
Gente querida! Abaixo transcrevo as quatro Palestras Evangelísticas sobre o tema "O Perfume da Rosa". Como a maioria de vocês sabem, proferi-as nos dias 21 a 23 de setembro de 2007, no templo da Paróquia São Mateus. Desejo a todas e a todos uma boa leitura, um bom estudo. Quero lembrar que as mesmas não contém os exemplos da hora. Também quero deixar claro que me coloco à disposição para conversarmos sobre uma ou outra dúvida... Abraços!
P. Renato Luiz Becker
A CRUZ DE CRISTO (Palestra 1)
Gente querida! Estamos começando esta série de palestras evangelísticas sobre o tema “O Perfume da Rosa”. Hoje falaremos sobre a Cruz de Cristo. Amanhã, sábado, nos dedicaremos ao Coração que bate dentro do nosso peito e, depois de amanhã, domingo, refletiremos a respeito da Rosa da Alegria. Alegria que se funda na esperança de “um novo céu e de uma nova terra” (Apocalipse 21.1) onde também conviveremos com a Fidelidade de Deus que é sem fim.
Para início de conversa, observem a cruz preta pendurada no centro do quadro branco. Esta pequena cruz quer ser o símbolo que proclama, de forma muda, a verdadeira união entre a mulher e o homem que voltam a unir-se, a reconciliar-se com Deus. O que estava separado reencontra o seu centro comum bem no ponto de convergência entre a linha vertical e a horizontal. Para as pessoas que se perdem, esta cruz é uma loucura, uma aberração. Já para as pessoas que encontram a salvação, ela é o poder de Deus (1 Corintios 1.18). Por isso, vamos refletir um pouco sobre ela...
SE EU VIER A CAIR
Quem dentre nós já caiu do alto de uma escada ou de uma larangeira? Quando menino, na casa da minha vó Romilda, caí de um abacateiro. Nunca mais me esqueci daquele dia. Me agarrei num galho que quebrou. Ainda me vejo caindo com tudo sobre o arame farpado esticado da parreira de uvas do meu avô. Até hoje ainda guardo algumas cicatrizes de lembranças daquele dia de muito sol no meu no corpo. Não fôssem as mãos queridas do meu falecido avô Reinbold e eu, naquelas circunstâncias, teria sofrido muito mais. Posso assegurar a vocês que já faz 50 anos que nunca mais subi num abacateiro...
Tenho reparado que a vida nos proporciona muitos outros tipos de quedas. Imagino que algumas e alguns de vocês tenham experimentado das mesmas, nos últimos tempos. Estou enganado?... As vezes a gente não consegue juntar as forças para se recolocar em pé, depois de uma queda, depois de um tombo. Em Josué 1.5b está escrito que “Ele será conosco; que Ele não nos deixará e tampouco nos desamparará” se viermos a cair num destes buracos que a vida volta e meia nos oportuniza.
Quantas pessoas passam de largo, fingem que não vêem quando alguém está caído na beira do caminho?... Se uma pessoa cai por culpa própria e ou se foi empurrada, isso nem vem ao caso para a maioria dos que estão próximos. Tenho percebido que tais situações são bem comuns dentro das famílias. De repente, alguém diz uma palavra mais dura, mais crítica e claro, há quem não goste. Qual é o comportamento que quase sempre se tem num caso destes?... A pessoa machucada não dirige mais a palavra e nem mesmo o olhar àquela que a machucou por dentro e vice-versa. Agora, as duas estão sofrendo, caídas, minguando de tristeza por falta de carinho e por falta de atenção.
Este tipo de quedas também acontece na relação de inúmeros casais. Quando um cônjuge decepsiona o outro eles esfriam o seu o relacionamento e, muito cedo caem. Também entre irmãos se dá o mesmo. Há pessoas que, dentros dos seus empregos, se decepsionam com os seus chefes e, por isso, quebram as relações com os mesmos. O silêncio e a solidão as desestabilizam e, de repente, lá estão elas, caídas. Isso tem acontecido contigo também? Estás decepsionado com alguém das tuas relações? Caíste de alguma altura n’algum buraco?... Estás tendo dificuldades de te levantar, de te pôr em pé?...
É incrível como nós somos capazes de atrair dor e sofrimento para nós mesmos. Quantas e quantas vezes temos deixado pais, irmãos, crianças, amigos, conhecidos e colegas simplesmente se estatelarem no chão...
DEUS NÃO ME DEIXA SÓ
Pois Deus faz exatamente o contrário conosco. Ele não nos deixa caídos no chão. As pessoas que se permitem a Sua direção, encontram forças extras para construir bons relacionamentos e, sempre de novo, esperar que as pessoas próximas ajam com justiça. Nós acabamos de ler em Josué que Deus “não nos deixará.” Quer dizer, se eu ou você, por ventura, formos abandonados por todas as pessoas; se eu ou você, por ventura, viermos a nos sentir bem sózinhos, Deus sempre estará do nosso lado. Não é maravilhoso ter ciência, ser sabedor de uma verdade tão boa?
