quarta-feira, 2 de julho de 2008

Nem sempre ouviremos notícias do jeito que queremos, vindas da parte de Deus. Mas é melhor ouvi-las que confiar em mentiras.



Nem sempre ouviremos notícias do jeito que queremos, vindas da parte de Deus. Mas é melhor ouvi-las que confiar em mentiras.


Jeremias 28.5 Então, respondeu Jeremias, o profeta, ao profeta Hananias, na presença dos sacerdotes e perante todo o povo que estava na Casa do SENHOR. 6 Disse, pois, Jeremias, o profeta: Amém! Assim faça o SENHOR; confirme o SENHOR as tuas palavras, com que profetizaste, e torne ele a trazer da Babilônia a este lugar os utensílios da Casa do SENHOR e todos os exilados. 7 Mas ouve agora esta palavra, que eu falo a ti e a todo o povo para que ouçais: 8 Os profetas que houve antes de mim e antes de ti, desde a antiguidade, profetizaram guerra, mal e peste contra muitas terras e grandes reinos. 9 O profeta que profetizar paz, só ao cumprir-se a sua palavra, será conhecido como profeta, de fato, enviado do SENHOR.

No dia 30 de junho passado completaram-se 100 anos de um acontecimento que até hoje não está plenamente elucidado. Era o meio da noite quando, de repente, na Europa, as pessoas que estavam na rua conseguiram ler parte dos jornais em plena praça pública. Tamanha era a claridade do céu. Nada se viu, nada se ouviu, somente a clara luz que por alguns instantes deixou a noite dia. Faz 100 anos que centenas de milhares de árvores carbonizaram na Sibéria. Foi tudo instantâneo. Décadas depois ainda estavam lá as árvores, queimadas de uma forma misteriosa, caídas uma ao lado da outra, enfileiradas caprichosamente. Aos poucos um pequeno lago – o Lago Checo – começa a ajudar os cientistas a desvendar o mistério deste acontecimento: um meteoro caiu. Mas muito ainda há para descobrir. Depois de tanta destruição e de tanto mistério, haveria ouro enterrado abaixo daquele lago? E a curiosidade é atiçada pela vontade de enriquecer com um provável ouro celestial.

Curiosidades acabam sendo traduzidas em descobertas importantes. Boas notícias sempre são aguardadas ansiosamente como ponto final de um mistério. Viver aquela sensação de “ah, foi só isso? agora estou tranqüilo” parece nos satisfazer. E, se depois da desgraça e do susto, puder ser encontrado algo que indique um final feliz? Por outro lado, para que fiquemos bem, podemos até seguir uma mentira. Para satisfazer nosso “eu” podemos até nos deixar iludir com fatos que não refletem a realidade. E se há 100 anos caiu uma bola de ouro naquele lago siberiano?

No mundo politicamente correto sempre se corre o perigo de relativizar a realidade para que a mentira nos traga satisfação. Só assim posso compreender o porquê de tanta corrupção entre a classe política, por exemplo. Gostam tanto de uma mentira que já não conseguem mais distinguir o que é verdade. Ou então os descaminhos na área da sexualidade onde a mentira da homossexualidade e a homofobia se confundem com o verdadeiro estado de pessoas que perderam o bom senso – e se encaminham para a morte – e não mais vêem o horizonte do verdadeiro – que traz a vida.

Olhando para o texto de Jeremias, vemos que também ali o povo de Deus não compreende mais o que é verdade e o que é mentira. No capítulo 27 de Jeremias, o profeta de Deus faz uma canga – o jugo – e a coloca sobre seu pescoço dizendo: “Se alguma nação e reino não servirem o mesmo Nabucodonosor, rei da Babilônia, e não puserem o pescoço debaixo do jugo do rei da Babilônia, a essa nação castigarei com espada, e com fome, e com peste, diz o SENHOR, até que eu a consuma pela sua mão”. Mas vem o profeta Hananias com uma cantiga mais interessante: “Assim fala o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, dizendo: Quebrei o jugo do rei da Babilônia”. Em quem você acreditaria? Naquele profeta que anuncia a desgraça ou naquele que anuncia a graça?

Difícil responder? Creio que precisamos de duas coisas para ter uma noção de resposta.

Discernimento. Para que se possa tomar um caminho seguro, uma decisão segura na vida, é necessário discernimento. As evidências nem sempre são tão claras, fazendo com que seja difícil decidir entre a verdade dura e a mentira contagiante. Por isso o salmista (Salmo 25) ensina no Antigo Testamento, em uma época muito próxima à de Jeremias: “Guia os humildes na justiça e ensina aos mansos o seu caminho. Todas as veredas do SENHOR são misericórdia e verdade para os que guardam a sua aliança e os seus testemunhos.” O discernimento é dom do Espírito Santo. O Espírito Santo age na congregação cristã, ensinando, consolando, orientando. Desta forma é sempre importante desconfiar de palavras mansas especialmente quando quem as diz não se encontra na plena comunhão com o Senhor Deus. O apóstolo Paulo conclama a Igreja a não ir atrás de “palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais”. E acrescenta dizendo que “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”. (1Co 2. 13-14).

Sabedoria é o outro ingrediente para seguir a voz de Deus e não a voz da mentira. Estudando o texto de Jeremias, muitas pessoas chegaram à conclusão de que a forma correta de entender a vontade de Deus é sempre seguir o caminho mais difícil. Dito diferente: sempre seguir o ensino que envolve desgraça, dificuldades, provações. Tudo porque Hananias estaria apresentando um caminho fácil, mas mentiroso. É este um critério correto? Isso é sabedoria? A sabedoria precisa ser pedida a Deus. “Dá, pois, ao teu servo coração compreensivo para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal...” (1Rs 3.9) A sabedoria leva à confiança em Deus, como ensina o provérbio “o temor do SENHOR é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino”. (Pv 1.7) A sabedoria não cai pronta do céu. É um processo de crescimento, como o exemplo dado por Jesus: “Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele”. (Lc 2.40). Desta forma facilmente entendemos que a sabedoria é processo que acontece na comunhão cristã – na participação de cultos, estudos bíblicos, grupos, trabalhos diaconais – e não no sofá da casa, diante da TV, mesmo que seja assistindo um culto evangélico após o outro.

Nem sempre ouviremos notícias do jeito que queremos, vindas da parte de Deus. Mas é melhor ouvi-las que confiar em mentiras. Isso não significa que Deus tem coisas ruins para nós. Ele sabe mais, porque vê além do que nós conseguimos enxergar. Por isso não deixemos de ter comunhão com Deus e nem pensemos em deixar a comunhão com irmãos e irmãs na Igreja, porque sozinhos estamos fadados a acreditar em mentiras. E, claro, sem conhecer a Jesus pessoalmente como Senhor e Salvador, não é possível ter clareza sobre a vontade de Deus para a vida de cada pessoa. Por isso fica o desafio: aceitar Jesus e viver segundo Sua luz.

Não deixemos de estar na comunhão com irmãos e irmãs. Não deixemos nossa comunhão com Jesus Cristo. Ele é fonte de sabedoria e discernimento.

P. Rolf Rieck

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