava a bordo de um desses veleiros um certo Sr. Janfrüchte. Foram semanas de viagem incerta sobre o mar bravio. Nessa viagem ao Brasil, o Sr. Janfrüchte não deixou de, em nenhum momento, testemunhar sua fé e confiança em Jesus Cristo. Isso se tornou motivo de risos e chacota a bordo do navio. Todos riam deste crente. Até o capitão entrou, segundo se conta, nessa brincadeira de zombar daquele passageiro. Certo dia o capitão subiu ao deck do navio e com sua luneta procurava aflitamente por algo no horizonte: “Aqui não está”, “Aqui não vejo nada”, “Onde se escondeu?” Muitos passageiros subiram e perguntaram ao capitão o que procurava. “Procuro pelo bom Deus, mas não o encontro!” Todos entenderam do que se tratava e riam ainda mais de Janfrüchte. Este, calmamente, subiu até onde todos estavam e, dirigindo-se ao capitão, disse: “O senhor não consegue ver Deus? Isso não poderia ser diferente. Na minha Bíblia está escrito ‘Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.’ Então, Sr. Capitão, agora sabe porque não consegue ver Deus”.

Saduceus, ateístas, humanistas, existencialistas e muito outros questionam a existência de Deus ou questionam sua eficácia. Os fariseus questionaram a veracidade de Jesus a partir da opinião que o Mestre expressou sobre a lei de Deus. Todos tiveram que se calar. Por que?

Jesus responde com a lei do amor.

Agostinho, um dos primeiros grandes teólogos da humanidade, nos deixou a chave para entender a existência e a eficácia de Deus na vida da humanidade. Disse: Ama et fac quod vis – ame, e faça o que você quiser.
Jesus deixa um novo mandamento. Este, na verdade, resume e atualiza todos os demais mandamentos do Antigo Testamento (não somente os dez, mas também os perto de quatrocentos outros). O novo mandamento, por sua vez, se resume na palavra amor. É evidente que estas palavras não são destinadas ao público em geral, e sim, a pessoas que crêem e confiam em Jesus irrestritamente como seu Senhor e Salvador. Portanto, a pessoas que crêem em Deus e no Filho de Deus que age através da divindade do Espírito Santo.

Ame – e faça o que você quiser! Que inspirado resumo do Evangelho de Jesus Cristo! Podemos erroneamente ouvir esta chave de Agostinho como sendo faça o que você quiser. Ou, viva de qualquer jeito que tá tudo bem. Ainda, pare de se preocupar e aproveite a vida, como sugerem os ateístas. Mas isso não é assim! Se prestarmos bem atenção a Agostinho, que prestou bem atenção à Bíblia, amar significa completa obediência e dependência de Deus, é a condição de ser escravo do amor libertador (isso lhe parece contraditório?).

A vida de quem ama segundo Deus está tão amarrada à vontade de Deus, que o amor à vida no sentido pecaminoso da autosuficiência e da ausência de Deus fica definitivamente para trás. Repleto deste amor libertador de Deus, preenchido de forma existencial com este amor, esta pessoa não quererá mais viver outra coisa que o amor.

Jesus diz (João 13.34): Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Quando Agostinho explanou sobre este versículo, disse que o povo cristão não deve amar de forma interesseira, egoísta, com falsas motivações. Assim, de maneira interesseira, se amam muitos casais, muitos pais e filhos, muitos amigos e amigas – somente até o ponto em que podem tirar vantagem das outras pessoas. Assim os fariseus faziam com sua aplicação fundamentalista das leis mosaicas. Sempre a corda estourava na parte mais fraca – o outro. Como, então, deve-se amar? Devemos amar como Deus nos ama!

Os fariseus quiseram reduzir Jesus a uma descendência de um reino saudoso que já não existia mais, o do Rei Davi. Nesta forma reducionista de ver a vida, os fariseus conseguiriam continuar a manipular as pessoas ao seu redor. É um grande jogo de poder. Jesus não se presta a isto. V.45: Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho? E mais uma vez desmascara a esperteza humana. Quem conhece o amor de Jesus não mais se intimida com especulações criativas.

Ama et fac quod vis. Ame – e faça o que você quiser. O amor de Deus existe! Deus existe! Ele é real e transforma situações de injustiças e de falta de perdão em reconciliação.

