quarta-feira, 23 de julho de 2008

O que se usa contra erva daninha?



Pregação proferida no culto dominical às 9 horas.

Sugiro a leitura do Ev. de Mateus 13.24-30, 36-43. Que Deus abençoe sua reflexão.

P. Rolf


Contra a erva daninha ainda não surgiu uma boa erva.

Imaginemos estar numa bela paisagem Estamos sobre vastos campos que receberão a semente. O vento quente bate suavemente em nosso rosto. A semente é jogada. A sementeira vai vingar, trará seus frutos. Sim, a semeadura vai dar seus frutos. O processo de germinação já começou e vai atingir seu objetivo, apesar de todos os obstáculos (umidade, seca, frio, calor). Esta é a boa notícia do momento: as sementes vingaram. A própria palavra de Deus já diz: 7 Não vos enganeis: ... aquilo que o homem semear, isso também ceifará. 8 Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna (Gálatas 6). Mas, voltando ao campo que acabamos de semear, podemos descansar: o qual plantamos, colheremos. Mas, e sempre existe um mas, também é sabido que a erva daninha jamais acaba. De alguma forma a erva boa e a erva daninha sempre andam de mãos dadas. Podemos nos esforçar quanto quisermos em nossos jardins ... cuidar ... zelar ... tirar o mato ... mas o mato sempre está lá. Parece até zombar de nós. Às vezes ele só é feio, às vezes atrapalha, às vezes pode até ser venenoso.

Contra a erva daninha ainda não surgiu nenhuma erva boa.

Não queremos aprender mais sobre isso lendo agora o almanaque do jardim perfeito e sem mato, mas devemos ler o que Deus nos diz sobre isso. Mateus 13.24-30.

O centro do assunto é o reino de Deus. No reino de Deus as coisas acontecem como nos conta este agricultor que semeou boa semente. Deus semeia a boa semente sobre a face da terra. Mas não somente a boa semente que vinga. Deus não colocou sua criação numa caixinha de vidro. O reino de Deus não acontece dentro da caixinha de vidro, mas em meio à dura realidade deste mundo, onde os ventos de filosofias e modismos trazem sementes de sujeira, de mato, sementes estas que teimosamente parecem ser mais eficientes na germinação que as boas sementes.

Não seria de se esperar que aqui, na igreja, somente a boa semente tivesse vez? A cristandade é, definitivamente, um monte onde tem de tudo. Definitivamente não é do povo cristão que se pode dizer que “...vejam aqui, o povo perfeito e limpo, não contaminado, a prova cabal da perfeição e correção”. Sim, já faz tempo que sabemos que a igreja e o povo cristão não é a seleção dos bons e perfeitos.

Aqui, na Igreja, ouvimos da graça e do perdão de Deus. Ouvimos de reconciliação. Ouvimos da verdade e ouvimos a Verdade. E logo já se misturam palavras mentirosas e maldosas, pensamentos que nos levam para longe de Deus, desculpas que, por mais esfarrapadas, sempre nos ajudam a defender nossa vontade e não a vontade de Deus. A graça preciosa de Deus é, assim, barateada. O Deus amoroso e reconciliador, então, não passa de um vovô desdentado, sentado não sei aonde, que só sabe sorrir doce e fazer coisas boas. Ato contínuo, a palavra de Deus se torna apenas uma fábula bem engendrada que não me traz mais nada, no máximo, aquele sentimento: “Eu estou OK! Você está OK!” E fica combinado que ninguém mais mexe com ninguém a respeito das coisas da fé. Portanto, é aqui, entre nós, que nasce erva boa e erva ruim. Bem aqui!

Quem sabe, por isso, que em nossa Paróquia tenhamos tantas pessoas que participam de grupos, mas não participam do banquete dominical do Culto. “Ah, não, eu prefiro participar da OASE”. “Não, acho o Culto de Oração mais espiritual”. “Eu, muito pelo contrário, só quero participar do grupo de jovens. É muito mais manero.” A boa semente da palavra pregada, a boa semente da ordem do culto, para esta não existe mais espaço e confunde-se a boa e a má erva.

O mundo – que deve ser o reino de Deus – clama cada vez mais alto. O mundo clama por orientação, por valores claros. O mundo clama por limites. O mundo clama por religião, que deve dar limites à insensatez do ser humano, para que as aparências externas não entrem em colapso. Mas o que é “religião”? Para muitos religião é apenas um “sossega leão” para as incoerências de comportamento. Para muitos a justiça pública e política já é o suficiente. Basta uma "sociedade religiosa". Mas a “sociedade religiosa” é adubo para a erva daninha. Parece ser o suficiente mas ainda não é o reino de Deus.

A parábola contada por Jesus, diz: Um inimigo fez isso. Mais tarde Jesus explica que este inimigo é o diabo. Claro, deve haver sempre alguém que se opõe ao que Deus quer nos conceder de justo e correto em Seu reino. Sempre há alguém disposto ou disposta a riscar do mapa os bons propósitos de Deus para com os seus. (Ex.: a atriz pornográfica que, na Austrália, fez uma doação de 300 filmes pornográficos dizendo que com isso a Igreja Católica poderia resolver os problemas de padres pedófilos, tornando-os satisfeitos em sua sexualidade... Ou a turma de pentecostais que convida jovens incautos para baladas gospel para dançar o "créu de Jesus"). De onde vem esta erva daninha? A pergunta fica cada vez mais séria enquanto sentimos o vento quente soprando em nossa face.

Como pode que tantos pais oram com e por seus filhos, mas quando estes crescem, se afastam de Deus? Como pode que tantos cristãos recebem bom ensino no Culto Infantil, no Ensino Confirmatório, na Juventude Evangélica, mas logo logo viram as costas ao que é justo e verdadeiro a abraçam a vida daninha? Tornam-se religiosos mas, nem de longe, comprometidos com o reino de Deus e seus valores absolutos e libertadores? São religiosos mas não vivem seu batismo e não tem Jesus como Salvador e Senhor.

Os reformadores, Agostinho, o apóstolo Paulo, todos já sabiam que o ser humano não é livre: ou é escravo do pecado ou é escravo do Senhor Jesus Cristo. Pecado, este é o nome da erva daninha que o vento quente traz de longe e cai na terra fértil entre a boa semente.

Os servos do semeador prontamente perguntam: Queres que vamos e arranquemos o joio? Vamos acabar logo com isso. Chega de contaminação. Vamos fazer uma limpeza radical e definitiva. Ao que o dono da terra responde: Não! ... para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até a colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro. Não tomem vocês a foice porque vocês não sabem como lidar com ela. Não tentem fazer justiça com as próprias mãos. Não tentem ser os inquisidores cristãos.

O julgamento não se dará de acordo com nossos atos ou obras, mas de acordo com a nossa fé. Se vivemos do perdão que Jesus nos concede na cruz, e vivemos de forma transformada pela Sua graça, então isso será levado em conta no juízo final. É Jesus quem diz:

Pelos seus frutos os conhecereis.

Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?

Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus.

Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons.

Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.

Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. (Mateus 7)

A erva daninha não acaba. Contra o inço não há remédio. A decisão de deixar-se contaminar pela erva daninha é individual e ela determina que tipo de fruto queremos carregar em nossa vida. Aceita a Jesus e deixa ele mesmo limpar sua vida do pecado e passa a viver uma vida nova.

Amém.

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