segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Advento - diante de ti está aberta a porta missionária


O texto bíblico referencial para esta pregação é o de Apocalipse 3.7-13. Acompanhe a leitura desta mensagem, reflita e tome iniciativas missionárias em sua vida neste tempo de ADVENTO. P. Rolf Rieck



7 Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá: 8 Conheço as tuas obras—eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar—que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. 9 Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei. 10 Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra. 11 Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. 12 Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome.

13 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

O nome clássico Filadélfia significa em grego amor de irmão ou amor fraternal

A Igreja de Filadélfia é saudada por aquele que é santo e verdadeiro, que tem a chave de Davi (vers.7). O Senhor Jesus Cristo é o manancial da fidelidade e santidade, em oposição à falsidade da Igreja.

Com a chave poderosa quer abrir uma grande porta de serviço para dentro deste mundo, onde o reino de Deus se imporá (Isaías 22.22). Este tem o senhorio absoluto (Ev. de Mateus 28.28).

Diante de ti está aberta uma grande porta missionária

O Senhor da Igreja colocara perante aqueles cristãos uma porta aberta, ou seja, uma grande oportunidade de trabalho missionário (1Coríntios 16.9; 2Coríntios 2.12; Colossenses 4.3). E estes, apesar da sua pouca força (vers.8) em termos de influência, de dinheiro ou mesmo de dimensões, foram vencendo os obstáculos. Como conseguiram? Guardando a palavra do Senhor, observando seus mandamentos (Salmo 119.35) e tendo uma vida em santidade. Mais! Não negaram o senhorio de Cristo, prestando culto ao imperador. As pessoas que não fizeram uso da porta aberta, no entanto, não recebem igual tratamento. São consideradas sinagoga de Satanás (vers.9). Não, não mereciam o título de Igreja. Estas pessoas eram muito mais um partido de interesses que se apresentava com a capa do falso Israel espiritual. Mentem intitulando-se judeus, orgulhando-se de uma ascendência de Abraão, mas nada disto está escrito em seus próprios corações. Estes serão forçados a mudar, tendo que reconhecer que há um só Senhor (Filipenses 2.9ss).

Enquanto os falsos aparentemente, pelo menos por enquanto, não terão problemas em continuar sua “vidinha”, os fiéis ao Senhor serão amparados pela Sua fidelidade. O tempo de dificuldades está para sobrevir a todo mundo (vers.10). O povo de Deus naturalmente faz parte deste todo mundo, mas estes serão guardados e preservados das agruras, quem sabe do tempo mais crucial, nos últimos anos, já com o arrebatamento (1 Tessalonicenses 4.13ss). E para que ninguém desista, diz: Venho em breve! (vers.11). A Igreja espera pelo segundo advento de Cristo já para aqueles dias, como um elemento purificador de todas as falsidades.Por isso também o incansável apelo: mantém o que é bom e que ninguém tome a sua coroa. A coroa da salvação que já foi conquistada na cruz por Cristo Jesus, não pode ser tomada de ninguém. E isto, novamente, não é uma escalada por riquezas ou posse de bens materiais eternos. É a coroa da participação nos planos e na vontade de Deus.

Tem mais! Estas pessoas fiéis serão transformadas em colunas no santuário de Deus (vers.12). Um terremoto pode destruir todas as construções, mas na fidelidade a Deus está a estabilidade eterna. E estas colunas, uma vez colocadas, jamais serão retiradas, servindo de referencial do que é perene (1Pedro 2.5): o nome de meu Deus, o nome da cidade de Deus, a nova Jerusalém.

Missão - o tempo que antecede o Natal, o ADVENTO, concede uma especial oportunidade para que a Igreja aperfeiçoe seus "mecanizmos" missionário. Tudo para que o mundo que ainda está em trevas reconheça a luz JESUS.

Mas, o que é missão? Missão cristã é fazer no nosso mundo o que Jesus fez no dele. Isso tem três dimensões (Miquéias 6.8; Mateus 23.23): justiça, misericórdia e evangelismo.

Justiça é o uso correto do poder. Então, quem na nossa comunidade/mundo é vítima de abuso do poder? “Justiça é descobrir o que pertence a quem e devolver a coisa à pessoa” (Walter Brueggeman).

Misericórdia nos leva a fazer a pergunta: “Como eu posso cumprir a determinação ‘Pregar o evangelho: usar a palavra se necessário’? O que o outro está precisando (prática e emocionalmente) que eu possa suprir?”

Então, vem a questão fundamental da fé/evangelismo, em relação ao que Jesus e São Paulo chamam de nossa “perdição”: “Como podemos nos relacionar pessoalmente com Deus?”

Igrejas saudáveis testemunham um fluxo regular de pessoas “chegando à fé”. De que forma você, pessoalmente, está contribuindo para que esta missão seja levada avante?

Como devemos fazer missão? Isso depende das sub-culturas que a sua igreja identifica como seu alvo principal.

Advento – diante de ti está aberta uma grande porta missionária. Você já faz uso dela? Que Deus te abençoe neste tempo de preparos, não esquecendo que há muita gente qua ainda não conhece o Evangelho. Você pode levar esta notícia.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Uma oportunidade para explorar o sentido da vida

No domingo à noite, por ocasião do CULTO DE LOUVOR, aconteceu a certificação da terceira turma do Curso Alpha. A banda composta por integrantes da JESMA conduziu o louvor neste Culto. Trouxe a mensagem abaixo, motivado pelo slogan do Curso. Desejo uma boa leitura e boa reflexão. P. Rolf Rieck

Uma oportunidade para explorar o sentido da vida

Como foi o seu dia hoje? Este dia está acrescentando significado à sua vida? Afinal, o que dá sentido à vida? Que sentido terá esta semana? Que sentimentos afloram agora em seu coração diante destas e outras perguntas que viajam por sua cabeça?

Hoje temos o privilégio de fazer a certificação de mais uma turma do Curso Alpha na Paróquia São Mateus. A frase norteadora do curso sempre foi: Uma oportunidade para explorar o sentido da vida. Hoje não poderia ser diferente. Fazemos-nos a pergunta: o que dá sentido à vida?

Recebi recentemente um texto, não sei se de autoria de Viktor Emil Frankl (1905-1997), ou escrito sobre ele, que nos pode ajudar nesta reflexão.

Este psiquiatra e psicólogo austríaco, criou um método de tratamento psicológico que denominou logoterapia, uma das muitas teorias sobre motivação básica do comportamento humano. Ainda adolescente, sentiu um vivo interesse pela psicanálise. Em 1921 escreveu um primeiro trabalho: Über den Sinn des Lebens ("Sobre o significado da vida").

Mas antes de dialogarmos com este artigo da logoterapia, gostaria de ler os textos bíblicos norteadores de Efésios 4.20-24 e Pv 11.14.

Efésios 4: 20 Mas não foi assim que aprendestes a Cristo, 21 se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus, 22 no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, 23 e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, 24 e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.

Provérbios 11.14 Não havendo sábia direção, cai o povo, mas na multidão de conselheiros há segurança.

1. O homem é um ser que, em última instância, se encontra à procura de sentido e que aspira ser feliz.

É possível encontrar a felicidade se não houver um rumo certo na vida? Ou é necessário que as pessoas se contentem em viver apenas momentos felizes? Se o filósofo Kant tiver razão, então devemos concordar que “a felicidade é a conseqüência do comprimento do dever”. Por isso uma vida com sentido, uma vida que experimenta a felicidade, é fruto, em primeiro lugar, de obediência, de cumprir com preceitos e valores que são colocados como parâmetros para a vida social e pessoal.

Tomemos o exemplo da arquitetônica moderna: as portas de uma casa são feitas para abrir para fora, para os corredores, e não mais para dentro. É uma questão de segurança doméstica. Kierkegaard usa esta expressão arquitetônica e diz que a porta da felicidade se abre para fora e se fecha para quem intenta “arrombá-la”, como é o caso da pessoa que busca forçadamente o prazer pelo prazer.

2. A neurose da felicidade e do prazer.

Os estudiosos sobre as reações humanas acabam por ter que se dobrar diante das evidências biblicas: reproduz impulsos primários e é neurótica a pessoa que faz de seu dia-a-dia apenas uma busca direta da felicidade, e tem uma existência voltada apenas para a vontade de prazer.

Há outra explicação para a violência do trânsito, das armas, da poluição sonora, do tráfico de drogas, do alcoolismo, da falta de compromisso e respeito?

Por exemplo, o nono e o décimo mandamento colocam claramente que a pessoa que faz da cobiça seu sentido de vida, afasta-se rapidamente da vontade de Deus. E isso não traz prejuízos somente no sentido social, mas também desfazendo suas próprias perspectivas de vida. Ou você já encontrou, entre estas pessoas, alguém que dissesse que é plenamente feliz? A cobiça gera o egoísmo, e este tem se apresentado como principal causa das doenças mentais e emocionais, como depressão. O egoísmo e o isolamento se mostram como um erro de alvo, pois deixa de canalizar o amor para as pessoas ao seu redor. Este procedimento não traz felicidade.

A FELICIDADE É O EFEITO COLATERAL DE UMA VIDA COM SENTIDO, diz o artigo citado.

3. O encontro do sentido e o encontro da felicidade

Toda a pessoa que não encontrou ainda sentido e sua vida, intensifica seus projetos de auto-realização. É como o bumerangue que somente volta ao caçador que o arremessou quando não acerta o alvo, ou seja, a caça.

O tédio, ou a sensação de enorme ausência de sentido em sua existência são sinais claros e evidentes de um vazio existencial. É povo sem governo, povo sem direção, como diz o texto de Provérbios.

O ser humano, por instinto, não sabe o que precisa fazer. E fora a Igreja Cristã, não há nenhuma tradição que diz o que o ser humano deve fazer. Por isso é mais fácil ao ser humano repetir procedimentos sem refletir sobre eles. Ou seja: querer apenas aquilo que os outros fazem (comodismo). Por outro lado, a vida humana sem sentido é confundida pelo conformismo, ou seja, de fazer apenas aquilo que os outros querem.

O texto do apóstolo Paulo claramente coloca um contraponto: o velho homem se corrompe segundo as concupiscências (desejos) do engano, mas quem se reveste do novo homem, criado segundo Deus, age em justiça e retidão procedentes da verdade.

Discordando neste particular com o psicanalista, que dize que o sentido não pode ser dado, deve ser encontrado, observamos que Deus quer dar sentido à nossa vida e que, pela Sua graça, a podemos encontrar. A busca por sentido na vida é orientada pela consciência, através da ação do Espírito Santo. Através do Espírito Santo Deus mesmo é capaz de revelar o sentido primordial e singular que possui cada situação da nossa vida.

A vida, com certeza, sempre tem um sentido: o sentido que o Criador dá a ela. E este sentido se preserva intacto sob todas as circunstâncias, graças à possibilidade de se encontrar sentido também no sofrimento. É saber da pertinência que tem o trabalho, o amor e o sofrimento suportado com bravura com o sentido da vida.

Acrescento: é ter Jesus Cristo como parceiro diário e constante como doador de vida e de sentido à vida.

A ressurreição e a vida nova


Olá! Esta palavra foi compartilhada no culto do domingo 11 de novembro no Culto Dominical aqui na Paróquia São Mateus. Quero partilhá-la com você também. P. Rolf Rieck

A ressurreição e a vida nova

Antepenúltimo Domingo do Ano Eclesiástico – 11/11/2007

Lc 20.27-38

27 Chegando alguns dos saduceus, homens que dizem não haver ressurreição,

28 perguntaram-lhe: Mestre, Moisés nos deixou escrito que, se morrer o irmão de alguém, sendo aquele casado e não deixando filhos, seu irmão deve casar com a viúva e suscitar descendência ao falecido.

29 Ora, havia sete irmãos: o primeiro casou e morreu sem filhos;

30 o segundo e o terceiro também desposaram a viúva;

31 igualmente os sete não tiveram filhos e morreram.