Para uma análise final de cada um de nós:
V.42: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? “Deus existe! Agora, pare de se preocupar e aproveite a vida”. “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.” (Mateus 5.8)

O cesto e a água


Esta mensagem foi lida para os confirmados e confirmadas pela equipe de de Ensino Confirmatório. A mensagem combina com o tema desta confirmação de fé, como você pode ler na mensagem anterior deste blog.

O CESTO E A ÁGUA

UM DISCÍPULO CHEGOU PARA SEU MESTRE E PERGUNTOU:
MESTRE, POR QUE DEVEMOS LER E DECORAR A PALAVRA DE DEUS SE NÓS NÃO CONSEGUIMOS MEMORIZAR TUDO, E COM O TEMPO ACABAMOS ESQUECENDO? SOMOS OBRIGADOS A CONSTANTEMENTE DECORAR DE NOVO O QUE JÁ HAVIAMOS APRENDIDO.
O MESTRE NÃO RESPONDEU IMEDIATEMENTE AO SEU DISCÍPULO. ELE FICOU OLHANDO PARA O HORIZONTE POR ALGUNS MINUTOS E DEPOIS ORDENOU AO MESMO:
PEGUE AQUELE CESTO DE JUNCO, DESÇA ATÉ O RIACHO, ENCHA O CESTO DE ÁGUA E TRAGA ATÉ AQUI.

O DISCÍPULO OLHOU PARA O CESTO SUJO E ACHOU MUITO ESTRANHA A ORDEM DO MESTRE, MAS, MESMO ASSIM OBEDECEU. PEGOU O CESTO, DESCEU OS DEGRAUS DA ESCADARIA DO MOSTEIRO ATÉ O RIACHO, ENCHEU O CESTO DE AGUA E COMEÇOU A SUBIR.
COMO O CESTO ERA TODO CHEIO DE FUROS, A ÁGUA FOI ESCORRENDO E QUANDO CHEGOU ATÉ O MESTRE JÁ NÃO RESTAVA NADA.

O MESTRE PERGUNTOU-LHE:
ENTÃO MEU FILHO, O QUE VOCÊ APRENDEU?
O DISCÍPULO OLHOU PARA O CESTO VAZIO E DISSE, MEIO SEM GRAÇA: APRENDI QUE CESTO DE JUNCO NÃO SEGURA ÁGUA.

O MESTRE ORDENOU-LHE QUE REPETISSE O PROCESSO.
QUANDO O DISCÍPULO VOLTOU COM O CESTO VAZIO NOVAMENTE, O MESTRE PERGUNTOU-LHE: ENTÃO MEU FILHO, E AGORA O QUE VOCÊ APRENDEU?
O DISCÍPULO NOVAMENTE RESPONDEU MEIO SEM GRAÇA: QUE CESTO FURADO NÃO SEGURA ÁGUA.

O MESTRE ENTÃO CONTINUOU ORDENANDO QUE O MESMO REPETISSE A TAREFA. DEPOIS DA DÉCIMA VEZ, O DISCÍCUPLO ESTAVA DESESPERADAMENTE EXAUSTO DE TANTAS VEZES DESCER E SUBIR AS ESCADARIAS.

PORÉM, QUANDO O MESTRE LHE PERGUNTOU DE NOVO:
ENTÃO MEU FILHO, O QUE VOCÊ APRENDEU? O DISCÍPULO OLHANDO PARA DENTRO DO CESTO PERCEBEU ADMIRADO QUE O MESMO ESTAVA LIMPO APESAR DE NÃO SEGURAR A ÁGUA, A REPETIÇÃO CONSTANTE DE ENCHER O CESTO ACABOU POR LAVÁ-LO E DEIXÁ-LO LIMPO.

O MESTRE POR FIM CONCLUIU: NÃO IMPORTA QUE VOCÊ NÃO CONSIGA DECORAR TODAS AS PASSAGENS DA BÍBLIA QUE VOCÊ LÊ, O QUE IMPORTA NA VERDADE É QUE NO PROCESSO A SUA MENTE E A SUA VIDA FIQUEM LIMPAS DIANTE DE DEUS.

(AUTOR DO TEXTO: DESCONHECIDO.)

QUE DEUS ABENÇOE SUAS VIDAS E QUE TODOS TENHAM UMA ABENÇOADA NOITE.

