
1 Co 1.10 - Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer. 11 Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós. 12 Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo. 13 Acaso, Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nome de Paulo? 14 Dou graças a Deus porque a nenhum de vós batizei, exceto Crispo e Gaio; 15 para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome. 16 Batizei também a casa de Estéfanas; além destes, não me lembro se batizei algum outro. 17 Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho; não com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo.
18 Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.
A palavra da cruz
O tema desta pregação não tem sido um dos “queridinhos” dos mega-pregadores-teatrais da atualidade. Uma mistura de pensamentos sectários advindos de pseudo-cristãos como Rebecca Brown e Keneth Hagin (veja a “pregação” deste senhor, respeitado por muitos: www.youtube.com/watch?v=kESE8wjEXCQ ) que, por sua vez, bebem em águas como da Ciência Cristã e satanismo. De outra parte, dos pensamentos ilusionistas de pregadores e pregadoras que mais parecem discípulos e discípulas de filosofias positivistas antropocêntricas como, por exemplo, do “Segredo” com suas promessas de saúde, prosperidade, harmonia a partir da atração. Bom, é gente nada sabe ou nada quer saber sobre a CRUZ.
Deixemos de lado todo esse emaranhado e voltemo-nos ao centro desta mensagem: a CRUZ.
Olhando nosso texto com atenção, observamos que o tema CRUZ está, na verdade, concluindo outro tema que aparentemente nada tem a ver com CRUZ. Paulo está se referindo à discórdia que surgiu na igreja de Corinto – discórdia grave – pelo fato de os cristão terem centrado sua atenção em pessoas e não na causa. Quando surgem partidarismos, surgem divisões. Interessante observar também que no centro desta divisão está o assunto batismo, exatamente como está acontecendo em nossos dias – causando dor e tristeza no Corpo de Cristo.
[Aliás, este fato ocorre também bem próximo a nós: a congregação que passou a se reunir na Rua Inambú. Nem sempre percebemos que esta igreja esteja movida pelo sentimento fraterno do respeito, do amor e da misericórida. Parece haver, também neste contexto, muita necessidade de enfatizar os pessoalismos.]
Mas a CRUZ.
A CRUZ é escândalo. Ela é escandalosamente ofensiva diante de tudo que quer ser famoso, agradável, fácil de ser aceito. A CRUZ é piada diante da necessidade humana de sucesso, de vitória.
A CRUZ é realidade, e não teatro.
É desta palavra da cruz que a humanidade adquire toda sabedoria. É a palavra da cruz aquela que traz a boa nova evangélica da reconciliação de Deus com a humanidade.
Como esta mensagem da cruz pode ser transformadora e conciliadora nos dias atuais?
1 1. A CRUZ mostra que Cristo é indivisível.
Diante da realidade e universalidade da cruz, ninguém pode dizer que é dono de Cristo ou da salvação. A função da cruz – muito além de ser um dos mais cruéis instrumentos de tortura – é de mostrar a salvação. Nenhum pregador, nenhum pastor, nenhum conselheiro, nenhum artista, nenhum milagreiro pode abrir os olhos de uma pessoa para o seu pecado. Somente a cruz que carregou o Salvador Jesus Cristo pode abrir os olhos da humanidade para a necessidade de ansiar pela salvação. E, por conseguinte, não é a doutrina, nem quem foi o agente batizador ou a modalidade do batismo que salva. É somente o Cristo crucificado. E este não se divide, não pode ser dividido. Não pode ser bagatelizado.
2 2. A CRUZ não tem maior efeito a partir de jogadas de efeito de quem a anuncia.
O apóstolo Paulo certamente não foi o mais benquisto da igreja de Corinto. Ele tinha sido um dos primeiros a anunciar Jesus, o crucificado, na sinagoga daquela importante cidade portuária. Muitos destes tinham aceito a salvação de Cristo pela mensagem da cruz ali pregada. Mas ainda outros anunciaram Jesus: Apolo – aparentemente um judeu instruído da Alexandria, ensinador das escrituras, que se tornou cristão e professor do cristianismo –, Cefas – o nome original de Pedro, que também ali pregou –, e também aqueles que não precisaram depender de ninguém que lhes anunciasse a verdade e que, portanto, se consideravam mais cristãos porque o aprenderam por revelação direta de Cristo.
O problema não é que outros anunciam a palavra da cruz. O problema fica estabelecido quando surgem partidarismos e quando o Corpo de Cristo se divide por causa de intransigências. O que seria sinal de alegria para a igreja, pela diversidade de pessoas que anunciam o evangelho, cada uma com seus dons especiais, pode tornar-se motivo de disputas individualistas.
E a discussão por prestígio ou por autoridade acaba, inevitavelmente na questão do batismo, igualzinho aos dias de hoje. “Martim Lutero ensinou que o batismo não é validado por quem o recebe, mas por quem o ordena. O dinheiro é válido na mão de um médico, como na mão de um traficante. O que faz o dinheiro valer não é o seu portador, mas sim a Casa da Moeda, não o que o usa. Assim o batismo é válido porque Jesus o ordenou, e não pela dignidade de quem o pratica. Aliás, quem de nós é digno? Nós luteranos cremos que nenhum de nós é digno. Digno é Jesus que santifica a todo aquele que o tem na vida.” Assim escreveu meu amigo Oziel no site da IECLB. (http://www.ieclb.org.br/noticia.php?id=7440)
3 3. A CRUZ, o poder de Deus.
Ao contrário da imagem que o mundo pós-moderno vende – e que muitas igrejas sensacionalistas compram – a cruz não é sinal de derrota. Aliás, muitos cristãos já baniram a vergonha da cruz de suas vidas e colocaram em seu lugar o inofensivo e agradável peixinho. A CRUZ é poder de salvação. “...mas para nós...”, o apóstolo Paulo personifica esta mensagem. A salvação sob os auspícios da cruz de Cristo não é impessoal. Não existe salvação impessoal. Ela tem por objetivo a pessoa e, como conseqüência, a sociedade. E se a sociedade cristã passa a querer facilidades, somente vitórias, somente o lado bom da vida, seguramente não é uma sociedade cristã moldada pela cruz. Se a pessoa, ou a sociedade na qual ela vive, não experimenta transformação de justiça e verdade, então não terá experimentado a libertação que a salvação de Jesus, o crucificado, traz. A pessoa e a sociedade se tornam individualistas. E o individuaismo não suporta concorrência, não suporta a outra pessoa. A pessoa individualista não se submete. A sociedade individualista, que rejeita a cruz, se torna violenta e insensível – também dentro das igrejas. Por isso acaba dividindo forças.
A CRUZ aglutina forças que são transformadas por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo em novas possibilidades. Que mudança pode ocorrer na vida de cada um de nós se, hoje, passarmos a agir como pessoas libertas e salvas pela palavra da CRUZ!
Amém!
Pastor Rolf Rieck
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