Agora, como é e por que é que essa bênçao pode acontecer conosco? Ora, qualquer pessoa que começar a estudar o cristianismo vai ficar impressionada com o destaque que os seguidores de Jesus Cristo dão à Sua morte na cruz. A morte de todos os outros grandes líderes espirituais é lamentada apenas como o fim de suas carreiras. O que realmente importou deste líderes foi a sua vida, o ensino e a inspiração que o exemplo dessas pessoas trouxe ao mundo.
No caso de Jesus acontece justamente o contrário. O Seu ensino e exemplo foram incomparáveis mas, desde o princípio, os seus seguidores enfatizaram a Sua morte. Observem o que os Seus três maiores apóstolos (Paulo, Pedro e João) disseram sobre esse assunto: Paulo: “pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Coríntios 2.2) Pedro: “Pois também Cristo sofreu pelos pecados uma vez por todas, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus” (1 Pedro 3.18) João: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e nos enviou seu Filho como propiciação (como oferta) pelos nossos pecados” (1 João 4.10)
Quando os evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João escreveram os Evangelhos, eles dedicaram uma quantidade de espaço desproporcional à última semana de vida de Jesus na face da terra. Lucas dedicou um quarto de sua obra ao assunto. No caso de Mateus e de Marcos, ele dedicaram cerca de um terço do seu escrito. Já João, dedicou quase a metade do seu Evangelho a este tema – a morte de Jesus na cruz.
Foi Jesus quem influenciou eles a escreverem assim. Os outros líderes religiosos na história morreram de causas naturais. Idosos, eles completaram suas missões com sucesso. Maomé morreu aos 62 anos; Confúcio, aos 72; Buda, aos 80; e Moisés aos 120. Com Jesus não foi assim. Ele morreu a morte horrível da crucificação na faixa dos 30 anos, repudiado por seu próprio povo. Quem observa assim, meio de longe, tem a impressão que Jesus, o Filho de Deus, foi um fracasso completo. No entanto, Ele afirmou cumprir a Sua missão por meio de Sua morte. Aliás, durante os seus poucos anos de vida aqui na terra, Ele ansiava pelo cumprimento de sua obra – reaproximar-nos do Seu Pai.
Em três ocasiões, distintas e solenes de Sua vida, ele predisse a Sua morte, dizendo que “O Filho do homem deveria sofrer muitas coisas... e... ser morto” (Marcos 8.31; 9.31, 10.32-34). Jesus entendia que a Sua missão só poderia ser completada com a Sua morte e, portanto, Ele a tinha como algo inevitável.
E EU VIVEREI POR FÉ
Gente querida! Jesus veio ao mundo com o objetivo de nos mostrar que o nosso Deus é um Deus de amor. Que Deus é um Deus misericordioso, que se doa para nós sem esperar qualquer coisa em troca. As pessoas que vêm a conhecer Jesus pessoalmente, têm a liberdade de tocá-lo. Foi através da atuação de Jesus aqui na terra que Deus quebrou os muros da desconfiança e do desespero que existiam. Deus simplesmente acabou com com o isolamento que o pecado um dia tinha instalado entre as pessoas a quem Ele sempre quis tanto bem. Em Jesus, Deus possibilita a cada uma, a cada um de nós, a perspectiva de um recomeço. Sim, Deus oferece vida nova, vida abundante, vida repleta de futuro àquelas pessoas que cairam, que estão decepsionadas com autras e outros e consigo mesmas, que estão em busca de um sentido para as suas vidas.
As pessoas que aceitam a oferta de vida que Deus faz, não são presenteadas apenas com novas perspectivas. Elas simplesmente são presenteadas com uma nova valoração para suas vidas pessoais. Sua auto-estima cresce. Pessoas tocadas por Deus não têm mais medo de afundar, solitária e anonimamente, dentro da massa porque Deus as toma pela mão e lhe dá chão firme debaixo dos pés. É sobre esta base que elas podem recomeçar o seu novo futuro; que elas podem reconstruir o seu novo momento. E tudo porque a sua cabeça está liberada para assumir o compromisso dessa decisão que terá validade para dentro da eternidade.
Cristo pagou um preço caríssimo por mim e por ti na cruz. Quer dizer, eu tenho grande valor e este nosso valor permanece intocado porque, repito, Jesus morreu por nós no Gólgota. Resumindo, porquê devo me gloriar na cruz de Cristo? Ora, porque a cruz anula qualquer outro caminho para o céu. (João 14.6); porque a cruz me mostra a gravidade do meu pecado. (Romanos 5.8); porque a cruz é a garantia da minha vida eterna. (Apocalípse 5.9)
E isso vale para cada pessoa que diz “sim” a Jesus; para cada pessoa que leva a morte e a ressurreição de Jesus em conta. Deus nos aceita através do seu Filho que, neste momento, está do nosso lado – e o alvo da nossa existência é a vida eterna do lado Dele. Isso Ele nos prometeu com todas as letras e é nessa promessa que nós podemos confiar. Pode existir melhor perspectiva do que essa para a minha e para a tua vida?