A EQUIPE DO ENSINO CONFIRMATÓRIO.

sábado, 25 de outubro de 2008

A água da vida corre para todos para que todos transbordem!


Prédica proferida nos Cultos de Confirmação onde 22 jovens disseram SIM para uma vida com Jesus Cristo, a partir do que juntos aprendemos em nosso Ensino Confirmatório.

A água da Vida corre para todos, para que todos transbordem.

João 7.37 No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. 38 Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. 39 Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado. 40 Então, os que dentre o povo tinham ouvido estas palavras diziam: Este é verdadeiramente o profeta; 41 outros diziam: Ele é o Cristo.

Com tanta chuva nos últimos dias, isso até parece improvável, mas se diz que nós todos ainda sofreremos com a falta de água. Ou será que a água já não nos falta? Vamos refletir sobre isto neste culto em que oito adolescentes vão fazer a confirmação de sua fé no Senhor Jesus Cristo.

A água da Vida corre para todos, para que todos transbordem.

Na Bíblia esta água significa “Comunhão com Deus”, significa “Vida cheia do Espírito Santo” e também “Fonte de salvação”.

A água mata a sede, e a sede é o pior dos tormentos pelo qual uma pessoa pode passar em meio ao deserto. Uma pessoa pode estar em um deserto mesmo sem nunca ter chegado perto de um deles. Os desertos da vida estão ao nosso redor. O deserto da insegurança de um jovem adolescente, o deserto da incerteza quanto ao futuro ou mesmo o deserto da falta de amor e falta de valores podem ser cruéis.

“Se alguém tem sede, venha a mim e beba.”
Jesus faz este convite! Jesus oferece esta água. Jesus é a água da vida. Esta Água traz à humanidade tudo o que ela necessita para uma vida feliz e transbordante: Perdão, paz, paciência, amor, longanimindade, alegria, domínio próprio, afinal, tudo o que realmente enriquece a vida. É a vontade de Deus que também neste mundo o nosso coração diariamente transborde de alegria e paz. Você quer isto?

Assim como esta água corre aqui no altar, enchendo o jarro, transbordando para dentro deste outro jarro, assim é Jesus para a nossa vida. E nós somos como um destes jarros. Daqui corre água suficiente para que todos transbordem. Mas certamente nem todos estão transbordando, embora exista água suficiente para todos. Depende da nossa posição: se nos deixamos encher desta água, ou não. É a posição dos corações humanos que muitas vezes não está posicionado para que Deus encha de água. Os setes jarros, perto da fonte, podem nos ajudar a entender esta realidade.

- O Primeiro Jarro indica uma dessas posições erradas: o orgulho. Corações orgulhosos, altivos, soberbos, erguem-se sobre os outros. Longe da fonte, este jarro fica completamente vazio. Assim também o coração orgulhoso está sempre sem alegria e paz. O soberbo sempre procura culpar os outros e não conhece a expressão: "Perdoe-me". Se mudasse de atitude, receberia também a vida com Deus, pois está escrito: "Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça." (I Pedro 5:5).

- O Segundo Jarro, é uma ilustração da busca pelos prazeres levianos. Vivemos uma degradação dos valores sociais porque vale aquela máxima: se eu gosto, não interessa se me faz mal. Um jarro assim, evidentemente, não contém a água da vida. É mais fácil encontrar uma cobra ali dentro que alguma coisa boa. Se este jarro mudasse de posição e se colocasse debaixo da fonte! Toda a sujeira e o que mais for, seriam expulsos imediatamente e transbordaria de água limpa e pura.

- O Terceiro Jarro, diz respeito à busca da satisfação material. Está, atualmente, quebrado. Quebram-se as expectativas de consumo e o jarro fica jogado em um canto. É o jarro que representa as vaidades deste mundo, com suas atrações e divertimentos. Não pode ser cheio de água! Como alternativa, Satanás estará sempre disposto a oferecer coisas mundanas para satisfazer os desejos da alma. Ele usa a televisão, as novelas, revistas e jornais para encher os olhos das pessoas, o vasto e infinito mundo da internet, mudando seus conceitos de moral e ética. Estes meios fazem com que o que era pecado antes, agora não seja mais. Pecado é, no máximo, um sentimento de culpa e que deve ser tratado com terapia. Enquanto isso, a alma de adolescentes e adultos continuam se afundando mais ainda.