32 Por fim, morreu também a mulher.

33 Esta mulher, pois, no dia da ressurreição, de qual deles será esposa? Porque os sete a desposaram.

34 Então, lhes acrescentou Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento;

35 mas os que são havidos por dignos de alcançar a era vindoura e a ressurreição dentre os mortos não casam, nem se dão em casamento.

36 Pois não podem mais morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição.

37 E que os mortos hão de ressuscitar, Moisés o indicou no trecho referente à sarça, quando chama ao Senhor o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó.

38 Ora, Deus não é Deus de mortos, e sim de vivos; porque para ele todos vivem.


Duas ênfases podem ser observadas no texto bíblico lido:

  1. A maneira de entender a ressurreição.
  2. Como pessoas incrédulas articulam suas desculpas.

Vamos obser mais de perto a primeira ênfase: como deve ser entendida a questão da ressurreição. É trazido a Jesus um exemplo concreto de acontecimento factível: o casamento de uma viúva com vários cunhados para a preservação da família. Este assunto faz parte da lei mosaica. No entanto, quando esta lei foi colocada para o povo (Deuteronômio 25.5-6), certamente não se estava dando um ensino a respeito da ressurreição, e sim, da preservação da família.

Com uma argumentação fora de contexto os saduceus queriam provar a Jesus a inexistência da ressurreição. Argumentos baseados em explicações meramente humanas nunca servirão para defender ou mesmo questionar milagres e sinais que somente Deus pode realizar.

Foi assim que heréges defenderam a idéia de que somente quem não casasse tinha o direito da ressurreição. Em muitos meios esta pensamento anti-bíblico perdura até aos dias de hoje. E é assim que as “falsas verdades” vão sendo estabalecidas: enquanto os opositores de Jesus usam argumentos “deste mundo”, Jesus se utiliza das verdades da “era vindoura”.

"Deus não é Deus de mortos e sim de vivos!" Com esta verdade Jesus desclassifica a argumentação de opositores. Isto equivale a dizer: somente quem crê e obedece a Deus têm as condições de compreender os valores sobrenaturais contidos na fé cristã – como a ressurreição. Perguntar-se pela ressurreição e pela eternidade não faz nenhum sentido para quem ainda não se perguntou por Deus em sua vida pessoal!

Pessoas incrédulas encontram motivos tolos para fundamentar sua descrença. Temos nós também motivos qe nos afastam de Deus, das pessoas e do Evangelho?

Assim encontramos a segunda ênfase deste texto: Como pessoas incrédulas articulam suas desculpas. Os fariseus, outro grupo de opositores de Jesus, já tinham tentado derrubar o Mestre com argumentos espertos: a pergunta sobre o pagamento de impostos (Lc 20.20-26).

Os saduceus esperaram ter maior sucesso com outra pergunta esperta, com outra cilada contra Jesus. Sim, quem sabe sua pergunta fosse melhor elaborada e deixaria Jesus inseguro quanto a uma reposta satisfatória. Aparentemente, até então, os saduceus não tinham investido contra Jesus com tal tipo de artifício. Apenas eram contrários à doutrina da ressurreição. Mas agora, embalados pela iniciativa farisaica, tentam também. Muitas vezes pessoas simplesmente vão no embalo de opiniões de outras, nem fazer uma análise daquilo que é verdade, daquilo que é fundamentado na palavra de Deus, ou não.

Em sua resposta, Jesus faz uma clara distinção entre os valores religiosos/culturais e a vontade eterna do Pai, compreendida a partir da fé. A falta de fé comprometida, aquela que se compromete em palavras e ações evangélicas, endurece o coração e o leva a ridicularizar a vontade de Deus. A tática das pessoas contrárias às propostas de vida nova de Jesus é a de ridicularizar e tentar derrubar a verdade com espertezas.

Entender a ressurreição somente é possível sob a ótica da vida nova em Jesus. Ressurreição, portanto, não é notícia para consumo de zombadores. Ressurreição (e não a reeencarnação tão difundida neste País espírita – Hebreus 9.27) é assunto de pessoas salvas pala graça de Jesus e que se reconhecem nesta situação.

As pessoas que não conseguem viver sob a perspectiva da ressurreição, precisam eternizar sua passagem pelo mundo. Fazem de tudo para se fazerem notar. Muitas vezes não importa se sua relevância se dá com coisas boas ou más. Como diz o ditado: “Não importa se falam bem ou se falam mal, desde que falem de mim”. Quem não crê na ressurreição se faz notar com sinais materialistas...

... a destruição da natureza.

... o acúmulo de riquezas.

... a exploração dos semelhantes.

... vivendo a partir da emoção e do prazer.

... endivida-se.

... não ter compromissos evangélico/missionários.

... olha apenas para os "outros mundos" e não ter compromisso com o daqui.

Jesus, o autor da vida nova, chama você para CRER e DEPENDER do seu amor. Chama para colocar sinais concretos da vida eterna onde você está. Isto é viver desde já a ressurreição.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

A riqueza e seu bom uso


Hoje é um dia especial:
31 de outubro - Dia da Reforma Luterana
A prédica abaixo foi proferida no último domingo, e sua preocupação quando ao bom uso das riquezas condiz com a doutrina luterana a respeito. Lutero desenvolveu o conceito dos DOIS REINOS. Um é o reino espiritual e outro é o secular. A vivência harmônica e justa entre os dois reinos é requerido de toda pessoa cristã que queira ter um bom testemunho neste mundo. Esta é, sem dúvida a REDESCOBERTA DO EVANGELHO que a reforma nos proporciona. Um abraço a todos e todas. P. Rolf Rieck


A riqueza e seu bom uso

Em um País onde há uma minoria desproporcionalmente rica e uma maioria miseravelmente pobre, e onde as perspectivas de melhorar a situação de vida são como nuvens esparsas no horizonte, é difícil falar no bom uso que se pode fazer da riqueza.

Hoje queremos ressaltar que pode haver, sim, um bom uso da riqueza. Jesus ilustrou o mau e o bom uso da riqueza com a parábola do administrador astuto, aquele que falsificou as promissórias, baixando seu valores, para fazer amigos de última hora que poderiam lhe acolher caso perdesse o emprego.

É usado um mau exemplo para resgatar aquilo que é positivo, que é bom e desejável em relação às riquezas e posses.

Para que tenhamos um fio orientador em nossa reflexão, elegemos a expressão “não podeis servir a Deus e às riquezas” como base de argumentação e como ponto de chegada.

Leiamos o texto bíblico do Evangelho de Lucas:

16.9 E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos. 10 Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. 11 Se, pois, não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta, quem vos confiará a verdadeira riqueza? 12 Se não vos tornastes fiéis na aplicação do alheio, quem vos dará o que é vosso? 13 Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. 14 Os fariseus, que eram avarentos, ouviam tudo isto e o ridiculizavam.

Diz nosso texto que, logo de saída, esta expressão “não podeis servir a Deus e às riquezas” causou uma reação de zombaria entre os fariseus (sempre eles!). Esta expressão queremos segurar bem perto de nós para nortear nossa reflexão. Assim destacamos alguns grupos de pessoas que não se enquadram neste dito de Jesus. Senão, vejamos:

1. Os avarentos. As palavras aqui foram dirigidas aos discípulos, mas os fariseus vestiram a carapuça. Literalmente a palavra significa: “viravam seu focinho para cima” em sinal de desprezo aos ensinamentos de Jesus.

Você já presenciou algo assim? Não é desta forma, virando o focinho para cima, com o perdão da expressão, que agem pessoas que exploram o povo brasileiro? Enganando até naquele líquido branco vendido como leite por estas grandes empresas que projetam a imagem de produtoras de alimentos saudáveis? Não é assim que agem os políticos – todos corruptos – desdenhando a má sorte do populacho que sofre com os roubos e desvios de verbas? Não é esta a cara que vemos quando o governo diz que não pode governar sem a CPMF, que deveria ser integralmente usada na área da saúde, enquanto nossos hospitais usam furadeiras elétricas comuns para cirurgias complexas?

Bom, esta classe desclassificada de gente aparentemente não vai se importar com o que Jesus ensinou. Como hoje aqui estamos para nos deixar modelar pela palavra de Jesus, certamente nós vamos querer compreender o ensino para sermos abençoados pelo seu autor.

2. Infidelidade. A questão da fidelidade, a meu ver, será sempre uma questão de foro íntimo: ninguém melhor que eu mesmo, você mesma, para atestar se é uma pessoa fiel ou não. Por isso a boa aplicação de suas riquezas partirá dos valores com os quais você e eu, intimamente, aplicamos como orientadores de vida. Se Jesus diz “não podeis servir a Deus e às riquezas”, a sua fidelidade a este ou aquele já terá feito sua escolha.

Fidelidade tem a ver com fé e confiança. Ser fiel, no sentido que Jesus usa aqui a palavra (uma vez que está relacionada à Mamon, palavra de origem aramaica – idioma de Jesus – deduz-se que aqui a fidelidade está relacionada exclusivamente ao uso de dinheiro e bens), é o procedimento de pessoas que se mostram fiéis na transação de negócios, na execução de comandos, ou no desempenho de obrigações oficiais. Ou seja, pessoas que agem de acordo com suas convicções mais íntimas e enraizadas. Se sua vida está cheia de mentiras e enganos, não terão nenhum problema em agir assim no mundo dos negócios. Se, no entanto, tem uma vida cheia de temor ao Senhor, farão seus negócios baseados nos valores da justiça divina.

3. O muito e o pouco. Entre as pessoas que buscam agir com fidelidade aos princípios da justiça divina, sempre haverá aquelas que procurarão fazer pequenos desvios para compensar sua grande justeza. “Por que não desviar um pouquinho só, se todos fazem isto o tempo todo?”

Nos próximos capítulos do Ev. de Lucas encontraremos a parábola de Jesus – das dez minas. Lá é dito: Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades. Embora possa não parecer à primeira vista, a fidelidade e o cumprimento da justiça nas pequenas coisas, nos pequenos valores, sim, nos centavos, evoca a bênção de Deus colocando estas pessoas sobre muitos bens.

Ah, mas e a injustiça dos impostos? Quem não é fiel mesmo nestes valores injustos – “...não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta...” “Se não vos tornastes fiéis na aplicação do alheio, quem vos dará o que é vosso?” (v. 11, 12) – Deus não o colocará para administrar o muito.

A. Schlatter tinha razão: Nós precisamos fazer nosso exercício de fidelidade com nossa herança, com nossos bens, porque eles nos mostram que tudo o que temos é dádiva. Como tal, precisamos exercitar nossa confiança naquele que nos dá todas as coisas. Portanto “não podeis servir a Deus e às riquezas” significa colocar nossa confiança ou em Deus ou nas riquezas. É nas pequenas coisas que isto se tornará determinante.

Quem maneja com justiça e inteireza o Mamon, quem causa alegrias para Deus e para o próximo com seus procedimentos em relação a bens e dinheiro, também agirá da mesma forma com o bom dinheiro e com os bons bens. Estes são doação exclusiva de Deus.

4. Dois Senhores. Juridicamente um escravo poderia ter dois senhores. De direito, sim, mas de fato, não. Novamente olhando para o ponto da fidelidade (veja acima), é no foro íntimo que as coisas se decidirão: ou você amará a um dos senhores e odiará o outro, ou, terá mais atenção para com um e menos atenção para com outro. Por isso Jesus é categórico quando se refere à administração de bens e riquezas: “não podeis servir a Deus e às riquezas”.

O que está por destrás desta expressão “não podeis servir a dois senhores” não é necessariamente o ódio ou a paixão entre um e outro. A coisa é mais sutil. A palavra diz que ninguém pode sentar em dois lugares ao mesmo tempo.

