sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Crianças – um subproduto da sociedade permissiva


Pregação da noite de domingo, 12 de outubro. Neste Culto de Louvor refletimos sobre a realidade da criança. No Dia da Criança nos perguntamos pela vontade de Deus para a vida destes pequeninos. Desejo a você uma boa leitura e reflexão. P. Rolf

Crianças – um subproduto da sociedade permissiva

Em 1990 surge o Estatuto da Criança e Adolescente. Um avanço na legislação brasileira em favor de gente pequena. Lembro que a Maria Auxiliadora e o Luis adotaram o Marquinhos mais ou menos nesta época. O Marquinhos era uma criança queimada com pontas de cigarro e que chorava desesperadamente quando via uma pessoa adulta se aproximando. Era vítima de maus tratos severos. O Pastor Sérgio Veiga, irmão querido que juntamente com sua família amava estas crianças abandonadas, recebeu este bebê em seu abrigo – casa de passagem - por determinação do Conselho Tutelar da cidade. O Pastor Sérgio e a Margarida apresentaram esta criança em nossa Igreja. Tão pequenininho e tão grandemente marcado pela violência. Juntamos roupas, comida, carrinho e carinho. Maria Auxiliadora e Luis, depois de muito pensar, o acolheram como filho em sua casa. Que lindo ficava o menino mulato. As marcas de queimaduras iam desaparecendo e um novo sossego ia se instalando em seu coraçãozinho tão sofrido. Marquinhos teve um futuro!
Mas nem sempre é assim. Nomes como Isabella Oliveira Nardoni, Pedro Augusto, Douglas Freitas e a inglesa Madeleine McCann, ao lado da brasileirinha de 12 anos acorrentada e maltratada em apartamento de Goiania são apenas alguns poucos que nos fazem perguntar: de onde vem esta violência?
Estatísticas oficiais escondem a realidade da violência contra a criança no Brasil. Em média, as cidades menores apresentam número maior de violências praticadas contra as crianças dentro de casa. Nesta média é aceito que, por exemplo, os casos de AIDS no Brasil cheguem a 0,65% da população e que entre 7% a 9% da população infantil é alvo de violência doméstica. Essa pesquisa foi feita em escolas públicas, uma vez que apenas 1% destes casos são denunciados na polícia ou nos conselhos tutelares.
E não são os pobres que cometem violência doméstica. Isso acontece em todas as classes. No final da década de 70, em Porto Alegre, o JHV Evangelho 77 – programa de recuperação de viciados em nossa Igreja – percebia alto grau de violência doméstica entre as classes ricas daquela capital. Dinheiro e drogas eram substitutos da falta de amor e carinho por parte dos pais.
De acordo com a pesquisa "A ponta do iceberg", publicada no site O Globo de 5 de abril de 2008, realizada pelo Laboratório de Estudos da Criança da USP com dados de 1996 a 2007, apenas 10% dos casos de abusos físicos e psicológicos contra as crianças são denunciados. Segundo os pesquisadores, em todos esses anos foram notificados 159.754 casos de violência doméstica. A maioria, 65.669, é de negligência. A violência física vem em segundo lugar, com 49.481 casos, seguida de violência psicológica (26.590) e de violência sexual, com 17.482 casos.
Por que esta violência toda contra seres indefesos, violência esta que acontece principalmente entre os 5 e 14 anos? Seriam as crianças um infeliz subproduto da sociedade permissiva que vivemos?
Entre as tantas causas possíveis para esta violência, está a visível distância que separa os pais de uma vida de temor a Deus. Pais que não levam a vida com Deus a sério, mesmo que estejam cheios de boas intenções, dificilmente poderão sustentar uma educação libertadora e amorosa para com seus filhos. E quando não o conseguem, vêem em seus filhos um peso e não uma bênção. Quantas vezes crianças têm sido esquecidas em carros estacionados em frentes a boates e casas de diversão simplesmente porque, ou o pai, ou a mãe, querem a liberdade de se divertir?
Acredito que algumas orientações podem ser tomadas como significativas para todos nós a partir de passagens bíblicas. Vejamos algumas:

1. A Bíblia fala que filhos são dom de Deus. “Respondeu José a seu pai: São meus filhos, que Deus me deu aqui. Faze-os chegar a mim, disse ele, para que eu os abençoe”. (Gn 48.9). Aponta para os filhos e filhas como sinal de alegria na vida da pessoa. “Faz que a mulher estéril viva em família e seja alegre mãe de filhos. Aleluia!” (Sl 113.9)

2. As crianças são puras para que glorifiquem a Deus, como acontece no episódio relatado em Mateus 21: “...vendo as maravilhas que Jesus fazia e os meninos clamando: Hosana ao Filho de Davi!, indignaram-se e perguntaram-lhe: Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?” São elas que ensinam seus pais olhar para o Criador com confiança e segurança.

3. Estas crianças devem ser trazidas à casa do Senhor para que aprendam a respeito do caminho da vida desde cedo. Assim vemos acontecer com Samuel: “Havendo-o desmamado (motivo de grande alegria e festa na família daquele tempo), levou-o consigo (...) e o apresentou à Casa do SENHOR, a Siló. Era o menino ainda muito criança”. Assim fizeram também as mães no tempo de Jesus conforme lemos em Marcos 10: “Então, lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse, mas os discípulos os repreendiam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele. Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava”.

4. Estas crianças tinham como exemplo seus próprios pais, que os ensinavam a honrá-los, por mandamento divino: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá”. (Ex 20.12). O ensino no caminho do Senhor, por sua vez, era de responsabilidade tácita dos pais: “Ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentados em vossa casa, e andando pelo caminho, e deitando-vos, e levantando-vos. Escrevei-as nos umbrais de vossa casa e nas vossas portas, para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o SENHOR, sob juramento, prometeu dar a vossos pais, e sejam tão numerosos como os dias do céu acima da terra”. (Dt 11.19ss). A sociedade é cada vez mais permissiva certamente porque os próprios pais não tem mais coragem de ensinar seus filhos a honrá-los. Pais que não sabem dizer “não” não servem para que a bênção de Deus se perpetue nas gerações. Pais, ensinem seus filhos e filhas a lhes dar a honra devida.

5. Nas palavras bíblicas, filhas e filhos são altamente estimados: “Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta”. (Sl 127) Ou: “Coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são os pais”. (Pv 17)
Enfim, o perfeito relacionamento entre pais e filhos descarta a violência doméstica. Quando jovens se conhecem e se respeitam, e somente constituem família quando o podem fazer de forma equilibrada e responsável diante de Deus, então as chances de haver bênção e equilíbrio se multiplicam. E as chances de alguém ser jogado pela janela ou queimado por pontas de cigarro diminuem proporcionalmente.


Pais e filhos! Quais são as escolhas feitas por vocês. Quais têm sido as nossas opções?
“O filho sábio alegra a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe”. (Pv 10) “Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados”. (Cl 3)

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