
O ser humano – objeto, máquina, mercadoria ou Imagem de Deus?
Uma abordagem da questão da pesquisa com células-tronco embrionárias para leigos.
Qual o significado da pessoa humana diante da evolução da ciência e do conhecimento? Quando somos convidados a lançar nossos olhos para a imensidão do cosmo, no sentimos insignificantes. Somos muito menos que uma poeira neste universo. Estou falando do globo terrestre. E nós, seres humanos, somos muitíssimo menos. Como disse alguém que andei lendo, o ser humano é elemento marginal no cosmo. Como a Escritura vê o ser humano e a humanidade?
Salmo 8
Como podemos afirmar que não estamos à margem da criação de Deus diante das descobertas recentes da astronomia?
Somos também convidados a lançar nosso olhar para dentro de nós. Descobrimos que somos mecanismos biológicos, psicológicos e sociológicos. Portanto, somos seres muito complexos também no que se refere à vida aqui, agora. Olhando assim, percebemos que tudo é relativo ao nosso redor. Vivemos a relatividade. A vida e a morte tornaram-se relativas e sem muito valor (ou nenhum valor!). A vida, desta forma, ficou sujeita à exploração, à manipulação e ao desprezo de seres humanos como cada um de nós. Mas a Palavra diz algo diferente:
Salmo 139
Qual é o grau de significância do ser humano diante do Salmo acima? No pensamento neoliberal há de se perguntar qual o papel de Deus diante de uma economia sem coração e com a pobreza correndo solta também no Brasil. Somos objetos de negociação, de competitividade, objetos que precisam produzir cada vez mais para ter valor? Qual o valor comercial e produtivo de uma pessoa? O Salmo nos ajuda a responder isso?
Se tivemos que concordar com as afirmações acima, então teremos compreendido que o ser humano foi transformado em objeto, máquina e mercadoria. O ser humano nem sempre se dá conta disso. Ele tem valor enquanto puder produzir algo para o bem daqueles que tiram proveito desta situação.
Para que haja uma melhoria do ser humano, o próprio ser humano pensa que pode recriar-se, reinventar-se. A imperfeição da criação finalmente poderia ser dominada pela engenharia genética, por exemplo. É a “antropotécnica” a serviço do melhoramento da humanidade. Deus ainda tem alguma ingerência na vida humana?
Atos 17.28-31
A ciência é hostil à humanidade? Qual o valor e objetivo do ser humano? O vigor físico, a competência profissional, o ganho de valores são importantes ou relativos diante da dignidade humana? Como o texto de Atos nos ajuda nesta questão?
| A |
discussão da ética está relacionada aos direitos de cada pessoa. Em nosso tema em particular – bioética – está relacionada aos direitos da vida digna e justa e condicionada ao possuirmos ferramentas adequadas para fazer os julgamentos de valor na medida em que estes se relacionam com a distinção entre o bem e o mal.
Já vimos acima que somos, sim, imagem de Deus. Entendemos que esta imagem está consolidada por Deus na concepção. Acrescentamos agora o conceito de que também somos imagem de Deus pelo batismo, onde Ele nos chama pelo nome e onde coloca sobre nós Sua mão (Isaías 43.1). Dito diferente: o batismo passa a definir nosso conceito de direito e individualismo diante de Deus e das pessoas. Embora estejamos totalmente dentro do plano humano e biológico, estamos também totalmente dentro (ou não!) do plano espiritual, supra humano. Pergunta: a bioética não nos deveria fazer refletir sobre limitações, especialmente aquelas que não nos permitem dar fim ao sofrimento ou mesmo entender o sofrimento?
Gênesis 47.18 – 1º. Coríntios 6.19
Somos sempre limitados/limitadas pelo nosso locus, ou seja, somente podemos sentir o que acontece em nosso corpo. A visão antropológica de Gênesis confunde corpo com terra e terra com corpo. No entanto, esta visão é ampliada no Novo Testamento reenfatizando que esta “terra” é efetivamente habitada pelo ruah – pneuma espírito de Deus. Que valores o espírito de Deus agrega à pessoa? O espírito vale mais que o corpo? O corpo vale mais com o espírito?
A terapia com células-tronco embrionárias está levando a humanidade a uma fronteira altamente promissora e, ao mesmo termpo, problemática. Ela precisa ter muita clareza de que o ser humano não é criador de si mesmo e que somos seres finitos em nosso corpo.
Lucas 12.25
Acrescentar dias à nossa vida é um artifício justo diante da vontade de Deus?
Podemos – devemos! – tirar proveito das novas terapias, podemos festejar a abolição da humanidade das doenças que a atormentam geração após geração. Precisamos, por outro lado, avaliar muito bem o preço disso.
O poder do homem sobre a natureza acaba sendo um poder exercido por alguns homens sobre outros homens, tendo a Natureza como instrumento (...) Todo novo poder conquistado pelo homem é também um poder sobre outro homem. (Lewis, C.S. em Meilaender, Bioética.)
Gênesis 1.26-27 – 2º. Coríntios 4.4
O que significa ser criado à imagem de Deus?
É um privilégio o ser humano ter sido criado segundo a “fotografia” de Deus. Isto não apenas na sua exterioridade, mas principalmente no que se refere ao compartilhar a autoridade do Criador em relação a todas as criaturas. É o ser humano que determina a continuidade da criação divina, interagindo com ela responsavelmente (Gn 2.15). Esta prerrogativa, no entanto, não lhe dá a liberdade da irresponsabilidade como, p.ex., da secularização. O status atribuído ao ser humano de ser imagem de Deus lhe confere também o status de parceria com o Deus Criador.
Discutir a pesquisa genética e a cura de doenças a partir de células embrionárias descartadas, sem levar em conta a parceria com o Criador, é entrar no beco sem saída na manipulação da humanidade.
A parceria de Deus com a humanidade chama-se amor.
1º. Coríntios 13.13
De que forma esta tríade de valores absolutos pode influenciar a ética médica e a ética na biologia?
O amor de Deus é sumamente relacional. O que é relacional, influencia toda a humanidade. Na sociedade entre iguais e diferentes – também na sua constituição física e biológica – a mesma verdade do amor precisa ser vivenciada. No amor não há espaço para o descarte. No amor há espaço para doar-se. No amor há espaço, pasme, para a pessoa pecadora e para a pessoa imperfeita, porque continua imagem e semelhança de Deus (Gn 9.6, Tg 3.9)
Colossenses 1.13-20
Jesus é a perfeita imagem de Deus.
Vale, então, a famosa pergunta:
Em meus passos, o que faria Jesus?
“A liberdade total implica em responsabilidade absoluta”. Estai de sobreaviso, vigiai e orai; porque não sabeis quando será o tempo. (Mc 13.33)