- O Quarto Jarro, poderia estar cheio, se não estivesse tão longe da fonte. De vez em quando, recebe algumas gotas, mas nunca chega a transbordar. A posição deste jarro quer ilustrar a indiferença. Às vezes, ouve-se à palavra de Deus, e de vez em quando recorre-se à oração, mas como não existe desejo ardente pela comunhão com Deus, torna-se desconhecida à verdadeira felicidade. Assume a posição de ser nem quente e nem fria. Vem à igreja somente quando as coisas estão difíceis, quando a dor aperta. Pede oração, pede milagres. Quando tudo está bem, volta para um mundo de esquecimento de Deus.

- O Quinto Jarro - É o tipo da pessoa que até se inclina para receber a água da fonte. Mas ainda têm outro centro de vida: Jesus e a riqueza, Jesus e a secularização, Jesus e a posição social, cultura e religiosidade. “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”. (Mt 6.24) Jesus para eles não basta como alicerce único.

- Os últimos dois Jarros estão na posição de deixar-se encher de água. Estão transbordando. Eles retratam a obediência, a dependência. Retratam a coinfiança. A água da fonte os enche totalmente. São pessoas que recebem as bênçãos também para os outros. Tem plena felicidade, porque se conservam na posição de obediência a Deus. Estudam Sua palavra. Cultivam uma vida de oração constante. Comunhão com os irmãos na igreja e deixam que o Espírito Santo controle suas vidas. Elas transbordam de alegria. São uma fonte de luz. São o sal da terra. Alegram o coração do Pai.

Queridos confirmandos, prezadas confirmandas. Examinem-se. Em qual destas posições vocês querem ficar?

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Crianças – um subproduto da sociedade permissiva


Pregação da noite de domingo, 12 de outubro. Neste Culto de Louvor refletimos sobre a realidade da criança. No Dia da Criança nos perguntamos pela vontade de Deus para a vida destes pequeninos. Desejo a você uma boa leitura e reflexão. P. Rolf

Crianças – um subproduto da sociedade permissiva

Em 1990 surge o Estatuto da Criança e Adolescente. Um avanço na legislação brasileira em favor de gente pequena. Lembro que a Maria Auxiliadora e o Luis adotaram o Marquinhos mais ou menos nesta época. O Marquinhos era uma criança queimada com pontas de cigarro e que chorava desesperadamente quando via uma pessoa adulta se aproximando. Era vítima de maus tratos severos. O Pastor Sérgio Veiga, irmão querido que juntamente com sua família amava estas crianças abandonadas, recebeu este bebê em seu abrigo – casa de passagem - por determinação do Conselho Tutelar da cidade. O Pastor Sérgio e a Margarida apresentaram esta criança em nossa Igreja. Tão pequenininho e tão grandemente marcado pela violência. Juntamos roupas, comida, carrinho e carinho. Maria Auxiliadora e Luis, depois de muito pensar, o acolheram como filho em sua casa. Que lindo ficava o menino mulato. As marcas de queimaduras iam desaparecendo e um novo sossego ia se instalando em seu coraçãozinho tão sofrido. Marquinhos teve um futuro!
Mas nem sempre é assim. Nomes como Isabella Oliveira Nardoni, Pedro Augusto, Douglas Freitas e a inglesa Madeleine McCann, ao lado da brasileirinha de 12 anos acorrentada e maltratada em apartamento de Goiania são apenas alguns poucos que nos fazem perguntar: de onde vem esta violência?
Estatísticas oficiais escondem a realidade da violência contra a criança no Brasil. Em média, as cidades menores apresentam número maior de violências praticadas contra as crianças dentro de casa. Nesta média é aceito que, por exemplo, os casos de AIDS no Brasil cheguem a 0,65% da população e que entre 7% a 9% da população infantil é alvo de violência doméstica. Essa pesquisa foi feita em escolas públicas, uma vez que apenas 1% destes casos são denunciados na polícia ou nos conselhos tutelares.
E não são os pobres que cometem violência doméstica. Isso acontece em todas as classes. No final da década de 70, em Porto Alegre, o JHV Evangelho 77 – programa de recuperação de viciados em nossa Igreja – percebia alto grau de violência doméstica entre as classes ricas daquela capital. Dinheiro e drogas eram substitutos da falta de amor e carinho por parte dos pais.
De acordo com a pesquisa "A ponta do iceberg", publicada no site O Globo de 5 de abril de 2008, realizada pelo Laboratório de Estudos da Criança da USP com dados de 1996 a 2007, apenas 10% dos casos de abusos físicos e psicológicos contra as crianças são denunciados. Segundo os pesquisadores, em todos esses anos foram notificados 159.754 casos de violência doméstica. A maioria, 65.669, é de negligência. A violência física vem em segundo lugar, com 49.481 casos, seguida de violência psicológica (26.590) e de violência sexual, com 17.482 casos.
Por que esta violência toda contra seres indefesos, violência esta que acontece principalmente entre os 5 e 14 anos? Seriam as crianças um infeliz subproduto da sociedade permissiva que vivemos?
Entre as tantas causas possíveis para esta violência, está a visível distância que separa os pais de uma vida de temor a Deus. Pais que não levam a vida com Deus a sério, mesmo que estejam cheios de boas intenções, dificilmente poderão sustentar uma educação libertadora e amorosa para com seus filhos. E quando não o conseguem, vêem em seus filhos um peso e não uma bênção. Quantas vezes crianças têm sido esquecidas em carros estacionados em frentes a boates e casas de diversão simplesmente porque, ou o pai, ou a mãe, querem a liberdade de se divertir?
Acredito que algumas orientações podem ser tomadas como significativas para todos nós a partir de passagens bíblicas. Vejamos algumas:

