sábado, 29 de novembro de 2008

Temor a Deus


Temor a Deus

“Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e o apartar-se do mal é o entendimento.” (Jó 28.28)
“O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria; revelam prudência todos os que o praticam. O seu louvor permanece para sempre”. (Salmo 111.10)

Estamos terminando mais um ano no calendário eclesiástico. Como na Igreja Cristã tudo começa com o nascimento de Jesus Cristo, teremos ainda um domingo – chamado de Cristo Rei – e logo começa o novo ano com o 1º domingo de Advento. O término do ano eclesiástico está associado a expectativa do novo. Quando termina, é porque algo novo vai acontecer. Como é esse novo? Como se preparar para este novo? A temática dos cultos em nossa Igreja neste 27º Domingo após Pentecostes quer nos levar à reflexão sobre a vigilância e necessidade de preparação para a vinda de Jesus Cristo.

Jesus vem! Jesus voltará! Isso soa a juízo. Que espécie de sentimento isto suscita em nossa vida? De que forma nos preparamos para este fato?

O barbeiro era famoso na cidade. Tinha uma freguesia muito seleta e fiel. Mas, quando vinha alguém desconhecido, como bom cristão que era, logo se punha a falar de Jesus. Eis que chegou um homem desconhecido para ser barbeado. O barbeiro logo encheu seu rosto com farta espuma de barbear, afiou cuidadosamente a navalha na tira de couro, deitou a navalha no pescoço do cliente e perguntou: - O senhor já tem certeza da vida eterna? Pensando que este era seu fim, o cliente deu um pulo e correu avenida abaixo.

Quando nos preparamos para a vinda de Cristo e quando somos levados a pensar sobre a necessidade de preparo e vigilância, fatalmente precisamos fazer considerações sobre o temor a Deus. O que dizem alguns textos bíblicos sobre o assunto?

Temor culposo

O conceito de culpa no temor a Deus está presente quando pessoas fazem exatamente aquilo que vai contra a vontade justa de Deus. Aconteceu, por exemplo, quando Adão e Eva, “...na viração do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus...” (Gn 3.8). Neste ano que se encerra aos poucos certamente houve momentos em que tentamos também nos esconder de Deus. Isto gera temor culposo e precisa ser resolvido diante de Deus e das pessoas. Os que não crêem em Deus... “tomam-se de grande pavor, onde não há quem temer: porque Deus dispersa”... os incrédulos. (Salmo 53.5)


Temor ordenado


O temor a Deus é ordenado, mas sempre no sentido de reverência. A reverência a Deus passa pelo respeito ao próximo, pela busca da justiça, da verdade, do repeito. A reverência a Deus não tem outro caminho a não ser o do amor ao próximo. Isto implica em aborrecer todas as formas de mal. “O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa...” (Provérbios 8.13) Por outro lado, este reverência, este temor ordenado, é princípio de sabedoria (Salmo 111.10)

A pedagogia do temor

Doutrinas cristãs que metem medo para controlar seus seguidores e seguidoras existem aos montes. Nós sabemos, pelas evidências bíblicas, que Deus abraça a todas as pessoas com sua graça redentora. E é exatamente isto que nos faz ter um temor reverente a Deus, reconhecer sua graça. É a partir deste temor que todas as pessoas podem compreender que são perdoadas. “Contigo, porém, está o perdão, para que te temam” (Salmo 130.4). Este é o temor pedagógico que Deus quer que entendamos. “...que é que o SENHOR requer de ti? Não é que temas o SENHOR, teu Deus, e andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma ... vosso Deus é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores...” (Deuteronômio 10.12, 17)

Temer a Deus não tem nada a ver com a “teologia do medo”, mas sim com o repeito. Nestes dias de nos separam do Natal e do Novo Ano, tentemos reconsiderar nossas atitudes sociais e de fé, para que sejam testemunho de que amamos a Deus e ao próximo. Que isso nos leve a uma esperança confiante.

Amém!

Que você tenha um abençoado tempo de preparação para o Advento de Cristo Jesus. P. Rolf Rieck

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