CONCLUSÃO
Conta-se que certa família afastou-se da Igreja, da Comunidade, da Paróquia porque recebeu um tratamento não muito digno dos líderes, do presbitério. No dia da celebração da Santa Ceia, a filha mais nova do casal preparou-se para ir ao Culto e a sua mãe a censurou por isso: - Filha você já esqueceu da desconsideração que sofremos naquela Igreja? Mãe – retrucou a filha – quando contemplo a maravilhosa cruz do meu Salvador, não posso abrigar rancores em meu coração.
Gente, essa moça foi encontrada por Deus que “a amou de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que também ela, que Nele veio a crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3.16) Digo de um outro jeito: O diamante não brilha com fulgor, a não ser que seja burilado, lixado e trabalhado. Quando formos burilados, lixados e trabalhados pela cruz de Jesus, também brilharemos como jóias no Reino de Deus... (Englobar a cruz preta com o coraçao vermelho)... e o nosso coração baterá mais apressadamente por causa do júbilo, da alegria que nele se instalou.
Martin Luther disse certa vez que essa cruz preta, lembra que em Jesus o próprio Deus vem ao nosso encontro, sacrificando a Sua vida e vencendo o poder da morte em nosso favor, para que “todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16); para que "o justo viva pela fé" (Romanos 1.17), no Crucificado (Romanos 10.10) e que, embora seja uma cruz preta, que mortifica e que também deve causar dor, ela deixa o coração em sua cor natural... Nosso coração é vermelho e ele pulsa, e ele ama, e ele espera, e ele quer ser habitado por Deus...
Amanhã, às 20.00h, iremos dar um passo adiante nesta nossa temática. Amanhã, sábado, o nosso tema girará em torno do coração, deste órgão que trabalha dentro de nós sem parar mas que também é depósito dos nossos sentimentos bem pessoais. Que Deus nos abençoe neste tempo de espera... Amém!
O NOSSO CORAÇÃO (Palestra 2)
Ontem, sexta-feira dedicamo-nos a refletir sobre a cruz preta. Vimos que Jesus carregou nossos pecados na cruz; que Ele nos levanta quando caimos; que Ele nos aponta um caminho de paz, amor, justiça e perdão que, uma vez assumido, refletirá nas nossas gerações futuras. Hoje, sábado, o nosso assunto girará em torno do coração vermelho que simboliza a nossa fé e o nosso amor. Em Ezequiel 36.26 se lê: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne.” Já em 1 Coríntios 6.19 se pode ler: “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?”
Esse corpo que acabamos de trazer a pé e ou de carro aqui para esta Palestra Evangelística é considerado por Deus como “templo do Espírito Santo”. Pois é dentro deste templo que somos chamadas e chamados a desenvolvermos a sabedoria cristã. Esta sabedoria, este jeito de pensar como Deus pensa, terá espaço em nós se abrirmos as janelas do nosso templo para que o Espírito de Deus sopre do seu vento, repleto de frescor, na nossa alma. Você já entrou num aposento com o ar viciado?... Se Deus tiver a chance de soprar do Seu Espírito no templo que carregamos com nossas pernas, Ele expulsará o ar viciado que existe na nossa vida. Renovando o ar dentro do nosso templo, Ele nos impulsionará para a prática de obras que têm a ver com Ele. Muitas cristãs e muitos cristãos têm convertido este templo numa casa de consumo, apenas. Deixam-se envolver por propostas estranhas que vão sendo oferecidas de forma barata nos mercado de qualquer esquina e isto, sem qualquer criticidade.
Para os coríntios do Novo Testamento essa barateção do Evangelho dizia respeito à liberalidade sexual. Qual é o problema concreto da minha, da tua, da nossa vida? O que é que tem rolado dentro do nosso templo?... Que tipo de pensamentos têm tido espaço dentro dele?... Mentiras, insinuações, impurezas, invejas, inimizades, ciúmes, discórdias, facções, vantagens... é isso que te move na vida? Ah gente! Se estas coisas têm espaço nos armários do nosso templo, então somos pessoas infelicíssimas – preciso dizer.
O templo que carregamos no nosso corpo deve ser a casa onde o Espírito Santo de Deus tem a palavra e onde a pessoa de Jesus Cristo se sente bem. Esse sempre foi o desejo de nosso Senhor conforme podemos ler em Marcos 11.15-17: “E foram para Jerusalém. Entrando ele no templo, passou a expulsar os que ali vendiam e compravam; derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Não permitia que alguém conduzisse qualquer utensílio pelo templo; também os ensinava e dizia: Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações? Vós, porém, a tendes transformado em covil de salteadores.” Transformaste o templo de Deus construido em ti numa casa de salteadores?
Deus sonha o nosso corpo como sendo a Sua casa. O nosso corpo foi concebido para abrigar um Culto constante a Deus. E aqui vou ousar fazer uma pergunta: Como estamos servindo ao nosso Deus nos dias de hoje?... Estamos usando as dependências do templo de Deus como um armazém de consumo de alimentos? Como um depósito de prédicas? Gente! Deus gostaria de renovar, de reformar o nosso corpo para que o mesmo voltasse a servir como o Seu templo de Culto. Através do sangue de Jesus na cruz, este nosso templo pode experimentar uma grande reforma, e isto ainda neste final de semana.
