quarta-feira, 23 de julho de 2008

O que se usa contra erva daninha?



Pregação proferida no culto dominical às 9 horas.

Sugiro a leitura do Ev. de Mateus 13.24-30, 36-43. Que Deus abençoe sua reflexão.

P. Rolf


Contra a erva daninha ainda não surgiu uma boa erva.

Imaginemos estar numa bela paisagem Estamos sobre vastos campos que receberão a semente. O vento quente bate suavemente em nosso rosto. A semente é jogada. A sementeira vai vingar, trará seus frutos. Sim, a semeadura vai dar seus frutos. O processo de germinação já começou e vai atingir seu objetivo, apesar de todos os obstáculos (umidade, seca, frio, calor). Esta é a boa notícia do momento: as sementes vingaram. A própria palavra de Deus já diz: 7 Não vos enganeis: ... aquilo que o homem semear, isso também ceifará. 8 Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna (Gálatas 6). Mas, voltando ao campo que acabamos de semear, podemos descansar: o qual plantamos, colheremos. Mas, e sempre existe um mas, também é sabido que a erva daninha jamais acaba. De alguma forma a erva boa e a erva daninha sempre andam de mãos dadas. Podemos nos esforçar quanto quisermos em nossos jardins ... cuidar ... zelar ... tirar o mato ... mas o mato sempre está lá. Parece até zombar de nós. Às vezes ele só é feio, às vezes atrapalha, às vezes pode até ser venenoso.

Contra a erva daninha ainda não surgiu nenhuma erva boa.

Não queremos aprender mais sobre isso lendo agora o almanaque do jardim perfeito e sem mato, mas devemos ler o que Deus nos diz sobre isso. Mateus 13.24-30.

O centro do assunto é o reino de Deus. No reino de Deus as coisas acontecem como nos conta este agricultor que semeou boa semente. Deus semeia a boa semente sobre a face da terra. Mas não somente a boa semente que vinga. Deus não colocou sua criação numa caixinha de vidro. O reino de Deus não acontece dentro da caixinha de vidro, mas em meio à dura realidade deste mundo, onde os ventos de filosofias e modismos trazem sementes de sujeira, de mato, sementes estas que teimosamente parecem ser mais eficientes na germinação que as boas sementes.

Não seria de se esperar que aqui, na igreja, somente a boa semente tivesse vez? A cristandade é, definitivamente, um monte onde tem de tudo. Definitivamente não é do povo cristão que se pode dizer que “...vejam aqui, o povo perfeito e limpo, não contaminado, a prova cabal da perfeição e correção”. Sim, já faz tempo que sabemos que a igreja e o povo cristão não é a seleção dos bons e perfeitos.

Aqui, na Igreja, ouvimos da graça e do perdão de Deus. Ouvimos de reconciliação. Ouvimos da verdade e ouvimos a Verdade. E logo já se misturam palavras mentirosas e maldosas, pensamentos que nos levam para longe de Deus, desculpas que, por mais esfarrapadas, sempre nos ajudam a defender nossa vontade e não a vontade de Deus. A graça preciosa de Deus é, assim, barateada. O Deus amoroso e reconciliador, então, não passa de um vovô desdentado, sentado não sei aonde, que só sabe sorrir doce e fazer coisas boas. Ato contínuo, a palavra de Deus se torna apenas uma fábula bem engendrada que não me traz mais nada, no máximo, aquele sentimento: “Eu estou OK! Você está OK!” E fica combinado que ninguém mais mexe com ninguém a respeito das coisas da fé. Portanto, é aqui, entre nós, que nasce erva boa e erva ruim. Bem aqui!

Quem sabe, por isso, que em nossa Paróquia tenhamos tantas pessoas que participam de grupos, mas não participam do banquete dominical do Culto. “Ah, não, eu prefiro participar da OASE”. “Não, acho o Culto de Oração mais espiritual”. “Eu, muito pelo contrário, só quero participar do grupo de jovens. É muito mais manero.” A boa semente da palavra pregada, a boa semente da ordem do culto, para esta não existe mais espaço e confunde-se a boa e a má erva.

