sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Bom atleta!



1 Coríntios 9.24 Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. 25 Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. 26 Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. 27 Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado.

Bom atleta!

O Brasil fez bonito ao mostrar suas potencialidades esportivas no PAN 2007. Fez bonito também mostrando que têm pessoas capazes de organizar grandes eventos. Com isto quer se preparar para sediar Copas e Olimpíadas nos próximos anos.
Da mesma forma que apenas países sérios e comprometidos são escolhidos para sediar eventos tão importantes, o apóstolo Paulo nos lembra que somente pessoas cristãs batizadas e comprometidas com o Evangelho do Senhor e Salvador Jesus Cristo levam o prêmio.

Se nós olhamos para atletas de vários esportes olímpicos, nos sentimos um tanto quanto... desqualificados (v.27). Esse é, pelo menos, o meu sentimento pessoal. Não tem como competir com essa turma super bem preparada e geneticamente predestinada. São pessoas que competem nos jogos somente depois de se submeter a treinamentos muito rigorosos. Submeter-se a estes treinamentos é condição inflexível e sem exceções. “Todo atleta em tudo se domina” para, infelizmente, apenas “alcançar uma coroa corruptível” (v.25). Claro que não são vitórias efêmeras; são importantes, mas ficam por aqui mesmo.

O que torna a vitória da pessoa cristã mais valiosa?

Paulo, o apóstolo, não dá refresco em suas palavras quando diz que há muitas pessoas que só sabem dar murros no ar; lutam, lutam e não acertam nada, não chegam nunca. São pessoas notadamente esforçadas e dedicadas no que fazem, mas seu problema parece ser a meta (v.26). Não tem META. Ou sua meta é apenas o que se corrompe, o que passa, enferruja (veja Ev. de Mateus 6.19-20). (Na sequência de suas argumentações, o apóstolo entra no tema idolatria e Ceia do Senhor. O bom atleta, aquele que fica em pé e não cai, não se deixará iludir por ensinos errados. Por isso dirige suas palaras a pessoas criteriosas – assim como as que aqui me ouvem. Mas isso é assunto para outra ocasião.)

Qual a meta que você, em sua vida, quer alcançar?

É importante termos objetivos muito claros em nossa vida. Família, estudo, trabalho, política ... são áreas onde devemos saber a que viemos e para onde iremos. Mas especialmente na vida de fé essa meta deve estar clara. Queremos ser mornos, comprometidos, apenas ser atendidos em momentos ocasionais – batismo, confirmação, casamento e sepultamento –, ou queremos distância de qualquer compromisso ... Paulo diz que estas pessoas serão desqualificadas para a corrida da coroa que não se corrompe.

A coroa que não se corrompe é alcançada com garra e objetividade: a vida eterna. O atleta que persegue esta coroa deixa de fazer certas coisas, não porque sejam ruins ou “pecaminosas”, mas simplesmente porque desviam do alvo. Não é uma questão de perguntar o que é ou não pecado, mas sim, o que leva ou não leva ao objetivo final. Por isso é tão importante saber qual a meta que cada um de nós persegue aqui na vida que Deus nos dá uma única vez.

Preparando bons atletas.

Bons atletas exigem bons preparadores. Atletas, obviamente, precisam praticar esporte. Por isso quero lhes propor alguns excercícios para melhorar a condição esportiva de todos nós.

 O esporte mais saudável é levantar na hora certa da mesa da refeição.

 O esporte mais difícil é o de querer pisar na sua própria sombra.

 O alongamento mais eficaz é o de erguer os braços e mãos em oração a Deus (1. Tm 2.8).

 O esporte que traz a maior paz é jogar as preocupações no colo de Deus (1. Pe 5.7).

 O esporte comunitário mais eficiente é o de carregar as cargas uns dos outros (Gl 6.2).

 O pior de todos os esportes é ajoelhar-se diante do vil metal.

 O esporte mais divertido é pular por sobre os muros com Deus (Sl 18.29).

 O esporte que mais feliz deixa é cantar um novo cântico a Deus (Sl 96.1).

 O esporte mais leve é o de combater o bom combate da fé (1 Tm 6.12).

 O esporte seguro é caminhar pelo caminho dos mandamentos divinos (Sl 119.32).

 O esporte mais nobre é o de ajoelhar-se e prostrar-se diante do Pai no céu (Ef 3.14).

 O esporte mais importante é lutar e esforçar-se para entrar pela porta estreita (Lc 13.24).

Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada... (2 Tm 4.7).

Lá chega o bom atleta!

Um abraço a todos e a todas,
P.Rolf

(Se você quiser uma ficha de exercícios com os pontos acima, peça enviando um e-mail para cejpsmt@gmail.com.)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Trabalho e prazer




O pai e o filho estão em pé de guerra. O pai gostaria muito que seu filho fosse um bom trabalhador, dedicado às tarefas nobres. Já o filho gostaria muito mais de aproveitar a vida, de não levar as coisas tão a sério. O pai tenta mais uma vez apresentar as vantagens de ser uma pessoa trabalhadora. Ele fala dos direitos de um trabalhador e principalmente do dinehiro que este ganha cada final de mês. Com isto pode adquirir coisas legais, fazer economias, experimentando com isto um indescritível sentimento de liberdade e de satisfação pessoal. E complementa o pai: “Para mim o trabalho é algo bonito, muito belo...” – e com muita ênfase – “... me diverte imensamente poder trabalhar muito.” “Viu só”, interrompe o filho com ar de desdém, “e eu sou de opinião de que nós não estamos neste mundo só para correr atrás do divertimento!”