Como é que o meu vizinho está me percebendo?... Como é que o meu parceiro está me vendo?... O que é que se ouve, o que é que se fala do meu templo; das coisas que acontecem dentro do meu templo, logo ali fora na Santos Dumont?... Ouvem-se hinos de louvor ou somente tons desafinados de vida mal vivida?... O que é que brilha para além dos limites do meu templo?... Muito nervosismo e mau humor ou os frutos do Espírito do amor, da alegria, da paz e da paciência... (Gálatas 5.22) porque o Espírito de Deus já obteve nova morada em mim?
INÚMERAS PROPOSTAS
Todas as pessoas cristãs têm um caminho a porcorrer durante o tempo da sua vida. Na Bíblia Jesus nos deixou claro que nem todas as pessoas fariam a opção pelo bom caminho, como bem escreveu o evangelista Mateus (Mateus 7.14). A empreitada de se enfrentar os caminhos do mundo não é nada fácil. Quem quiser se portar como uma pessoa cristã, como um indivíduo comprometido com Cristo neste mundo, experimentará a ameaça de muitos perigos.
Aqui e ali a mentira está sendo vendida como verdade. Lá e cá os pecados estão sendo oferecidos com extrema simpatia no mercado. Pois foi justamente para nos ajudar a vencer estas dificuldades que Jesus fundou a Sua Comunidade, a Sua Igreja. Nela podemos ser informados sobre qual o caminho mais correto a ser percorrido rumo ao Reino de Deus. A Palavra de Deus é uma espécie de compasso e o espírito de Deus é como se fôsse uma bússola. Com estes dois instrumentos na nossa mão, não há como nos perdermos nesta expedição que é extremamente segura, porque organizada pelo nosso Senhor.
O convite para participação nesta “viagem” foi, é e continuará sendo encaminhado a todas as pessoas, indistintamente. É interessante notar que muita gente entende que não necessita da Comunidade de Jesus para sobreviver. E quando a gente conversa com estas pessoas elas dão um jeitinho de nos dizer que até acreditam em Deus e que, para elas, isso já é mais do que suficiente. Eu até as entendo. Elas estão marcadas pelo “espírito” do nosso tempo que lhes dá costas quentes para só pensarem em si e serem individualistas.
São inúmeras as pessoas que, um dia, iniciaram sua caminhada cristã dentro da Comunidade mas que, por uma razão ou outra, estacionaram em algum lugar da história. Alguma coisa às fez desistir do seu caminho, talvez tenha sido algo interessante que tenha acontecido na margem da estrada. O que é que estas pessoas vão fazer se, de repente, perceberem que estão sós na jornada?
São sábias as pessoas que permanecem firmes, plantadas na Comunidade que Deus lhes presenteou com Sua Palavra e com Sua Verdade. Se quisermos nos aventurar por conta própria pelos caminhos do mundo, cedo ou tarde vamos perceber que não temos capacidade para vencermos os caminhos difíceis que a vida nos propõe. Uma coisa podemos fazer, sim senhor: agradecermos pelo fato de Deus tudo ter feito no sentido de que não viéssemos a nos perder, a andar em círculos.
AUTO-AVALIAÇÃO
No verso 23 do Salmo 139 está escrito: “Sonda-me ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos.”
As vezes me pego pensando: Será que temos a capacidade de realmente nos levar a sério como convém? Será que temos a capacidade de perceber verdadeiramente tudo o que acontece lá no fundo da nossa alma? As pessoas que estudam aquilo que vai dentro do nosso coração insistem em dizer que sabemos pouco ou quase nada das coisas que são verdade lá bem no fundo do nosso cérebro. Muitas pessoas até querem ignorar o que se passa lá, visto que têm pouco ou quase nenhum controle destas sensações.
Lá bem num cantinho do nosso ser podem estar escondidos medos, agressões que sofremos de alguém no passado, aprendizados negativos que vivenciamos, sentimentos de culpa e de inferioridade e até de baixa auto-estima que somente vêm a tona em determinados momentos da nossa vida. Ninguém está livre destas sensações que nos vêm, quando menos esperamos. As vezes temos boas razões para realizarmos este ou aquele ato. Mas o que é que nos move a agirmos assim?
Quase sempre temos um objetivo comum que é nos apresentarmos bem diante de Deus e das pessoas. Para escondermos as sombras da nossa vida, nos esmeramos em desenvolver alguns mecanismos que escondem as mesmas e assim, trabalhamos consciente e ou até inconscientemente no nosso corpo, no nosso perfil para que as outras pessoas tenham uma boa figura de nós em suas mentes. E quanto mais tempo gastamos com este aparato de mecanismos em nós, tanto mais nós mesmos acreditamos que somos isso que estamos teatralizando. Dessa forma, acabamos ficando cegos para as coisas que acontecem dentro de nós mesmos.
As pessoas que nos estão próximas conseguem ver bem melhor aquilo que se passa dentro do nosso íntimo, as coisas que procuramos esconder atrás da nossa fachada cristã. Deus vê tudo de forma detalhada. Ele vê muito melhor do que as pessoas que são nossas irmãs. Dele nós não podemos esconder absolutamente nada. Aliás, nem precisamos fazê-lo porque Ele nos ama tal como somos. Nada vai fazê-lo mudar de idéia, de pensamento a nosso respeito. Aconteça o que acontecer, Ele não vai nos amar mais ou menos. Quem se esconde atrás de fachadas cristãs, prejudica-se a si mesmo. Quem vive uma vida de faz de conta que é cristão, tem dificuldade de aceitar o amor de Deus.