O mundo – que deve ser o reino de Deus – clama cada vez mais alto. O mundo clama por orientação, por valores claros. O mundo clama por limites. O mundo clama por religião, que deve dar limites à insensatez do ser humano, para que as aparências externas não entrem em colapso. Mas o que é “religião”? Para muitos religião é apenas um “sossega leão” para as incoerências de comportamento. Para muitos a justiça pública e política já é o suficiente. Basta uma "sociedade religiosa". Mas a “sociedade religiosa” é adubo para a erva daninha. Parece ser o suficiente mas ainda não é o reino de Deus.

A parábola contada por Jesus, diz: Um inimigo fez isso. Mais tarde Jesus explica que este inimigo é o diabo. Claro, deve haver sempre alguém que se opõe ao que Deus quer nos conceder de justo e correto em Seu reino. Sempre há alguém disposto ou disposta a riscar do mapa os bons propósitos de Deus para com os seus. (Ex.: a atriz pornográfica que, na Austrália, fez uma doação de 300 filmes pornográficos dizendo que com isso a Igreja Católica poderia resolver os problemas de padres pedófilos, tornando-os satisfeitos em sua sexualidade... Ou a turma de pentecostais que convida jovens incautos para baladas gospel para dançar o "créu de Jesus"). De onde vem esta erva daninha? A pergunta fica cada vez mais séria enquanto sentimos o vento quente soprando em nossa face.

Como pode que tantos pais oram com e por seus filhos, mas quando estes crescem, se afastam de Deus? Como pode que tantos cristãos recebem bom ensino no Culto Infantil, no Ensino Confirmatório, na Juventude Evangélica, mas logo logo viram as costas ao que é justo e verdadeiro a abraçam a vida daninha? Tornam-se religiosos mas, nem de longe, comprometidos com o reino de Deus e seus valores absolutos e libertadores? São religiosos mas não vivem seu batismo e não tem Jesus como Salvador e Senhor.

Os reformadores, Agostinho, o apóstolo Paulo, todos já sabiam que o ser humano não é livre: ou é escravo do pecado ou é escravo do Senhor Jesus Cristo. Pecado, este é o nome da erva daninha que o vento quente traz de longe e cai na terra fértil entre a boa semente.

Os servos do semeador prontamente perguntam: Queres que vamos e arranquemos o joio? Vamos acabar logo com isso. Chega de contaminação. Vamos fazer uma limpeza radical e definitiva. Ao que o dono da terra responde: Não! ... para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até a colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro. Não tomem vocês a foice porque vocês não sabem como lidar com ela. Não tentem fazer justiça com as próprias mãos. Não tentem ser os inquisidores cristãos.

O julgamento não se dará de acordo com nossos atos ou obras, mas de acordo com a nossa fé. Se vivemos do perdão que Jesus nos concede na cruz, e vivemos de forma transformada pela Sua graça, então isso será levado em conta no juízo final. É Jesus quem diz:

Pelos seus frutos os conhecereis.

Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?

Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus.

Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons.

Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.

Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. (Mateus 7)

A erva daninha não acaba. Contra o inço não há remédio. A decisão de deixar-se contaminar pela erva daninha é individual e ela determina que tipo de fruto queremos carregar em nossa vida. Aceita a Jesus e deixa ele mesmo limpar sua vida do pecado e passa a viver uma vida nova.

Amém.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A nova lei


Romanos 8. 1 Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. 2 Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. 3 Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado, 4 a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. 5 Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. 6 Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. 7 Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. 8 Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. 9 Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. 10 Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida, por causa da justiça. 11 Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita.

A nova lei

“Dia de luto para as instituições democráticas.” Assim se pronunciaram autoridades da lei na semana que passou, conforme nota assinada por 26 procuradores da República. Além disso, 130 juízes de MT e RJ também dão apoio ao juiz paulista que mandou prender duas vezes o banqueiro e corruptor, contra as duas vezes que o presidente do STF mandou soltar. Tudo dentro da lei, mas tudo fora da justiça.