Qual é a nossa escolha? Não podemos sentar em duas cadeiras. Certamente também não queremos ser contados entre as pessoas que levantam seu focinho (para lembrar a expressão original!) diante deste assunto.

5. Deus conhece nosso coração. No íntimo, o que determina a cadeira na qual estamos sentados, é o nosso coração. As pessoas podem enganar seus iguais, mas nunca a Deus. Nossa confiança em Deus e nossa dependência de Deus – ou nossa não confiança e nossa não dependência – se confirmará nos atos de nosso coração. Quanto dinheiro se gasta com laser e quanto se gasta em promover o Evangelho? Quanto se investe de criatividade e empenho para a missão da igreja e quanto se investe em achar meios de ficar mais rico?

A ânsia pela riqueza é como a água do mar: quanto mais se bebe dela, mais sede se tem. (Arthur Schopenhauer)

O bom uso da riqueza, portanto, acontece quando somos justos e fiéis para com aquele que nos dá todos os bens e todas as riquezas: Deus. Jesus, o Salvador, nos chama para um procedimento justo e santo em todas as áreas da vida. Também na área do nosso bolso. Confiar em Jesus, aceitar a salvação, é converter também para Ele nossos bens. É sentar em uma só cadeira! É servir a Deus através de nossas riquezas.

sábado, 20 de outubro de 2007

Saber ouvir!

Oi gente querida! Ontem à noite, sexta-feira, por ocasião do Culto de Oração, proferi a prédica que reparto com todas e todos vocês. O assunto é a "sabedoria" . Boa leitura!...

Diz a lenda que a rainha de Sabá enviou duas grinaldas de rosas a Salomão. As duas tinham o mesmo aspecto. Eram consistentes, macias e frágeis. Também apresentavam fragrância e colorido invejável. Cabia ao rei o verdito: - Qual das duas era autêntica?... O monarca abriu a janela e, em poucos instantes, seu dormitório foi invadido por algumas abelhas. Estas, sem hesitação, pousaram sobre o buquê de flores verdadeiras. Sabedoria, este é o tema da prédica de hoje. Para aprofundá-lo, sugiro a leitura de Provérbios 8.22-31...

8.22 - O SENHOR me possuía no início de sua obra, antes de suas obras mais antigas. 8.23 - Desde a eternidade fui estabelecida, desde o princípio, antes do começo da terra. 8.24 - Antes de haver abismos, eu nasci, e antes ainda de haver fontes carregadas de águas. 8.25 - Antes que os montes fossem firmados, antes de haver outeiros, eu nasci. 8.26 -Ainda ele não tinha feito a terra, nem as amplidões, nem sequer o princípio do pó do mundo. 8.27 - Quando ele preparava os céus, aí estava eu; quando traçava o horizonte sobre a face do abismo; 8.28 - quando firmava as nuvens de cima; quando estabelecia as fontes do abismo; 8.29 - quando fixava ao mar o seu limite, para que as águas não traspassassem os seus limites; quando compunha os fundamentos da terra; 8.30 - então, eu estava com ele e era seu arquiteto, dia após dia, eu era as suas delícias, folgando perante ele em todo o tempo; 8.31 - regozijando-me no seu mundo habitável e achando as minhas delícias com os filhos dos homens.

A palavra que acabamos de ler é uma poesia. Nela, a Sabedoria nos é apresentada como uma “pessoa” que sempre participou da intimidade de Deus.
SOBRE A SABEDORIA

A sociedade, seus grupos e sub-grupos, sempre é regida por regras arquitetadas a partir de opiniões humanas. O MERCOSUL, o Brasil, a IECLB e a nossa própria Paróquia têm suas Constituições, fruto de muita discussão; do jogo de muitos interesses; de muito labor. Para elaborá-las usaram-se critérios e valores tingidos por interesses humanos que, muitas vezes, estavam e estão condicionados pelo pecado. Salomão não tinha em mente embrenhar sua vida nos meandros de uma sabedoria mundana. Seu objetivo era maior quando, orando, pediu sabedoria a Deus: “Dá, pois, ao teu servo coração compreensivo para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; pois quem poderia julgar a este grande povo?” (1 Reis 3.9).

Ao pedir por verdadeira sabedoria a Deus, Salomão não quis assenhorar-se de um saber teórico-expeculativo; da busca de uma maior inteligência. Ele simplesmente ansiava por “um coração que saiba escutar” a Deus e às pessoas. Sonhava servir ao povo com discernimento e justiça. Isso é correto. Só Deus pode dar um coração capaz de discernir entre o bem e o mal para, depois, realizar a justiça. Pessoas que convivem com a sabedoria presenteada por Deus, dão mostras de comprometimento com a Palavra de Deus e com o povo de Deus. A primeira tarefa de um/a líder “segundo o coração de Deus”, consiste em saber ouvir a voz de Deus e a voz das pessoas às quais é chamado a amar, compreender e servir com justiça.

CONCLUSÃO

Spurgeon, um pastor famoso já falecido, dialogava com um indivíduo que não se cansava de falar sobre as maravilhas que experimentava em sua religião. Quando o dito sujeito fez uma pausa para inspirar oxigênio, o grande evangelista atalhou: - “Não darei muito valor à sua religião até que possa vê-la. As lâmpadas não falam. Elas brilham!”

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

A fé e a injunção de Goebbels


Leitores e leitoras,

esta foi a pregação proferida no domingo dia 14 no Culto Dominical da Paróquia São Mateus. Lhes desejo uma abençoada e frutífera leitura. P. Rolf Rieck

A fé e a injunção de Goebbels

Lucas 17.11 De caminho para Jerusalém, passava Jesus pelo meio de Samaria e da Galiléia. 12 Ao entrar numa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos, 13 que ficaram de longe e lhe gritaram, dizendo: Jesus, Mestre, compadece-te de nós! 14 Ao vê-los, disse-lhes Jesus: Ide e mostrai-vos aos sacerdotes. Aconteceu que, indo eles, foram purificados. 15 Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz, 16 e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe; e este era samaritano. 17 Então, Jesus lhe perguntou: Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove? 18 Não houve, porventura, quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro? 19 E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou.

Acredito que todas as pessoas que estão reunidas aqui, neste domingo, para com solenidade prestar culto a Deus, já ouviram o relato dos dez leprosos onde apenas um voltou para agradecer. É história de fácil compreensão e de aplicação igualmente fácil. Não há mistério em elaborar uma pregação sobre ela. Por isso lhe dei o título de “A fé e a injunção de Goebbels”. Assim fica tudo mais fácil ainda, não é mesmo?

Para dar uma melhor aplicabilidade ao assunto, chamo aqui um repórter que irá nos ajudar a entender melhor o que se passou na cabeça destes dez leprosos. Nem preciso ressaltar que os leprosos eram marginalizados e poucos se arriscavam a chegar perto deles. Só Jesus e este repórter, que gosta de se arriscar...

Repórter: Sim, aconteceu um grande milagre. Dez leprosos foram curados por Jesus. Aqui estão eles no meio de seus familiares e amigos. Vieram correndo e aqui estão. Mas, gostaria de lhes perguntar: POR QUE NOVE DE VOCÊS NÃO VOLTARAM PARA AGRADECER A JESUS?

Ex-leproso 1. De natureza eu não sou ingrato. Mas queria primeiramente mostrar para minha família e amigos que eu estava curado. Depois eu queria ir e agradecer ... mas Jesus já tinha ido embora. É um pena.

Ex-leproso 2. Certamente eu queria agradecer a Jesus, mas não junto com aquele metido do samaritano. Afinal eu sou um israelita piedoso e não devo me misturar com essa gente. Queria enviar alguém para agradecer por mim, mas Jesus já tinha ido embora.

Ex-leproso 3. Eu estava todo o tempo procurando um presente adequado que expressasse a minha gratidão, mas eu sou pobre e nada era o suficientemente barato para que eu pudesse comprar. No fim esqueci.

Ex-leproso 4. Eu queria agradecer, mas resolvi esperar mais uns dias para ver se a cura era realmente de verdade. Agora me convenci, mas Jesus já tinha ido embora. Que pena.

Ex-leproso 5. Quase voltei com o samaritano para agradecer a Jesus. Mas havia muita gente por perto após esta cura milagrosa. Não queria que todos vissem que eu também tinha a lepra. Sabe, o preconceito é muito grande. Fiquei com vergonha.

Repórter: Vejo que cada um de vocês parece ter uma razão não ter ido até Jesus. Mas era Ele que tinha curado a vocês. Deu-lhes uma vida nova...

Ex-leproso 6. Sim, sim, eu também queria, mas eu sei que Ele não espera agradecimentos. Ele faz de graça. Aí não fui.

Ex-leproso 7. Na euforia do reencontro e toda a alegria dos filhos, netos, amigos, todo mundo me abraçando - aí eu esqueci. Quando lembrei Jesus já tinha ido embora.

Ex-leproso 8. Há tantos leprosos. Se Jesus me curou é porque mereci. Faço muitas boas obras e vou fazer mais agora. Certamente mereci esse milagre.

Ex-leproso 9. Pode acreditar, eu queria ir lá agradecer. Mas a maioria não foi. E eu costumo seguir a opinião da maioria. Por isso não fui.

Repórter: E você, samaritano, porque você agradeceu? Vocês são conhecidos com um povo mau, os israelitas não gostam de vocês. Jesus também não é samaritano, não é do vosso povo. Por que justamente você foi lá agradecer a Jesus?

Ex-leproso 10. Sem respirar eu não posso viver. Sem agradecer eu não poderia ir para casa. Ele me devolveu a vida, a saúde do corpo e da alma, a razão de viver. Assim Jesus esperou de mim que eu o colocasse em primeiro lugar. Por isso, tinha necessidade de voltar e agradecer. Só depois fui rever a minha família, minha esposa, meus amigos. Quero que minha vida toda seja uma resposta ao milagre que aconteceu comigo. E de quebra Jesus deu ainda algo que os outro nove não receberam naquele momento: salvação. Ele disse que a minha fé salvou minha vida. Isso não é maravilhoso? [i]

Querida comunidade reunida!

Goebbels foi brilhante no que fez, mas fez muito mal à humanidade. Ajudou a matar milhares. No entanto uma coisa ele acertou: disse que de tanto que alguém repete uma mentira, ela acaba se tornando uma verdade. Viveu sua vida baseado nisto. A mentira, assim, tornou-se a obrigação de sua vida.

Igualmente hoje, de tanto que se repete a mentira de que Deus quer curar a todos e que basta que agradeçamos, isso também já se tornou uma verdade. Nestes dias estava lembrando que já conversei em meu gabinete pastoral com muitas pessoas nestes anos que estou aqui na Paróquia São Mateus. São inúmeras as pessoas que me procuraram e às quais dediquei horas e horas de ouvidos. Seus problemas eram sérios e estas pessoas foram levadas à sério, de tal forma que alguns até me afetaram a vida pessoal ou familiar. Destes, com certeza 90%, depois de terem seus problemas minimizados, nunca mais apareceram. Por que será que nunca mais voltaram? Teriam sido apenas interesseiros?

Tem gente que aparece apenas para o casamento! Tem gente que vem apenas para o batismo! Tem gente que se apresenta apenas para a confirmação! Tem gente que vem apenas na sexta-feira santa ou no Natal! Tem gente que está apenas preocupada com o seu sepultamento digno!

Jesus não soube o porquê os outros não retornaram, mas na entrevista percebemos que quase todos tinham a boa intenção em seus corações. A boa intenção em nossos corações é uma mentira que falamos para nós mesmos por longos e longos anos e acabamos acreditando que isso é a verdade da nossa vida. As desculpas acabam sendo nossas verdades! Alguém disse certa vez que de boas intenções o inferno está cheio. Acho que isso é verdade.

