Esta prédica foi assunto dos nossos cultos no último dia 26, conforme indicação da série de perícopes das senhas diárias. Desejamos a você uma boa reflexão. P. Rolf

Ama et fac quod vis.
(Ame – e faça o que você quiser)
Uma associação humanista deverá começar 2009 com uma campanha na cidade de Londres. Pretende colocar em trinta ônibus da capital inglesa faixas dizendo: “Provavelmente, Deus não existe. Agora, pare de se preocupar e aproveite a vida”. A campanha ateísta tem o apoio do acadêmico britânico Richard Dawkins, autor do livro Deus, um delírio e conhecido pelos seus documentários questionando o papel das religiões. Este Sr. Dawkins já ganhou muita fama por cultuar o altar evolucionista de Darwin. Conforme a BBC, o objetivo de pessoas assim é de promover o atíesmo e encorajar, por assim dizer, os demais ateus saírem do armário, “a assumirem publicamente a sua posição e elevar o astral das pessoas a caminho do trabalho". Dawkins e seus discípulos capricham em seus argumentos e envolvem muita gente com sua lógica de pensamento.

Nos dias de Jesus esse papel era assumido por outro grupo: o dos saduceus. Eram provavelmente remanescentes dos dias de Salomão, hábeis em argumentos de sabedoria e que sabiam questionar e argumentar como (quase) ninguém. Embora tivessem uma certa piedade religiosa, não acreditavam em nada que não pudesse ser provado. Eram empiristas, praticamente existencialistas. Jesus os calou, conforme lemos no Ev. de Mateus. Os fariseus, outro grupo tido como cheio da razão e do conhecimento resolvem também afrontar Jesus. Afinal se Jesus for um mero ser humano, então ele não existe como filho de Deus. Desmascara-se Jesus e continua-se numa religiosidade de aparências, de medos e de submissões (como a de que Dawkins parece entender bem). Preserva-se um religião do medo e nega-se o caminho livre com Jesus.
No século retrasado, quando vieram os navios trazendo os imigrantres europeus ao Brasil, diz a história que também estava a bordo de um desses veleiros um certo Sr. Janfrüchte. Foram semanas de viagem incerta sobre o mar bravio. Nessa viagem ao Brasil, o Sr. Janfrüchte não deixou de, em nenhum momento, testemunhar sua fé e confiança em Jesus Cristo. Isso se tornou motivo de risos e chacota a bordo do navio. Todos riam deste crente. Até o capitão entrou, segundo se conta, nessa brincadeira de zombar daquele passageiro. Certo dia o capitão subiu ao deck do navio e com sua luneta procurava aflitamente por algo no horizonte: “Aqui não está”, “Aqui não vejo nada”, “Onde se escondeu?” Muitos passageiros subiram e perguntaram ao capitão o que procurava. “Procuro pelo bom Deus, mas não o encontro!” Todos entenderam do que se tratava e riam ainda mais de Janfrüchte. Este, calmamente, subiu até onde todos estavam e, dirigindo-se ao capitão, disse: “O senhor não consegue ver Deus? Isso não poderia ser diferente. Na minha Bíblia está escrito ‘Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.’ Então, Sr. Capitão, agora sabe porque não consegue ver Deus”.
Saduceus, ateístas, humanistas, existencialistas e muito outros questionam a existência de Deus ou questionam sua eficácia. Os fariseus questionaram a veracidade de Jesus a partir da opinião que o Mestre expressou sobre a lei de Deus. Todos tiveram que se calar. Por que?
Jesus responde com a lei do amor.
Agostinho, um dos primeiros grandes teólogos da humanidade, nos deixou a chave para entender a existência e a eficácia de Deus na vida da humanidade. Disse: Ama et fac quod vis – ame, e faça o que você quiser.
Jesus deixa um novo mandamento. Este, na verdade, resume e atualiza todos os demais mandamentos do Antigo Testamento (não somente os dez, mas também os perto de quatrocentos outros). O novo mandamento, por sua vez, se resume na palavra amor. É evidente que estas palavras não são destinadas ao público em geral, e sim, a pessoas que crêem e confiam em Jesus irrestritamente como seu Senhor e Salvador. Portanto, a pessoas que crêem em Deus e no Filho de Deus que age através da divindade do Espírito Santo.
Ame – e faça o que você quiser! Que inspirado resumo do Evangelho de Jesus Cristo! Podemos erroneamente ouvir esta chave de Agostinho como sendo faça o que você quiser. Ou, viva de qualquer jeito que tá tudo bem. Ainda, pare de se preocupar e aproveite a vida, como sugerem os ateístas. Mas isso não é assim! Se prestarmos bem atenção a Agostinho, que prestou bem atenção à Bíblia, amar significa completa obediência e dependência de Deus, é a condição de ser escravo do amor libertador (isso lhe parece contraditório?).
A vida de quem ama segundo Deus está tão amarrada à vontade de Deus, que o amor à vida no sentido pecaminoso da autosuficiência e da ausência de Deus fica definitivamente para trás. Repleto deste amor libertador de Deus, preenchido de forma existencial com este amor, esta pessoa não quererá mais viver outra coisa que o amor.
Jesus diz (João 13.34): Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Quando Agostinho explanou sobre este versículo, disse que o povo cristão não deve amar de forma interesseira, egoísta, com falsas motivações. Assim, de maneira interesseira, se amam muitos casais, muitos pais e filhos, muitos amigos e amigas – somente até o ponto em que podem tirar vantagem das outras pessoas. Assim os fariseus faziam com sua aplicação fundamentalista das leis mosaicas. Sempre a corda estourava na parte mais fraca – o outro. Como, então, deve-se amar? Devemos amar como Deus nos ama!
Os fariseus quiseram reduzir Jesus a uma descendência de um reino saudoso que já não existia mais, o do Rei Davi. Nesta forma reducionista de ver a vida, os fariseus conseguiriam continuar a manipular as pessoas ao seu redor. É um grande jogo de poder. Jesus não se presta a isto. V.45: Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho? E mais uma vez desmascara a esperteza humana. Quem conhece o amor de Jesus não mais se intimida com especulações criativas.
Ama et fac quod vis. Ame – e faça o que você quiser. O amor de Deus existe! Deus existe! Ele é real e transforma situações de injustiças e de falta de perdão em reconciliação.
Para uma análise final de cada um de nós:
V.42: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? “Deus existe! Agora, pare de se preocupar e aproveite a vida”. “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.” (Mateus 5.8)
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