O povo brasileiro tem observado, nos últimos dias, um show prisões de figurões, seguido do um show de solturas, prisões, relaxamentos de prisões e assim por diante. O mais impressionante nisso é que tudo é feito dentro da lei. Todas as interpretações e todas as manobras são legais, amparadas pelas leis brasileiras. Se estes procedimentos são justos ou não, isso é questionável, mas que são legais, isso são. Provavelmente uma parcela cada vez menor da população brasileira, que não compactua com a corrupção, acha que tudo isso é injusto. Já a parcela aparentemente cada vez maior de pessoas que vivem de espertezas fiscais e jurídicas, vê nisso um jeitinho de também corromper e tirar vantagens pessoais ilícitas.

Nem sempre o que é legal parece ser justo. Este é o milenar problema da lei. A lei defende interesses de um grupo e legislar em causa própria não é privilégio dos entendidos do século XXI. Há um grande abismo entre o legal e o justo desde que o ser humano se conhece por gente, gente criada por Deus e por Ele mantida neste nosso mundo. Acontece que a lei está “enferma pela carne”, como diz o apóstolo Paulo no texto de Romanos 8.

Entendo que é necessário fazer um rápido passeio pelo conceito da lei no AT e NT para podermos aplicar o ensinamento do texto de Rm nos dias de hoje.

A lei e seus objetivos

Normalmente se pensa que no Antigo Testamento a salvação vem pela observância da lei e no Novo Testamento a salvação vem pela graça. Porém, lei é graça já no AT, uma vez que é dada a um povo que havia se comprometido a servir ao Senhor – Êx 19.8. Portanto, a lei em seu aspecto cerimonial, judicial e moral é expressão da graça de Deus a um povo comprometido com Ele. Por isso podemos dizer sem medo de cair em clichês que a lei é libertadora. (Ou, como disse o presidente Lula no Timor Leste, “só tem um jeito das pessoas não serem molestadas pela polícia no nosso país, andarem direito.” Será?)

A lei, no entanto, tornou-se perversa por causa do uso carnal da mesma. É usada contra a graça. É usada a favor de interesses pessoais. Tanto assim que concluo: fanatismo e legalismo rimam com satanismo, tornando a lei cada vez mais perversa, enferma e incompreendida.

A lei tem objetivos claros e positivos:

1. Paulo ensina em sua carta aos gálatas (3.19) que a lei é dada por causa das transgressões humanas e objetiva mostrar o mediador Jesus.

2. Paulo também escreve (1Tm 1.8-11) que a lei objetiva restringir a prática do mal, inibindo as ações ofensivas ao amor.

3. Ao mostrar o pecado e a falta de clareza quanto a vontade de Deus, a lei serve de guia – “aio” (Gl 3.24) – a fim de se poder compreender a justificação pela fé.

4. Para se ter uma vida plena há de se perguntar pela vida piedosa. A lei indica este caminho da piedade e da fé mesmo em meio às realidades diárias totalmente distantes da vontade de Deus.

“A lei e a graça permanecem como partes contínuas, inseparáveis, da história da salvação desde o Gênesis até ao Apocalipse.“ Segundo Virkler, esta é uma conclusão bíblica absolutamente verdadeira da teologia luterana.

A lei vista por pessoas que não crêem em Jesus, tão somente colabora para o descrédito e a descrença.

A lei vista por pessoas batizadas, despertadas para um compromisso pessoal com o salvador Jesus, torna-se aliada para o crescimento na fé e na obediência.

Por isso nem a lei e nem a graça são – ou deveriam ser – feituras humanas. Deus as revela: lei e graça.

8 ... os que estão na carne não podem agradar a Deus. 9 Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.

É obra do Espírito Santo na vida das pessoas a que proporciona a transição da lei que mata para a graciosa lei que vivifica.

10 ... mas o espírito é vida, por causa da justiça.

Entender a lei como fonte de justiça implica em entender o agir do Espírito Santo. Ação pentecostal é quando o Espírito Santo nos convence que a vida com Cristo é plenamente a melhor opção. E o Espírito de Cristo não tem limites para agir. Não podemos apagá-lo. O que cada pessoa pode, mesmo a batizada, é rejeitar o Seu convite, a Sua oferta de salvação e reconciliação

“Se guardares o mandamento que hoje te ordeno, que ames o Senhor, teu Deus, andes nos seus caminhos, e guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, então viverás e te multiplicarás, e o Senhor, teu Deus, te abençoará”. Deuteronômio 30.16

Como esta semente cai hoje em nosso coração?