1. A Bíblia fala que filhos são dom de Deus. “Respondeu José a seu pai: São meus filhos, que Deus me deu aqui. Faze-os chegar a mim, disse ele, para que eu os abençoe”. (Gn 48.9). Aponta para os filhos e filhas como sinal de alegria na vida da pessoa. “Faz que a mulher estéril viva em família e seja alegre mãe de filhos. Aleluia!” (Sl 113.9)

2. As crianças são puras para que glorifiquem a Deus, como acontece no episódio relatado em Mateus 21: “...vendo as maravilhas que Jesus fazia e os meninos clamando: Hosana ao Filho de Davi!, indignaram-se e perguntaram-lhe: Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?” São elas que ensinam seus pais olhar para o Criador com confiança e segurança.

3. Estas crianças devem ser trazidas à casa do Senhor para que aprendam a respeito do caminho da vida desde cedo. Assim vemos acontecer com Samuel: “Havendo-o desmamado (motivo de grande alegria e festa na família daquele tempo), levou-o consigo (...) e o apresentou à Casa do SENHOR, a Siló. Era o menino ainda muito criança”. Assim fizeram também as mães no tempo de Jesus conforme lemos em Marcos 10: “Então, lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse, mas os discípulos os repreendiam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele. Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava”.

4. Estas crianças tinham como exemplo seus próprios pais, que os ensinavam a honrá-los, por mandamento divino: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá”. (Ex 20.12). O ensino no caminho do Senhor, por sua vez, era de responsabilidade tácita dos pais: “Ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentados em vossa casa, e andando pelo caminho, e deitando-vos, e levantando-vos. Escrevei-as nos umbrais de vossa casa e nas vossas portas, para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o SENHOR, sob juramento, prometeu dar a vossos pais, e sejam tão numerosos como os dias do céu acima da terra”. (Dt 11.19ss). A sociedade é cada vez mais permissiva certamente porque os próprios pais não tem mais coragem de ensinar seus filhos a honrá-los. Pais que não sabem dizer “não” não servem para que a bênção de Deus se perpetue nas gerações. Pais, ensinem seus filhos e filhas a lhes dar a honra devida.

5. Nas palavras bíblicas, filhas e filhos são altamente estimados: “Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta”. (Sl 127) Ou: “Coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são os pais”. (Pv 17)
Enfim, o perfeito relacionamento entre pais e filhos descarta a violência doméstica. Quando jovens se conhecem e se respeitam, e somente constituem família quando o podem fazer de forma equilibrada e responsável diante de Deus, então as chances de haver bênção e equilíbrio se multiplicam. E as chances de alguém ser jogado pela janela ou queimado por pontas de cigarro diminuem proporcionalmente.


Pais e filhos! Quais são as escolhas feitas por vocês. Quais têm sido as nossas opções?
“O filho sábio alegra a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe”. (Pv 10) “Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados”. (Cl 3)