Nossa própria força não é suficiente para libertar-nos desta situação incômoda. É por isso que deveríamos fazer alguma coisa, quem sabe levarmos em conta a sugestão do salmista: Pedir a Deus que Ele nos abra os olhos para que possamos avaliar o que realmente ocorre dentro do nosso coração. Deus nos conhece melhor que nós a nós mesmos. Ele conhece todas as nossas fraquezas interiores, todas as nossas feridas, todos os nossos conflitos, todos os nossos sofrimentos e todas as nossas saudades.
Numa conversa franca com Ele, nós poderemos aprender a sermos pessoas equilibradas, abertas, sinceras, verdadeiras e leais. Sim, Deus quer nos transformar em pessoas, em gente desse quilate, em mulheres e homens que sempre são extremamente necessários na família, na sociedade, na Igreja e no Reino de Deus.
CONCLUSÃO
Pela fé, as cristãs e os cristãos aceitam a Cristo, o Crucificado, como seu Salvador. Pela fé a cristandade recebe Dele a purificação dos seus pecados e passa a amá-Lo e a servi-Lo em sua vida. A cor vermelha deste coração que aí pulsando está é a cor do fogo. Pois é assim que deve ser a chama da nossa fé: acesa em nossos corações com o Evangelho da Cruz, pelo poder do Espírito Santo. A cruz preta, rodeada por um coração vermelho, significa que toda a minha vida fica envolvida pela fé. Significa que Cristo agiu na minha vida através da Cruz e claro, que Ele continua agindo. Crendo em Cristo, a minha vida recebe um novo sentido. E esse novo jeito de viver eu coloco a serviço do Filho de Deus, em favor das pessoas pobres, aflitas e necessitadas. Assim, como Cristo nos amou, também as suas filhas e os seus filhos deverão se amar uns aos outros. Assim como Cristo serviu aos seus, as suas filhas e os seus filhos deverão servir uns aos outros, cada qual “conforme o dom que recebeu” (Gálatas 6.2).
Termino esta segunda palestra citando Agostinho: - “O coração de uma mulher e de um homem bondoso é o santuário de Deus neste mundo. É com o coração que se pede... é com o coraçao que se procura... é com o coração que se bate e é ao coração que a porta se abre.”
E agora, coloco estas pétalas brancas em torno deste nosso coração que pulsa por momento novo. Amanhã pela manhã daremos seqüência ao nosso tema intitulado “O Perfume da Rosa”. Procurem não faltar. É importante a sua presença... Amém!
A ROSA DA ALEGRIA (Palestra 3)
As cinco pétalas que englobam o coração vermelho representam a pureza; demonstram que a nossa fé produz alegria, consolo e paz. As bênçãos e a beleza do Reino de Deus do qual Lutero tanto falou e cantou, são representadas por esta rosa branca na qual descansa o coração da pessoa cristã. A cor branca, é a soma de todas as cores e isto quer dizer que Jesus é tudo em todas e todos; quer dizer que quando Cristo tem lugar em nossa vida, ocorre uma transformação, uma mudança que traz a verdadeira paz e a verdadeira alegria.
Os botânicos e floricultores afirmam que certas variedades de rosas se tornam de 30% a 40% mais aromáticas à noite que de dia. Esse fenômeno também pode ocorrer nas nossas vidas. Por causa de noites de amargura, de sofrimento e de desilusão elas tem a oportunidade de exalar o seu mais suave perfume espiritual. Foi Paulo que nos pediu para sermos “bom perfume” de Cristo (2 Coríntios 2.15)!
ALEGRIA NO CORAÇÃO
Gente querida! Um dos versículos mais conhecidos do Novo Testamento foi escrito pelo apóstolo Paulo em Filipenses 4.4. Eu leio o mesmo: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos.” Eis aqui uma ordem para nos alegrarmos. Trata-se de um chamado à alegria. Será que isso é possível, alegrar-se a partir de um mandado? No nosso dia-a-dia temos que lidar com tantas ordens: - Faça o teu serviço corretamente! Não baixe a cabeça por causa destas ou daquelas preocupações! Não seja preguiçoso! Não volte atrás! Aguenta o tranco! E agora, aqui neste domingo de manhã: “alegrem-se”.
Eu proponho que, aqui e agora, avaliemos um dia normal da nossa vida: Logo pela manhã, ao acordarmos, a maioria de nós consegue movimentar os pés e as mãos; consegue ver e ouvir; consegue falar e sentir. Gente querida, isto não é natural mas sim um presente que Deus nos alcança diariamente.
Ao meio-dia sentamo-nos à mesa para o almoço e, as vezes, até há uma colherinha profeta apontando para uma gostosa sobremesa para para daqui há pouco. Gente, não é natural que a comida e a bebida sempre esteja disponível sobre a nossa mesa. Há lugares bem pertinho de nós onde pessoas, neste momento, estão morrendo de fome.
