Esta pregação fez parte da comemoração da Reforma Luterana na Comunidade Evangélica de Joinville. Em nossa Paróquia, ao falarmos de Somente Cristo, completamos o ciclo de pregações sobre os quatro fundamentos da Reforma. Tenha uma boa leitura. P. Rolf
João 14.9, 19-20: Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Ainda por um pouco, e o mundo não me verá mais; vós, porém, me vereis; porque eu vivo, vós também vivereis. Naquele dia, vós conhecereis que eu estou em meu Pai, e vós, em mim, e eu, em vós.
Somente Cristo
33% da população mundial se considera cristã. Isto é resultado de fé. Mas pode também ser resultado de condicionamento cultural, uma vez que muitas pessoas se dizem cristãs por conveniência (outras não podem se identificar como cristãs por causa de perseguição). Por isso é pertinente a pergunta neste século XXI: por que Cristo? ou, por que somente Cristo?
Hoje temos uma notícia a lhes dar: Somente Jesus Cristo salva. Só Cristo Jesus transforma a vida das pessoas. Jesus, o filho de Deus, Deus encarnado é o Redentor, o perdoador. Somente Cristo é base e fundamento para a vida digna, alegre e livre.
Não é suficiente dizer que há tantos cristãos para comprovar que somente Cristo é salvador. O que diríamos hoje de um homem jovem, saído de um lugarejo insignificante, que não tem uma cultura? Que diríamos de alguém saído de um lugar onde se fala um dialeto estranho, onde não há avanço técnico, onde não há arte, onde não há conhecimento científico, onde não há uma história importasnte para as religiões do planeta? Para começar, teríamos que chamar alguém que interprete seu dialeto estranho e mal elaborado. Logo este intérprete nos diria que este homem afirma ser o caminho, a verdade e a vida! Certamente teríamos que lhe dizer: “Ó jovem homem, vá primeiro ter um pouco de experiência de vida. Daqui a trinta anos você volta e daí conversamos melhor”.
“Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos.” João e Pedro defenderam assim sua confiança em Jesus diante das autoridades do Sinédrio, este tribunal que julgava questões criminais ou administrativas. (Atos 4.12). Lutero afirmou: “O mais sublime estudo de teologia consiste em reconhecer realmente a Cristo. Grave em ti mesmo a imagem do homem que se chama Cristo. Meu caro irmão, aprenda a conhecer a Cristo, isto é, o crucificado. Aprenda a dizer a ele: Tu, Jesus, és a minha justiça, eu sou teu pecado; tu aceitaste o que é meu (o pecado) e me deste o que é teu (a justificação).”
Somente Cristo. Esta mensagem luterana tem ainda lugar nos dias pós modernos?
De Lutero ouvimos: “As palavras ‘Cristo ressuscitou dos mortos’ devem ser decoradas e escritas com letras grandes, cada letra do tamanho de uma torre, sim, tão grande como céu e terra, para que não vejamos, ouçamos pensemos e saibamos outra coisa que este artigo. Pois não falamos e confessamos este artigo porque aconteceu, como se contássemos uma fábula, um conto ou um evento, mas para que se torne forte, verdadeiro e vivo no coração. E isso chamamos de fé, se o inculcamos em nós de tal maneira, que nos entregamos completamente a ele, como se nada mais estivesse escrito que ‘Cristo ressuscitou’. Se acreditássemos isso, teríamos boa vida e morte; pois Cristo venceu a morte e ressuscitou não apenas por sua pessoa, mas você tem que emendar isso de tal maneira, que vale para nós e também nós estamos inclusos e presos no ‘ele ressuscitou’ e devemos, por causa dele e da sua ressurreição, ressuscitar e viver eternamente com ele. Pois em Cristo a nossa ressurreição e nova vida já começaram, e estão tão seguros, como se já tivessem acontecido; mas ainda estão escondidas e não são visíveis. (Pregação de Lutero, 1532, sobre Jo 14).
Filipe, o interlocutor de Jesus em João 14 ainda não tinha esta convicção absoluta a respeito de Jesus Cristo. Jesus teria desempenhado sua missão em vão? Mesmo os mais próximos dele ainda não o conheciam? Filipe pede um sinal. Tenho ouvido muita gente dizer que é simples crer em Deus. Basta olhar a natureza. Filipe olhava e nada via!
Deus não se deixa encontrar na natureza. Deus não se revela na história com sinais de Sua presença. Deus não aquieta o coração sem fé da humanidade em sinais aqui, ali e acolá. O que Filipe pede e o que a humanidade busca, já está revelado: somente Cristo. O Deus invisível, o Pai, o Criador, está visível em Cristo Jesus. Jesus é a presença irrefutável de Deus na humanidade, na criação, na reconciliação.
Onde encontramos Deus? Onde enchergamos Deus? Somente onde está o “pão da vida”, onde está a “fonte da água viva”, onde acontece a “reconciliação”, onde se encontra uma “porta” para mudança de vida, onde está a “ressurreição e a vida”, ali Deus é visível. Moisés pediu a Deus: “Rogo-te que me mostres a tua glória” (Êx 33.18), e nós vemos Jesus Cristo.
Jesus Cristo, não como uma personalidade importante na história, não como o filho mais ilustre de uma nação, não como a melhor e mais perfeitas ilustração do que é amor e fé. O grande milagre é que em Jesus vemos Deus. Jesus é Deus feito gente como você e eu.
Quando, finalmente, vamos poder “ver” tudo isso? “Ainda por um pouco de tempo...” (v.19). Conforme este evangelho, em 24 horas Jesus não mais seria visto. Seria morto e crucificado. Em pouco tempo aconteceria o limite entre o crer e o rejeitar a Cristo. Somente um pouco de tempo! Que fazemos nós em nosso “pouco de tempo” em relação às nossas opções de vida e fé?
“...vós conhecereis que eu estou em meu Pai, e vós, em mim, e eu, em vós.”(v.20) Querer conhecer Deus é buscar conhecer Jesus. E isso é redescoberta do Evangelho. Sim, mais uma vez quero dizer: essa é a boa notícia desse dia que precisa ser dita aos quatro ventos. Jesus, somente Cristo, é a revelação plena e absoluta do Deus triuno. E a cruz é o mais perfeito sinal da criação reconciliada com o Criador. E mais: não há sinais de diluição da importância central e fundamental de Deus na vida de cada pessoa quando a comunhão de Jesus e a pessoa se estabelece pela fé e obediência à Palavra. Deus, Jesus e suas criaturas se fundem numa mesma esperança e certeza de Vida: somente Jesus.
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