O pai e o filho estão em pé de guerra. O pai gostaria muito que seu filho fosse um bom trabalhador, dedicado às tarefas nobres. Já o filho gostaria muito mais de aproveitar a vida, de não levar as coisas tão a sério. O pai tenta mais uma vez apresentar as vantagens de ser uma pessoa trabalhadora. Ele fala dos direitos de um trabalhador e principalmente do dinehiro que este ganha cada final de mês. Com isto pode adquirir coisas legais, fazer economias, experimentando com isto um indescritível sentimento de liberdade e de satisfação pessoal. E complementa o pai: “Para mim o trabalho é algo bonito, muito belo...” – e com muita ênfase – “... me diverte imensamente poder trabalhar muito.” “Viu só”, interrompe o filho com ar de desdém, “e eu sou de opinião de que nós não estamos neste mundo só para correr atrás do divertimento!”
Marcos 1.29 E, saindo eles da sinagoga, foram, com Tiago e João, diretamente para a casa de Simão e André. 30 A sogra de Simão achava-se acamada, com febre; e logo lhe falaram a respeito dela. 31 Então, aproximando-se, tomou-a pela mão; e a febre a deixou, passando ela a servi-los. 32 À tarde, ao cair do sol, trouxeram a Jesus todos os enfermos e endemoninhados. 33 Toda a cidade estava reunida à porta. 34 E ele curou muitos doentes de toda sorte de enfermidades; também expeliu muitos demônios, não lhes permitindo que falassem, porque sabiam quem ele era. 35 Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava. 36 Procuravam-no diligentemente Simão e os que com ele estavam. 37 Tendo-o encontrado, lhe disseram: Todos te buscam. 38 Jesus, porém, lhes disse: Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de que eu pregue também ali, pois para isso é que eu vim. 39 Então, foi por toda a Galiléia, pregando nas sinagogas deles e expelindo os demônios.
Trabalho e prazer. O trabalho que liberta, o trabalho que realiza as pessoas, parece estar cada vez mais distante da realidade das pessoas. O trabalho, na maioria dos casos, não passa de uma obrigação à qual as pessoas estão sugeitas para sobreviver, e não para trazer prazer. Pelo texto bíblico que acabamos de ler, vemos que nem Jesus escapa deste rolo compressor chamado trabalho que esmaga e tira as forças de qualquer pessoa.
O evangelista Marcos nos deixa como legado a exposição da pedagogia de Jesus no que se refere na forma de trabalhar. Há uma sequência na forma deste trabalho acontecer: Ensino – Serviço – Restauração – Libertação.
Ensino – Jesus estivera na sinagoga com seus discípulos. Lá o ensino acontecia aos sábados. O ensino é a transmissão de conhecimentos uns aos outros, de forma que mais pessoas possam usufruir das boas coisas da vida. Qual a mãe que não tem prazer em ensinar boas maneiras à sua filha? Qual o padrinho que não tem prazer em ensinar um afilhado a orar? Qual o professor que não sente prazer aos ver seus alunos começando a compreender os difíceis problemas de matemática? O ensino traz prazer e é basal na vida cristã – “Fazei discípulos ... ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado,” ordena Jesus.
Serviço – Mesmo a caminho do descanso do sábado, Jesus não interrompe seu serviço. Vê a necessidade de a sogra de Pedro ser curada – aliás, quem não tem uma dor aqui e outra ali ou uma doença preocupante que precisa de uma intervensão milagrosa? Jesus a cura. Jesus cura tomando a pessoa doente pela mão, dando um novo rumo a sua vida. Tantas vezes não temos a cura porque confiamos mais nas drágeas e comprimidos; quão pequena é nossa fé em Jesus (nestes termos escreveu o Ms. Harry Beims, avô já falecido de Michele Splitter, promissora jogadora de basquete que morreu aos 19 anos na semana que passou). Jesus cura onde toca. Nós nem sempre temos tal graça em nosso toque, mas isto não nos deve recolher a mão do serviço. O serviço segue o ensino. Se já ouvimos muitas pregações em nossa vida, se já sabemos os mandamentos de cor, ou mesmo se pensamos que já sabemos tudo, então é hora do serviço. E cada vez mais as pessoas dependentes da graça ou desejosas da graça vão chegar e mais serviço haverá. Você também quer se dispor para o serviço cristão. É muito bom saber que o reino de Deus pode contar contigo.
Restauração – No entanto, este serviço também cansa. Basta saber que alguém é bom no que faz, e o faz com capricho e dedicação, que logo logo mais trabalho lhe será dado. Onde fica o lilmite? Toda pessoa trabalhadora necessita de um espaço de restauração. Jesus o encontra na oração, no silêncio. Silenciar e orar! É isso que restaura forças para a nova etapa de trabalho. Somos muito gratos a esta paróquia onde fomos chamados a servir, paróquia esta que respeita e nos incentiva a silenciar e descansar para renovar forças. Jesus encontra a fonte da renovação das forças para o trabalho na oração.
Libertação – Quando pessoas recebem o ensino a respeito do Evangelho, quando as pessoas são alvo do serviço cristão, da dedicação amorosa das pessoas dispostas a exercer a diaconia, quando pessoas são nosso assunto de oração e intercessão diante de Deus, então também acontece a libertação. Jesus liberta as pessoas de demônios. Há vários demônios ao redor das pessoas em nossos dias. Há muitos demônios dentro das pessoas. Temos o demônio das religiões que catam dinheiro das pessoas, vendendo a graça que é inegociável. Temos o demônio na política onde muitos mandantes e governantes enganan descaradamente o povo humilde e trabalhador. Temos o demônio da televisão que prega ser normal que os mais poderosos explorem os pequeninos. Temos o demônio da preguiça cristã presente em pessoas que não falam de Jesus a outras, o demônio da falta de um bom testemunho das pessoas batizadas, confirmadas e depois acomodadas, sem levar a missão criswtã adiante. Temos os demônios da briga, da “brabeza”, da violência, da sexualidade desregrada. Há, temos tantos demônios no horizonte das famílias, do mundo econômico... Com novas forças, a partir da oração, Jesus e seus discípulos enfrentam estes demônios, mostrando a graça e a vida nova a partir do perdão e reconciliação da cruz.
O Brasil precisa de transformação ética. Várias pessoas que nos governam, que deveriam ser um bom exemplo, fazem a apologia da preguiça, da corrupção, da vadiagem... Ah, se temos a pedagogia de Jesus a nos alicerçar na boa forma de trabalhar, vamos nos dispor e servir. Sejamos profetas, denunciando... Sejamos missionários, anunciando o Evangelho.
Esta pregação foi compartilhada no dia 8 de fevereiro na Paróquia São Mateus.
P. Rolf Rieck
Nenhum comentário:
Postar um comentário