sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A Paixão pela Missão leva à Cooperação


Neste mês de setembro estamos refletindo sobre MISSÃO. Missão não acontece no isolamento de pessoas, mas na sua cooperação. Esta pregação tem por objetivo despertar também você para uma ação cooperadora e missionária na Igreja de Jesus Cristo. Boa leitura! Rolf Rieck


Bem-vindas são todas as pessoas que estão aqui para prestar este culto ao Senhor!

Oração: Dentre todas as pessoas e dentre todos os povos Tu Senhor Jesus Cristo congregaste aqueles e aquelas que querem ser tua Igreja. Por isso aqui estamos. Envia-nos o teu Espírito para que testemunhemos a Tua mensagem às pessoas que ainda não a vivem. Que sejamos pessoas cooperadoras com Teu reino em palavras e atos que tenham poder para animar para a vida.

Ao Senhor confessamos nossos pecados: “Fizeram para si deuses de ouro. Não são deuses os que são feitos por mãos humanas. Agora, pois, perdoa-lhes o pecado. Tem bom ânimo, filho; estão perdoados os teus pecados.” (Êx 32, At 19, Mt 9).

Alegremo-nos, nossos pecados são perdoados!

A paixão pela missão faz ao povo de Deus servir em cooperação!

Estamos falando de MISSÃO. Nós queremos aprener sobre missão. Queremos fazer missão. Qual a missão que somos convocados a fazer? Como se faz missão? A Bíblia fala de um ministério (2 Co 5.18ss). A premissa para a existência de um ministério da reconciliação é a reconciliação efetuada por Jesus Cristo. Em Cristo temos a remoção da culpa, segundo o apóstolo Paulo. Por isso Lutero pode falar que existe uma troca maravilhosa onde nós recebemos da parte de Cristo sua justiça e seu benefício e colocamos nos ombros de Cristo nosso pecado, nossa miséria. Esta justiça precisa ser anunciada. Por isso existe o ministério da reconciliação onde todos os crentes são designados como embaixadores deste Cristo. “Em nome de Cristo, peço que se reconciliem com aquele que se entregou por nós.”

Como decorrência desse um ministério surgem os ministérios (agora no plural!). Dons espirituais e ministérios não são a mesma coisa, mas de alguma forma se entrelaçam. Ministérios e dons se concretizam e concorrem sempre para o único ministério, o único trabalho que importa ser feito como igreja cooperadora – o ministério da reconciliação.

À luz dessa premissa, Paulo e Pedro falam em sacerdócio geral (1Pe 2.9ss). Os apóstolos têm cada um a sua ênfase. Pedro, por ser judeu e inserido na cultura judaica, usa uma linguagem mais “eclesial”. Paulo usa uma linguagem mais secularizada (veja-se as listas dos dons do E.Santo). Isto, porém, não impede que todos cooperem para o objetivo da reconciliação de pessoas com Jesus.

A atualidade da cooperação

A Igreja de Jesus Cristo é lugar de comunhão. Na constante tentativa de desmistificar a Igreja com sua ortodoxia hierárquica, Lutero até evita o uso do termo “Igreja”, dando preferência ao uso do termo Comunidade. Com isso queria marcar a nova vida eclesiástica com o aspecto da comunhão e da participação de todos os crentes na edificação do Reino.

Já vimos: as Escrituras ensinam que todo crente é um sacerdote. No entanto, na estrutura eclesiástica institucionalizada muitas vezes existe lugar apenas para o clero oficial contratado e remunerado. Isso se confunde com sacerdócio geral? A prática do sacerdócio geral não encontra lugar onde não existe espaço para a vivência comunitária.

A primeira necessidade que precisamos contemplar em nossas Comunidades missionárias, que irá também contemplar o incremento do Sacerdócio Universal dos Crentes é: evangelizar!!! Não há evangelização eficaz sem que se priorize o relacionamento aberto e franco entre os membros e demais pessoas interessadas na comunhão cristã.

Ser Igreja missionária implica em relacionar-se com pessoas, para que estas, no sentido da reforma, sem alcançadas pelo Evangelho de Cristo. Para atingir este objetivo faz-se necessário usar ferramentas com metodologias centradas em relacionamentos. Nem sequer as evangelizações podem acontecer sem que se prepare um leito de relacionamentos. A igreja, portanto, precisa ser alegre, aberta, cooperadora e ágil.

A Igreja ágil

O povo de Deus – as pessoas comprometidas com o Evangelho de Jesus Cristo – se multiplica a partir de critérios claros de relacionamentos e de afetividade equilibrada. (Romanos 15.30-32; Filipenses 4.1. )

A Igreja deve ser um movimento de alegria e cooperação. No entanto, em muitos contextos, foi transformada em um monumento. E em monumentos ninguém toca, ninguém mexe. Por isso precisa ser transfomada em Igreja ágil. Esta Igreja ágil e cooperadora não têm nas lideranças um fim em si mesmo. Seu objetivo-fim é o povo em suas necessidades e buscas. É o povo que quer ouvir e entender o Evangelho de Cristo. A estrutura é necessária, claro, mas ela se torna macro-funcional que deve estar a serviço das pequenas iniciativas e pequenos movimentos do Espírito Santo. Portanto, o centro da atenção não é o serviço à estrutura, mas ao povo, usando a estruturação como facilitadora da cooperação.

Os dons a serviço da cooperação

A Igreja resgata o Sacerdócio Universal dos Crentes à medida que se torna funcional e cooperadora. Seu ponto de partida e de chegada é Cristo. A Igreja – que Lutero preferia chamar de Comunidade – se ampara no ferramental concedido pelo Espírito Santo, que sempre estará a serviço da Igreja como um todo. Este Espírito Santo age de forma livre e soberana sendo sempre o ponto de partida para agape e carisma. O Espírito Santo produz o fruto (agape) e concede os dons (charisma). A fonte é a mesma mas seu raio de ação é diferente. Cada cristão tem todo o fruto do Espírito Santo. Nisto todos são iguais. Mas cada qual tem outro carisma (ou carismas). Nisto são diferentes (1Co 12.29-30).

Igreja é lugar de cooperação.

Isto se traduz em serviço, diaconia.

Igreja é lugar de alegria.

Isto se traduz em celebração e comunhão.

Igreja é lugar de resgate.

Isto se traduz em evangelização e missão.

Vamos caminhando e avançando no propósito de resgatar valores da reforma evangélica para dentro das novas necessidades que vivenciamos. Que todos e todas sejam instrumento de bênção neste mundo que clama por reconciliação.