Voltar à Jesus! Este é o lance. A gratidão aqui não é um mero gesto nobre de uma pessoa educada. Justamente o pior dentre os leprosos, o mais lascado, o mais rejeitado, duplamente marginalizado – leproso e samaritano – sabe que precisa mais que a cura e mais que agradecer. Ele precisa estar perto de Jesus, de suas palavras, da sua proposta de viver o Reino.

Seguir Jesus de longe, sem compromisso, é fazer da mentira a sua verdade. É fazer da sua tradição doutrinária sem conseqüências algo que salva... “A tua fé te salvou”, diz Jesus. Não faça de sua ausência, de sua distância de Jesus, a conseqüência de uma desculpa mentirosa em sua vida. Aproxime-se! Viva debaixo da graça de Jesus e na comunhão de pessoas da mesma fé. A conseqüência: levanta-te e anuncia, vai ser missionário e missionária. Vai...


[i] Agradeço ao Pastor Renato Creutzberg que enviou este material.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Missão I - Somos pessoas batizadas


Olá, quero compartilhar com vocês a pregação do Culto das 19 h deste domingo. Quem sabe também você possa refletir com alegria tudo aquilo que o seu batismo significa. Tenha muita alegria e desafios na leitura. Um abraço, P. Rolf Rieck


No mês da reforma luterana queremos também refletir sobre nossa responsabilidade missionária. Nos Cultos de Louvor iremos refletir sobre este assunto, baseando-nos no caderno sobre missão do Sínodo Norte Catarinense. Nossa primeira abordagem está relacionada ao BATISMO.

Nos dias atuais muito se ouve sobre “qual o batismo correto”, “quanta água precisa ter”, “deve ser de crianças ou de adultos” ou “é necessário rebatizar”? São questões periféricas que não contemplam aquilo que o batismo cristão realmente quer.

Jesus disse:

Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

Isto é central! Aqui temos uma série de pequenas gotas de água que querem encharcar nossa alma com as bênçãos de Deus. A gota sozinha não forma a chuva. Mas a chuva desce em forma de gotas e molha as pessoas por elas atingidas. Assim o BATISMO leva as pessoas batizadas a um compromisso missionário, como veremos abaixo, gota a gota.

Perdão

A primeira gota dá conta que Cristo Jesus fez absolutamente tudo para providenciar nosso perdão. Somos pessoas batizadas, portanto nos pertence a notícia do perdão. Deus nos perdoa e nos convida a também perdoar.

Rm 6. 1-6 – Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos;

Libertação

A segunda gota nos ensina que, como pessoas perdoadas, estamos livres para agir neste mundo com vistas à sua evangelização e transformação. Esta é nossa missão: anunciar a verdade, que se chama Jesus Cristo. Somos pessoas batizadas. Portanto, vivamos nossa liberdade.

João 8:32 – ...e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

Reconciliação

A outra gota é conseqüência das duas primeiras. Jesus nos reconcilia com Deus e nos convida – pessoas batizadas – a reconciliar pessoas com a verdade perdoadora e libertadora. Somos pessoas batizadas, e como tal temos a ministério da reconciliação como missão, como dom espiritual.

Atos 2. 38 – Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.

Vida Nova

Somos pessoas batizadas! Jesus Cristo nos convoca para reconhecer a ação do Espírito Santo em nossa vida e fazer disso uma nova possibilidade. Quer que sejamos novas criaturas que convidam outras e ser nova criaturas (2Coríntios 5.17).

João 3. 5 – Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus.

Igreja

A quinta gota nos diz que somos parte de uma Igreja, de uma congregação, de uma comunhão de pessoas. Nela podemos servir e para ela devemos chamar pessoas ainda isoladas ou escanteadas. Somos pessoas batizadas, e como tal devemos interagir de forma missionária para que o corpo de Cristo esteja completo.

Efésios 4. 1-6 – Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.

União com Cristo

Na Igreja percebemos o que é união. A unidade das pessoas batizadas se dá pela ação do Espírito Santo. Onde o Espírito não está sendo ouvido, há divisão e confusão. A partir do batismo o mesmo Espírito presenteia as pessoas com a união em trno de Cristo Jesus.

1 Co 12. 13 – Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.

Compromisso

Somos pessoas batizadas! A sétima gotinha não quer nos deixar sossegar enquanto ainda houver ovelhas perdidas. Desde o momento do nosso batismo não podemos mais ficar indiferentes às mazelas deste mundo que está na escuridão. Nosso compromisso missionário é mostrar a luz de Jesus a todas as pessoas que ainda não o conhecem.

Lucas 15.3-7 – Então, lhes propôs Jesus esta parábola: Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo. E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

Serviço

Da mesma forma como há compromisso, há também serviço. E há serviço para todas as pessoas, sem distinção. Uma igreja somente poderá ser missionária se todas as suas pessoas batizadas tiverem um espírito de serviço. Fica abolido o espírito do “ser servido”, do pagar para receber benefícios da Igreja. Serviço é o nome desta oitava gotinha.

Gálatas 3. 27-29 – ...porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa.

Ensino

Somos pessoas batizadas e, portanto, precisamos ajudar outras pessoas a conhecer os mistérios da fé. O ensino se faz necessário – e ele é missionário – como cumprimento da ordem de Jesus antes de voltar para junto do Pai. Este dom é concedido a pessoas batizadas e precisa ser desempenhado com amor, diz esta nona gotinha.

Mateus 28. 18-20 – Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

Espírito Santo

A água do batismo foi derramada sobre as pessoas batizadas, e com ele também o Espírito Santo é derramado. A décima gotinha quer nos alertar para este fato e nos ajudar a reafirmar diante do Pai que queremos e precisamos do lavar regenerador do Espírito. Isso, então, faz de nós pessoas missionárias, comprometidas, animadas e encorajadas a viver com clareza a Evangelho.

Tito 3. 4-7 – Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna.

Graça

O batismo nos revela a graça de Cristo. Ela é concretizada na Palavra que se torna visível no batismo. A graça libertadora nos conclama para uma vida missionária. É graça que está acessível à toda humanidade. Mas é necessários, como missionárias e missionários, anunciá-la.

Romanos 5:2 – ...por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.

Missão

A gotinha de número doze, enfim, diz que missão é conseqüência do batismo. As pessoas batizadas estão ligadas à outras pessoas batizadas, que de forma frutíferam testemunham para que mais pessoas batizadas se unam na proposta do reino de Deus.

João 15.1-9 – Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado; permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos. Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor.

Que conseqüências o banho com estas gotinhas terá na nossa vida como pessoas batizadas que somos? Este banho em nossa alma vai nos animar a sermos missionários e missionárias?

domingo, 7 de outubro de 2007

APOCALIPSE


Abaixo, compartilho um pequeno texto de informações mínimas que se deveria ter para ler e estudar o livro de Apocalipse. Interessada? Interessado? Pois então, boa leitura...

Renato Luiz Becker


A palavra “apocalipse” significa revelação das “últimas coisas”, do fim do mundo. O advento deste gênero literário teve muita importância nos duzentos anos que antecederam o nascimento de Jesus Cristo. Nesta época, para dar mais peso aos seus escritos, os autores costumavam creditá-los a figuras conhecidas do Antigo Testamento tais como Abraão, Adão, Eva, Moisés e Elias. Para retratar visões futuras, usavam-se numerosas figuras e símbolos que, muitas vezes, ainda hoje acabam ficando sem a possibilidade de uma explicação plausível. Estas figuras e estes números místicos fazem com que as revelações adquiram uma “cor vibrante” que favorece enormemente as possibilidades de se especular a respeito. E assim, no nosso século XXI, temos este texto dos “Mistérios revelados por João” para ser lido e estudado.

Este livro escrito por João que nos relata sobre o apocalipsismo foi o único aceito para fazer parte do cânone da nossa Bíblia, desta coleção de livros que constitui o Novo Testamento. Na mesma época em que João o escreveu, também havia outras obras de literatura apocaliptica muito “coloridas” na rua. Sabe-se que elas eram bem disputadas entre os ávidos leitores daqueles tempos. Também se é sabedor, a partir da pesquisa exegética, que seus autores imitavam os antepassados, usando pseudônimos como Pedro, Paulo, Tomás e Estevão, o primeiro mártir da Igreja, para assinar suas obras. A Igreja Primitiva não autenticou, não reconheceu sua fé em nenhum destes escritos. Dessa forma eles também nunca foram aceitos pela Igreja Oficial e, com o tempo, entraram no esquecimento e até desapareceram.

O revelação sigilosa de João surgiu entre os anos 70 e 95 d.C. Se diz que seu autor foi o evangelista João. João foi perseguido e queimado pelo rei de Roma chamado Domitian (levado ao trono em 81 d.C.), na Ilha de Patmos. Este incidente histórico não foi considerado importante para que a obra fizesse parte da coleção de livros da Bíblia. As muitas visões que João teve, ele as descreveu em forma de cartas "às sete Igrejas na Província da Ásia" (Apocalipse 1.4). Nelas, ele apresenta, em dramáticas figuras, as catástrofes e os tormentos que acompanhariam os tempos do fim do mundo. Estes tempos seriam marcados por uma última luta monstruosa entre o Bem e o Mal, entre o Diabo e Deus. Satan, o Dragão, o Enganador, o Príncipe deste mundo seria jogado num mar de fogo e enxofre onde viveria eternamente sob grande dor e tormento. Com ele isolado neste tal de “Mar de Desespero”, terminaria a morte e todo o sofrimento que acompanha a humanidade. O mundo experimentaria um novo nascimento ou seja: do céu desceria uma “nova terra e uma nova cidade santa” e ela estaria, “...ataviada como noiva adornada para o seu esposo.” E se ouviria uma “grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.” (Apocalipse 21.2ss)

Se, ao estudarmos este livro de Apocalipse, conseguíssemos descobrir com precisão a data do fim do mundo, então penso que seríamos capazes de investir todas as nossas forças na busca desta informação, com unhas e dentes. Ora, isso não nos é possível, visto que não se consegue manusear o Livro de Apocalipse como se histórico fosse. Não resta dúvida que que o referido livro carrega o contexto histórico das experiência das primeiras perseguições sangrentas ao cristianismo como pano de fundo. Mas isso não o faz ser histórico.

A partir da sua fé, o autor experimenta responder às perguntas das pessoas medrosas e desesperadas que estavam congregadas na Comunidade Primitiva: 1 - Porque é que Deus permite que tudo isso aconteça com a gente? 2 - Será que teremos alguma chance de escapar dessa catástrofe? 3 - Como e quando será que esta história vai terminar? Vejam, aqui também repousa o significado teológico desse livro para a cristandade de todas a épocas e de todos os tempos: o que é que traz esperança, força e confiança quando tudo está “desmoronando” ao nosso lado, quando perdemos o chão debaixo dos nossos pés, quando o mundo parece ter endoidecido e estar sem rumo certo, quando a maldade e a falta de sentido insistem em triunfar à nossa volta? O conteúdo deste livro, com certeza.

Pessoas distintas fizeram-se e ainda se fazem tais perguntas em toda a história da humanidade. São as tais dúvidas geradas pelo Apocalipse.

domingo, 30 de setembro de 2007

A FÉ QUE VENCE!


Oi pessoal! Abaixo transcrevi a prédica que proferi hoje pela manhã, no Culto das 09.00h. A Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas - OASE da São Mateus estava representadíssima neste Culto que tinha tudo a ver com elas. Foram bons momentos vividos. Abraços!
P. Renato Luiz Becker


Vamos ocupar este espaço nobre da prédica para falar da fé. Li outro dia que “a fé é a âncora que lançamos no mar da misericórdia divina e que ela, a fé ancorada, nos preserva do naufrágio nos momentos de desespero.” João, o discípulo amado de Jesus, confirma isso quando escreve que “...a vitória que vence o mundo: é a nossa fé.” (1 João 5.4)


Muitas pessoas, mesmo sem dominar alguns de seus assuntos, dizem: - "Eu creio". Há quem só imagine algo e também se saia com uma afirmação destas. Já vi gente pensando na possibilidade de que algo seja possível de ser realizado e, com todas as letras, deixando claro que “crê” naquela realização. Ora, com uma tal fé não se chega a nenhuma vitória consistente.