Bênção e envio: Vão e divulguem a semente do Evangelho. Estejam atentos e orem todo o tempo. Busquem forças no poder de Deus e estejam firmes enfrentando tudo aquilo que os possa corromper e ofender a glória do SENHOR JESUS CRISTO.

P. Rolf Rieck

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Empreitada de sucesso?

Olá gente querida!

Abaixo eu compartilho a reflexão que fiz com a nossa Comunidade reunida em Culto no último domingo, dia 06 de julho de 2008, às 09.00h da manhã e também às 19.00h da noite. Boa leitura!

Inicio este momento com uma pergunta: - Alguma vez alguém de vocês já tentou fazer alguma coisa; apostou “todas as fichas” num determinado projeto; deu tudo de si para que algo importante viesse a acontecer, mas tudo acabou dando errado? Na oportunidade, você ficou resignado, desiludido da vida?... Se alguém daqui já fez semelhante experiência, preste atenção nesta historinha que Jesus contou em Lucas 8.4-15...

4. Afluindo uma grande multidão e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse Jesus por parábola:
5. Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram. 6. Outra caiu sobre a pedra; e, tendo crescido, secou por falta de umidade. 7. Outra caiu no meio dos espinhos; e estes, ao crescerem com ela, a sufocaram. 8. Outra, afinal, caiu em boa terra; cresceu e produziu a cento por um. Dizendo isto, clamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. 9. E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Que parábola é esta? 10. Respondeu-lhes Jesus: A vós outros é dado conhecer os mistérios do reino de Deus; aos demais, fala-se por parábolas, para que, vendo, não vejam; e, ouvindo, não entendam. 11. Este é o sentido da parábola: a semente é a palavra de Deus. 12. A que caiu à beira do caminho são os que a ouviram; vem, a seguir, o diabo e arrebata-lhes do coração a palavra, para não suceder que, crendo, sejam salvos. 13. A que caiu sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz, crêem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam. 14. A que caiu entre espinhos são os que ouviram e, no decorrer dos dias, foram sufocados com os cuidados, riquezas e deleites da vida; os seus frutos não chegam a amadurecer. 15. A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes frutificam com perseverança.

Pequenas decepções

Assim, meio a primeira vista uma historinha um tanto deprimente, não é verdade? A pessoa que semeou a tal da semente trabalhou com alegria na perspectiva de que em breve faria boa colheita. Mas que nada, a maioria dos grãos semeados foram pisados, ingeridos por pássaros, torrados pelo sol quente e sufocados por espinhos. Atrás da referida semeadura estava muito trabalho, um grande desgaste que, no final das contas, resultou em pouco sucesso.

Vocês, com certeza, como eu também, já experimentaram algo parecido; já se engajaram com muito ânimo num projeto; já doaram do próprio suor em prol de alguma excelente idéia; já aplicaram dinheiro nalgum sonho e quando foi de repente, constataram que todo o esforço tinha dado em nada.

Esse tipo de frustração a gente volta e meia experimenta dentro da Paróquia, dentro da Comunidade. Saímos por aí a convidar as pessoas para que participem dos momentos especiais que oferecemos e elas ignoram o nosso convite. Noutros momentos cuidamos e assistimos pessoas, mas parece que elas não reagem conforme o esperado. Neste momento muitos de nós suspiramos profundamente, dando mostras de decepção. Nossa vontade é de cairmos fora, sumirmos do mapa, não aparecermos mais.

Penso que é justamente neste ponto que mora o perigo. Quem deixa de se engajar na proposta cristã por que se decepciona com pessoas perde a alegria de servir; perde a capacidade de sonhar com os belos frutos que podem vir a nascer do seu trabalho, do seu serviço, do seu engajamento.

Reputo a história do semeador que foi contada por Jesus como animadora – sim senhor! Mesmo que muitas das nossas ações levem a nada, o Senhor Jesus Cristo faz acontecer a esperança de que algo novo vá acontecer. Nem todas as sementes que foram lançadas na terra foram pisoteadas pelos homens, saboreadas pelos pássaros; torradas pelo sol causticante ou sufocadas entre os espinhos. Uma grande parte delas caíram em terra boa.