Marcos 1.29 E, saindo eles da sinagoga, foram, com Tiago e João, diretamente para a casa de Simão e André. 30 A sogra de Simão achava-se acamada, com febre; e logo lhe falaram a respeito dela. 31 Então, aproximando-se, tomou-a pela mão; e a febre a deixou, passando ela a servi-los. 32 À tarde, ao cair do sol, trouxeram a Jesus todos os enfermos e endemoninhados. 33 Toda a cidade estava reunida à porta. 34 E ele curou muitos doentes de toda sorte de enfermidades; também expeliu muitos demônios, não lhes permitindo que falassem, porque sabiam quem ele era. 35 Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava. 36 Procuravam-no diligentemente Simão e os que com ele estavam. 37 Tendo-o encontrado, lhe disseram: Todos te buscam. 38 Jesus, porém, lhes disse: Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de que eu pregue também ali, pois para isso é que eu vim. 39 Então, foi por toda a Galiléia, pregando nas sinagogas deles e expelindo os demônios.

Trabalho e prazer. O trabalho que liberta, o trabalho que realiza as pessoas, parece estar cada vez mais distante da realidade das pessoas. O trabalho, na maioria dos casos, não passa de uma obrigação à qual as pessoas estão sugeitas para sobreviver, e não para trazer prazer. Pelo texto bíblico que acabamos de ler, vemos que nem Jesus escapa deste rolo compressor chamado trabalho que esmaga e tira as forças de qualquer pessoa.

O evangelista Marcos nos deixa como legado a exposição da pedagogia de Jesus no que se refere na forma de trabalhar. Há uma sequência na forma deste trabalho acontecer: Ensino – Serviço – Restauração – Libertação.
Ensino – Jesus estivera na sinagoga com seus discípulos. Lá o ensino acontecia aos sábados. O ensino é a transmissão de conhecimentos uns aos outros, de forma que mais pessoas possam usufruir das boas coisas da vida. Qual a mãe que não tem prazer em ensinar boas maneiras à sua filha? Qual o padrinho que não tem prazer em ensinar um afilhado a orar? Qual o professor que não sente prazer aos ver seus alunos começando a compreender os difíceis problemas de matemática? O ensino traz prazer e é basal na vida cristã – “Fazei discípulos ... ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado,” ordena Jesus.

Serviço – Mesmo a caminho do descanso do sábado, Jesus não interrompe seu serviço. Vê a necessidade de a sogra de Pedro ser curada – aliás, quem não tem uma dor aqui e outra ali ou uma doença preocupante que precisa de uma intervensão milagrosa? Jesus a cura. Jesus cura tomando a pessoa doente pela mão, dando um novo rumo a sua vida. Tantas vezes não temos a cura porque confiamos mais nas drágeas e comprimidos; quão pequena é nossa fé em Jesus (nestes termos escreveu o Ms. Harry Beims, avô já falecido de Michele Splitter, promissora jogadora de basquete que morreu aos 19 anos na semana que passou). Jesus cura onde toca. Nós nem sempre temos tal graça em nosso toque, mas isto não nos deve recolher a mão do serviço. O serviço segue o ensino. Se já ouvimos muitas pregações em nossa vida, se já sabemos os mandamentos de cor, ou mesmo se pensamos que já sabemos tudo, então é hora do serviço. E cada vez mais as pessoas dependentes da graça ou desejosas da graça vão chegar e mais serviço haverá. Você também quer se dispor para o serviço cristão. É muito bom saber que o reino de Deus pode contar contigo.

Restauração – No entanto, este serviço também cansa. Basta saber que alguém é bom no que faz, e o faz com capricho e dedicação, que logo logo mais trabalho lhe será dado. Onde fica o lilmite? Toda pessoa trabalhadora necessita de um espaço de restauração. Jesus o encontra na oração, no silêncio. Silenciar e orar! É isso que restaura forças para a nova etapa de trabalho. Somos muito gratos a esta paróquia onde fomos chamados a servir, paróquia esta que respeita e nos incentiva a silenciar e descansar para renovar forças. Jesus encontra a fonte da renovação das forças para o trabalho na oração.

Libertação – Quando pessoas recebem o ensino a respeito do Evangelho, quando as pessoas são alvo do serviço cristão, da dedicação amorosa das pessoas dispostas a exercer a diaconia, quando pessoas são nosso assunto de oração e intercessão diante de Deus, então também acontece a libertação. Jesus liberta as pessoas de demônios. Há vários demônios ao redor das pessoas em nossos dias. Há muitos demônios dentro das pessoas. Temos o demônio das religiões que catam dinheiro das pessoas, vendendo a graça que é inegociável. Temos o demônio na política onde muitos mandantes e governantes enganan descaradamente o povo humilde e trabalhador. Temos o demônio da televisão que prega ser normal que os mais poderosos explorem os pequeninos. Temos o demônio da preguiça cristã presente em pessoas que não falam de Jesus a outras, o demônio da falta de um bom testemunho das pessoas batizadas, confirmadas e depois acomodadas, sem levar a missão criswtã adiante. Temos os demônios da briga, da “brabeza”, da violência, da sexualidade desregrada. Há, temos tantos demônios no horizonte das famílias, do mundo econômico... Com novas forças, a partir da oração, Jesus e seus discípulos enfrentam estes demônios, mostrando a graça e a vida nova a partir do perdão e reconciliação da cruz.

O Brasil precisa de transformação ética. Várias pessoas que nos governam, que deveriam ser um bom exemplo, fazem a apologia da preguiça, da corrupção, da vadiagem... Ah, se temos a pedagogia de Jesus a nos alicerçar na boa forma de trabalhar, vamos nos dispor e servir. Sejamos profetas, denunciando... Sejamos missionários, anunciando o Evangelho.

Esta pregação foi compartilhada no dia 8 de fevereiro na Paróquia São Mateus.
P. Rolf Rieck