João escreve que a fé é a vitória que vence o mundo (1 João 5.4). Que fé é esta que consegue vencer o mundo com tanta força? A resposta é clara: "É a fé que crê firmemente em Jesus, o Filho de Deus." (v. 5). Sim, Jesus Cristo venceu o mundo. Ele obteve a vitória sobre o Inimigo Maior do mundo. Com Ele ao meu lado, também posso ser uma vencedora, um vencedor. Paulo vibra de alegria quando escreve: "Graças a Deus que nos dá a vitória por intermédio de Jesus Cristo!" (1 Coríntios 15.57) Claro que eu não preciso me converter num superador de obstáculos; num quebrador de recordes, para alcançar esta fé. Não me é necessário aplicar todas as minhas forças num projeto de busca pela vitória, uma vez que Jesus já me presenteou com a mesma!


Tu e eu, nós também não temos a mínima necessidade de, medrosos, cravarmos os nossos olhos nos objetivos que queremos alcançar, custe o que custar. Uma coisa, no entanto, devemos levar em conta sim: Viver uma relação viva de fé com o Senhor Jesus e, sempre de novo, lançar nosso olhar confiante Nele que nos presenteia com a vitória e isso, enquanto buscamos alcançar os nossos objetivos a curto, médio e longo prazo. Somente uma tal fé poderá proporcionar-nos segurança, orientação, paz e certeza.


De onde nasce, de onde se origina esta fé? A Bíblia diz que "Deus nos amou primeiro". Em qualquer relação de amor a amada e ou o amado precisam corresponder ao amor. Vocês também já perceberam que só conseguimos conhecer bem uma pessoa quando caminhamos junto com ela. Isso não é diferente entre a minha e a tua, entre a nossa pessoa e Deus. Caminhar com Deus pela vida e pelo mundo – isso não pode ficar somente no nível das nossas idéias. Temos que fazer alguma coisa: reagir ao Seu amor por nós.


Quando duas pessoas se amam, elas passam a ser notadas por terceiros, queiram ou não queiram. Se eu amo a Deus, as outras pessoas também vão notar esse amor. Sim, porque a minha relação com Ele passará a mudar o meu relacionamento com as outras pessoas. Aquele que disse: "Tu deves amar a Deus", também quer e espera que amemos à nossa irmã, ao nosso irmão. Quem só leva em conta a primeira verdade e se esquece da segunda é um mentiroso, conforme 1 João 4.20.


Senhor, eu te agradeço pelo presente da fé que é maior do que todas as seduções que mundo pode me oferecer. Permite que eu possa experimentar essa fé, que eu, sempre de novo, possa ancorar no mar da tua misericórdia, já aqui e agora... Amém!

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

O Luto - Como melhor trabalhá-lo?


Oi gente querida!


Sempre na quarta quinta-feira do mês nós nos reunimos nas dependências da Paróquia São Mateus para refletirmos sobre o tema do "luto". Pessoas que tiveram perdas, têm a chance de dialogar abertamente sobre o assunto da dor, da saudade, da perspectiva para as suas vidas. Abaixo, o texto que trabalhamos no dia 27 de setembro de 2007. Boa reflexão...
P. Renato Luiz Becker


A morte sempre sempre traz um enorme rompimento na vida das pessoas. Antigamente os indivíduos tinham mais facilidade para tratarem deste assunto, sem “se afogarem” na dor que ele provocava. Creio que dá para se dizer que hoje o luto se encontra privatizado nas grandes cidades. São muitas as pessoas que ficam sós, sem boas saídas para poderem expressar sua dor, quando vêm momentos de perda. É deseperadora esta constatação, uma vez que a dor gerada pela morte precisa ser expressa, colocada para fora. Pessoas que não conseguem trabalhar sua dor por causa da perda, acabam instalando-a dentro do peito. E uma vez ali plantada, ela machuca a alma como se um espinho fosse.


Há alguns anos atrás as pessoas possuiam melhores canais sociais para refletirem sobre dores oriundas de perdas. Em pequenos povoados a perda era e ainda é melhor trabalhada. Nestas pequenas cidades é carregado nas costas por um maior número de pessoas. Já em cidades grandes como Joinville, este estar mais próximo do luto das pessoas não é assim tão natural. Nestas referidas cidades maiores o contato com a Comunidade de Fé também se apequenou e, assim, o coração quebrantado não tem mais encontrado cura tão fácil.


Em Nürnberg, no sul da Alemanha vivenciei uma Comunidade que criou uma sala especial que denominaram “Sala do Luto”. Nesta pequena sala, as pessoas celebram, mensalmente, um pequeno Culto. Nele, a meditação sempre está calçada sobre o tema do “luto” e isso, sem se importar se as pessoas que participam têm ou não “carteirinha” de luteranas.


Estas tais meditações sobre o luto são contextualizadas e elaboradas com base nas experiências das e dos participantes enlutados. Elas sempre são proferidas com o objetivo de se promover nova forma de comunicação entre as pessoas que vieram buscar forças para sua vida, apesar da dor. Assim, as e os enlutados vão se auto-descobrindo, enquanto dialogam repartindo suas experiências de perda. O ponto alto dos referidos encontros não é somente a Palavra de Deus. Neles também há momentos de silêncio onde se garimpa o sentido da vida naquele espaço especialmente preparado para a meditação.


E assim a expressão do luto vai acontecendo de forma individual e coletiva. Pessoas com corações quebrantados levam-se a sério, dão-se as mãos e tudo isso tem lugar numa sala discreta que faz a esperança bíblica de cura para a alma transparecer. São muitas as pessoas que vêm participar destas meditações sobre o Luto. O testemunho das mesmas é que elas são um “bálsamo para a sua alma”. Um sem-número de pessoas que frequentam aqueles pequenos Cultos tem encontrado nelas o caminho de volta à Comunidade, à Igreja.


É interessante notar que os autores dos Salmos sabiam muito bem que Deus “leva corações quebrantados em conta”. (Salmo 51). As meditações que esse pessoal de Nürnberg organiza tratam “o luto” de uma forma muito realista, muito objetiva e, junto, procuram “construir pontes” que conduzam à fé em Jesus que morreu, mas que também ressuscitou dentre os mortos: Os cristãos não devem viver o luto como os que não têm fé o vivem (“Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança.” - 1 Tessalonicenses 4.13).


Faz 2000 anos que o cristianismo resiste no meio de tormentas culturais, por causa da cruz que venceu a morte. Ocupar-se com pessoas afetadas pela dor do luto é uma boa causa. A esperança pode ser um bom caminho sobre o qual se pode trilhar em busca da cura do luto. Por isso, mãos a obra!

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

O Perfume da Rosa!


Gente querida! Abaixo transcrevo as quatro Palestras Evangelísticas sobre o tema "O Perfume da Rosa". Como a maioria de vocês sabem, proferi-as nos dias 21 a 23 de setembro de 2007, no templo da Paróquia São Mateus. Desejo a todas e a todos uma boa leitura, um bom estudo. Quero lembrar que as mesmas não contém os exemplos da hora. Também quero deixar claro que me coloco à disposição para conversarmos sobre uma ou outra dúvida... Abraços!
P. Renato Luiz Becker


A CRUZ DE CRISTO (Palestra 1)

Gente querida! Estamos começando esta série de palestras evangelísticas sobre o tema “O Perfume da Rosa”. Hoje falaremos sobre a Cruz de Cristo. Amanhã, sábado, nos dedicaremos ao Coração que bate dentro do nosso peito e, depois de amanhã, domingo, refletiremos a respeito da Rosa da Alegria. Alegria que se funda na esperança de “um novo céu e de uma nova terra” (Apocalipse 21.1) onde também conviveremos com a Fidelidade de Deus que é sem fim.

Para início de conversa, observem a cruz preta pendurada no centro do quadro branco. Esta pequena cruz quer ser o símbolo que proclama, de forma muda, a verdadeira união entre a mulher e o homem que voltam a unir-se, a reconciliar-se com Deus. O que estava separado reencontra o seu centro comum bem no ponto de convergência entre a linha vertical e a horizontal. Para as pessoas que se perdem, esta cruz é uma loucura, uma aberração. Já para as pessoas que encontram a salvação, ela é o poder de Deus (1 Corintios 1.18). Por isso, vamos refletir um pouco sobre ela...

SE EU VIER A CAIR

Quem dentre nós já caiu do alto de uma escada ou de uma larangeira? Quando menino, na casa da minha vó Romilda, caí de um abacateiro. Nunca mais me esqueci daquele dia. Me agarrei num galho que quebrou. Ainda me vejo caindo com tudo sobre o arame farpado esticado da parreira de uvas do meu avô. Até hoje ainda guardo algumas cicatrizes de lembranças daquele dia de muito sol no meu no corpo. Não fôssem as mãos queridas do meu falecido avô Reinbold e eu, naquelas circunstâncias, teria sofrido muito mais. Posso assegurar a vocês que já faz 50 anos que nunca mais subi num abacateiro...

Tenho reparado que a vida nos proporciona muitos outros tipos de quedas. Imagino que algumas e alguns de vocês tenham experimentado das mesmas, nos últimos tempos. Estou enganado?... As vezes a gente não consegue juntar as forças para se recolocar em pé, depois de uma queda, depois de um tombo. Em Josué 1.5b está escrito que “Ele será conosco; que Ele não nos deixará e tampouco nos desamparará” se viermos a cair num destes buracos que a vida volta e meia nos oportuniza.

Quantas pessoas passam de largo, fingem que não vêem quando alguém está caído na beira do caminho?... Se uma pessoa cai por culpa própria e ou se foi empurrada, isso nem vem ao caso para a maioria dos que estão próximos. Tenho percebido que tais situações são bem comuns dentro das famílias. De repente, alguém diz uma palavra mais dura, mais crítica e claro, há quem não goste. Qual é o comportamento que quase sempre se tem num caso destes?... A pessoa machucada não dirige mais a palavra e nem mesmo o olhar àquela que a machucou por dentro e vice-versa. Agora, as duas estão sofrendo, caídas, minguando de tristeza por falta de carinho e por falta de atenção.

Este tipo de quedas também acontece na relação de inúmeros casais. Quando um cônjuge decepsiona o outro eles esfriam o seu o relacionamento e, muito cedo caem. Também entre irmãos se dá o mesmo. Há pessoas que, dentros dos seus empregos, se decepsionam com os seus chefes e, por isso, quebram as relações com os mesmos. O silêncio e a solidão as desestabilizam e, de repente, lá estão elas, caídas. Isso tem acontecido contigo também? Estás decepsionado com alguém das tuas relações? Caíste de alguma altura n’algum buraco?... Estás tendo dificuldades de te levantar, de te pôr em pé?...

É incrível como nós somos capazes de atrair dor e sofrimento para nós mesmos. Quantas e quantas vezes temos deixado pais, irmãos, crianças, amigos, conhecidos e colegas simplesmente se estatelarem no chão...

DEUS NÃO ME DEIXA SÓ

Pois Deus faz exatamente o contrário conosco. Ele não nos deixa caídos no chão. As pessoas que se permitem a Sua direção, encontram forças extras para construir bons relacionamentos e, sempre de novo, esperar que as pessoas próximas ajam com justiça. Nós acabamos de ler em Josué que Deus “não nos deixará.” Quer dizer, se eu ou você, por ventura, formos abandonados por todas as pessoas; se eu ou você, por ventura, viermos a nos sentir bem sózinhos, Deus sempre estará do nosso lado. Não é maravilhoso ter ciência, ser sabedor de uma verdade tão boa?