Quando é de noite, muitas e muitos de nós chegamos em casa depois de um dia inteiro de trabalho. E isso, numa conjuntura onde há milhares de pessoas desempregadas. Sim, temos inúmeros motivos para agradecer a Deus que se ocupa conosco diariamente. Deus nos emite sinais de Sua amizade e isso, constantemente. Não existe manhã em que o nosso Deus não nos promova a perspectiva de um amor renovado.
E nós temos a possibilidade de nos adonarmos desse amor que se renova a cada dia da parte de Deus para conosco. Por causa das pequenas bênçãos que a cada manhã são derramadas sobre as nossas cabeças, podemos ser alegres e agradecidos. Mas não apenas isso! Em Filipenses 4.5 Paulo nos sugere que "a nossa moderação seja conhecida de todas as mulheres e de todos os homens." Com essa palavra ele nos sugere que repartamos com as outras pessoas que nos são próximas dos presentes que Deus nos tem alcançado. Agindo assim, estaremos re-promovendo alegria e, por tabela, experimentando mais da mesma.
UMA BOA RECEITA
Naqueles tempos, quando o apóstolo Paulo escreveu a sua Carta à Comunidade dos Filipenses ele estava encarcerado, por causa da fé que professava. Vocês hão de concordar comigo que estar atrás das grades certamente não seja um bom lugar para se viver e experimentar alegria. Além de estar preso, Paulo ainda precisava se desgastar com a resistência a alguns críticos instalados dentro das próprias fileiras cristãs. Isso lhe custava inúmeras forças internas. Quantas e quantas vezes ele pensou que a morte lhe seria mais útil do que aquela vida de desgastes. Nessas horas ele reagia e não sucumbia nos maus pensamentos. Lutava consigo mesmo e se decidia pela vida, pela alegria (Filipenses 1.12-26). Essa sua postura positiva em relação à vida transparece no mandado de alegria que ele dá ao povo de Filipos: alegrem-se!
Ontem como hoje seguir a Cristo não traz uma vida sem problemas. Em contextos mais difíceis e complicados, o ato de se seguir a pessoa de Jesus chega a ser até bem pesado. Mas então, onde é que está o segredo de Paulo para achar tanta alegria no meio de tamanhas dificuldades? Como é que ele conseguia dar tanto de si neste projeto de paz, amor, justiça e perdão que encabeçara no mundo antigo?
O segredo está na experiência que fez com Deus. Sua relação com Ele oportunizou-lhe o amadurecimento interior a ponto de, passo a passo, ir se convertendo num “cerne” do cristianismo. Paulo podia dizer “sim” em cada situação e isto porque vivia da força que Deus lhe presenteava, lhe alcançava. O segredo da alegria experimentada por Paulo se resumia no fato de ele viver da esperança. Ele não se deixava derrubar pelas experiências negativas experimentadas no passado. Paulo olhava para a frente. Na Carta aos Filipenses (3.14) ele nos testemunha: - "Eu prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." Essa era a base onde ele, Paulo, fundava a sua alegria, a sua pré-alegria pelas coisas que ainda haveriam de vir, que ele ainda haveria de experimentar.
Eis aí uma boa receita para levarmos em conta na nossa vida de fé. Não gastemos do nosso precioso tempo olhando para trás. O que passou passou. Se nós pudermos nos esquecer das coisas que para trás ficaram, então também poderemos deixar para trás as coisas que nossos inimigos nos aprontaram. Ora, isso é motivo para muita alegria. Isso mesmo! O tempo de olharmos para a frente, de nos alegrarmos com Aquele que vem, Jesus Cristo, está aí. Se os nossos vizinhos, os nossos colegas de trabalho, os nossos familiares perceberem qualquer coisa da grande alegria que pulsa em nós, melhor ainda.
FRUTO DO ESPÍRITO
A alegria é fruto do Espírito Santo. Ela tanto pode estar em Deus como no próximo. Há pessoas que exalam alegria, apesar da violência e das contrariedades que a vida lhes propõe. O que é a alegria? É aquela conversa animada entre o noivo e a noiva. É aquela feliz e amável recordação que os cristãos têm de Cristo. É a boa admoestação, os hinos de gratidão e os salmos de louvor com os quais a cristandade se exorta e se exercita.
A Bíblia deixa claro: Deus não tem prazer num espírito contristado. Seu desejo é que nos alegremos Nele. Ao enviar Seu Filho ao mundo, não o fez para entristecer-nos e sim, alegrar-nos. Por isso é que os profetas, os apóstolos e o próprio Cristo ordenam: sejam felizes e alegrem-se por meio da fé em Cristo. Onde houver desta alegria espiritual mencionada por Paulo, está presente a certeza de que Jesus é Salvador; a certeza de que Ele intercede por nós diante de Deus.
CONCLUSÃO
O mundo está contente e se sente bem quando tem bens, dinheiro, glória e poder. Corações atribulados, entretanto, não desejam outra coisa senão paz e consolo, certeza de que Deus lhes é gracioso. E essa alegria, que traz descanso e paz ao coração miserável, é tão grande que ofusca a alegria do mundo. Por isso, prestem atenção, vocês que estão tristes e sentem-se miseráveis, pois eu lhes trago uma boa notícia: - Jesus não se fez homem para lançar ninguém ao inferno. Ao contrário, Ele veio para que todas as pessoas tivéssem, Nele, muita alegria. Ele é a nossa Grande Alegria.