Conclusão

Durante a semana, avaliando alguns trabalhos aqui na nossa Paróquia São Mateus, me parei pra pensar: - Quantas e quantas vezes Deus semeou das Suas sementes nos campos da minha própria vida... Quanto tempo eu levei para só então pegar na mão de Deus que estava estendida... Durante quantos meses eu fiquei me decidindo se iria ou não iria me apoiar e, depois, me deixar guiar pelos caminhos propostos por Deus. Olho para trás, e medito sobre o meu passado. Só tenho a agradecer a Deus pelo fato de Ele ter tido tanta paciência comigo; pelo fato de não ter desistido de mim, logo na primeira tentativa frustrada de me alcançar para o Seu Reino.

Assim como Ele foi persistente comigo, está sendo contigo. E é nossa tarefa, como Igreja Cristã, nunca cansarmos de semear sementes de Boa Palavra; de Boas Propostas de serviço cristão, de Diaconia entre aquelas e aqueles que nos estão próximos. Garimpem coragem dentro de si e continuem semeando. Ou, de repente, sejam audaciosos e permitam que estas sementes que acabei de semear durante os últimos 15 minutos não sejam pisoteadas, ingeridas, torradas, sufocadas na terra da tua vida pessoal. Amém!
P. Renato Luiz Becker

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Nem sempre ouviremos notícias do jeito que queremos, vindas da parte de Deus. Mas é melhor ouvi-las que confiar em mentiras.



Nem sempre ouviremos notícias do jeito que queremos, vindas da parte de Deus. Mas é melhor ouvi-las que confiar em mentiras.


Jeremias 28.5 Então, respondeu Jeremias, o profeta, ao profeta Hananias, na presença dos sacerdotes e perante todo o povo que estava na Casa do SENHOR. 6 Disse, pois, Jeremias, o profeta: Amém! Assim faça o SENHOR; confirme o SENHOR as tuas palavras, com que profetizaste, e torne ele a trazer da Babilônia a este lugar os utensílios da Casa do SENHOR e todos os exilados. 7 Mas ouve agora esta palavra, que eu falo a ti e a todo o povo para que ouçais: 8 Os profetas que houve antes de mim e antes de ti, desde a antiguidade, profetizaram guerra, mal e peste contra muitas terras e grandes reinos. 9 O profeta que profetizar paz, só ao cumprir-se a sua palavra, será conhecido como profeta, de fato, enviado do SENHOR.

No dia 30 de junho passado completaram-se 100 anos de um acontecimento que até hoje não está plenamente elucidado. Era o meio da noite quando, de repente, na Europa, as pessoas que estavam na rua conseguiram ler parte dos jornais em plena praça pública. Tamanha era a claridade do céu. Nada se viu, nada se ouviu, somente a clara luz que por alguns instantes deixou a noite dia. Faz 100 anos que centenas de milhares de árvores carbonizaram na Sibéria. Foi tudo instantâneo. Décadas depois ainda estavam lá as árvores, queimadas de uma forma misteriosa, caídas uma ao lado da outra, enfileiradas caprichosamente. Aos poucos um pequeno lago – o Lago Checo – começa a ajudar os cientistas a desvendar o mistério deste acontecimento: um meteoro caiu. Mas muito ainda há para descobrir. Depois de tanta destruição e de tanto mistério, haveria ouro enterrado abaixo daquele lago? E a curiosidade é atiçada pela vontade de enriquecer com um provável ouro celestial.

Curiosidades acabam sendo traduzidas em descobertas importantes. Boas notícias sempre são aguardadas ansiosamente como ponto final de um mistério. Viver aquela sensação de “ah, foi só isso? agora estou tranqüilo” parece nos satisfazer. E, se depois da desgraça e do susto, puder ser encontrado algo que indique um final feliz? Por outro lado, para que fiquemos bem, podemos até seguir uma mentira. Para satisfazer nosso “eu” podemos até nos deixar iludir com fatos que não refletem a realidade. E se há 100 anos caiu uma bola de ouro naquele lago siberiano?