Agora, como é e por que é que essa bênçao pode acontecer conosco? Ora, qualquer pessoa que começar a estudar o cristianismo vai ficar impressionada com o destaque que os seguidores de Jesus Cristo dão à Sua morte na cruz. A morte de todos os outros grandes líderes espirituais é lamentada apenas como o fim de suas carreiras. O que realmente importou deste líderes foi a sua vida, o ensino e a inspiração que o exemplo dessas pessoas trouxe ao mundo.

No caso de Jesus acontece justamente o contrário. O Seu ensino e exemplo foram incomparáveis mas, desde o princípio, os seus seguidores enfatizaram a Sua morte. Observem o que os Seus três maiores apóstolos (Paulo, Pedro e João) disseram sobre esse assunto: Paulo: “pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Coríntios 2.2) Pedro: “Pois também Cristo sofreu pelos pecados uma vez por todas, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus” (1 Pedro 3.18) João: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e nos enviou seu Filho como propiciação (como oferta) pelos nossos pecados” (1 João 4.10)

Quando os evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João escreveram os Evangelhos, eles dedicaram uma quantidade de espaço desproporcional à última semana de vida de Jesus na face da terra. Lucas dedicou um quarto de sua obra ao assunto. No caso de Mateus e de Marcos, ele dedicaram cerca de um terço do seu escrito. Já João, dedicou quase a metade do seu Evangelho a este tema – a morte de Jesus na cruz.

Foi Jesus quem influenciou eles a escreverem assim. Os outros líderes religiosos na história morreram de causas naturais. Idosos, eles completaram suas missões com sucesso. Maomé morreu aos 62 anos; Confúcio, aos 72; Buda, aos 80; e Moisés aos 120. Com Jesus não foi assim. Ele morreu a morte horrível da crucificação na faixa dos 30 anos, repudiado por seu próprio povo. Quem observa assim, meio de longe, tem a impressão que Jesus, o Filho de Deus, foi um fracasso completo. No entanto, Ele afirmou cumprir a Sua missão por meio de Sua morte. Aliás, durante os seus poucos anos de vida aqui na terra, Ele ansiava pelo cumprimento de sua obra – reaproximar-nos do Seu Pai.

Em três ocasiões, distintas e solenes de Sua vida, ele predisse a Sua morte, dizendo que “O Filho do homem deveria sofrer muitas coisas... e... ser morto” (Marcos 8.31; 9.31, 10.32-34). Jesus entendia que a Sua missão só poderia ser completada com a Sua morte e, portanto, Ele a tinha como algo inevitável.

E EU VIVEREI POR FÉ

Gente querida! Jesus veio ao mundo com o objetivo de nos mostrar que o nosso Deus é um Deus de amor. Que Deus é um Deus misericordioso, que se doa para nós sem esperar qualquer coisa em troca. As pessoas que vêm a conhecer Jesus pessoalmente, têm a liberdade de tocá-lo. Foi através da atuação de Jesus aqui na terra que Deus quebrou os muros da desconfiança e do desespero que existiam. Deus simplesmente acabou com com o isolamento que o pecado um dia tinha instalado entre as pessoas a quem Ele sempre quis tanto bem. Em Jesus, Deus possibilita a cada uma, a cada um de nós, a perspectiva de um recomeço. Sim, Deus oferece vida nova, vida abundante, vida repleta de futuro àquelas pessoas que cairam, que estão decepsionadas com autras e outros e consigo mesmas, que estão em busca de um sentido para as suas vidas.

As pessoas que aceitam a oferta de vida que Deus faz, não são presenteadas apenas com novas perspectivas. Elas simplesmente são presenteadas com uma nova valoração para suas vidas pessoais. Sua auto-estima cresce. Pessoas tocadas por Deus não têm mais medo de afundar, solitária e anonimamente, dentro da massa porque Deus as toma pela mão e lhe dá chão firme debaixo dos pés. É sobre esta base que elas podem recomeçar o seu novo futuro; que elas podem reconstruir o seu novo momento. E tudo porque a sua cabeça está liberada para assumir o compromisso dessa decisão que terá validade para dentro da eternidade.

Cristo pagou um preço caríssimo por mim e por ti na cruz. Quer dizer, eu tenho grande valor e este nosso valor permanece intocado porque, repito, Jesus morreu por nós no Gólgota. Resumindo, porquê devo me gloriar na cruz de Cristo? Ora, porque a cruz anula qualquer outro caminho para o céu. (
João 14.6); porque a cruz me mostra a gravidade do meu pecado. (Romanos 5.8); porque a cruz é a garantia da minha vida eterna. (Apocalípse 5.9)

E isso vale para cada pessoa que diz “sim” a Jesus; para cada pessoa que leva a morte e a ressurreição de Jesus em conta. Deus nos aceita através do seu Filho que, neste momento, está do nosso lado – e o alvo da nossa existência é a vida eterna do lado Dele. Isso Ele nos prometeu com todas as letras e é nessa promessa que nós podemos confiar. Pode existir melhor perspectiva do que essa para a minha e para a tua vida?

CONCLUSÃO

Conta-se que certa família afastou-se da Igreja, da Comunidade, da Paróquia porque recebeu um tratamento não muito digno dos líderes, do presbitério. No dia da celebração da Santa Ceia, a filha mais nova do casal preparou-se para ir ao Culto e a sua mãe a censurou por isso: - Filha você já esqueceu da desconsideração que sofremos naquela Igreja? Mãe – retrucou a filha – quando contemplo a maravilhosa cruz do meu Salvador, não posso abrigar rancores em meu coração.

Gente, essa moça foi encontrada por Deus que “a amou de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que também ela, que Nele veio a crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3.16) Digo de um outro jeito: O diamante não brilha com fulgor, a não ser que seja burilado, lixado e trabalhado. Quando formos burilados, lixados e trabalhados pela cruz de Jesus, também brilharemos como jóias no Reino de Deus... (Englobar a cruz preta com o coraçao vermelho)... e o nosso coração baterá mais apressadamente por causa do júbilo, da alegria que nele se instalou.

Martin Luther disse certa vez que essa cruz preta, lembra que em Jesus o próprio Deus vem ao nosso encontro, sacrificando a Sua vida e vencendo o poder da morte em nosso favor, para que “todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16); para que "o justo viva pela fé" (Romanos 1.17), no Crucificado (Romanos 10.10) e que, embora seja uma cruz preta, que mortifica e que também deve causar dor, ela deixa o coração em sua cor natural... Nosso coração é vermelho e ele pulsa, e ele ama, e ele espera, e ele quer ser habitado por Deus...

Amanhã, às 20.00h, iremos dar um passo adiante nesta nossa temática. Amanhã, sábado, o nosso tema girará em torno do coração, deste órgão que trabalha dentro de nós sem parar mas que também é depósito dos nossos sentimentos bem pessoais. Que Deus nos abençoe neste tempo de espera... Amém!



O NOSSO CORAÇÃO (Palestra 2)

Ontem, sexta-feira dedicamo-nos a refletir sobre a cruz preta. Vimos que Jesus carregou nossos pecados na cruz; que Ele nos levanta quando caimos; que Ele nos aponta um caminho de paz, amor, justiça e perdão que, uma vez assumido, refletirá nas nossas gerações futuras. Hoje, sábado, o nosso assunto girará em torno do coração vermelho que simboliza a nossa fé e o nosso amor. Em Ezequiel 36.26 se lê: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne.” Já em 1 Coríntios 6.19 se pode ler: “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?”

Esse corpo que acabamos de trazer a pé e ou de carro aqui para esta Palestra Evangelística é considerado por Deus como “templo do Espírito Santo”. Pois é dentro deste templo que somos chamadas e chamados a desenvolvermos a sabedoria cristã. Esta sabedoria, este jeito de pensar como Deus pensa, terá espaço em nós se abrirmos as janelas do nosso templo para que o Espírito de Deus sopre do seu vento, repleto de frescor, na nossa alma. Você já entrou num aposento com o ar viciado?... Se Deus tiver a chance de soprar do Seu Espírito no templo que carregamos com nossas pernas, Ele expulsará o ar viciado que existe na nossa vida. Renovando o ar dentro do nosso templo, Ele nos impulsionará para a prática de obras que têm a ver com Ele. Muitas cristãs e muitos cristãos têm convertido este templo numa casa de consumo, apenas. Deixam-se envolver por propostas estranhas que vão sendo oferecidas de forma barata nos mercado de qualquer esquina e isto, sem qualquer criticidade.

Para os coríntios do Novo Testamento essa barateção do Evangelho dizia respeito à liberalidade sexual. Qual é o problema concreto da minha, da tua, da nossa vida? O que é que tem rolado dentro do nosso templo?... Que tipo de pensamentos têm tido espaço dentro dele?... Mentiras, insinuações, impurezas, invejas, inimizades, ciúmes, discórdias, facções, vantagens... é isso que te move na vida? Ah gente! Se estas coisas têm espaço nos armários do nosso templo, então somos pessoas infelicíssimas – preciso dizer.

O templo que carregamos no nosso corpo deve ser a casa onde o Espírito Santo de Deus tem a palavra e onde a pessoa de Jesus Cristo se sente bem. Esse sempre foi o desejo de nosso Senhor conforme podemos ler em Marcos 11.15-17: “E foram para Jerusalém. Entrando ele no templo, passou a expulsar os que ali vendiam e compravam; derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Não permitia que alguém conduzisse qualquer utensílio pelo templo; também os ensinava e dizia: Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações? Vós, porém, a tendes transformado em covil de salteadores.” Transformaste o templo de Deus construido em ti numa casa de salteadores?

Deus sonha o nosso corpo como sendo a Sua casa. O nosso corpo foi concebido para abrigar um Culto constante a Deus. E aqui vou ousar fazer uma pergunta: Como estamos servindo ao nosso Deus nos dias de hoje?... Estamos usando as dependências do templo de Deus como um armazém de consumo de alimentos? Como um depósito de prédicas? Gente! Deus gostaria de renovar, de reformar o nosso corpo para que o mesmo voltasse a servir como o Seu templo de Culto. Através do sangue de Jesus na cruz, este nosso templo pode experimentar uma grande reforma, e isto ainda neste final de semana.

Como é que o meu vizinho está me percebendo?... Como é que o meu parceiro está me vendo?... O que é que se ouve, o que é que se fala do meu templo; das coisas que acontecem dentro do meu templo, logo ali fora na Santos Dumont?... Ouvem-se hinos de louvor ou somente tons desafinados de vida mal vivida?... O que é que brilha para além dos limites do meu templo?... Muito nervosismo e mau humor ou os frutos do Espírito do amor, da alegria, da paz e da paciência... (Gálatas 5.22) porque o Espírito de Deus já obteve nova morada em mim?

INÚMERAS PROPOSTAS

Todas as pessoas cristãs têm um caminho a porcorrer durante o tempo da sua vida. Na Bíblia Jesus nos deixou claro que nem todas as pessoas fariam a opção pelo bom caminho, como bem escreveu o evangelista Mateus (Mateus 7.14). A empreitada de se enfrentar os caminhos do mundo não é nada fácil. Quem quiser se portar como uma pessoa cristã, como um indivíduo comprometido com Cristo neste mundo, experimentará a ameaça de muitos perigos.

Aqui e ali a mentira está sendo vendida como verdade. Lá e cá os pecados estão sendo oferecidos com extrema simpatia no mercado. Pois foi justamente para nos ajudar a vencer estas dificuldades que Jesus fundou a Sua Comunidade, a Sua Igreja. Nela podemos ser informados sobre qual o caminho mais correto a ser percorrido rumo ao Reino de Deus. A Palavra de Deus é uma espécie de compasso e o espírito de Deus é como se fôsse uma bússola. Com estes dois instrumentos na nossa mão, não há como nos perdermos nesta expedição que é extremamente segura, porque organizada pelo nosso Senhor.