Estas cinco pétalas brancas estão assinalando que a fé atuante gera alegria, consolo e paz com Deus, conosco mesmos e uns para com os outros. Quando a cruz de Cristo tem lugar em nossa vida, ocorre uma transformação. O reino de Deus se faz presente com todas as suas promessas. A rosa branca nos testemunha que a fé promove esta alegria, este conforto e esta paz. Em outras palavras, a fé coloca a pessoa cristã numa rosa branca, numa flor de alegria, pois esta fé não dá a paz e nem a alegria como o mundo a dá (João 14.27).
E eu termino com esta pequena estorinha: Um garotinho indiano estava sentado com o seu pai, perto de uma fogueira. Pai – perguntou o menino – o que é que o fogo come? - Ele come a floresta meu filho, mas o seu principal papel é devorar a escuridao da noite! Pois é justamente isso que o fogo do Espírito Santo quer consumir em nós – o lado escuro das nossas vidas. Que Deus nos abençoe.
Hoje à noite, encerraremos o nosso ciclo de palestras sobre o tema “O Perfume da Rosa”. Por isso, neste momento, eu já quero completar o nosso quadro, colocando o “céu” em torno das pétalas brancas, do coração vermelho e da cruz preta. À noite a gente se vê mais uma vez… Amém!
FIDELIDADE SEM FIM (Palestra 4)
Hoje pela manhã coloquei o fundo azul em torno das pétalas brancas. Este fundo azul lembra o céu onde o nosso Deus e o nosso Senhor Jesus Cristo moram. Quando menino, imaginava as nuvens do céu como sendo a fumaça que saia do fogão de Deus... Ele também nos aponta para a fidelidade de Deus que está conosco. Em Cristo Deus veio nos salvar, veio nos unir em torno desta Comunidade, desta Paróquia. Hoje podemos viver com Deus. Aqui e agora podemos ser “bom perfume”, pequenos sinais do Reino de Deus dentro da sociedade que nos cerca. Esta cor azul nos sugere a esperança na eternidade. Ela simboliza que a alegria experimentada aqui, por causa da nossa fé, já é o começo da futura alegria que experimentaremos na casa do nosso Pai.
Agora vou colocar o anel dourado e assim a rosa ficará completa. Este anel lembra o ouro, este metal tão precioso que representa os presentes que recebemos de Deus através da cruz e da ressurreição de Jesus Cristo. Pela fé temos o perdão, a comunhão, a esperança, o pão de cada dia e um sentido para a nossa vida. Este anel também aponta para aquilo que, na eternidade, nos será dado: alegria sem fim e satisfação de todas as nossas necessidades e anseios. Lá no “novo céu e na nova terra” nós teremos a oportunidade de ver Aquele no qual temos crido, face a face. Neste dia penso tomar um gostoso chimarrão com Deus.
PEQUENO GRANDE ZAQUEU
Durante a semana, enquanto escrevia esta palestra, eu me re-perguntava: - Porque é que Jesus veio mesmo a este mundo? O evangelista Lucas nos deixou uma boa resposta em Lucas 19.10 onde se lê: „Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.” Dizendo de um jeito diferente: Jesus veio a este mundo para converter pecadores em pessoas bem-aventuradas, em pessoas eternamente felizes.
Em Lucas 19.2-10 se lê sobre Zaqueu, um homem perdido na poeira. Certo dia Jesus dirigiu-se justamente a ele, o chefe dos cobradores de impostos de Jericó, o maior malandro, o maior corrupto, o maior pecador da cidade. Zaqueu só queria enriquecer. Sabia muito bem como se mexia “os pauzinhos” para faturar muita “grana” em qualquer negócio que fazia. O povo desprezava-o, detestava-o por causa deste seu jeito de ser. Chamavam-no de arrogante. Zaqueu não tinha amigos, mas mesmo assim gozava de muito poder na sociedade. Podia fazer o que bem entendesse pois os romanos o protegiam. Para ele o dinheiro estava acima de tudo e de todos.
De repente ele ouve qualquer coisa a respeito de Jesus. E estas coisas que ele ouviu o fizeram refletir sobre a sua vida. Esse tal de Pregador de Nazaré teria dito: ; “Bem aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus! (Mateus 5.8) Ora, ele não tinha um coração limpo. Ele não tinha paz com Deus. Ele era um homem muitíssimo bem de vida mas no fundo, bem no fundo do seu coração, experimentava uma grande infelicidade - essa era a verdade.
Quando Jesus chegou à cidade, dirigiu-lhe a palavra e depois disso acompanhou-o até sua casa. Lá Zaqueu conheceu uma Pessoa que não estava longe, separada de Deus por causa de pecados. Lá ele teve a oportunidade de dialogar com um Indivíduo de olhar transparente e de consciência tranqüila como ele nunca tinha percebido em ninguém. Sim, era isso que ele também sonhava para si. Ele queria livrar-se desta auto-condenação que o acompanhava a cada passo, como se fosse uma sombra. Ele queria jogar para longe a sua consciência pesada que tanto lhe dificultava a vida. Ele também tinha um profundo desejo de colocar-se em comunhão com o Pai do Céu, experimentar uma vida abundante.