No mundo politicamente correto sempre se corre o perigo de relativizar a realidade para que a mentira nos traga satisfação. Só assim posso compreender o porquê de tanta corrupção entre a classe política, por exemplo. Gostam tanto de uma mentira que já não conseguem mais distinguir o que é verdade. Ou então os descaminhos na área da sexualidade onde a mentira da homossexualidade e a homofobia se confundem com o verdadeiro estado de pessoas que perderam o bom senso – e se encaminham para a morte – e não mais vêem o horizonte do verdadeiro – que traz a vida.

Olhando para o texto de Jeremias, vemos que também ali o povo de Deus não compreende mais o que é verdade e o que é mentira. No capítulo 27 de Jeremias, o profeta de Deus faz uma canga – o jugo – e a coloca sobre seu pescoço dizendo: “Se alguma nação e reino não servirem o mesmo Nabucodonosor, rei da Babilônia, e não puserem o pescoço debaixo do jugo do rei da Babilônia, a essa nação castigarei com espada, e com fome, e com peste, diz o SENHOR, até que eu a consuma pela sua mão”. Mas vem o profeta Hananias com uma cantiga mais interessante: “Assim fala o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, dizendo: Quebrei o jugo do rei da Babilônia”. Em quem você acreditaria? Naquele profeta que anuncia a desgraça ou naquele que anuncia a graça?

Difícil responder? Creio que precisamos de duas coisas para ter uma noção de resposta.

Discernimento. Para que se possa tomar um caminho seguro, uma decisão segura na vida, é necessário discernimento. As evidências nem sempre são tão claras, fazendo com que seja difícil decidir entre a verdade dura e a mentira contagiante. Por isso o salmista (Salmo 25) ensina no Antigo Testamento, em uma época muito próxima à de Jeremias: “Guia os humildes na justiça e ensina aos mansos o seu caminho. Todas as veredas do SENHOR são misericórdia e verdade para os que guardam a sua aliança e os seus testemunhos.” O discernimento é dom do Espírito Santo. O Espírito Santo age na congregação cristã, ensinando, consolando, orientando. Desta forma é sempre importante desconfiar de palavras mansas especialmente quando quem as diz não se encontra na plena comunhão com o Senhor Deus. O apóstolo Paulo conclama a Igreja a não ir atrás de “palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais”. E acrescenta dizendo que “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”. (1Co 2. 13-14).

Sabedoria é o outro ingrediente para seguir a voz de Deus e não a voz da mentira. Estudando o texto de Jeremias, muitas pessoas chegaram à conclusão de que a forma correta de entender a vontade de Deus é sempre seguir o caminho mais difícil. Dito diferente: sempre seguir o ensino que envolve desgraça, dificuldades, provações. Tudo porque Hananias estaria apresentando um caminho fácil, mas mentiroso. É este um critério correto? Isso é sabedoria? A sabedoria precisa ser pedida a Deus. “Dá, pois, ao teu servo coração compreensivo para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal...” (1Rs 3.9) A sabedoria leva à confiança em Deus, como ensina o provérbio “o temor do SENHOR é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino”. (Pv 1.7) A sabedoria não cai pronta do céu. É um processo de crescimento, como o exemplo dado por Jesus: “Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele”. (Lc 2.40). Desta forma facilmente entendemos que a sabedoria é processo que acontece na comunhão cristã – na participação de cultos, estudos bíblicos, grupos, trabalhos diaconais – e não no sofá da casa, diante da TV, mesmo que seja assistindo um culto evangélico após o outro.

Nem sempre ouviremos notícias do jeito que queremos, vindas da parte de Deus. Mas é melhor ouvi-las que confiar em mentiras. Isso não significa que Deus tem coisas ruins para nós. Ele sabe mais, porque vê além do que nós conseguimos enxergar. Por isso não deixemos de ter comunhão com Deus e nem pensemos em deixar a comunhão com irmãos e irmãs na Igreja, porque sozinhos estamos fadados a acreditar em mentiras. E, claro, sem conhecer a Jesus pessoalmente como Senhor e Salvador, não é possível ter clareza sobre a vontade de Deus para a vida de cada pessoa. Por isso fica o desafio: aceitar Jesus e viver segundo Sua luz.

Não deixemos de estar na comunhão com irmãos e irmãs. Não deixemos nossa comunhão com Jesus Cristo. Ele é fonte de sabedoria e discernimento.

P. Rolf Rieck