O convite para participação nesta “viagem” foi, é e continuará sendo encaminhado a todas as pessoas, indistintamente. É interessante notar que muita gente entende que não necessita da Comunidade de Jesus para sobreviver. E quando a gente conversa com estas pessoas elas dão um jeitinho de nos dizer que até acreditam em Deus e que, para elas, isso já é mais do que suficiente. Eu até as entendo. Elas estão marcadas pelo “espírito” do nosso tempo que lhes dá costas quentes para só pensarem em si e serem individualistas.

São inúmeras as pessoas que, um dia, iniciaram sua caminhada cristã dentro da Comunidade mas que, por uma razão ou outra, estacionaram em algum lugar da história. Alguma coisa às fez desistir do seu caminho, talvez tenha sido algo interessante que tenha acontecido na margem da estrada. O que é que estas pessoas vão fazer se, de repente, perceberem que estão sós na jornada?

São sábias as pessoas que permanecem firmes, plantadas na Comunidade que Deus lhes presenteou com Sua Palavra e com Sua Verdade. Se quisermos nos aventurar por conta própria pelos caminhos do mundo, cedo ou tarde vamos perceber que não temos capacidade para vencermos os caminhos difíceis que a vida nos propõe. Uma coisa podemos fazer, sim senhor: agradecermos pelo fato de Deus tudo ter feito no sentido de que não viéssemos a nos perder, a andar em círculos.

AUTO-AVALIAÇÃO

No verso 23 do Salmo 139 está escrito: “Sonda-me ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos.”

As vezes me pego pensando: Será que temos a capacidade de realmente nos levar a sério como convém? Será que temos a capacidade de perceber verdadeiramente tudo o que acontece lá no fundo da nossa alma? As pessoas que estudam aquilo que vai dentro do nosso coração insistem em dizer que sabemos pouco ou quase nada das coisas que são verdade lá bem no fundo do nosso cérebro. Muitas pessoas até querem ignorar o que se passa lá, visto que têm pouco ou quase nenhum controle destas sensações.

Lá bem num cantinho do nosso ser podem estar escondidos medos, agressões que sofremos de alguém no passado, aprendizados negativos que vivenciamos, sentimentos de culpa e de inferioridade e até de baixa auto-estima que somente vêm a tona em determinados momentos da nossa vida. Ninguém está livre destas sensações que nos vêm, quando menos esperamos. As vezes temos boas razões para realizarmos este ou aquele ato. Mas o que é que nos move a agirmos assim?

Quase sempre temos um objetivo comum que é nos apresentarmos bem diante de Deus e das pessoas. Para escondermos as sombras da nossa vida, nos esmeramos em desenvolver alguns mecanismos que escondem as mesmas e assim, trabalhamos consciente e ou até inconscientemente no nosso corpo, no nosso perfil para que as outras pessoas tenham uma boa figura de nós em suas mentes. E quanto mais tempo gastamos com este aparato de mecanismos em nós, tanto mais nós mesmos acreditamos que somos isso que estamos teatralizando. Dessa forma, acabamos ficando cegos para as coisas que acontecem dentro de nós mesmos.

As pessoas que nos estão próximas conseguem ver bem melhor aquilo que se passa dentro do nosso íntimo, as coisas que procuramos esconder atrás da nossa fachada cristã. Deus vê tudo de forma detalhada. Ele vê muito melhor do que as pessoas que são nossas irmãs. Dele nós não podemos esconder absolutamente nada. Aliás, nem precisamos fazê-lo porque Ele nos ama tal como somos. Nada vai fazê-lo mudar de idéia, de pensamento a nosso respeito. Aconteça o que acontecer, Ele não vai nos amar mais ou menos. Quem se esconde atrás de fachadas cristãs, prejudica-se a si mesmo. Quem vive uma vida de faz de conta que é cristão, tem dificuldade de aceitar o amor de Deus.

Nossa própria força não é suficiente para libertar-nos desta situação incômoda. É por isso que deveríamos fazer alguma coisa, quem sabe levarmos em conta a sugestão do salmista: Pedir a Deus que Ele nos abra os olhos para que possamos avaliar o que realmente ocorre dentro do nosso coração. Deus nos conhece melhor que nós a nós mesmos. Ele conhece todas as nossas fraquezas interiores, todas as nossas feridas, todos os nossos conflitos, todos os nossos sofrimentos e todas as nossas saudades.

Numa conversa franca com Ele, nós poderemos aprender a sermos pessoas equilibradas, abertas, sinceras, verdadeiras e leais. Sim, Deus quer nos transformar em pessoas, em gente desse quilate, em mulheres e homens que sempre são extremamente necessários na família, na sociedade, na Igreja e no Reino de Deus.

CONCLUSÃO

Pela fé, as cristãs e os cristãos aceitam a Cristo, o Crucificado, como seu Salvador. Pela fé a cristandade recebe Dele a purificação dos seus pecados e passa a amá-Lo e a servi-Lo em sua vida. A cor vermelha deste coração que aí pulsando está é a cor do fogo. Pois é assim que deve ser a chama da nossa fé: acesa em nossos corações com o Evangelho da Cruz, pelo poder do Espírito Santo. A cruz preta, rodeada por um coração vermelho, significa que toda a minha vida fica envolvida pela fé. Significa que Cristo agiu na minha vida através da Cruz e claro, que Ele continua agindo. Crendo em Cristo, a minha vida recebe um novo sentido. E esse novo jeito de viver eu coloco a serviço do Filho de Deus, em favor das pessoas pobres, aflitas e necessitadas. Assim, como Cristo nos amou, também as suas filhas e os seus filhos deverão se amar uns aos outros. Assim como Cristo serviu aos seus, as suas filhas e os seus filhos deverão servir uns aos outros, cada qual “conforme o dom que recebeu” (Gálatas 6.2).

Termino esta segunda palestra citando Agostinho: - “O coração de uma mulher e de um homem bondoso é o santuário de Deus neste mundo. É com o coração que se pede... é com o coraçao que se procura... é com o coração que se bate e é ao coração que a porta se abre.”

E agora, coloco estas pétalas brancas em torno deste nosso coração que pulsa por momento novo. Amanhã pela manhã daremos seqüência ao nosso tema intitulado “O Perfume da Rosa”. Procurem não faltar. É importante a sua presença... Amém!



A ROSA DA ALEGRIA (Palestra 3)

As cinco pétalas que englobam o coração vermelho representam a pureza; demonstram que a nossa fé produz alegria, consolo e paz. As bênçãos e a beleza do Reino de Deus do qual Lutero tanto falou e cantou, são representadas por esta rosa branca na qual descansa o coração da pessoa cristã. A cor branca, é a soma de todas as cores e isto quer dizer que Jesus é tudo em todas e todos; quer dizer que quando Cristo tem lugar em nossa vida, ocorre uma transformação, uma mudança que traz a verdadeira paz e a verdadeira alegria.

Os botânicos e floricultores afirmam que certas variedades de rosas se tornam de 30% a 40% mais aromáticas à noite que de dia. Esse fenômeno também pode ocorrer nas nossas vidas. Por causa de noites de amargura, de sofrimento e de desilusão elas tem a oportunidade de exalar o seu mais suave perfume espiritual. Foi Paulo que nos pediu para sermos “bom perfume” de Cristo (2 Coríntios 2.15)!

ALEGRIA NO CORAÇÃO

Gente querida! Um dos versículos mais conhecidos do Novo Testamento foi escrito pelo apóstolo Paulo em Filipenses 4.4. Eu leio o mesmo: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos.” Eis aqui uma ordem para nos alegrarmos. Trata-se de um chamado à alegria. Será que isso é possível, alegrar-se a partir de um mandado? No nosso dia-a-dia temos que lidar com tantas ordens: - Faça o teu serviço corretamente! Não baixe a cabeça por causa destas ou daquelas preocupações! Não seja preguiçoso! Não volte atrás! Aguenta o tranco! E agora, aqui neste domingo de manhã: “alegrem-se”.

Eu proponho que, aqui e agora, avaliemos um dia normal da nossa vida: Logo pela manhã, ao acordarmos, a maioria de nós consegue movimentar os pés e as mãos; consegue ver e ouvir; consegue falar e sentir. Gente querida, isto não é natural mas sim um presente que Deus nos alcança diariamente.

Ao meio-dia sentamo-nos à mesa para o almoço e, as vezes, até há uma colherinha profeta apontando para uma gostosa sobremesa para para daqui há pouco. Gente, não é natural que a comida e a bebida sempre esteja disponível sobre a nossa mesa. Há lugares bem pertinho de nós onde pessoas, neste momento, estão morrendo de fome.

Quando é de noite, muitas e muitos de nós chegamos em casa depois de um dia inteiro de trabalho. E isso, numa conjuntura onde há milhares de pessoas desempregadas. Sim, temos inúmeros motivos para agradecer a Deus que se ocupa conosco diariamente. Deus nos emite sinais de Sua amizade e isso, constantemente. Não existe manhã em que o nosso Deus não nos promova a perspectiva de um amor renovado.

E nós temos a possibilidade de nos adonarmos desse amor que se renova a cada dia da parte de Deus para conosco. Por causa das pequenas bênçãos que a cada manhã são derramadas sobre as nossas cabeças, podemos ser alegres e agradecidos. Mas não apenas isso! Em Filipenses 4.5 Paulo nos sugere que "a nossa moderação seja conhecida de todas as mulheres e de todos os homens." Com essa palavra ele nos sugere que repartamos com as outras pessoas que nos são próximas dos presentes que Deus nos tem alcançado. Agindo assim, estaremos re-promovendo alegria e, por tabela, experimentando mais da mesma.

UMA BOA RECEITA

Naqueles tempos, quando o apóstolo Paulo escreveu a sua Carta à Comunidade dos Filipenses ele estava encarcerado, por causa da fé que professava. Vocês hão de concordar comigo que estar atrás das grades certamente não seja um bom lugar para se viver e experimentar alegria. Além de estar preso, Paulo ainda precisava se desgastar com a resistência a alguns críticos instalados dentro das próprias fileiras cristãs. Isso lhe custava inúmeras forças internas. Quantas e quantas vezes ele pensou que a morte lhe seria mais útil do que aquela vida de desgastes. Nessas horas ele reagia e não sucumbia nos maus pensamentos. Lutava consigo mesmo e se decidia pela vida, pela alegria (Filipenses 1.12-26). Essa sua postura positiva em relação à vida transparece no mandado de alegria que ele dá ao povo de Filipos: alegrem-se!

Ontem como hoje seguir a Cristo não traz uma vida sem problemas. Em contextos mais difíceis e complicados, o ato de se seguir a pessoa de Jesus chega a ser até bem pesado. Mas então, onde é que está o segredo de Paulo para achar tanta alegria no meio de tamanhas dificuldades? Como é que ele conseguia dar tanto de si neste projeto de paz, amor, justiça e perdão que encabeçara no mundo antigo?

O segredo está na experiência que fez com Deus. Sua relação com Ele oportunizou-lhe o amadurecimento interior a ponto de, passo a passo, ir se convertendo num “cerne” do cristianismo. Paulo podia dizer “sim” em cada situação e isto porque vivia da força que Deus lhe presenteava, lhe alcançava. O segredo da alegria experimentada por Paulo se resumia no fato de ele viver da esperança. Ele não se deixava derrubar pelas experiências negativas experimentadas no passado. Paulo olhava para a frente. Na Carta aos Filipenses (3.14) ele nos testemunha: - "Eu prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." Essa era a base onde ele, Paulo, fundava a sua alegria, a sua pré-alegria pelas coisas que ainda haveriam de vir, que ele ainda haveria de experimentar.