Zaqueu sabia que o seu amor ao dinheiro poderia impedi-lo de ter boa relação com Deus. Agora ele está ali, diante de Jesus, e precisa tomar uma decisão. Ele a toma quando diz: - "Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais." (Lucas 19.8)
Jesus, que até então nem tinha tocado neste assunto de dinheiros, alegrou-se com a sua decisão de vida e disse: - "Hoje, houve salvação nesta casa!" (Lucas 19.9a) Observem, tal como Zaqueu, hoje qualquer pessoa pode experimentar a salvação. Ninguém de nós pode se auto-perdoar pecados. Temos culpa diante de Deus e esta simplesmente nos carimba como pessoas perdidas para sempre. Claro que na nossa sociedade de hoje, ninguém mais será menosprezado por amor ao dinheiro. Talvez tu e eu sejamos apenas mexeriqueiros, invejosos e ou orgulhosos e isso já é suficiente para que haja um afastamento nosso de Deus. Se esta é a nossa realidade, tal como Zaqueu, precisamos encontrar-nos com Jesus; carecemos de um encontro pessoal com Ele. Só Nele encontraremos forças para mudarmos definitivamente de vida.
UM NOVO CÉU E UMA NOVA TERRA
Em Apocalipse 21.1 se lê sobre a visão que João teve: - “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram...” Eu até que já viajei bastante. Posso testemunhar para vocês que a nossa terra é bonita! Nela sempre ainda podemos observar as provas da sabedoria do nosso Criador. Aqui e ali estão as flores, as árvores, os arbustos e os animais. Como será que a terra era nos tempos quando ela recém tinha sido criada pelos dedos de Deus?
No último livro da Bíblia se lê que Deus vai criar uma nova terra e que, consequentemente, a velha terra vai deixar de existir. Porque é que Deus vai fazer isso? A nossa terra é linda mas ela está arruindada porque as pessoas pecaram, porque as pessoas se separaram de Deus. No plano original de Deus para as Suas filhas e os Seus filhos ela seria uma terra sem pecados, sem qualquer afastamento Dele. É por isso que Ele quer criar uma nova terra. Ele continua sonhando com o fato de que a Sua Criação possa voltar a ter comunhão integral com Ele.
Esta nova terra que Deus vai criar será muito bonita. Não dá para se descrever sua beleza. As explicações de Apocalipse 21 e 22 não são suficientes para bem explicar esse momento novo que a cristandade experimentará. Mas estas explicações do livro de Apocalipse querem plantar a esperança, querem despertar o desejo em nós de estarmos lá para vermos “in loco”como será esta nova terra.
Deus sonha em nos construir um lindo lar. Quem nele morar, vai ter sua vida marcada pela paz e pela liberdade sem qualquer sofrimento e, conseqüentemente, experimentará felicidade ímpar. Quem é que não quer algo assim para si e para os seus? Lá nesta nova terra nós vizinharemos com Deus e com Jesus Cristo, o nosso Senhor e Salvador. Há alguém aqui que vai refugar uma proposta destas?
Uma tal oferta de Deus vale para todas e todos nós, sem distinção. A decisão de ir morar lá nesta nova terra é individual. Cada pessoa precisa fazer a sua opção particular, tal como Zaqueu a fez. Hoje é o dia de se aceitar o Senhor Jesus como Senhor e Salvador da nossa vida. Hoje é o dia de entregarmos a nossa história a Ele. Hoje Ele quer nos transformar, transplantar em nós um coração de carne lá onde existe um de pedra.
Vamos permití-lo?... Vamos nos decidir por uma vida com Jesus ocupando o centro da mesma? Se nossa resposta for “sim”, vamos vê-Lo como Ele verdadeiramente é (1 Joao 3.2). Essa é a nossa esperança, o nosso futuro certo, a nossa certeza, o oxigênio da nossa vida!
CONCLUSÃO
Estou concluindo estas palestras sob o tema: “O Perfume da Rosa” com mais uma pequena história. Conta-se que durante a Primeira Guerra Mundial, dois amigos lutavam juntos, incorporados num mesmo pelotão. Num dado momento, um deles caiu ferido na batalha. Os demais soldados da sua patrulha seguiram adiante, abandonando-o nos campos nevados e frios da Europa. Horas mais tarde, o seu companheiro ficou sabendo do ocorrido. Quando veio a noite, este arrastou-se cautelosamente por entre as trevas, arriscando sua vida, com o objetivo de resgatar o amigo machucado. Quando se aproximou da trincheira onde o colega se encontrava ouviu-o dizer emocionado, confiante e agradecido: - “Sabia que virias!...
Jesus, na pessoa de Jesus Cristo, veio até aqui nos visitar. Ele veio até nós. Ele está do nosso lado na hora da necessidade, da amargura, do sofrimento e da decepção. Deus tem duas moradas. Uma delas é nos céus e a outra é nos corações das pessoas que o buscam... Amém!