Eis aí uma boa receita para levarmos em conta na nossa vida de fé. Não gastemos do nosso precioso tempo olhando para trás. O que passou passou. Se nós pudermos nos esquecer das coisas que para trás ficaram, então também poderemos deixar para trás as coisas que nossos inimigos nos aprontaram. Ora, isso é motivo para muita alegria. Isso mesmo! O tempo de olharmos para a frente, de nos alegrarmos com Aquele que vem, Jesus Cristo, está aí. Se os nossos vizinhos, os nossos colegas de trabalho, os nossos familiares perceberem qualquer coisa da grande alegria que pulsa em nós, melhor ainda.

FRUTO DO ESPÍRITO

A alegria é fruto do Espírito Santo. Ela tanto pode estar em Deus como no próximo. Há pessoas que exalam alegria, apesar da violência e das contrariedades que a vida lhes propõe. O que é a alegria? É aquela conversa animada entre o noivo e a noiva. É aquela feliz e amável recordação que os cristãos têm de Cristo. É a boa admoestação, os hinos de gratidão e os salmos de louvor com os quais a cristandade se exorta e se exercita.

A Bíblia deixa claro: Deus não tem prazer num espírito contristado. Seu desejo é que nos alegremos Nele. Ao enviar Seu Filho ao mundo, não o fez para entristecer-nos e sim, alegrar-nos. Por isso é que os profetas, os apóstolos e o próprio Cristo ordenam: sejam felizes e alegrem-se por meio da fé em Cristo. Onde houver desta alegria espiritual mencionada por Paulo, está presente a certeza de que Jesus é Salvador; a certeza de que Ele intercede por nós diante de Deus.

CONCLUSÃO

O mundo está contente e se sente bem quando tem bens, dinheiro, glória e poder. Corações atribulados, entretanto, não desejam outra coisa senão paz e consolo, certeza de que Deus lhes é gracioso. E essa alegria, que traz descanso e paz ao coração miserável, é tão grande que ofusca a alegria do mundo. Por isso, prestem atenção, vocês que estão tristes e sentem-se miseráveis, pois eu lhes trago uma boa notícia: - Jesus não se fez homem para lançar ninguém ao inferno. Ao contrário, Ele veio para que todas as pessoas tivéssem, Nele, muita alegria. Ele é a nossa Grande Alegria.

Estas cinco pétalas brancas estão assinalando que a fé atuante gera alegria, consolo e paz com Deus, conosco mesmos e uns para com os outros. Quando a cruz de Cristo tem lugar em nossa vida, ocorre uma transformação. O reino de Deus se faz presente com todas as suas promessas. A rosa branca nos testemunha que a fé promove esta alegria, este conforto e esta paz. Em outras palavras, a fé coloca a pessoa cristã numa rosa branca, numa flor de alegria, pois esta fé não dá a paz e nem a alegria como o mundo a dá (João 14.27).

E eu termino com esta pequena estorinha: Um garotinho indiano estava sentado com o seu pai, perto de uma fogueira. Pai – perguntou o menino – o que é que o fogo come? - Ele come a floresta meu filho, mas o seu principal papel é devorar a escuridao da noite! Pois é justamente isso que o fogo do Espírito Santo quer consumir em nós – o lado escuro das nossas vidas. Que Deus nos abençoe.

Hoje à noite, encerraremos o nosso ciclo de palestras sobre o tema “O Perfume da Rosa”. Por isso, neste momento, eu já quero completar o nosso quadro, colocando o “céu” em torno das pétalas brancas, do coração vermelho e da cruz preta. À noite a gente se vê mais uma vez… Amém!



FIDELIDADE SEM FIM (Palestra 4)

Hoje pela manhã coloquei o fundo azul em torno das pétalas brancas. Este fundo azul lembra o céu onde o nosso Deus e o nosso Senhor Jesus Cristo moram. Quando menino, imaginava as nuvens do céu como sendo a fumaça que saia do fogão de Deus... Ele também nos aponta para a fidelidade de Deus que está conosco. Em Cristo Deus veio nos salvar, veio nos unir em torno desta Comunidade, desta Paróquia. Hoje podemos viver com Deus. Aqui e agora podemos ser “bom perfume”, pequenos sinais do Reino de Deus dentro da sociedade que nos cerca. Esta cor azul nos sugere a esperança na eternidade. Ela simboliza que a alegria experimentada aqui, por causa da nossa fé, já é o começo da futura alegria que experimentaremos na casa do nosso Pai.

Agora vou colocar o anel dourado e assim a rosa ficará completa. Este anel lembra o ouro, este metal tão precioso que representa os presentes que recebemos de Deus através da cruz e da ressurreição de Jesus Cristo. Pela fé temos o perdão, a comunhão, a esperança, o pão de cada dia e um sentido para a nossa vida. Este anel também aponta para aquilo que, na eternidade, nos será dado: alegria sem fim e satisfação de todas as nossas necessidades e anseios. Lá no “novo céu e na nova terra” nós teremos a oportunidade de ver Aquele no qual temos crido, face a face. Neste dia penso tomar um gostoso chimarrão com Deus.


PEQUENO GRANDE ZAQUEU

Durante a semana, enquanto escrevia esta palestra, eu me re-perguntava: - Porque é que Jesus veio mesmo a este mundo? O evangelista Lucas nos deixou uma boa resposta em Lucas 19.10 onde se lê: „Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.” Dizendo de um jeito diferente: Jesus veio a este mundo para converter pecadores em pessoas bem-aventuradas, em pessoas eternamente felizes.

Em Lucas 19.2-10 se lê sobre Zaqueu, um homem perdido na poeira. Certo dia Jesus dirigiu-se justamente a ele, o chefe dos cobradores de impostos de Jericó, o maior malandro, o maior corrupto, o maior pecador da cidade. Zaqueu só queria enriquecer. Sabia muito bem como se mexia “os pauzinhos” para faturar muita “grana” em qualquer negócio que fazia. O povo desprezava-o, detestava-o por causa deste seu jeito de ser. Chamavam-no de arrogante. Zaqueu não tinha amigos, mas mesmo assim gozava de muito poder na sociedade. Podia fazer o que bem entendesse pois os romanos o protegiam. Para ele o dinheiro estava acima de tudo e de todos.

De repente ele ouve qualquer coisa a respeito de Jesus. E estas coisas que ele ouviu o fizeram refletir sobre a sua vida. Esse tal de Pregador de Nazaré teria dito: ; “Bem aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus! (Mateus 5.8) Ora, ele não tinha um coração limpo. Ele não tinha paz com Deus. Ele era um homem muitíssimo bem de vida mas no fundo, bem no fundo do seu coração, experimentava uma grande infelicidade - essa era a verdade.

Quando Jesus chegou à cidade, dirigiu-lhe a palavra e depois disso acompanhou-o até sua casa. Lá Zaqueu conheceu uma Pessoa que não estava longe, separada de Deus por causa de pecados. Lá ele teve a oportunidade de dialogar com um Indivíduo de olhar transparente e de consciência tranqüila como ele nunca tinha percebido em ninguém. Sim, era isso que ele também sonhava para si. Ele queria livrar-se desta auto-condenação que o acompanhava a cada passo, como se fosse uma sombra. Ele queria jogar para longe a sua consciência pesada que tanto lhe dificultava a vida. Ele também tinha um profundo desejo de colocar-se em comunhão com o Pai do Céu, experimentar uma vida abundante.

Zaqueu sabia que o seu amor ao dinheiro poderia impedi-lo de ter boa relação com Deus. Agora ele está ali, diante de Jesus, e precisa tomar uma decisão. Ele a toma quando diz: - "Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais." (Lucas 19.8)

Jesus, que até então nem tinha tocado neste assunto de dinheiros, alegrou-se com a sua decisão de vida e disse: - "Hoje, houve salvação nesta casa!" (Lucas 19.9a) Observem, tal como Zaqueu, hoje qualquer pessoa pode experimentar a salvação. Ninguém de nós pode se auto-perdoar pecados. Temos culpa diante de Deus e esta simplesmente nos carimba como pessoas perdidas para sempre. Claro que na nossa sociedade de hoje, ninguém mais será menosprezado por amor ao dinheiro. Talvez tu e eu sejamos apenas mexeriqueiros, invejosos e ou orgulhosos e isso já é suficiente para que haja um afastamento nosso de Deus. Se esta é a nossa realidade, tal como Zaqueu, precisamos encontrar-nos com Jesus; carecemos de um encontro pessoal com Ele. Só Nele encontraremos forças para mudarmos definitivamente de vida.

UM NOVO CÉU E UMA NOVA TERRA

Em Apocalipse 21.1 se lê sobre a visão que João teve: - “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram...” Eu até que já viajei bastante. Posso testemunhar para vocês que a nossa terra é bonita! Nela sempre ainda podemos observar as provas da sabedoria do nosso Criador. Aqui e ali estão as flores, as árvores, os arbustos e os animais. Como será que a terra era nos tempos quando ela recém tinha sido criada pelos dedos de Deus?

No último livro da Bíblia se lê que Deus vai criar uma nova terra e que, consequentemente, a velha terra vai deixar de existir. Porque é que Deus vai fazer isso? A nossa terra é linda mas ela está arruindada porque as pessoas pecaram, porque as pessoas se separaram de Deus. No plano original de Deus para as Suas filhas e os Seus filhos ela seria uma terra sem pecados, sem qualquer afastamento Dele. É por isso que Ele quer criar uma nova terra. Ele continua sonhando com o fato de que a Sua Criação possa voltar a ter comunhão integral com Ele.

Esta nova terra que Deus vai criar será muito bonita. Não dá para se descrever sua beleza. As explicações de Apocalipse 21 e 22 não são suficientes para bem explicar esse momento novo que a cristandade experimentará. Mas estas explicações do livro de Apocalipse querem plantar a esperança, querem despertar o desejo em nós de estarmos lá para vermos “in loco”como será esta nova terra.

Deus sonha em nos construir um lindo lar. Quem nele morar, vai ter sua vida marcada pela paz e pela liberdade sem qualquer sofrimento e, conseqüentemente, experimentará felicidade ímpar. Quem é que não quer algo assim para si e para os seus? Lá nesta nova terra nós vizinharemos com Deus e com Jesus Cristo, o nosso Senhor e Salvador. Há alguém aqui que vai refugar uma proposta destas?

Uma tal oferta de Deus vale para todas e todos nós, sem distinção. A decisão de ir morar lá nesta nova terra é individual. Cada pessoa precisa fazer a sua opção particular, tal como Zaqueu a fez. Hoje é o dia de se aceitar o Senhor Jesus como Senhor e Salvador da nossa vida. Hoje é o dia de entregarmos a nossa história a Ele. Hoje Ele quer nos transformar, transplantar em nós um coração de carne lá onde existe um de pedra.

Vamos permití-lo?... Vamos nos decidir por uma vida com Jesus ocupando o centro da mesma? Se nossa resposta for “sim”, vamos vê-Lo como Ele verdadeiramente é (1 Joao 3.2). Essa é a nossa esperança, o nosso futuro certo, a nossa certeza, o oxigênio da nossa vida!

CONCLUSÃO

Estou concluindo estas palestras sob o tema: “O Perfume da Rosa” com mais uma pequena história. Conta-se que durante a Primeira Guerra Mundial, dois amigos lutavam juntos, incorporados num mesmo pelotão. Num dado momento, um deles caiu ferido na batalha. Os demais soldados da sua patrulha seguiram adiante, abandonando-o nos campos nevados e frios da Europa. Horas mais tarde, o seu companheiro ficou sabendo do ocorrido. Quando veio a noite, este arrastou-se cautelosamente por entre as trevas, arriscando sua vida, com o objetivo de resgatar o amigo machucado. Quando se aproximou da trincheira onde o colega se encontrava ouviu-o dizer emocionado, confiante e agradecido: - “Sabia que virias!...

Jesus, na pessoa de Jesus Cristo, veio até aqui nos visitar. Ele veio até nós. Ele está do nosso lado na hora da necessidade, da amargura, do sofrimento e da decepção. Deus tem duas moradas. Uma delas é nos céus e a outra é nos corações das pessoas que o buscam... Amém!